






Morte do Almirante
Agatha Christie







A MORTE DO ALMIRANTE

Treze eminentes autores ingleses, grandes especialistas em livros policiais, se reuniram para escrever uma 
obra pela a qual cada um deles escreveria o seu captulo, repleto de dificuldades e armadi-1has de toda 
espcie, passando-o ao escritor seguinte, e assim sucessivamente, at formarem uma histria completa. O 
resultado foi A MORTE DO ALMIRANTE, um dos mais originais e emocionantes livros de fico detetivesca 
at hoje publicados.
 Contra Capa Em Londres, em 1932, 13 membros da mais importante (e mais prestigiosa) organizao de 
autores de livros de mistrio e suspende, o Detection Club, reuniram os seus apreciveis talentos no preparo 
do agora legendrio e raro A MORTE DO ALMIRANTE. O romance foi escrito por partes, cada membro se 
encarregando de um captulo, recheando-o de indcios e problemas e passando para o colaborador seguinte, 
cuja funo era resolver o mistrio apresentado sem ter a mnima idia da soluo concebida pelo 
colaborador anterior ou colaboradores anteriores. No foi, na verdade, uma tarefa fcil, at mesmo para os 
grandes autores do gnero, na poca: Anthony Berkeley, G.K. Chesterton, Agatha Christie, G.D.H. e M. 
Cole, F.W. Crofts, Clemence Dane, Edgar Jepaon, Milward Kennedy, Ronald Knox, John Rhode, Dorothy L. 
Sayers, Henry Wade e Victor Whitechurch. Todos esses autores respeitaram o juramento solene prestado 
ao ingressarem no Clube: fazer com que os seus detetives usassem apenas recursos prprios sem lanarem 
mo de acasos ou de coincidncias; no inventar raios mortferos e venenos para dar solues que nenhuma 
pessoa viva pudesse esperar, e escrever na melhor forma literria possvel. At mesmo regras mais estritas 
foram auto-impostas pelos membros para a sua colaborao: cada um dos escritores deveria ter uma 
soluo original em vista, enquanto estivesse fazendo a sua parte; ningum poderia introduzir novas 
complicaes unicamente para confundir; todos deveriam estar em condies, a qualquer momento, de 
explicar cada um dos indcios de maneira coerente e plausvel. A fim de que este ponto ficasse assegurado, 
cada autor era obrigado a apresentar sua prpria soluo ao mistrio quando entregasse o seu captulo (o 
leitor curioso pode encontrar essas solues no fim do livro). Em segundo lugar, cada colaborador deveria 
tratar honestamente de todas as dificuldades criadas por seus predecessores. Quaisquer aparentes 
irregularidade ou incoerncias no poderiam ser desprezadas  deveriam ser encaradas como indcios 
honestos apontando no sentido da soluo final. A MORTE DO ALMI-. RANTE  um romance lindamente 
escrito e de enredo surpreendentemente bem armado. Este livro, traduzido da mais recente edio inglesa, 
contm uma deliciosa introduo de Christianna Brand, que pertence atualmente ao Detection Club, e a 
introduo original de Dorothy L. Sayers, alm de um mapa e diversos apndices.
         O Detection Club  uma associao privada de autores de fico detetivesca na Gr-Bretanha, que 
existe principalmente com a finalidade de realizar jantares em conjunto a intervalos convenientes para 
interminveis conversas sobre o assunto de sua especialidade. O clube no deve qualquer fidelidade a editor 
algum nem (ainda que desejoso de obter uma honesta retribuio pelo oferecimento da presente aventura A 
MORTE DO ALMIRANTE ao pblico) est preocupado principalmente em fazer dinheiro. No se trata de um 
comit de juizes para a recomendao de seus pr6prios livros ou de outros autores ao pblico, e, na 
realidade, no tem outro objetivo sento o de distrair-se a si mesmo. Seus membros esto limitados queles 
que realmente escreveram obras genunas de aventuras de detetives (no contos de aventuras nem de 
sensacionalismo) e tm sua eleito assegurada atravs de uma votao no clube, por recomendao de dois 
ou mais membros.
  Da Introduo de Dorothy L. Sayers Christianna Brand  o pseudnimo de Mary Christianna Leais, uma 
das maiores autoras inglesas de livros  policiais.















A Morte do Almirante

POR DETERMINADOS SCIOS DO DETECTION CLUB

Com uma nova introduo de CHRISTIANNA BRAND

Pd RECORD

EDITORA
   RECORD Introduo

A Srta. Dorothy L. Sayers  que Deus proteja aqueles que no se lembrarem desse L  estava acostumada 
a falar, em termos comedidos, sobre tudo que poderia ser dito a respeito de qualquer assunto.
Sobre o tema de A Morte do Almirante, por essa razo, ela cobriu, em sua Introduo, tudo o que h para 
ser dito, descrevendo a concepo do livro, as condies sob as quais foi escrito, as regras extremamente 
alarmantes que governizaram o seu progresso (sei que escrevi governizaram quando pretendia escrever 
governaram, mas penso que, afinal de contas, podemos deixar passar esse escorrego que Freud explica) 
at o seu aparecimento final e triunfan-te nas livrarias. Talvez, porm, seja menos triunfante, quando 
soubermos que o agente utilizado, tendo negociado algo mais satisfatrio  tenho quase certeza de que este 
foi o livro envolvido  mandou as regras normais s favas. Em justa homenagem, deve ser acrescentado que 
os membros do grupo, sob  caridosa insistncia de Freeman Wills Croft, de honrada memria, tendo 
descoberto que a dama se encontrava em situao mais calamitosa do que o clube jamais poderia encontrar-
se, votaram por maioria no tomar qualquer ao contra ela. Da se conclui que a Srta. Sayers no formava 
entre os anjos.
Mas, como eu estava dizendo, to pouco me  deixado para tecer comentrios sobre o livro propriamente, 
que talvez seja melhor que eu me limite a dizer aos leitores alguma coisa sobre o Detection Club e seus 
membros que colaboraram no empreendimento com o prop6sito de fazer dinheiro suficiente para se 
estabelecer por conta pr6pria.
Em 1932 no era muito boa a reputao dos que escreviam sobre crimes. Muita porcaria estava sendo 
produzida, livros mal escritos e de contedo meramente sensacionalista eram a regra de conduta geral. 
Entretanto, obras realmente boas foram escritas, at por autores que deixaram suas marcas em outros 
campos da literatura: G. K. Chesterton, A.E.W. Mason e Hugh Walpole foram nomes nacionais; Ronald 
Knox, padre catlico, famoso nos crculos universitrios, a quem mais tarde foi confiada a tarefa de passar a 
Bibl.a para o ingls moderno; Iorotby L. Sayers, de inteligncia brilhante e reconhecidamente cultivada  
lembro-me de que ela me disse que durante a blitz passava todo o tempo disponvel nos abrigos antiareos, 
aprendendo o italiano de Dante, para que lhe fosse possvel traduzir a Divina Comdia, obra que ganhou 
merecidos aplausos.
Assim, no mais se sentindo satisfeitos em serem grupados sob o ttulo genrico de escritores de suspense, 
a nata desses autores resolveu reunir-se, por sua prpria conta, como o Detection Club  a primeira dentre 
tais associaes no mundo, ao que suponho. A idia bsica era de que os membros do grupo deveriam 
preocupar-se com investigaes de fato e,  claro, manter-se dentro de um elevado padro de qualidade e 
escrever em estilo literrio. Era, e ainda continua a ser, uma honra ser eleito para o clube. Com o 
alargamento do gnero, suas portas foram naturalmente obrigadas a se abrir mais do que at ento, porm 
de forma alguma, no abrange ainda todas as formas de obras de suspense. Alguns autores podem no 
estar includos somente por essa razo;  o contedo de seus trabalhos, mais do que qualquer falha em 
seus mritos, que os deixa de fora. A aceitao como scio, segundo creio, pressupe que o membro deve 
encontrar-se em algum lugar no topo da montanha da literatura sobre crimes.
Escritores ingleses, a est. Nossa Associao de Escritores Policiais est aberta para todas as raas, 
cores e credos; o Detection Club se limita  prata da casa.
Com exceo da Srta. Gladys Mitchel, a quem devo muito de minhas informaes e de quem me encontro 
embaraadamente distanciada, sou o membro mais antigo do clube. Ela foi eleita cm 1933, um ano aps o 
clube ter sido fundado, e eu em 1946, na primeira reunio do ps-guerra, no havendo mais ningum vivo at 
chegarmos a Michaels, Innes e Gilbert, em 1949. Assim, uma boa qualidade de detalhes se perdeu na 
neblina do tempo. Anthouy Berkeley alegou, acredito que corretamente, ter sido ele quem teve a idia 
original; no entanto, percorrendo a lista, podemos presumir que entre os primeiros membros, alm de 
Anthony Berkeley, emprestando suas luzes, estavam G. K. Chesterton, que foi o primeiro Presidente 
Honorrio, E. C. Bentley, o segundo, e Dorothy L. Sayers, o terceiro. Agatha Christie foi a quarta, mas em 
dupla com Lorde Gorrel, conhecido entre os irreverentes como Lorde Ovelha. Agatha tinha tanto horror a falar 
em pblico que Gorrel foi convidado, em uma reunio a que ela no comparecera, a desempenhar-lhe o 
papel. O que significou, poderamos muito bem perguntar, essas lamrias em nossos ouvidos? Significou que 
Lorde Ovelha teria, obstinadamente, se recusado a colaborar a no ser em termos de absoluta igualdade. 
Lembro-me bem da reunio e ainda guardo como um tesouro a carta que recebi no dia seguinte do adorado 
Cyril Hare (em suas outras roupagens um juiz da Corte do Condado e um cavalheiro muito espirituoso; a 
primeira vez em que o encontrei, perguntei: Por favor, senhor, os plos so mesmo de Lebre [Hare-Lebre] ou 
o senhor usa peruca?, ao que ele respondeu, sem hesitao: Oh, uma peruca, uma peruca! No  o pneu 
verdadeiro nome.) Christianna, escreveu ele aps a reunio, seu rosto, do outro lado da mesa, era como 
que um estudo; (por falar nisso, minha querida, ser que o seu chapu ficaria bem em uma outra dama?). 
Mas voc teria acreditado que adultos poderiam portar-se de uma forma to ridcula? Fosse como fosse, 
Sua Excelncia, o Lorde, ganhou o dia, e eles se tornaram presidentes-conjuntos, sendo a nica dificuldade 
remanescente o imaginar-se como  sendo ambos de propores volumosas  poderiam eles caber na veste 
nica apropriada para o cerimonial.
Essa pea era  e   um flamante traje vermelho usado pelo presidente Honorrio na cerimnia de posse, 
parte da brincadeira imaginada como uma alegre e divertida traquinada por G.K.C., E.C. Bentley e outros 
animados membros, mas, subseqentemente, levada mortalmente a srio pela Srta. Sayers, que, ensaio 
aps ensaio tediosos, insistia sobre a perfeio do ato de posse. O Presidente, depois do completo jantar 
anual, como orador e convidados, faz moa entrada, seguido por uma procisso de portadores de tochas e 
precedido por Erik, o Crnio, trazido em uma almofada de veludo vermelho, os olhos iluminados ou, quando 
tal no acontecesse, apagando-se as luzes quando o pessoal do restaurante, acionando o interruptor de luz, 
faz com que tudo mergulhe na escurido. Digo isso com alguma amargura. Nos meus primeiros dias, eu era 
o mais jovem de todos os membros e sonhava, justificavelmente, assegura-me a bondosa Gladyz Mitchell 
hoje, ser algo assim como uma encantadora garota, preparada para a ocasio. Ser-me-ia concedida mora 
participao destacada? Na verdade, no. Ser que eu poderia partir uma tocha, sem dizer nada? Nem 
mesmo isso. A Srta. Brand pode permanecer do lado de fora, comandaria a Srta. Sayers com sua voz 
retumbante, e apagar as luzes na ocasio apropriada. Os garons nunca fazem isso direito, eles so todos 
uns patetas. Eu tambm nunca fiz isso direito. A Srta. Brand  uma pateta, diria ela, quando tudo j estava 
irremediavelmente estragado. Muito bem, OK. Mas no  para isso que ponho um vestido novo, ano aps ano 
e pinto de azul minhas pestanas.
A Srta. Sayers, ela prpria, no teria pintado de azul suas pestanas, as quais, de qualquer modo, estariam 
encobertas por antigo pince-nez sem aro, seguro por uma corrente de ouro que dava uma volta por trs de 
uma de suas orelhas; nem usaria um vestido novo, confiando em seu georgette negro por baixo de uma 
tnica chinesa, de tempos imemoriais, pesadamente bordada de fios de ouro e de seda colorida. Lembro-me 
de que na prpria noite de minha posse foi representada uma brincadeira, na qual um dos membros caa 
morto e todos ns ramos convidados a deduzir quem era o assassino. A Srta. Sayers, excelente para o 
palco, havia-se eleito a si mesma para o papel do assassinado e finalmente se despencou ruidosamente 
sobre o tapete do restaurante. Casualmente, o tapete era de um modelo azul ondulado e quase morri de rir  
vista de uma imensa baleia chinesa envernizada, agitando-se nos baixios em seus estertores da morte. Mas 
a desgraa se abateria sobre quem quer que no levasse a srio tudo isso. Creio que nessa ocasio, como 
em muitas outras, fui algo assim como um espinho no tumor presidencial.
Desgraa, tambm, se abateria sobre quem quer que deixasse filtrar uma nica palavra que fosse a respeito 
de toda essa tolice para a imprensa. Ns no desejamos apresentar a ns mesmos como um espetculo de 
raridades, era um constante pronunciarem-to dela  estando nessas ocasies, como j tive oportunidade de 
dizer, envolta em um exuberante vermelho, precedida por um crnio iluminado conduzido em uma almofada 
de veludo tambm vermelho e seguida por uma procisso de portadores de tochas que deixavam pingar cera 
derretida sobre mos trmulas empunhando os textos. De modo algum o silncio era completo. A formatura 
j fora modificada por diversas vezes, mas chego a pensar que deveramos ter voltado ao punhado original de 
pensamentos idiotas produzidos por mentes brilhantes, cheios de brincadeiras alegres  das quais 
infelizmente, ela posteriormente retirou toda a graa. Tomando posio no tablado,  frente dos olhos 
surpresos dos convidados ainda sentados  mesa de jantar, o Presidente se via cercado pela companhia, 
muitos portando diferentes armas, que, por sua vez, se punham de joelhos, brandindo uma faca, uma arma 
de fogo ou um frasco de veneno, declarando eu tambm sirvo... No me posso lembrar em que capacidade 
exatamente ou, na verdade, quais as palavras que se seguiam a essa curiosa declarao. Lembro-me disso 
 essa parte j foi de longa data abandonada  apenas porque um dos membros, de tendncias 
decididamente tespianas, uma ocasio soltou um curioso uivo, gritando, eu tambm silvo... , depois do que 
ano aps ano, eu esperava que isso se repetisse e, de meu vantajoso posto do lado de fora da porta, caa 
novamente na gargalhada.
Um juramento era ento proferido e ainda o . Ns nos pnhamos a repudiar uma srie de crimes contra os 
escritores de romances policiais. Isto tambm foi alterado, mas muito de tudo ainda se aplica ao ofcio. 
Devemos lembrar-nos de que, no incio, estas coisas estavam apenas relacionadas com meras histrias de 
detetives, em oposio a outras formas literrias: as histrias de sensacionalismo, as de suspense, as de 
aventuras (John Buchan, por exemplo, no foi convidado a associar-se), todo o amplo espectro do erro hoje 
em dia. Vocs juram solenemente...?, comea o juramento e ns solenemente juramos estar de acordo 
com o jogar limpo com os leitores, com o no esconder indcio algum vital, seja para ele seja para o nosso 
prprio detetive, com o no empregar venenos desconhecidos pela cincia ou qualquer mezinha ou chᔖ o 
que ter sido, aposto, uma contribuio de Chesterton; com o nos limitarmos a uma passagem secreta 
apenas em homenagem do, ingls da Rainha (naqueles dias deveria ter sido do Rei), e No haver 
chineses, esta ltima afirmativa cobrindo, suponho, magias escuras do Oriente misterioso, meios, mtodos 
e motivos no familiares aos leitores comuns; G.K.C. acreditava que as histrias de detetives eram melhores 
quando permaneciam em casa. H vrias outras declaraes explcitas no juramento, mas, tendo eu jurado 
to solenemente cumpri-las todas, tenho, no obstante, que confessar que me esqueci completamente de 
sua maioria. Apesar de tudo, o juramento era um bom juramento. Quanto ao resto, e mantenho esse ponto 
de vista em face de uma oposio menos frivolamente imaginosa, era tudo meio gozao, meio infantilidade, 
meio pilhria; mas o juramento, ainda que de um humor de gozao, como todo o humor de gozao tinha 
esprito e realidade por trs se no era absolutamente infantilidade.
Tenho que me opor a qualquer sugesto segundo a qual tudo deva ser atirado no colo de Dorothy L. Sayers. 
Afinal de contas, ela j morreu h 20 anos, sendo encontrada morta no p da escada de sua casa, cercada 
por gatos desolados; e deve ter havido mais uns 150 membros do clube. No entanto, Dorothy se preocupava 
enormemente com o clube, devotava-se a seus interesses e nos dirigiu durante todo o seu tempo como 
presidente, com um nem sempre benevolente punho de ferro. Sua influncia perdura at hoje.
O clube, originalmente, situava-se no Soho, na Rua Gerardn. 31, duas peas escassamente mobiliadas com 
mveis em desuso nas casas de seus membros, e podendo ser utilizada uma pequena cozinha e uma saleta 
de jogos. De modo algum, mesmo ento, a mais respeitvel das vizinhanas (a Srta. Mitchell declara que, 
enquanto caminhavam pelas ruas estreitas, cheias de lojinhas de estrangeiros  italianos, franceses, 
chineses  as mais formidveis dentre os membros femininos formariam uma guarda de honra em torno dos 
cavalheiros, a fim de proteg-los das filhas da noite).
Quando, porm, conheci o clube pela primeira vez, as acomodaes haviam sido mudadas para a Rua 
Kingly, que corre paralela  Rua Regent, onde dispnhamos de uma pea (e uma saleta de jogos) em uma 
casa clerical  a Srta. Sayers era seguidora fervorosa da Igreja Alta e em muito bons termos com o Sudrio. 
Lembro-me bem de que, descendo as escadas, ao sair, observei ser estranho ver-se gente transitando no 
saguo de uma casa dedicada  formao de sacerdotes. "Pode ver-se nitidamente, falou uma voz 
estrondosa por trs de mim, que a Srta. Brand criou-se na religio Catlica Romana. Ela era de fato uma 
dama espirituosa  e aqui estamos ns, o leitor pode ver, de volta a ela novamente!  e se algum no podia 
evitar de rir-se dela, era sempre afetuosamente que o fazia; ela foi muito boa comigo. Quando todo mundo ia 
embora, ns nos sentvamos, uma de cada lado da lareira daquela pequena pea enfumaada, ela com os 
seus gordos joelhos separados, deixando  mostra uma viso de roupa de baixo azul-escuro, e falvamos 
durante horas a respeito de coisas e da vida. Havia um conceito popular errneo de que ela fosse sapato, o 
que no era verdadeiro ainda que mais de uma vez eu tivesse pegado um chapu de homem e exclamado 
Um dos homens deixou o chapu aqui!, somente para ouvi-la dizer Esse chapu  meu. Mas ela havia 
sido casada muito tempo antes, e nos dias de sua mocidade parece ter estado, bem  frente de seu tempo, 
nitidamente no lado da permissividade, mas estritamente com cavalheiros. Depois de sua morte, e somente 
ento, foi revelada a existncia de um f1ho seu ilegtimo.
Das pessoas que conheo sou a nica que jamais o encontrou  um sujeito tambm muito bom. Como 
poder ter-se sentido, em termos de felicidade, ao ser rejeitado por essa eminente dama, eu no sei.
Ns nos encontrvamos nas instalaes do clube pelo menos uma vez por ms, posteriormente de dois em 
dois meses, e logo em seguida amos jantar em um restaurante das proximidades. Durante algum tempo, 
jantvamos em o Escargot Bienvenu  e l estamos ns de volta, mais uma vez  Srta. Sayers! Era o seu 
restaurante favorito, confidenciou-me ela, caminhando de volta pelas ruas do Soho, depois de nosso primeiro 
jantar l, e ela no estava absolutamente segura de que tivesse sido acertado apresentar-nos 
quele restaurante: As pessoas so imprevisveis, dissera, e comearo reclamando ou qualquer coisa 
assim. O pessoal de l  meu amigo.
No quero estragar meus planos. Deve consolar-se, Srta. Sayers, sugeri, "com o exemplo dado por Lorde 
Buddha, que, quando todos os animais estavam famintos, transformou-se a si mesmo em um elefante e se 
atirou de um alto rochedo a fim de que pudessem alimentar-se de seu corpo. Ao falar assim, voltei minha 
cabea e vi a enorme forma cinzenta que se deslocava a meu lado, e dessa vez no houve qualquer 
inclinao para risadas de minha parte. Ela, no entanto, caiu na gargalhada. Sob inmeros aspectos, 
Dorothy L. Sayers era formidvel.
A Morte do Almirante foi publicado muito antes de meu tempo, no primeiro ano de existncia do clube, e 
todos os que contriburam para ele esto agora mortos e enterrados. Lembro-me de alguns deles, entretanto, 
e conhecia ou outros como parte de minha vida de todos os dias. Chesterton era, claramente, sob todos os 
aspectos, uma grande figura daquela poca  corpulento, hilariante e, sob sua alegria, profundamente srio e 
religioso; muito de longe, posso afirmar-lhes, assemelhava-se s fantasias do querido John Dickson Carr, de 
quem se supunha ser ele o prottipo  o prprio John me disse que jamais tinha posto os olhos em cima de 
6.K.C, em toda a sua vida. Margaret Cole lembro, com algum ressentimento, de ser rude e briguenta; ela 
claramente desaprovava mulheres jovens frivolamente vestidas, e com pintura azul nas pestanas.
Ela e o marido, G.D.H., estavam profundamente envolvidos no Movimento Operrio e no lhe ocorreria, creio, 
que durante anos eu tivesse sido to pobre e oprimida como qualquer outra pessoa que ela tivesse 
encontrado no curso de suas exploses polticas. Milward Kennedy era um escritor afvel, agradvel, bom e 
charmoso; Clemence Dane, um distinto novelista, muito diferenciado do escritor policial. Henry Wade era na 
verdade Sir Henry Lancelot AubreyFletcher, mas, mesmo assim, temo que no me lembre dele. 
Agatha Christie mantinha-se,  claro, quieta, reservada, encabulada e encantadora, e acredito que gostasse 
muito do clube, onde se distraa mais do que em companhia de outras pessoas. Mantinha-se 
permanentemente reservada, tendo desenvolvido uma crosta em torno de si mesma para se proteger da 
publicidade e dos mexericos que se seguiram aps o famoso desaparecimento  de fato o 
simples resultado de uma interrupo temporria aps ter estado doente e ter passado por uma depresso 
perfeitamente compreensvel por diferentes motivos. A reserva permanecia; mas, no clube, grande parte de 
seu acanhamento bsico desaparecia. Ela se deliciava em falar sobre assuntos profissionais, divertia-se com 
facilidade, e era generosa com relao s obras de outros autores. Era tambm uma correspondente 
deliciada e deliciosa. Obrigada, agradeceria ela, por ama verdadeira carta do autor, e responderia com 
uma verdadeira carta do autor de sua prpria lavra  vrias pginas, no muito bera datilografadas, com 
muitas correes e cheia de acrscimos em toda a margem. Uma dama reservada, mas sem coisa alguma 
que a tornasse proibitiva ou fria. A melhor tia de qualquer pessoa.
Anthony Berkeley/Francis Ihes era a essa poca, segundo entendo, tambm um conquistador considervel, 
bem semelhante a um co vadio e alegre da cidade. Mas na ocasio em que o conheci, e eu o conheci muito 
bem, estava mal de sade, agarrado  sua fortuna at quase um estado de avareza  aferrando-se a seus 
considerveis bens s Deus sabe para que finalidade, pois, com freqncia, ele me assegurava (e no fingia 
sequer excluir sua presente companhia) no haver no mundo um nico ser de quem no desgostasse 
cordialmente. E falava a srio! Lembro-me dele propondo a si mesmo uma noite, como fazia freqentemente, 
ainda que sem qualquer retribuio, que fssemos tomar um drinque em minha casa. No caminho pedi-lhe 
para parar a camioneta, que ele possua por ser mais barato do que o magnfico carro que podia permitir-se 
ter, para pegar uma garrafa de gim e meia dzia de garrafas de gua tnica. Revejo-o agora, acomodando as 
garrafas em cima da mesa de minha sala de jantar e dizendo: Olhe aqui, Christianna, simplesmente tenho 
bebido oceanos de gim em sua casa. Voc tem que me deixar pagar.... Em seguida colocou na mesa o 
valor correspondente ao preo das seis garrafas de tnica. Mas era uma companhia excelente, inteligente, 
erudito e muito lido; por vezes eu chegava mesmo a pensar ser ele o mais inteligente de todos ns. 
Certamente seu captulo final neste livro  uma obra-prima.
A ltima lembrana que tenho, ou pelo menos a mais duradoura, do clube na casa clerical,  de uma noite 
em que dois membros foram empossados l, ao invs de s-lo no jantar anual. Quando eles saam 
tropearam no corpo de um cavalheiro idoso que jazia com a cabea imersa em uma poa de sangue, 
justamente do lado de fora da porta. Mais gracinhas do Detection Club, imaginaram eles, tendo sido 
submetidos, momentos antes, ao crnio, s armas, aos juramentos e  vestimenta vermelha do Presidente; 
imaginaram, vagamente, que resposta lhes caberia dar agora. Uma verificao mas de perto, 
indubitavelmente completada com alegres gargalhadas' revelou que havia de fato um corte de verdade na 
cabea, do qual o sangue flua livremente. O homem no estava morto, ou o sangue deixaria de correr, seria 
a reao imediata de qualquer escritor policial digno desse nome; a segunda reao seria no tocar em nada 
na cena do crime, e a terceira olhar em volta para ver se era encontrada a arma utilizada. Os dois novos 
membros se deram por satisfeitos em enfiar a cabea novamente atravs da porta por onde tinham acabado 
de sair e perguntar de uma forma que hoje nos pareceria uma brincadeira, se no havia um mdico l dentro. 
Finalmente convencidos, todos olharam na direo de meu amido marido, um cirurgio, que relutantemente 
se ps de p, intimamente amaldioando meus auto dramatizantes escritores conhecidos (ele j havia, por 
mais de uma vez, se aborrecido com John Dickson Carr, que telefonava a desoras durante a noite com 
vvidos relatos de suas agonias, uma seta penetrando em seus rgos vitais, No exatamente as modernas 
setas, Doutor... Mesmo as suas malditas setas tm que vir de Agincourt, diria meu marido, fumegando; 
pela manh, bem cedo, John seria encontrado duro como uma vara, esquecidos todos os seus tormentos, e 
completamente deliciado em receber uma visita inesperada. J descrevi anteriormente uma ocasio em que, 
tendo aconselhado a John que simplesmente tornasse uma dose do remdio que lhe tinha sido prescrito para 
dormir, e lhe tendo desejado uma boa noite de sono, ns nos separamos, deixando aquele histrinico 
cavalheiro para telefonar e avisar ao hospital mais prximo quanto  iminncia de uma dose excessiva 
acidental, e preparar os cabealhos para todos os jornais do dia seguinte.
Nesta ocasio, no entanto, o paciente se encontrava literalmente  porta e descobrimos tratar-se do querido 
Sr. Punshon, E. R. Punshon, que, subindo a escada de pedra para o seu escritrio, tinha-se despencado 
degraus abaixo e ferido seriamente a cabea. Meu marido, protestando, tratou de tudo, com a exceo do 
sangue que permaneceu na poa congelada no assoalho da casa clerical, uma viso no edificante para os 
ocupastes do prdio, quando eles se acordassem pela manh. No entanto, a Sr.ta, Sayers dispunha, como 
seria de esperar-se, do convidado certo para uma tal ocasio: uma dama baixinha e agitada, deliciada em 
poder cooperar. Ela foi at o saguo e ali permaneceu durante um momento olhando a desagradvel 
confuso. No sendo eu mesma muito deleitada com assuntos hospitalares, fiquei para trs tanto quanto 
possvel. Ela se decidiu. Bem, creio que podemos dar um jeito nisso. Quem me arranja uma colher de 
sopa?
A sala do clube era completamente carente de colheres de sopa. Eu me adiantei e, timidamente, lhe ofereci 
um garfo grande. Um garfo? Oh, est bem... Ela se inclinou novamente e estudou a poa de sangue. Creio 
que podemos dar um jeito, tornou a dizer animadamente. Est esplendidamente coagulado.
Voltei mais uma vez para a sala do clube e fechei a porta; o que posso dizer  que, quando a porta foi 
novamente aberta, no havia em lugar algum qualquer vestgio de sangue. Eu acho, disse meu marido 
quando nos retiramos antes que uma outra desgraa pior acontecesse, que nos seus juramentos vocs So 
contra os vampiros. Ela era apenas uma convidada, disse eu como desculpa.
Atualmente no h mais patuscadas no Detection Club. No dispomos de instalaes privadas e nos 
tornamos mais um clube de jantares, que se rene duas ou trs vezes por ano em restaurantes realmente 
elegantes e civilizados, sendo permitido que cada um teve um convidado. Graas aos muito apreciados bons 
esforos de um de nossos membros, Michael Underwood, uma sala nos  reservada no agradvel ambiente 
do Clube Garrick, famoso nos ltimos 150 anos como ponto de encontro de atores e escritores, para os 
quais foi originalmente criado. Tendo seu nome como uma homenagem ao grande David Garrick,  claro, cujo 
200. aniversrio vem de ser celebrado, um de seus membros era Keane, outro Henry Irving; Iickens suponho 
que tambm tivesse sido membro, e certamente Anthony Trollope o foi Nas, at agora, ningum caiu, 
sangrando abundantemente, sob constantes portais, ningum tombou violentamente agredido em soalhos 
batidos pelos anos por tantos ps famosos; e quem agora sentasse-a comigo nas horas vagas, 
confidenciando as dificuldades de dispor das cinzas de um falecido marido: Pobre Mac, cansativo at o 5m, 
ele insistia em ter suas cinzas dispersadas na Escbcia. Mag e no estava pensando em ir at l. Srta. 
Brand...? Na validade, temos a compensao dos rostos das Sra.s P.D. James, Jean Bowden, e todas 
mais, a cara sorridente de Dick Francia, muito querido de todos, as caras barbudas de Julian Symons, a 
atual presidente do clube, e de H.R.F. Keating  quase podemos vislumbrar o Inspetor Ghote, abaixadinho, 
pequeno e humilde, com sua sombra alongada, preocupando o seu Protima, Quando eu morri que esse 
camarada me estava levando ao Detection Club esta noite, ela j me estaria esperando em casa....  
Michael Gilbert, de elevada estatura; a figura mais compacta de Douglas Rutherford, nosso bondoso e capaz 
Secretrio Honorrio. Todos ns com nossos vestidos escuros, cheios de acessrios, ou, de acordo com 
nosso sexo, em nossos bons ternos negros. Como j disse, ocasies encantadoras, boa comida, bom vinho, 
boa palestra, as melhores noites, talvez, que alguns de ns desfrutvamos durante todo o ano. Mas, hoje, se 
eu disses-se: Um dos homens esqueceu seu chapu, o fato  que o chapu teria sido esquecido mesmo 
por um dos homens.
Autores britnicos, escreveu Howard Haycraft no seu livro Crime por Prazer, h 30 anos (e se referindo, se 
me desculpam, aos escritores ingleses) dispem de uma inestimvel vantagem que  negada aos seus 
irmos americanos, com a existncia da altamente honorvel companhia proporcionada pelo Detection Club 
de Londres. Relacionando entre os seus associados os nomes mais em evidncia desse campo na 
Inglaterra, este clube tem funcionado, atravs dos anos, como urna virtual academia do gnero, agindo como 
um orculo e como rbitro das ticas e dos gostos dos autores e se constituindo em uma meta e uma 
recompensa para os recm-vindos ambiciosos...
Mas, brincadeiras  parte, acredito que essa concepo ainda se aplica. Ela se aplica diretamente queles 
determinados scios entre os fundadores, que naquela sala acanhada e mal mobiliada da Rua Gerard se 
sentaram para escrever este livro.
 Christianna Brand Londres, Inglaterra




 









SUMRIO         

INTRODUO A Morte do Almirante  p. 19 DOROTHY L. SAYERS

PRLOGO Trs Sonhos de pio  p. 23 G.K. CHESTERTON

CAPTULO I Cadver a Bordo!  p. 27 CONEGO VICTOR L. WHITECHURCH

CAPTULO II Dando Notcias  p. 36 G.D.H. e M. COLE

CAPTULO III Brilhantes Pensamentos em Mar Alta  p. 48 HENRY WADE

CAPTULO IV Principalmente Conversas  p. 59 AGATHA CHRISTIE

CAPTULO V O Inspetor Rudge Comea a Desenvolver uma Hiptese  p. 66 JOHN RHODE CAPTULO VI O 
Inspetor Rudge Pensa Melhor Sobre o Assunto  p. 78 MILWARD KENNEIDY

CAPTULO VII Choques para o Inspetor  p. 92 DOROTHY L. SAYERS

CAPTULO VIII Trinta e Nove Itens de Dvidas  p. 120 RONALD A. KNOX

CAPTULO IX O Visitante da Noite  p. 147 FREEMAN WILLS CROFTS

CAPTULO X A Banheira  p. 163 EDGAR JEPSON

CAPTULO XI No Vicanato  p. 168 CLEMENCE DANE

CAPTULO XII Dissipando o Tumulto  p. 175 ANTHONY BERKELEY

APNDICE I

Solues  p. 225

APNDICE II Notas Sobre a Amarrao do Bote  p. 255 Opinio da Justia Sobre o Testamento de 
Fitzgerald  p. 



















INTRODUO

A Morte do Almirante

DOROTHY L. SAYERS          Quando membros da fora de polcia oficial so convidados a expressarem uma 
opinio sobre os grandes detetives de fico, normalmente respondem, com um sorriso bondoso: Bem, 
claro, no  para eles o mesmo que  para ns. O autor sabe, antecipadamente, quem cometeu o crime, e 
tudo o que o grande detetive tem a fazer  reunir os indcios que foram deixados para ele. & uma maravilha, 
acrescentam as idias inteligentes que esses autores desenvolvem, mas no creio que elas dariam muito 
certo na vida real.
Provavelmente h muita verdade nessas observaes que so, de qualquer modo, difceis de refutar. Se o Sr. 
John Rhode, por exemplo, pudesse ser induzido a cometer um crime verdadeiro por um dos mtodos 
engenhosamente simples que ele com tanta facilidade inventa na fico, e se o Sr. Freeman Wills Crofts, 
digamos, se empenhasse em persegui-la, Bradshaw na mo, de Stranraer at Saint Juan-les-Pins, ento, na 
verdade, poderamos submeter o assunto a um teste. Mas os escritores de fico detetivesca no so, como 
regra, gente sedenta de sangue. Eles evitam a violncia fsica por duas razes: primeiro, porque seus 
sentimentos criminosos so to eficientemente desgastados por escrito que pouca energia lhes  deixada 
para p-los em ao; segundo, porque esto to acostumados com a idia de que os criminosos so sempre 
descobertos, que tm uma completa relutncia em pr em prtica suas teorias crimineis. No entanto, para 
uma verdadeira investigao, o fato  que poucos deles dispem do tempo necessrio para faz-lo, 
engajados em ganhar o po e a manteiga de cada dia como razoveis cidados, no abenoados com os 
amplos lazeres de um Wimsey ou de um Padre Brown.
Mas uma outra coisa boa para um verdadeiro contexto  uma trama interessante, e A Morte do Almirante  
um jogo para investigao tal como foi imaginado e posto no papel por certos membros do Detection Club 
entre si. E, aqui, poderia ser perguntado: O que  o Detection Club?
 urna associao privada de autores de fico detetivesca na Gr-Bretanha, que existe principalmente com 
a finalidade de jantares em conjunto a intervalos convenientes e interminveis conversas sobre esse assunto. 
O clube no deve qualquer fidelidade a editor algum, nem, ainda que desejoso de obter uma honesta 
retribuio pelo oferecimento da presente aventura ao pblico, est preocupado principalmente em fazer 
dinheiro. No se trata de um comit de juizes para a recomendao de seus prprios livros ou de outros 
autores ao pblico, e, na realidade, no tem outro objetivo seno o de distrair-se a si mesmo. Seus membros 
esto limitados queles que realmente escreveram obras genunas de aventuras de detetives (no contos de 
aventuras nem de sensacionalismo) e tm sua eleio assegurada atravs de uma votao no clube, por 
recomendao de dois ou mais membros; sua aceitao envolve a prestao de um juramento.
Ainda que nem cavalos selvagens arrancariam de mim qualquer revelao quanto ao ritual solene do 
Detection Club, uma palavra quanto  natureza do juramento talvez seja permissvel. Em repus-mo,  o 
seguinte: que o autor se comprometa a jogar com o pblico e com os seus companheiros de profisso. Seus 
detetives devem resolver os crimes pelo seu prprio crebro, sem o auxlio de acidentes ou de coincidncias, 
o autor no deve inventar impossveis raios da morte ou venenos para produzir solues que pessoa alguma 
viva poderia esperar, o autor deve escrever no melhor ingls possvel. Deve preservar um segredo inviolvel 
com relao s tramas e captulos prximos de seus companheiros de clube e prestar toda a assistncia 
que lhe seja possvel a membros que necessitem de opinies ou de esclarecimentos de ordem tcnica. Se 
existe algum objetivo srio por trs da alegadamente frvola organizao do Detection Club,  manter o nvel 
das histrias de detetives nos mais altos padres que sua natureza permite, liberando-as da pssima 
legenda de sensacionalismo, armadilhas foradas e gria com que infelizmente eram sobrecarregadas no 
passado.
Agora, uma palavra a respeito das condies sob as quais A Moeste do Almirante foi escrito. Aqui, o 
problema era o de procurar uma aproximao o mais de perto possvel de um problema real de investigao. 
Com exceo do caso do pitoresco Prlogo do Sr. Chesterton, escrito por ltimo, cada colaborador 
desenrolou o mistrio que lhe foi apresentado nos captulos precedentes sem ter a mais ligeira idia quanto  
soluo ou solues que os autores prvios tinham em mente. Somente duas regras foram impostas. Cada 
colaborador devia construir sua trama com uma soluo definida  vista, isto , ele no deveria introduzir 
novas complicaes unicamente com o objetivo de torn-la mais difcil. Ele deveria estar pronto, caso lhe 
fosse solicitado, a explicar seus prprios indcios coerente e plausivelmente; e para ter certeza de que estava 
jogando limpo a este respeito, cada escritor era obrigado a apresentar, junto com o manuscrito de seu 
prprio captulo, uma proposta prpria de soluo ao mistrio. Essas solues se encontram impressas no 
fim do livro, para benefcio do leitor curioso.
Em segundo lugar, cada colaborador deveria tratar honestamente de todas as dificuldades impostas por seus 
predecessores. Se a atitude de Elma, com relao ao amor e ao casamento parecia flutuar estranhamente, 
ou se a embarcao estivesse colocada de for-ma errada no abrigo de barcos, esses fatos deveriam fazer 
parte da soluo. O colaborador no poderia desprez-los como um capricho ou acidente, ou apresentar uma 
explanao incoerente em relao aos fatos. Naturalmente,  medida que os indcios, com o passar do 
tempo, tornam-se mais numerosos, as solues sugeridas vo ficando mais complicadas e precisas, 
enquanto as linhas mestras gerais da trama gradualmente se enrijecem e se fixam. &, porm, divertido e 
instrutivo assinalar o nmero surpreendentemente grande de diferentes interpretaes que podem ser 
imaginadas para responder pela mais simples das aes. Onde um dos colaboradores pode ter plantado um 
indcio, pensando que isso somente poderia apontar em uma bvia direo, os sucessivos escritores 
conseguiram fazer com que esses indcios apontassem exatamente na direo ops-ta. E  aqui, talvez, 
onde o jogo se aproxima mais de perto da realidade. Ns nos julgamos uns aos outros por nossas aes 
externas, mas nos motivos que governam essas aes nossos julgamentos podem estar completamente 
errados. Preocupados com nossa prpria interpretao do assunto, talvez possamos ver apenas um nico 
motivo possvel por trs da ao, de modo que nossa soluo seja bastante plausvel, bastante coerente, 
mas bastante errada. E aqui, possivelmente, ns, autores de histrias de detetives, temos conseguido xito 
em nos surpreender e confundir completamente uns aos outros. Estamos por demais acostumados a deixar 
o grande detetive dizer aereamente: Voc no pode ver, meu caro Watson, que esses fato  admitem 
somente uma interpretao? Aps a experincia na montagem de A Morte do Almirante, nossos grandes 
detetives talvez tenham que aprender a expressar-se mais comovidamente.
Se o jogo por ns montado para nossa prpria distrao obter xito em divertir outras pessoas, tambm fica 
ao leitor julgar. O que podemos assegurar-lhe  que o jogo foi desenvolvido honestamente de acordo com as 
regras e com toda a energia e o entusiasmo de que dispunham os jogadores para nele se empenhar. Falando 
por mim mesma, posso dizer que a desanimadora surpresa em que me vi mergulhada ao receber o pequeno 
apanhado de quebra-cabeas das mos do Sr. Milward Kennedy foi, aparentemente, igualada pela odiosa 
sensao de frustrao que se apossou do Padre Ronald Knox, quando, tendo eu como supostamente 
imaginara, esclarecido muitas das coisas que estavam obscuras, passei o problema para ele. Que o Sr. 
Anthony Berkeley tenha to prazenteiramente confundido nossas tticas e frustrado nossos truques marotos 
na soluo final, devo atribuir em parte  sua engenhosidade natural, e em parte  enrgica interferncia dos 
outros trs solucionadores intervenientes, que descobriram tantos fatos e motivos de que ns, os seus 
antecessores no escuro, nada sabamos a respeito. Mas nenhum de ns, creio eu, levantar qualquer 
inteno malvola contra nossos companheiros escritores, a no ser contra as excentricidades do Rio Whyn, 
que, poderosamente guiado pelos Srs. Henry Wade e John Rhode, luminosidade gmeas de suas guas em 
mar alta, manteve to pacificamente entre suas margens floridas o corpo do Almirante, Flutuante.





















































PRLOGO

"Trs Sonhos ele pio
 G. K. CHESTERTON          

Trs espiadas atravs da espiralante fumaa do pio, trs histrias que ainda pairam sobre uma srdida loja 
de pio em Hong Kong, podem muito bem, a essa distncia no tempo, ser deixadas  conta de sonhos de 
pio. Ainda assim, elas so verdadeiras; foram fases na grande infelicidade da vida de um homem, ainda que 
muitos dos que tornaram parte nesse drama as tenham esquecido na manh seguinte. Uma grande lanterna 
de papel, grosseiramente desenhada com a figura de um brilhante drago vermelho, pendia sobre a negra e 
quase subterrnea entrada da espelunca; a Lua estava alta e a ruela quase deserta.
Todos ns falamos sobre os mistrios da sia, mas h um aspecto sobre o qual todos ns nos enganamos. 
A sia vem sendo enrijecida pela idade; ela  velha, e assim seus ossos se endureceram; e, de certo modo, 
h menos deturpao e mistificao sobre ela do que sobre os problemas mais correntes e variados do 
Ocidente. Os traficantes de drogas, os viciados no pio e as meretrizes que deram m fama quela parte do 
mundo foram estudados e reconhecidos em suas funes, em algo assim como uma hierarquia social, por 
vezes sua depravao era oficial e quase religiosa, como se dava com as danarinas dos templos. Mas o 
oficial de Marinha que, naquele instante, cruzou pela porta e teve ocasio de l fazer uma pausa, era, na 
realidade, muito mais do que um mistrio; pois ele era misterioso at para si mesmo. Em seu carter se 
juntavam as coisas mais contraditrias e complexas, sob ambos os aspectos, como nacional de seu pas e 
como indivduo; cdigos e compromissos sobre cdigos e uma conscincia estranhamente instvel e ilgica; 
instintos emocionais que se horrorizavam ante sentimentos e sensaes religiosas que haviam sobrevivido  
religio; um patriotismo que se orgulhava de ser unicamente prtico e profissional; tudo isso de mistura com 
as tradies de um passado de grande pago e de grande cristo; o mistrio do Ocidente. Tudo se tornava 
ainda mus e mais misterioso porque ele mesmo nunca pensara sobre isso.
Na verdade, h apenas uma parte dessas coisas sobre a qual  necessrio pensar-se para a finalidade desta 
narrativa. Como todos os homens de seu tipo, ele nutria um dio perfeitamente sincero contra a opresso 
individual; o que pode no o ter impedido de tomar parte em opresso impessoal ou coletiva, se a 
responsabilidade fosse atribuda a toda a sua civilizao, seu pas ou sua classe. O oficial era o comandante 
de um navio de guerra, naquele momento ancorado na Baa de Hong Kong. Ele teria bombardeado Hong 
Kong, reduzindo-a a destroos, e matado metade da populao, ainda que tivesse tomado parte na 
vergonhosa guerra travs da qual a Gr-Bretanha forou o pio sobre a China. Mas, quando aconteceu que 
tivesse visto uma moa chinesa ser arrastada pela rua por um rufio seboso e plido, e atirada quase de 
cabea para baixo no antro de pio, algo espontaneamente saltou dentro dele; uma era que nunca 
realmente pertence ao passado, e certos romances que nunca foram realmente cortados pelo Barbeiro; algo 
que ainda merece o glorioso insulto de ser chamado de quixotesco. Com dois ou trs golpes arrasadores ele 
atirou o chins longe no outro lado da rua, onde foi cair em uma distante sarjeta. A moa, porm, j tinha 
sido atirada escadas abaixo pela entrada escura, e ele se precipitou atrs dela, com a impetuosidade 
puramente instintiva de um touro em sua arremetida. Naquele momento pouco havia em sua cabea, exceto 
raiva e uma muito vaga inteno de libertar a prisioneira de uma to indesejvel espelunca. No entanto, 
mesmo com um nimo to simples, uma onda de alerta inconsciente pareceu perpass-lo; o drago de 
vermelho cor de sangue da lanterna de papel parecia olhar malevolente para ele; e sentiu uma sensao de 
cegueira que bem poderia ter-se apossado de So Jorge se, ao arremeter com sua lana vitoriosa, se visse a 
si mesmo sendo engolido pelo drago.
 Entretanto, a primeira cena com que se deparou, por uma abertura entre as nuvens daquele ilusrio vapor, 
no era cena alguma de julgamento ou punio, como algum sensacionalista poderia legitimamente esperar. 
No ser necessrio gratificar o refinado gosto moderno com cenas de tortura; nem evitar a vulgaridade de 
um final feliz, matando o personagem principal no primeiro captulo. Entretanto, a cena revelada era talvez, 
em seus efeitos finais, quase mais trgica do que uma cena de morte. O que havia de mas trgico  que era 
bastante cmica. A claridade das espalhafatosas lanternas da espelunca nada mais revelava do que um 
amontoado de cules drogados, com os rostos como pedras amarelas, os marujos de um navio que aportara 
em Hong Kong naquela manh, sob a Bandeira americana; e, finalmente, um oficial da Marinha inglesa de 
estatura elevada, usando o uniforme de comandante de um navio britnico, comportando-se de uma forma 
esquisita e, aparentemente, sob influncias bastante peculiares. Alguns acreditavam que ele estivesse 
executando uma dana comum entre os marujos, misturada a movimentos que se destinavam apenas a 
preservar-lhe o equilbrio.
A tripulao que assistia  cena era americana, isto eqivale a dizer que alguns deles eram suecos, 
poloneses e eslavos de nacionalidade indefinida, alm de um grande nmero de indianos escuros dos confins 
da Terra. Mas todos eles estavam vendo algo que desejavam muito ver e nunca tinham visto. Eles viam um 
cavalheiro ingls perder a severidade. O ingls se desmanchou com exuberante lentido, de repente se 
desmanchou mais ainda, escorregou e caiu no cho estrepitosamente. Parece ter dito alguma coisa.
 Usque danado de ruim, mas danado de bom. O que quero dizer   explicou ele com elaborada 16gica  
usque danado de ruim mas esse usque danado de ruim  uma coisa danada de boa.
 Ele tomou mais do que usque  comentou um sueco em americano sueco.
 Acho que ele tomou tudo o que tem para ser tomado  observou um polons de requintado sotaque.
Em seguida, um judeuzinho moreno, que nascera em Budapeste mas fora criado em Whitechapel, ps-se a 
cantar em tons esganiados uma cano que ouvira por ali: Toda garota bonita ama um marinheiro. Em sua 
cano se notava o escrnio que um dia seria visto no rosto de Trotsky e mudaria o mundo.
 A madrugada nos permite um terceiro relance da Baa de Hong Kong onde o navio de guerra de Bandeira 
americana se encontrava ancorado juntamente com outro da Bandeira inglesa; neste ltimo havia agitao e 
surpresa. O Primeiro e o Segundo Oficiais se entreolhavam em crescente alerta e alarme, e um deles 
consultou o relgio.
 Tem alguma coisa a sugerir, Sr. Lutterell?  perguntou um deles, com a voz firme, mas com o olhar vago.
 Creio que devemos mandar algum  terra para verificar  respondeu o Sr. Lutterell.
A essa altura apareceu um terceiro oficial, empurrando um corpulento e relutante marinheiro, que parecia ter 
alguma informao a prestar, mas que aparentemente tinha dificuldade em prest-la.
 Bem, sabe, senhor, ele foi encontrado  disse o homem, finalmente.  O Comandante foi encontrado.
Algo, no tom de voz, levou o Primeiro Oficial a um sbito horror.
 O que voc est querendo dizer como foi encontrado?
 gritou ele.  Voc fala como se ele tivesse morrido!
 Bem, no creio que esteja morto  disse o marinheiro com irritante lentido.  Mas parecia estar morto.
 Eu temo, senhor  disse o Segundo Oficial em voz baixa  que o estejam trazendo para c. Espero que 
andem rpido e se mantenham to calados quanto possvel.
Sob essas circunstncias, o Primeiro Oficial levantou os olhos e se deparou com seu respeitado 
Comandante regressando para seu adorado navio. Estava sendo carregado como um saco por dois cules de 
aparncia imunda, e os oficiais rapidamente o ampararam e o levaram para seu camarote. Em seguida, o Sr. 
Lutterell voltou-se tambm rapidamente e mandou chamar o mdico.
 Detenham esses homens por um momento  disse ele, apontando para os cules.  Temos que saber algo 
a respeito. E ento, Doutor, o que  que h com ele?
O mdico era um cabea-dura, com cara de machado, no tendo a aparncia de um sujeito amistoso; mas 
nessa ocasio ele estava realmente muito amistoso.
 Posso ver e sentir o cheiro por mim mesmo  declarou  antes de comear o exame. Ele fumou pio e 
tomou usque e sabe Deus o que mais. Eu diria que est como um saco cheio de venenos.
 Algum ferimento?  quis saber o preocupado Lutterell.
 Eu diria que ele se atingiu a si mesmo  disse o amistoso mdico.  Mais provavelmente se ps fora de 
combate para a Marinha.
 Voc no tem o direito de dizer isso  protestou o Primeiro Oficial.  Esse assunto  com as autoridades.
 Sim  concordou o outro, obstinadamente.  Autoridades de uma corte marcial, eu diria. No, no h 
ferimentos.
Assim, as trs primeiras fases da histria chegam a sua concluso. Devemos admitir, lamentavelmente, que 
at aqui no h qualquer moral para a hist6ria.












































 Captulo I

Cadver a Bordo!
CNEGO VICTOR L. WHITECHURCH          

Todo mundo em Lincham conhecia o velho Neddy Ware, ainda que no fosse um nativo da vila, residindo l 
apenas nos ltimos 10 anos; isto, aos olhos dos moradores mais antigos que haviam vivido todas suas vidas 
naquele calmo lugarejo, fazia com que ele fosse ainda um estrangeiro.
No que realmente soubessem muito a seu respeito, pois o velho era naturalmente reservado e tinha poucos 
amigos. Tudo o que sabiam era ser ele um suboficial reformado da Marinha Real, vivendo de sua penso, 
completamente devotado  arte waltoniana, que passava a maior parte de seu tempo pescando no Rio Whyn, 
e que, conquanto normalmente com disposio pacfica, soltava um vocabulrio horrvel, palavres e 
imprecaes, se algum o aborrecia, interferindo em suas pescarias.
Se voc, como aficionado da pesca, tornasse posio em um ponto da margem do Rio Whyn que Neddy 
Ware considerasse muito prximo ao seu, ele faria com que voc soubesse disso com alarmante nfase; se 
garotos  pelos quais nutria especial averso  o aborreciam de algum modo, falando em suas proximidades, 
sua linguagem se tornava completamente imprpria para ouvidos juvenis. Certa ocasio, o jovem Harry Ayres, 
campeo do vilarejo no que diz respeito a murros, teve a temeridade de atirar uma pedra no barco do homem; 
Harry teve que fugir para sua casa logo em seguida, o rosto branco, completamente aterrorizado com a 
torrente de improprios proferida por Neddy Ware.
Este morava sozinho em uma casinha isolada nas orlas do vilarejo. A Sra. Lambert, uma viva, passava na 
casinha algumas horas pela manh para fazer a arrumao e preparar o almoo. quando ao resto, Neddy 
Ware se ajeitava muito bem.
Ele saa de sua casa, uma manh do ms de agosto, quando o ael6gio da igreja, a cerca de um quilmetro 
de distncia, estava batendo quatro horas. Para os que conhecessem seus hbitos, no havia nada de 
anormal em que se levantasse to cedo. O pescador sabe o valor que tm essas primeiras horas matinais; 
alm disso, o pequeno Rio Whyn, cenrio de sua ocupao favorita, sentia a in-fiuncia da mar at uns oito 
ou 10 quilmetros de distncia do mar. Por esses oito ou 10 quilmetros o rio serpenteava, primeiro atravs 
de um vale baixo, flanqueado por descidas abertas de um lado e por elevaes cobertas de mato do outro, 
para em seguida continuar, nos ltimos seis quilmetros, atravs de uma regio baixa e plana, at finalmente 
desembocar no Canal, em Whynmouth. Todo mundo sabe que Whynmouth  a estao de veraneio preferida 
da Costa Sul, e que dispe de uma pequena baa na boca de seu 1'10.
Duas vezes por dia a mar sobe pelo Whyn, em maior ou menor velocidade, dependendo da estao ser de 
guas vivas ou de guas mortas. Esse fato tinha uma importante conotao com a poca favorvel para a 
pesca  linha. Naquela particular manh, Neddy Ware tinha planejado permanecer um pouco  margem do 
rio, depois que a mar em alta comeasse a subir a correnteza.
Acompanhemo-lo, ento, ao sair de sua casa, a meio caminho das encostas cobertas de mato de Lingham 
Hangar, atravessar a estrada principal e descer at o nvel do rio. Neddy j era entrado em anos, mas levava 
bem esses anos nos costados, de um modo tal que havia apenas uma mecha grisalha em seus cabelos 
negros como carvo. Um homem de aparncia robusta, bem barbeado, mas com o hbito curioso e 
antiquado de permitir que os cabelos ficassem longos de ambos os lados da cabea, bem em frente de suas 
orelhas; moreno, rosto castigado pelo tempo, a face enrugada, boca bem-humorada e agudos olhos 
cinzentos. Estava vestido com um velho uniforme de Marinha, de sarja azul, e usava, como invariavelmente o 
fazia, um chapu-coco preto. Conduzia canios, redes e uma cesta espaosa, contendo todo o tipo de 
equipamento de sua atividade.
Chegou  margem gramada do rio, colocou suas coisas no cho e, muito lentamente, encheu de fumo seu 
escuro cachimbo de barro, um fumo de rolo  que, primeiro, esfregou em suas mos  e se ps 1 acend-la, 
correndo os olhos para cima e para baixo no rio enquanto o fazia.
Onde ele estava, o rio fazia uma curva, em cujo lado externo se encontrava, na margem direita. Longe, para a 
esquerda, a corrente se voltava sobre si mesma entre as elevaes, de um lado, e campos abertos, de outro. 
Para a direita, fazendo a curva para o lado oposto, estavam as terras baixas, as margens do rio orladas de 
mato alto. Era dessa direo que a mar vinha subindo, redemoinhando na curva.
Sua primeira tarefa seria percorrer as trs ou quatro linhas com iscas que havia lanado na noite anterior, 
cujas extremidades prendera s razes retorcidas de uma arvorezinha que crescia na margem. Duas das 
linhas ao serem recolhidas trouxeram para terra um par de peixes de bom tamanho e, destramente, Neddy 
retirou dos anzis os peixes que se retorciam e escorregavam, limpando-os em seguida do limo. Depois, 
lentamente, comeou a preparar seus canios, arrumar seus petrechos, colocar iscas de minhocas e atir-
las para dentro dgua. Durante algum tempo, ficou observando a bia balanar-se para l e para c ao sabor 
das guas em subida, aqui e ali sendo puxada at desaparecer sob a superfcie, uma vez fisgado um peixe.
Olhou em volta. De repente sua bia perdeu o interesse. Ele estava olhando corrente abaixo, to longe 
quanto podia ao longo da curva. Vagarosamente, um pequeno bote a remos vinha subindo o rio. Mas havia 
algo de peculiar nesse bote. No eram vistos os remadores. O bote parecia estar  deriva.
O velho marujo foi rpido em reconhecer a pequena embarcao.
 Ah  resmungou ele   o barco do Vigrio.
O Vicariato de Lingham situava-se, com sua adjacente igreja, bastante separado da vila propriamente, a uns 
800 metros rio abaixo. O terreno se inclina na direo do rio, onde existe uma espcie de patamar. O 
Vigrio, ele sabia, mantinha seu barco nesse patamar, amarrado por um cabo a uma estaca conveniente. 
Havia um pequeno regato que corria pelas terras, com um abrigo para embarcaes, mas, nos meses de 
vero, especialmente quando os dois filhos do Vigrio se encontravam de frias, o barco era 
geralmente conservado no prprio rio.
Quando o bote se aproximou mais, Neddy Ware baixou seu canio. Podia perceber agora que havia algum 
dentro do bote  algum que no estava sentado e, sim, aparentemente, deitado no fundo,  popa.
O bote, agora, se encontrava apenas a uns 50 metros de distncia. O movimento da mar o estava levando 
para o lado externo da curva do rio, mas Neddy Ware, que conhecia todas as correntezas, percebeu que ele 
passaria fora de seu alcance. Rapidamente, como bom marinheiro, no perdeu tempo. Metendo a mo 
dentro da cesta, retirou dela uma das linhas enroladas com um peso de chumbo na ponta. E l permaneceu 
pronto, desenrolando a linha e colocando-a no cho j desembaraada.
 L vinha o bote, a cerca de uns 15 metros da margem. Habilmente, Neddy lanou o peso de chumbo dentro 
dele e comeou a andar pela margem, para montante, delicadamente puxando a linha at que, por fim, puxou 
o bote para perto da margem e pegou o cabo  sua proa. A extremidade do cabo se arrastava na gua. 
Enquanto puxava, examinava o cabo. Tinha sido cortado.
Amarrou o bote firmemente a uma raiz. O bote fez uma volta, ficando com a popa voltada na direo da mar, 
ao longo da margem. Ware, ento, entrou nele. No momento seguinte, estava de joelhos, inclinado sobre o 
homem que jazia na popa.
O homem achava-se deitado de costas, os joelhos ligeiramente levantados, os braos ao lado do corpo, 
completamente imvel. Um homem de seus 60 anos, de cabelos prateados, bigode e barba pontuda e bem 
aparada, olhos escuros abertos e fixos. Estava vestido em traje de noite e com um sobretudo marram, este 
ltimo aberto na frente, deixando exposta a camisa branca, manchada de sangue.
Sentado em um dos bancos do bote, Ware fez um rpido exame da embarcao.
Nela havia um par de remos, as forretas de metal desmontadas. Aparentemente o homem morto estava sem 
chapu... no...
havia um chapu na embarcao, jogado na proa; um chapu redondo, preto, clerical, tal como o Vigrio, Sr. 
Mount, normalmente asava.
Neddy Ware, tendo completada sua primeira inspeo, saiu do bote e olhou seu relgio. Dez para as cinco. 
Ento, deixando o bote amarrado na margem, afastou-se to rapidamente quanto lhe era possvel, ganhou a 
estrada principal que passava a algumas centenas de metros do rio, e tomou a direo da vila.
O Agente de Polcia, Hempstead, exatamente tendo acabado de se meter na cama depois de ter passado de 
servio a noite inteira, olhou pela janela em resposta s batidas de Ware  porta.
 O qu , Sr. Ware?  indagou ele.
 Algo muito desagradvel, creio.
Hempstead, agora completamente desperto, enfiou-se novamente em suas roupas, desceu e abriu a porta. 
Ware narrou-lhe o que tinha acontecido.
 Tenho que chamar o Inspetor de Whynmouth e um mdico  disse o Agente de Polcia.  Vou telefonar 
para a delegacia de l.
Em trs minutos estava de volta novamente.
 Muito bem  disse o policial  eles viro imediatamente para c, de automvel. Agora, o senhor venha 
comigo e me mostre o tal bote e o que se encontra dentro dele. O senhor no mexeu em coisa alguma, 
tocou no corpo ou qualquer outra coisa IA espero?
 Eu no seria to tolo  replicou Ware.
 6timo. O senhor no viu mais ningum?
 Ningum.
O policial continuou a fazer perguntas, de tempos em tempos,  medida que lhe ocorriam. Era um homem 
inteligente, esse policial ainda jovem, ansioso por ser promovido e desejoso de tirar o mximo partido da 
oportunidade. To logo chegaram  margem do rio, deu uma olhada na embarcao e naquilo que ela 
continha.
 Puxa!  exclamou ele.  Sabe quem  o morto, Sr. Ware?
 Jamais o vi antes. Quem  ele?
 Ora,  o Almirante Penistone. Morava em Rundel Croft, aquela casa enorme do outro lado do rio, do lado 
oposto ao Vicariato. De qualquer forma, s morava l h um ms. Somente no ltimo ms de junho havia 
adquirido a propriedade. Um recm-chegado.
 Oh! O Almirante Penistone, no ?  disse Neddy Ware.
 Esse  o homem, no h dvida. Mas, escute uma coisa.
Tem certeza de que este  o bote do Vicariato?
 Absoluta.
 Estranho, no? Isto parece significar que alguma coisa aconteceu deste lado do rio, pois no existe ponte 
alguma at Fernton, cinco quilmetros l para baixo. Ahn,  o chapu do Vigrio, no? Vamos ver uma 
coisa. A que horas o senhor viu o bote que se aproximava?
 Eu diria que pouco depois das quatro e meia.
Hempstead tinha em mo sua caderneta de anotaes, na qual tornara algumas notas. Em seguida, dirigiu-
se a Ware.
 Olhe, Sr. Ware, eu gostaria que o senhor fosse at a estrada e fizesse parar o Inspetor Rudge, quando ele 
passasse com seu CRI10.
 Muito bem  disse Ware.  No h mais nada que eu possa fazer?
Por enquanto no, de modo algum.
Hempstead era um homem astuto. Esperou at que Neddy Ware se 4ivesse afastado para empreender um 
pouco de investigao por conta prpria. Ele sabia muito bem que seu superior hierrquico tornaria o caso 
em suas mos completamente, mas estava ansioso para ver o que pudesse, sem perturbar nada, at que 
tal acontecesse.
Quando entrou no bote, Hempstead notou um jornal dobrado, saindo pelo meio do bolso do sobretudo do 
morto. Pegou o jornal com todo o cuidado, deu uma olhada e tornou a recoloc-la no mesmo lugar.
 Oh  murmurou  a Evening Gazette, ltima edio de ontem  noite em Londres. No teria sido l que ele 
o comprou.
O lugar mais prximo onde  vendido  Whynmouth.
Hempstead teria gostado muito de examinar o que continham todos os bolsos da roupa do homem morto, 
mas achou que era prefervel no o fazer. Assim, saiu de dentro do bote, sentou-se  margem do rio e 
esperou.
Depois de algum tempo, escutou o rudo de um carro que se aproximava, na estrada principal, e uns dois 
minutos mais tarde quatro homens se encaminhavam at ele atravs do campo; Neddy Ware, um inspetor de 
polcia em uniforme e dois homens em trajes civis, um deles um mdico e o outro um sargento-detetive.
O Inspetor Rudge era um homem alto e magro, de faces encovadas e bem barbeadas. Dirigiu-se a 
Hempstead.
 Mexeu em alguma coisa?  perguntou, laconicamente.
 No, senhor.
Rudge se voltou para o mdico.
 No vou fazer nada, Dr. Grice, at que o senhor tenha terminado seu exame.
O Dr. Grice entrou no bote e passou a examinar o corpo. Poucos momentos depois, informou o que 
constatara.
 Atingido no corao, Inspetor, com um instrumento de lmina estreita, uma faca fina ou um punhal. A 
morte deve ter sido instantnea.  claro que ser feita uma autpsia.
 H quanto tempo est morto?
 H algumas horas. Provavelmente morreu antes da meia-noite.
 Nada mais?
 Por enquanto  tudo, Inspetor.
O policial virou o cadver, afastando-o ligeiramente.
 No h sinal de sangue sob o corpo  informou  nem em qualquer outro lugar do bote, ao que eu possa 
ver. Vamos dar uma olhada nos bolsos... Ah, no foi roubo. Relgio e corrente de. ouro... uma carteira cheia 
de notas... no era atrs disso que andavam. Jornal vespertino aqui... da noite passada. Isto deve 
se anotado. Bem... temos que agir o mais rapidamente possvel. Diga-me, Hempstead, o que voc sabe a 
respeito desse homem?
  o Almirante Penistone, senhor. Reformado. Recm chegado aqui nas vizinhanas. H uns meses 
comprou Rundel Croft uma casa enorme do outro lado do rio. Estava morando l ultimamente. Creio que tem 
uma sobrinha que morava com ele. Mas n  no meu distrito, senhor.
  Est bem.  O Inspetor se voltou para Ware.  O senhor disse que o bote pertence ao Vigrio daqui?
 Sm  Quanto tempo levaria para que a mar o trouxesse da casa at aqui?
Uns quarenta a quarenta e cinco minutos  respondeu Ware, prontamente  com a mar como est hoje.
 Est bem. A questo agora  saber como vamos retir-la : da. Poderamos conduzir o barco contra a 
mar. Mas no vamos faz-lo. Esses remos devem ser testados para verificarmos se contm impresses 
digitais antes de que possam ser manejados. Vamos ver... o Vicariato tem telefone, Hempstead?
 Sim, senhor.
 Muito bem. Vou para l agora. Quero ver o Vigrio. Ns telefonaremos para Whynmouth e pediremos uma 
ambulncia. Temos que lev-lo para Rundel Croft, passando pela Ponte de Fernton.
Voc fica aqui, Hempstead, e se aparecer algum no deixe mexer em nada. Quero que venha comigo, 
Sargento. Teremos que faz-la cruzar o rio no Vicariato, se houver um barco por l, quero que voc monte 
guarda sobre o bote do Almirante e sobre o abrigo de barcos. Talvez no se incomodasse de vir tambm, Sr. 
Ware? O senhor poder ser til. Vamos! Temos que nos movimentar. Venha tambm, Doutor.
Pouco depois o Inspetor j se encontrava na direo do carro, conduzindo-o no pequeno percurso de estrada 
que levava da via principal ao Vicariato. A frente do Vicariato dava para o rio, um gramado se estendendo at 
sua margem. Do lado oposto, a uns 100 metros da margem, elevava-se uma manso enorme, de 
tijolos vermelhos, estilo Tudor, com um amplo gramado em frente e um abrigo para embarcaes.
O Inspetor, tendo nas mos o chapu do Vigrio, saltou do carro e tocou a campainha; os outros o seguiram. 
Passaram-se alguns minutos antes que a empregada, que evidentemente acabara de chegar, abrisse a porta 
e os informasse de que seu patro ainda no estava de p.
 Quer ter a bondade de avis-la de que o Inspetor Rudge deseja v-lo imediatamente? Diga-lhe que lamento 
ter que importun-la, mas  assunto da mxima importncia.
 Eu lhe direi, senhor. No querem entrar?
No, obrigado. Esperaremos aqui.
 Ol, o senhor disse que era da Polcia?
O Inspetor se voltou. Dois rapazinhos se aproximaram pelo gramado, um deles com uns 16 anos e o outro 
com uns 14, vestidos com calas de flanela, camisas abertas no pescoo, e conduzia i          do toalhas de 
banho. Estavam ambos olhando para ele ansiosamente.
 Sim  respondeu o Inspetor.  Sou.
 timo!  exclamou o mais velho.  Exatamente do que precisamos, no, Alec? Olhe aqui, algum sujeito 
roubou nosso barco; cortou a amarra. Talvez tenham ouvido alguma coisa a respeito.
 por isso que vieram aqui?
O Inspetor sorriu, melancolicamente.
 Sim...  por isso que vimos aqui, rapazes  replicou, secamente.  Mas vocs no precisam preocupar-se 
com o barco.
Ele foi encontrado,  Viva!  exclamou o outro rapaz.  Pegaram o sujeito que roubou?
 Ainda no  respondeu Rudge, sem novamente sorrir.  Isto talvez no v ser fcil. Vocs tm algum outro 
barco leve?
 Somente nossa velha chalana. Ela est l no abrigo.
 Bem, vocs, meus jovens cavalheiros, acham que conseguiriam transportar nela o meu sargento-detetive 
que aqui est? Ele deseja fazer uma visita a Rundel Croft.
 Claro!  Peter Mount olhou com admirao infantil para o sargento.  Vai haver uma caada humana? Viva! 
Ns vamos ajud-la. Mas no esto suspeitando de que o velho Almirante Penistone foi quem roubou nosso 
bote, esto? Ele ontem  noite voltou para a casa no seu prprio barco. Ele jantou aqui, sabem?
 Oh, ele jantou aqui!  repetiu o Inspetor.  No, ns no suspeitamos dele. Bem, poderiam fazer agora o 
que pedi?
 Vamos  disse Alex ao Sargento Appleton. E os rapazes se afastaram com o policial, na direo do abrigo 
de embarcaes.
 Bom-dia, Inspetor. Bom-dia, Dr. Grice. Ah, voc tambm, Ware. O que significa essa delegao matinal?
O Vigrio havia sado de casa; era um homem de seus 50 anos, de estatura mdia, vigoroso, de feies bem 
regulares e o cabelo levemente grisalho. A pergunta que fez foi dirigida ao Inspetor q a respondeu.
 Vou explicar diretamente, Sr. Mount. Este chapu  seu O Vigrio pegou o chapu e olhou para ele.
 Sim. Sem dvida.
 Ento, ser que o senhor se incomodaria de me dizer est lembrado quando o viu pela ltima vez?
 Isto  muito simples. Para ser absolutamente preciso, dez e vinte ontem  noite.
 Onde?
 O senhor est muito misterioso, Inspetor. Mas vou diz lhe. Meu vizinho, que mora do lado oposto do rio, 
jantou canos  noite passada, juntamente com sua sobrinha. Saram por volta das dez horas. Fui 
acompanh-los at  borda do rio para v-los partir e pus meu chapu. Depois que o Almirante atravessou o 
rio em seu barco, com sua sobrinha, sentei-me naquele pequeno pavilho e fumei uma cachimbada. Tirei o 
chapu e o coloquei no banco a meu lado. Depois, despreocupadamente, esqueci-me de p-lo novamente, 
quando voltei para casa. Foi quando acertei meu re16gio pelo relgio de parede... dez e vinte. Mas o senhor 
poderia dizer-me por que me fez essas perguntas e por que vieram at aqui?
 Eu c farei, senhor. Esse chapu foi encontrado dentro de seu bote, hoje cedo. Seu bote estava  deriva, 
levado pela mar rio acima. Nele, encontrava-se o corpo de seu vizinho a do outro lado, o Almirante 
Penistone... assassinado, Sr. Mount.
Captulo II 

Dando Notcias 
G. D. H. e M. COLE

  Assassinado! Bom Deus!  exclamou o Vigrio. Era fato conhecido, refletiu o Inspetor, que o Vigrio de 
Lingham tinha um respeito ridiculamente exagerado pelo Terceiro Mandamento. Ele recuara um passo com o 
choque da notcia, e seu rosto estava perdendo a cor.  Mas, assassinado... Como... o que est querendo 
dizer, Inspetor?
 Que o Almirante Penistone foi apunhalado no corao ontem  noite, um pouco antes da meia-noite  
respondeu o Inspetor  e que seu corpo foi posto no seu bote, Sr. Mount.
 Mas o qu... por qu...? Como pode isso ter acontecido?
 E seu chapu  prosseguiu o Inspetor, implacavelmente  estava dentro do bote, ao lado do corpo. Assim, 
o senhor deve concordar que a primeira coisa a fazer era vir at aqui para algumas perguntas.
O Vigrio girou sobre os calcanhares, repentinamente.
 Venha at meu escritrio  disse ele.  L poderemos conversar melhor. Creio que o senhor no deseja 
que meus filhos estejam presentes por enquanto, no ?  O Inspetor acenou com a cabea e o 
acompanhou at uma pea calma, marrom-clara, com amplas janelas de guilhotina, o prprio modelo de 
como um escritrio clerical, de uso de um clrigo no muito metdico, deve ser.
Enquanto fazia o Inspetor entrar no escritrio, o Vigrio tropeou em alguma coisa e, com um pequeno 
gemido, se apoiou na mesa para no cair.  Desculpe-me  murmurou o Vigrio, enquanto indicava uma 
cadeira para o Inspetor e se afundava em outra.  Isto  um choque muito grande. Agora, poderia dizer-me 
em que posso ajud-lo?
Rudge o estudou durante um momento antes de responder. Indubitavelmente, o Vigrio recebera um choque 
muito grande. Elo ficara plido; suas mos estavam inquietas e sua respirao ofegante. Se a causa era 
meramente o repentino impacto de uma morte violenta em uma abrigada vida clerical, ou se tinha alguma 
razo mais grave, o Inspetor no sabia o suficiente para concluir. De qualquer modo, no fazia sentido 
provocar maior alarme nesse momento. Assim, quando comeou a falar, o Inspetor o fez em tom 
delicadamente tranquilizador.
O que desejo saber desde logo, Sr. Mount,  exatamente o que aconteceu ontem  noite, naquilo que o 
senhor sabe. O Almirante Penistone, como o senhor disse, veio jantar com sua sobrinha aqui... por falar 
nisso, como  o nome da moa?
 Fitzgerald... Srta. Elma Fitzgerald. 6 filha da irm do Almirante, ao que sei.
 Que idade deve ter?
 Oh... eu diria que uns trinta e um, trinta e dois anos.
 Obrigado. Eles chegaram... a que horas?
 Um pouco antes das sete e meia. Em seu barco.
 E saram?
 Pouco depois das dez. No posso dizer com preciso, lamento. Eles j estavam saindo quando o relgio 
da igreja bateu, e o Almirante Penistone disse: Vamos depressa que quero estar de volta antes da meia-
noite ou qualquer coisa assim. Logo em seguida, foram embora..
O senhor os viu afastarem-se?
 Sim, fui com eles at o cais, e Peter... meu filho mais velho... ajudou-os a impulsionar o barco. Por vezes, 
 um pouco desajeitada a partida, quando a correnteza est muito forte.
 O senhor os viu de fato chegarem  outra margem?
 Sim. No estava escuro. Vi quando levaram o barco at o abrigo e, pouco depois, quando saram de l e 
subiram para a casa.
.  Pensei que aquelas rvores por trs do abrigo dos barcos pudessem ter feito com que eles ficassem fora 
de sua vista  observou o Inspetor, que fazia um bom uso dos olhos.  Ou o senhor est querendo dizer que 
eles atravessaram o gramado?
O Vigrio olhou o Inspetor com respeito.
 No, eles foram pelas rvores  disse o Vigrio.  Mas a Srta. Fitzgerald estava de vestido branco, e este 
se destacava entre as rvores.
 Mas o Almirante Penistone no estava de roupa branca?
 No... eu creio  disse o Vigrio depois de refletir um pouco  agora que o senhor mencionou esse fato, eu 
no poderia afirmar que vi o Almirante saindo do abrigo de barcos... mas, como vi sua sobrinha conclu, 
naturalmente, que ele estava com ela.
 Muito naturalmente  concordou Rudge, suspirando.  E o senhor esteve aqui fumando at...?
 Dez e vinte.
 E depois?
 Fechei a casa e fui para a cama.
 E no ouviu mais nada de seu vizinho?
 Nada  disse o Vigrio.  Nada, absolutamente  repetiu, em voz mais alta.
 E os seus filhos? Os seus empregados? Teriam eles ouvido aluna coisa?
 Creio que no. Todos j tinham ido para a cama quando voltei.
 Obrigado. Agora, Sr. Mount, diga-me uma coisa. O Almirante Penistone parecia estar em seu usual estado 
de esprito ontem  noite?
A pergunta pareceu ter apanhado o Vigrio de surpresa.
 Eu... no creio que possa realmente responder a essa pergunta  disse ele.  O senhor sabe, no faz 
muito tempo que conheci o Almirante. Foi apenas recentemente que ele veio morar por aqui... Na verdade eu 
pouco o conhecia.
 Mas, ainda assim  insistiu Rudge  o senhor poderia ter notado se ele parecia deprimido ou preocupado 
de alguma forma. Notou algo?  O Inspetor, vendo que o Vigrio hesitava, forou um pouco mais.  Sc o 
senhor notou alguma coisa, Sr. Mount, acho, realmente, que deveria dizer-me. 8 da maior importncia 
que saibamos o que puder sobre qual o estado de esprito desse infortunado cavalheiro nessa ocasio... e 
lhe garanto que serei discreto.
 Bem  tornou o Vigrio, um pouco nervoso.  Bem...
provavelmente no  nada demais. Mas eu diria... sim... que o Almirante estava talvez um pouco preocupado. 
No se mostrava to... to amistoso como de costume. E normalmente era um homem muito agradvel... 
no era absolutamente mal-humorado.
 Seria com a Srta. Fitzgerald, talvez, que ele estivesse m humorado  sugeriu o Inspetor, imediatamente. O 
Vigrio pestanejou.
 Oh, no... dificilmente... eu diria que no, absolutamente.
 Mas ele deve ter agido como se tivesse alguma coisa q  preocupasse... Suponho que o senhor no tem 
idia do que tratava7  Creio... no sei... pode ser que fosse alguma coisa respeito do casamento de sua 
sobrinha. Ele falou algo sobre isso? No muito.
 Oh, ela est para casar-se? Com quem?
 Algum que se chama Holland, Arthur Holland. De Londres, creio. No o conheo.
 E o Almirante Penistone no aprovava o casamento?
 No estou querendo dizer isso. Quero dizer, no sei. Ele no disse. Apenas dava a impresso de que 
alguma coisa estivesse errada. Talvez tivesse alguma ligao com os bens da Srta. Fitzgerald. Ela tem muito 
dinheiro, pelo que sei, e o Almirante ... era o seu curador. Mas na verdade no sei de muita coisa a 
respeito.
 Compreendo. O senhor mesmo j conhecia o Almirante h muito tempo?
 Somente desde um ms atrs, quando ele veio para c. Fui visit-la, o senhor sabe, e nos ficamos 
conhecendo.
 Os senhores se viam com freqncia?
 Oh, duas ou trs vezes por semana, talvez. No mais do que isso.
 Alguma vez ele se referiu a qualquer inimizade... algum que teria uma razo para mat-lo?
 Oh, no, no!  O Vigrio pareceu chocado.  Claro  apressou-se a acrescentar  que no sei nada sobre 
sua vida antes dele vir para c.
 O Almirante tinha muito amigos? Aqui nas redondezas? Ou em outros lugares? Onde vivia antes?
 Em algum lugar no Oeste, acredito. No me lembro de ter-me dito em que distrito. No creio que 
conhecesse muita gente por aqui. Sir 'Wilfrid Denny, l no West End, dava-se muito com ele, desconfio. 
Acredito que muitos de seus velhos amigos vinham at aqui visit-lo por vezes.
 Conheceu algum deles?
 Oh, no  esclareceu o Vigrio.
 Compreendo. Bem, creio que o melhor  ir agora at a casa do Almirante  disse o Inspetor.  Muito 
obrigado, Sr.
Mount. Vamos precisar conversar com o senhor, com seus filhos e com seus empregados um dia desses, 
para o caso de algum deles ter notado alguma coisa que nos possa ajudar. Mas isso pode esperar. Por falar 
nisso  o Inspetor se voltou da porta para perguntar  o senhor pode dizer-me que espcie de moa  a Srta. 
Fitzgerald? Muito dada a... se abalar?
O Vigrio sorriu, quase sem ele mesmo perceber.
 Eu diria que no  respondeu ele.  No creio absolutamente que a Srta. Fitzgerald seja do tipo fraco.
 Muito devotada a seu tio, no?
 Eu diria que no particularmente. A mesma devoo que a maior parte das sobrinhas tem para seus tios, 
acredito. Talvez ela seja uma jovem bastante reservada... tem seus prprios interesses.
Mas isso so apenas comentrios. O senhor poder tirar suas pr6prias concluses, Inspetor.
Isto  verdade. Bem, vou indo  disse o Inspetor, que notou a expresso de alvio que se refletiu no rosto do 
Vigrio. Sei que no somos visitantes muito bem-vindos, pensou o Inspetor consigo prprio, mesmo nas 
melhores ocasies. Mas seria preciso que ele mostrasse to ostensivamente sua satisfao em se ver livre 
de mim? Ser que no h uma outra razo? Ser que no sabe alguma coisa mais do que disse? Porm,  o 
Vigrio de Lingham, e um Vigrio muito respeitvel, de tudo o que tenho ouvido a seu respeito!
Devo admitir que isso no parece provvel. Assim pensando, o Inspetor voltou para o carro e o conduziu 
rapidamente para vencer os quase cinco quilmetros que o separavam da casa que ficava a 100 metros de 
distncia.
J eram quase oito horas quando chegou a seu destino; mas em Rundel Croft, obviamente, no havia 
atividades to matinais.
Uma ou duas das janelas  sua frente ainda tinham as persianas cerradas; no saguo, quando o fizeram 
entrar, estava sendo procedida a limpeza matutina. Um mordomo bastante descorooado, do tipo que parece 
ter-se transformado em mordomo porque sua mulher  uma boa cozinheira e ele mesmo no tem habilidade 
para coisa alguma, abriu a porta para o Inspetor e pestanejou, inquietamente, na sua cara. Rudge perguntou 
pela Srta. Fitzgerald, sendo informado de que ela ainda no andava por ali. Aparentemente, sempre tornava o 
caf da manh na cama. Rudge, ento, perguntou pelo Almirante Penistone.
Ele ainda est no quarto  informou o mordomo, parecendo ligeiramente hostil, como se no aprovasse 
visitantes a essas horas da manh.
 No, no est  contraps o Inspetor, incisivamente.  O Almirante sofreu um acidente.  O mordomo 
arregalou os olhos.
 Escute...  prosseguiu Rudge  como  o seu nome?
 Emery.
 Emery, eu sou o Inspetor Rudge, de Whynmouth, e quero ver a Srta. Fitzgerald imediatamente. O 
Almirante Penistone sofreu um acidente muito srio. Na realidade, ele est morto. Procure a empregada da 
Srta. Fitzgerald, se  que tem uma empregada, e digalhe que quero falar com a senhorita o mais cedo 
possvel que possa descer. Volte aqui depois que tiver feito isso. Quero conversar um pouco com voc.
Sem nada mais do que um inarticulado rudo, o mordomo desapareceu de vista e se passaram 
aproximadamente 10 minutos antes que voltasse com a notcia de que a Srta. Fitzgerald estaria 
embaixo dentro de um quarto de hora. O Inspetor levou-o para uma sala de almoo, uma pea quadrada e 
muito bonita, e comeou a fazer lhe perguntas sobre os movimentos de seu patro na noite anterior.
 40 Mas pouqussima ajuda resultou dessa entrevista. O homem lhe pareceu ou fenomenalmente estpido ou 
completamente chocado pela morte do seu patro e esta ltima hiptese no parecia ser a verdadeira. Alm 
de um ou dois resmungos Meu caro, meu caro!, e coisas semelhantes, ele aparentemente no tinha 
entendida a notcia; ao Inspetor surpreendeu que um oficial reformado da Marinha pudesse manter a seu 
servio um empregado aparentemente to incompetente. Contudo, a casa parecia limpa, ainda que o pessoal 
se levantasse um pouco tarde.
O Almirante Penistone, ficou sabendo o Inspetor, fora visto pela ltima vez por sua criadagem s sete e 
quinze da noite anterior, quando ele e sua sobrinha tinham descido at o abrigo de barcos para irem a remos, 
eles prprios remando, at a casa do Vigrio. (O Almirante no permitia que ningum o perturbasse 
pela manh, at que tocasse a campainha, o que respondia pelo fato de sua ausncia no ter sido notada.) 
Antes de ir para o abrigo de barcos, o Almirante avisara Emery de que no seria necessrio esperar por ele, 
mas que trancasse a porta da frente e fosse para a cama, deixando destrancada a janela francesa da sala de 
visitas, que levava ao gramado e ao rio.
 Era eu quem a trancava  informou Emery  mas o Almirante Penistone tinha sua prpria chave.
Espere um momento  interrompeu o Inspetor.  Essa janela francesa estava trancada quando voc desceu 
hoje pela manh, ou no?
 No  respondeu Emery, mas acrescentou que isso no queria dizer nada, pois em inmeras vezes o 
Almirante no a trancava. Era apenas fechada, no parecendo provvel que algum chegasse para roubar, 
vindo da margem do rio.
Depois disso, ele no tornara a ver o Almirante? No. Nem a Srta. Fitzgerald? Sim, por assim dizer. Isto , 
quando ele e sua mulher tinham subido para o quarto, um pouco depois das dez horas, talvez s dez e 
quinze, tinham visto a Srta. Fitzgerald subindo pelo caminho que partia do abrigo de barcos. Pelo menos 
haviam visto o vestido dela; no escuro no podiam v-la propriamente. O Almirante no estava com ela, mas 
imaginaram que ele tivesse ficado para trs, trancando o abrigo. No, ele no sabia se nesse momento o 
abrigo estava trancada; supunha que estivesse, mas no fazia parte de suas tarefas o abrigo de barcos. No, 
ele no podia afinar que a Srta. Fitzgerald tivesse entrado em casa; ela poderia ter entrado ou ter parado no 
gramado. Ele e sua mulher no estavam :particularmente interessados, pois se estavam recolhendo 
para' seus aposentos. E isso era tudo o que Emery tinha a dizer. Indagado a respeito do estado de esprito 
de seu patro na noite anterior, demonstrou no ter qualquer idia, limitando-se a olhar com cara de imbecil. 
Supunha que estivesse como sempre. O Almirante era ocasionalmente lacnico com os seus empregados 
(o Inspetor refletiu que seria necessrio um santo para no ser lacnico com Emery, pelo menos uma dzia 
de vezes por dia) ; alm disso, no entanto, seu mordomo nada tinha a dizer. Aparentemente, era sabido que 
os patres se mostravam ocasionalmente lacnicos; mas o fato era aceito e no se conjeturava sobre as 
causas. Pelo menos quando algum fosse to sem energia e to desinteressado como Emery parecia ser.
No, sua mulher e ele estavam apenas h um ms com o Almirante; tinham-se candidatado ao emprego 
atravs de um anncio; seu ltimo trabalho fora com uma senhora e um cavalheiro em Hove, durante um ano 
e meio. Nessa altura, para alvio de Rudge, uma empregada com a aparncia de mais inteligncia apareceu e 
anunciou que a Srta. Fitzgerald aguardava por ele na sala de jantar.
Como  feia, foi a imediata reao do Inspetor ao se deparar pela primeira vez com a sobrinha do falecido 
Almirante Penistone.
Em seguida, retificou a impresso. "No, no tenho certeza de que seja assim to feia, com um pouco mais 
de luz. Mas seria necessrio que ela usasse uma maquiagem pesada, o que no seria surpresa.
Mas, meu Deus, ela no  do tipo nervoso.
A Srta. Elma Fitzgerald estava muito plida. Mas sua palidez no seria devida ao acidente que seu tio 
sofrera, mas a palidez peculiar de uma pele opaca e muito grossa. Ela era grandalhona e malfeita, com 
membros longos e espduas largas e estaria mais bem vestida, obviamente, com compridos cortinados do 
que com a blusa e o agasalho que vestira bastante descuidadamente. Seus traos eram grosseiros, 
fortemente marcados, mas mal definidos, maxilares largos e queixo cheio, sobrancelhas escuras que quase 
se juntavam em seu rosto claro. O cabelo escuro e grosso, repuxado em tranas por trs das orelhas, e sob 
os olhos, to apertados que a uma primeira vista o Inspetor no pde determinar-lhes a cor, havia rugas e 
bolsas escuras; -trinta e um, trinta e dois anos, era, em sua opinio, uma descrio generosa. Ainda 
assim, sem dvida, era uma mulher de personalidade, e a luzes mais vivas e com o auxilio de artifcios 
para tornar sua pele mais fina e disfarar as linhas que a desfiguravam, ela poderia at ser atraente.
 Sim?  disse ela, com uma voz que procurava ser ao mesmo tempo desagradvel e arrastada.  O que o 
senhor deseja?  De qualquer modo, pensou o Inspetor, ela no iria tomar muito de seu tempo.
 Lamento ter que dizer-lhe, Srta. Fitzgerald  falou ele, em voz alta que o Almirante Penistone sofreu um 
srio acidente.
 Ele est morto?  O tom de voz era to despreocupado que o Inspetor chegou a ter um ligeiro sobressalto.
 Temo que sim. Mas a senhorita estava... estava esperando que isso...?
 Oh, no.  Ela at ento no tinha erguido os olhos.  Mas essa  a forma pela qual a Polcia sempre 
anuncia as coisas para algum, no ? O que aconteceu?
 Lamento dizer  informou o Inspetor  que o Almirante foi assassinado.
 Assassinado?  A essa informao seus olhos se arregalaram por um momento. Eram de cor cinza, um 
cinza profundo.
Teriam sido olhos bonitos, observou Rudge, se as pestanas fossem mas longas.  Mas, por qu?
Como era exatamente isso o que o prprio Inspetor desejava saber, ele fez momentaneamente uma pausa.
 Seu corpo foi encontrado  informou ele  s quatro e meia da manh de hoje,  deriva, dentro de um 
barco, corrente acima, apunhalado no corao.  A Srta. Fitzgerald se limitou a sacudir a cabea para 
mostrar que entendera e pareceu continuar esperando que o Inspetor continuasse. Maldita seja!, pensou o 
Inspetor. Ser que ela no tem sentimentos? Poder-se-ia pensar que o que eu disse se referia a um gato l 
no gramado!  Temo que isto seja um choque para a senhorita  disse, porm, o Inspetor, em voz alta.
 No precisa preocupar-se com meus sentimentos, Inspetor  disse Elma Fitzgerald, com um olhar que 
falava mais eloqentemente do que as palavras.  E  uma grande impertinncia de sua parte fazer quaisquer 
perguntas a esse respeito! Suponho que o senhor tenha alguma idia de como isso aconteceu? Ou quem o 
matou?
 Temo que eu ainda no possa ver as coisas claramente at agora  disse o Inspetor.  Ser que a 
senhorita...
 Eu no  cortou a Srta. Fitzgerald, com deciso.  No tenho idia alguma  falou ela, vagarosamente.  
Por que algum... quem quer que fosse... desejaria matar meu tio. Suponho...  A frase morreu por a. O que 
quer que ela supusesse, o Inspetor, podia esperar sentado que jamais iria ficar sabendo.  O que o senhor 
deseja que eu lhe diga?  continuou ela, finalmente. (Desejo que o senhor seja rpido e v tratar de sen 
ofcio, era o que sua voz queria dizer.)  Apenas isso, senhorita  respondeu o Inspetor.  A que horas a 
senhorita viu o Almirante Penistone pela ltima vez? 
 A noite passada. Ns voltamos juntos do Vicariato, onde framos jantar.
 Que horas deveriam ser?  O Inspetor acreditava em que deveria obter essa informao confirmada pelo 
maior nmero possvel de fontes.
 Oh... um pouco depois das dez, suponho. Bateram dez horas pouco antes de ns sairmos.
 E cruzaram o rio a remos, e a senhorita veio at aqui em casa com o Almirante?
 No, ele no veio para casa quando eu vim. Ficou fechando o abrigo de barcos e disse que desejava fumar 
um charuto antes de ir para a cama Assim, desejei-lhe boa noite e vim diretamente para a casa.
 Havia algum por aqui quando a senhorita entrou?
 No, mas Emery e sua mulher tinham acabado de ir para a cama, suponho. Vi as luzes se acenderem e 
se apagarem quando subi. Eles deviam estar fechando a casa.
 E ento... o que a senhorita fez?
 Subi diretamente e fui para cama tambm.
 A senhorita no ouviu o Almirante Penistone entrar?
 No, mas eu no estava prestando particular ateno. Com freqncia, ele fica acordado at tarde, 
andando por a  disse a Srta. Fitzgerald.
 Eu soube  falou o Inspetor  que o Almirante Penistone,  noite passada, estava bastante preocupado e 
angustiado?
 Creio que no... No. Por que estaria2  A senhorita no teve um... um desentendimento com ele?
 O senhor est-se referindo  disse a Srta. Fitzgerald com desconcertante perspiccia  a meu casamento. 
Isto... ...
puro... boato.  Havia em seu tom de voz uma considervel dose de desprezo.  Meu tio no estava opondo a 
mnima objeo ao casamento. Preocupava-se, suponho, sobre qual a melhor maneira de ajustar o aspecto 
financeiro... mas essa seria uma questo que se resolveria no devido tempo. Isto era tudo.  Mas devia 
haver alguma coisa a mais, refletiu rapidamente o Inspetor, ou ela no teria esbarrado to de pronto sobre o 
que eu estava falando.
-  Ento a senhorita no pode absolutamente sugeri o que o estava preocupando?
 No creio por um s momento que houvesse alguma coisa  rebateu a Srta. Fitzgerald, fazendo um ligeiro 
movimento que sugeria, pelo menos,' estar-se despedindo.
Compreendo. Bem...  O Inspetor gostaria de continuar  entrevista, mas, no momento, no via exatamente 
que outras informaes poderia procurar. E talvez no seria de bom gosto ficar ali .amolando uma dama nos 
primeiros momentos de suas aflies, se  que ela estava aflita. Houve um sbito safano de uma mo forte 
e bastante grande.  Apenas uma coisa mais, Srta. Fitzgerald, e no vou continuar a incomod-la. Poderia 
dar-me os nomes dos advogados do Almirante Penistone?
 Dakers e Dakers, suponho. Tm escritrio em Lincoins Inn, suponho.
 Obrigado. Se eu pudesse agora ver os documentos do Almirante Penistone... e os criados...
 Penso que todos os documentos esto no escritrio. Emery ir mostrar ao senhor.  A Srta. Fitzgerald se 
inclinou para alcanar a campainha.  Inspetor  disse ela, de repente  o senhor me dir... o que est 
acontecendo? Iro traz-lo para... para c?
 Este foi o primeiro trao de emoo demonstrado em sua voz, e Rudge se apressou a tranquiliz-la, 
assegurando que o corpo iria para a funerria, e que seriam feitos todos os esforos para poup-la ao 
mximo.
 Obrigada  agradeceu Elma Fitzgerald, voltando  sua indiferena; naquele momento o mordomo apareceu. 
 Emery, leve o Inspetor at o escritrio do Almirante e deixe que ele veja o que quiser. E  melhor que 
nenhum de vocs saia de casa O Inspetor pode desejar falar com vocs.  A Srta. Fitzgerald se recostou 
em sua cadeira e no mais se moveu, enquanto Rudge que no demonstrava, segundo esperava, estar to 
intrigado como de fato se sentia, acompanhava Emery para fora da sala.
O escritrio do Almirante era uma pea grande e agradvel, dando vista para o gramado e para o rio. Estava 
razoavelmente arrumado, nada que, obviamente, no tivesse sido limpo naquela manh, e houvesse alguns 
jornais datando provavelmente da tarde anterior, jogados em cima da mesa. Rudge percorreu o olhar 
pela pea com olhos prticos e refletiu consigo mesmo que no se passaria muito tempo antes que ela 
revelasse quaisquer segredos que possusse. Em seguida, mandou o indeciso Emery embora.
 No. deixe ningum entrar na casa por enquanto, por favor, sem me consultar  foram as ltimas 
instrues do Inspetor para Emery.
 Muito bem  limitou-se a resmungar Emery, e sumiu.
A mesa e um pequeno arquivo a seu lado eram os nicos provveis receptculos para documentos naquela 
sala. O arquivo, quando foi aberto, nada revelou, a no ser recortes de jornais organizadamente arrumados. A 
mesa estava trancada, mas Rudge, prudentemente, havia-se apossado das chaves do morto, e no tardou 
a abri-la. A primeira coisa com que se defrontou foi com uma pistola, perfeitamente limpa e completamente 
carregada, dentro de uma gavetinha. O Inspetor fez seus lbios tomarem forma para um assobio sem som, e 
continuou a desencavar papis de cartas e envelopes, uma gaveta cheia de cachimbos, uma outra com 
algumas cartas de data recente, outra com livros de contabilidade, canhotos de cheques, formulrios para 
declarao de renda e outras coisas relacionadas com finanas, e uma quinta gaveta que continha to-
somente um envelope grande, com o nome de Elma Fitzgerald. Em vista do que o Vigrio dissera, o Inspetor 
conjeturou que o que continha esse envelope devia ter algum relacionamento com o caso, e se preparou para 
estud-la preliminarmente. O primeiro item era A Vitima Vontade e Testamento de John Martin Fitzgerald, 
documento volumoso e com mais coisas escritas do que o normal em tais documentos; o Inspetor, cujo 
domnio do jargo judicial no era to vasto quanto ele desejaria, encontrou alguma dificuldade em 
desenredar suas disposies. Ele conseguira entender que John Martin Fitzgerald era o cunhado do 
Almirante, e que o seu desejo era que suas propriedades, quaisquer que fossem, deveriam ser dividas em 
propores iguais entre seu filho Walter Everett Fitzgerald, se for encontrado vivo por ocasio de minha 
morte, e sua filha Elma Fitzgerald; tinha ainda anotado que, se o filho estivesse morto (Suponho que ele 
tenha desaparecido ou qualquer coisa assim. De qualquer modo,  uma forma engraada de pr as coisas.), 
Elma Fitzgerald ficaria com todos os bens quando se casasse... Nesse momento a ateno do Inspetor foi 
atrada pelo que parecia ser uma alterao l embaixo. Ficou escutando por um momento e lhe pareceu que, 
a despeito das ordens que tinha dado, algum visitante estaria tentando forar sua entrada na casa. E como 
no confiasse absolutamente na fora de Emery at para se obstar a uma mosca decidida, o Inspetor foi at 
l embaixo para ver o que estava acontecendo, deparando-se, como esperava, com um mordomo vermelho e 
perplexo que febrilmente procurava deter um enraivecido visitante que j tinha conseguido chegar at o p da 
escada.
 ... o Inspetor disse...  choramingava o mordomo.
 O Inspetor que v para o diabo!  retorquiu o intruso que, levantando os olhos, se viu a si mesmo encarando 
o citado Inspetor, contingncia que absolutamente no o desconcertou.
Nem seria preciso. Fosse quem fosse, o intruso era capaz de, facilmente, lidar com uma dzia de 
inspetores. Devia ter, no mnimo, 1,90 metro, com o corpo e o porte de um atleta, e um atleta, alm do mais, 
especializado na prtica de esportes que demandassem uma fora excepcional. Acima de um par de ombros 
magnificamente largos assentava-se uma cabea simptica, com o rosto e o pescoo queimados de sol, o 
queixo quadrado, o nariz aquilino, o cabelo castanho cortado to curto que dificilmente apareceria seu crespo 
natural, e olhos grandes, faiscantes e castanhos, que encaravam Rudge com toda a justa indignao de um 
baluarte da Lei e da Justia, ressentido com a interferncia da Lei  sua prpria revelia.
 Avisei ao Sr. Holland  lamuriou-se Emery  que o senhor dissera que ningum podia entrar sem ordem.
 E eu o avisei  observou o Sr. Holland  de que entraria   o Sr. Holland?  indagou o Inspetor.  O Sr. 
Arthur Holland?  O homem concordou.  E quem o senhor deseja ver...?
 Vim ver a Srta. Fitzgerald  disse Arthur Holland.  E deixe-me dizer-lhe que estou com pressa, quem quer 
que o senhor seja. Olhe aqui, Emery, diga a Srta. Fitzgerald que cheguei, e ande depressa, ouviu?
 Um momentinho, senhor  interveio o Inspetor, quando uma empregada entrou pela porta de um dos 
quartos que dava para o saguo e se ps a cochichar com o mordomo.  Se me permite, quero antes, eu 
mesmo, trocar uma ou duas palavras com o senhor.
Esse homem lhe disse que o Almirante Penistone...?
 Foi morto? Sim  replicou o Sr. Holland.  H alguma razo para que eu no veja a Srta. Fitzgerald? Ela 
precisar de algum...
 Perdo, senhor  disse Emery, aproximando-se com toda a deferncia.  Mas a Srta. Fitzgerald saia.
 Saiu!  A exclamao foi proferida pelos dois homens simultaneamente.
 Sim, senhor. Ela acaba de arrumar sua bagagem e saiu no seu carro,  o que diz Merton.  Fez um gesto 
indicando a empregada no saguo.  No faz nem dez minutos, senhor.
Fuiu! Com um assobio silencioso, o Inspetor ps-se a remoer esse novo acontecimento.Captulo III

Brilhantes Pensamentos em Mar Alta
HENRY WADE         

 Ainda carrancudo e aborrecido pela fuga dessa importante testemunha, o Inspetor Rudge voltou-se para 
Holland.
 Se o senhor quiser ter a bondade de vir at o escritrio  disse ele  h umas perguntas que eu gostaria de 
lhe fazer.
 Elas tero que esperar  respondeu Holland, laconicamente, encaminhando-se para a porta  Vou procurar 
a Srta. Fitzgerald.
 No senhor!  Havia um tom de autoridade tal na voz do Inspetor, que at o dominador Holland teve que se 
voltar. Rudge no iria perder duas testemunhas, antes que tivesse terminado com elas.  Devo pedir-lhe que 
me atenda em primeiro lugar, senhor, por favor. No irei det-la por mais tempo do que o necessrio.
Com um sorriso desanimado, Arthur Ho11and acompanhou o Inspetor at o escritrio e, declinando sentar-se 
em uma cadeira, encostou-se no console da lareira.
 Bem, o que tem a perguntar?  indagou.  Fogo!
Rudge pegou sua caderneta de anotaes e deu um verdadeiro espetculo em sua preparao para tomar 
nota de informaes vitais. Com freqncia, ele verificara que isso produzia efeitos em testemunhas 
recalcitrantes.
Seu nome completo, por favor?
 Arthur Holland.
 Idade?
 Trinta e trs.
 Endereo?
 Hotel Lorde Marshall, Whynmouth.
Rudge levantou os olhos.
 Esse  o seu endereo permanente, senhor?
 Espero que no.
 Pode ento me dar o permanente, senhor, por favor?
 No tenho nenhum.
As sobrancelhas do Inspetor se ergueram e ele abriu a boca, como se fosse discutir esse ponto, mas, 
mudando de idia, passou a rgua no lpis e anotou, audivelmente:  No tem endereo permanente.  Aps 
um momento de meditao, continuou.  Ocupao?
 Comrcio.
Rudge pareceu ligeiramente intrigado.
 ('caixeiro viajante, senhor?
 Bom Deus, no! Comercio com matrias-primas: borracha, juta, marfim, esse tipo de coisas.
 Em Londres, senhor?
Holland se retorceu de impacincia.
 Essas coisas no do em Londres, homem. Estou na Inglaterra agora, fazendo um levantamento de 
mercado.
 Ah!  O Inspetor se sentiu como se estivesse chegando mais perto do osso.  Diga-me ento, senhor, em 
que parte do mundo obtm a matria-prima para o mercado de Londres?
 No me referi ao mercado de Londres. O que disse foi que estava em Londres para levantar o mercado; 
Londres  apenas o centro, os mercados podem estar em qualquer parte do mundo.  As perguntas 
irritantemente estpidas do policial estavam arrancando de Arthur Holland mais informaes do que pretendia 
dar.
 Muito bem, senhor. Mas ainda no respondeu  minha pergunta. Em que parte do mundo o senhor obtm a 
matria-prima para a qual est procurando encontrar mercado?
 Oh, em qualquer lugar onde eu ache que o mercado est favorvel no momento  replicou Holland, 
animadamente.  Burma, Qunia, Amrica ao Sul, ndia... eu me mexo.  Holland hesitou.
 No seria difcil para mim verificar, senhor  tornou Rudge, calmamente.  B melhor que o senhor me diga.
A resposta veio lentamente, quase de maneira indesejada.
 China.
 Compreendo. E no tem nenhum endereo particular ou permanente na China?
 No.
O Inspetor virou a pgina e comeou em outra.
 Agora, quanto  noite passada. O senhor estava no Lorde Marshall ontem  noite?
 Sim, estava.
 O senhor chegou s...?
 Cheguei a Whynmouth pouco antes das nove.
Ah, pelo expresso?
 Sim.
 De Londres?
 Sim.
 E o senhor passou a noite... onde?
 Em Whynmouth.
 O senhor no veio at aqui para ver a Srta. Fitzgerald?
 Eu sabia que ela estava jantando fora. Fiquei em Whyncnouth.
 Muita pacincia de sua parte, senhor. Permaneceu no hotel?
 Dei um passeio pela praia depois do jantar. Fui para a cama cedo.
 Talvez haja algum que possa confirmar o que o senhor est dizendo sobre seus movimentos, senhor?  A 
voz do Inspetor era natural... natural demais. Os olhos de Holland se apertaram.
 O senhor est suspeitando de que eu tenha matado o Almirante?  perguntou ele, rudemente.
 Oh, meu caro, no; oh, meu caro, no. Ora, nem mesmo sabia de sua existncia at uma hora atrs ou 
coisa assim. Engraado, no? Tudo isso  apenas rotina. Queremos saber, e se possvel confirmar, por onde 
andavam por ocasio do crime todos os que de alguma forma se encontram ligados ao morto. Apenas 
pensei ser possvel que o senhor soubesse de algum que pudesse confirmar suas declaraes.
 Como pode algum provar, se eu estava ou no na cama?
Acontece que tenho o hbito de dormir sozinho. 8 engraado, no?
comentou Holland, com ironia.
 Ah, ento o senhor sabe que o crime foi cometido depois que o senhor foi para a cama?
 Por que diabo eu deveria saber isso?  disse Holland, fitando-o.  Apenas ouvi falar sobre o crime.
 Muito bem, senhor, muito bem. Exatamente como eu tambm acabo de ouvir falar sobre o melhor. Agora, 
quanto  Srta.
Fitzgerald. O senhor tem alguma idia para onde ela foi?
 Nenhuma.
 Mas quando o senhor estava saindo s pressas para procur-la, h uns momentos, o senhor deveria ter 
alguma idia de onde ir...
 Ela pode ter ido para Londres.
 E o senhor seria capaz de encontr-la em Londres?
 Talvez.
 Ento creio que ser melhor que o faa e pea a ela que volte aqui sem demora.
Holland concordou.
 Direi a ela, mas  provvel que decida por si mesma a esse respeito.
 Seria mais prudente, se ela decidisse voltar por si mesmo.
senhor deve manter-se em contato conosco de qualquer modo, t bem?
Holland parou, com a mo na porta.
 Isso significa que me encontro sob suspeita ou qualquer nome que tenha para isto?
 No vou destacar ningum para segui-la, senhor, mas  melhor que se mantenha em contato conosco.
Com um resmungo, o namorado da Srta. Fitzgerald abriu a porta e saiu da sala. Havia um sorriso no rosto 
do Inspetor, quando ele tocou a campainha.
 Eu gostaria de ver a empregada da Srta. Fitzgerald... Merton, creio que foi o nome que voc disse, Emery.
Um minuto depois Merton se encontrava sentada na borda de uma cadeira, nervosamente encarando o 
formidvel Inspetor de Polcia. Era uma moa inglesa de aparncia saudvel, de seus 26 anos, atraente sem 
ser bonita de fato, e com um ar de pessoa inteligente.
O Inspetor Rudge decidiu de imediato deix-la  vontade, uma de suas alternativas favoritas em suas 
entrevistas.
 Merton,  como a chamam?  disse ele, com um sorriso amistoso.  Para mim parece um pouco formal. 
Espero que voc lenha outro nome, no?
 Jennie  meu nome de batismo, senhor.
 Assim  melhor. Bem, Jennie, esta histria  triste e no quero incomod-la mais do que o necessrio, 
porm tenho que fazer-lhe algumas perguntas sobre os seus patres. Espero que compreenda, nada sei 
sobre eles; no estavam aqui h muito tempo, no  mesmo?
  sim, senhor. H apenas um ms.
 Voc j estava com eles antes de virem para c?
Oh, no. Sou de Whynmouth mesmo. Estou aqui apenas h trs semanas.
 Ah, ento a Srta. Fitzgerald no trouxe uma empregada para c quando veio?
 Oh, sim, trouxe... uma francesa... Mademoiselle Blanco, era como ela mesmo se tratava, mas a Srta. 
Fitzgerald a chamava Clie. EIa no ficou muito tempo... disse aos outros empregados que o lugar era como 
um cemitrio... casa dos mortos, era como dizia... e no sei se estava referindo a Rundel Croft ou a 
Whynmouth, mas suponho que ela achava isto por aqui montono. De qualquer modo, arrumou suas coisas 
e foi embora, sem completar um ms nem esperar por seu ordenado,  o que dizem as moas.
A Srta. Fitzgerald teve que ir  Agncia Marlow para conseguir uma outra empregada s pressas e, como 
no tinham nenhuma, mas sabiam que eu j trabalhara como empregada, embora esteja morando agora com 
minha me... ela no est bem de sade... pediram-me para atend-la, e eu concordei.
A ltima frase, ainda que complicada, teve o mrito de explicar a situao. O Inspetor Rudge concordou com 
a cabea.
 Compreendo. Ento voc no conhece muito bem a Srta.
Fitzgerald, no ?
 No muito, mas no sou cega.
 Estou certo que no. O que foi que viu?
 Exatamente que, para mim, eles no pareciam muito tio e sobrinha.
 Oh, no? Por que no?
 A maneira como ela falava com ele... incisiva e sarcstica... mais como uma mulher, eu diria. No que eu 
queira dizer que houvesse alguma coisa errada.
 Mas o Almirante tinha idade suficiente para ser seu tio...
ou seu pai, no tinha?
 Oh, sim, se o senhor acha que isso  importante.
 Eles pareciam gostar muito um do outro?
 No diria isso.
 De fato era o inverso, no?
 Realmente, eu no poderia dizer nada a esse respeito. No me cabia estar com eles... somente com ela.  
Jennie sentira, evidentemente, que j havia falado demais.
 Bem, a respeito dela, ento.  claro que voc sabia que ela estava noiva desse Sr. Holland, no ?
 Foi o que ela me disse.
 Ela parecia am-la?
 Tenho certeza de que no posso dizer.
 Voc os via freqentemente juntos?
 No muito. Mas nunca os vi beijando-se ou de mos dadas.
 Ah!  Evidentemente aqui havia algo significante: um ponto de partida.  Agora, diga-me uma coisa, Jennie. 
A Srta. Fitzgerald se preocupava com sua prpria aparncia?
Jennie fitou-o.
 Engraado que me esteja perguntando isso, senhor. Isto sempre me intrigou. Algumas vezes ela se 
preocupava, outras vezes no. Vestia-se com simplicidade alguns dias... como estava agora de manh... e 
de outras vezes se preparava esmeradamente at ficar com uma aparncia realmente agradvel.
 E quando fazia isso? Quando seu noivo estava para chegar?
 Nunca descobri quando fazia e por que fazia, mas no era para ele. Ontem  noite ela estava adorvel; 
levou uma hora para vestir-se, quando normalmente pe as coisas por cima em cinco minutos. O vestido 
branco que usava ontem  o seu favorito... um vestido de chiffon com um casaco de renda creme; ela sempre 
usava uma flor colorida com ele, uma flor artificial.
 Eu gostaria de ver esse vestido  disse Rudge.  J ouvi falarem nele mais de uma vez.
 Bem, h uma outra coma engraada  falou Jennie, agora inteiramente  vontade, como Rudge pretendera. 
 A senhorita levou o vestido com ela! Apenas me disse que arrumasse a roupa de dormir e uma muda de 
roupa de baixo e meias, mas ela mesmo deve ter guardado o vestido depois que eu sa.
 Mas voc no o recolheu, para escov-lo ou qualquer outra coisa, quando foi chamar a Srta Fitzgerald esta 
manh?  quis saber o Inspetor, tateando com mistrios meio inimaginados.
 Bem, a est o senhor novamente! Eu no a chamei antes de o senhor chegar. Ela gosta de dormir at 
tarde. Mas, quando foi avis-la de. que o senhor estava aqui, e ia pegar seu vestido, seus sapatos e tudo 
mais, porm ela avanou mal-humorada para cima de mim e me disse para sair que queria levantar-se. Claro 
que eu sa, mas, quando ela desceu para vir ao seu encontro, volte, para apanhar suas coisas e.... no 
estavam, mais l  No estavam mais! Todas as roupas que ela usou  noite passada?
 O vestido, os sapatos e as meias, sim.
 Voc no procurou por eles?
 Claro que sim. No estavam em lugar nenhum.
 6 por isso, ento, que voc acha que a senhorita os levou com ela?
 Bem, deve ter levado. Onde mais poderiam estar?
O Inspetor Rudge ficou olhando para a moa pensativamente, em seguida sacudiu a cabea e pegou sua 
caderneta de anotaes que ainda no tinha aparecido previamente nessa entrevista.
 Compreendo, Jennie. Obrigado. No vou prend-la aqui por muito tempo. No fale com mais ningum sobre 
o vestido e essas coisas, mas procure bem, e se encontrar me avise.
Depois que a moa saiu, o Inspetor Rudge permaneceu sentado, meditando sobre o que acabara de ouvir. A 
opinio da empregada sobre as relaes entre Elma Fitzgerald e seu tio, entre ela e seu noivo, podiam ser 
falhas; o problema do espasmdico cuidado da Srta. Fitzgerald com sua prpria aparncia ficava, at 
agora, alm de sua imaginao; mas certamente o desaparecimento do vestido e dos sapatos que ela estava 
usando por ocasio da tragdia  ou, de qualquer modo, na noite da tragdia  tinha algum significado? 
Poderia Elma, de algum modo, estar ligada  morte do tio? Ela no parecera nem surpreendida nem 
perturbada pelo que tinha ouvido, mas se fosse culpada... ou mesmo conivente... no teria procurado fingir as 
duas coisas? No entanto, era ainda muito cedo para deixar-se levar em conjecturas, quanto mais em 
teorias; ainda havia muitos fatos a serem coligidos.
Para comear, o jornal. Como teria ido parar no bolso do morto? Por acaso, Rudge sabia que a edio 
vespertina da Evening Gazette de Londres no chegava a Whynmouth antes das 8:50  pelo expresso em 
que, incidentemente, Holland havia chegado. Sem dvida um exemplar seria entregue em Rundel Croft, mas 
isso no poderia ocorrer antes das nove da noite, e o Almirante tinha sado de casa s 7:15 para jantar no 
Vicariato. A no ser que ele tivesse conseguido um exemplar ao Vicariato, o fato parecia implicar 
que Penistone tinha voltado a Rundel Croft depois de deixar o Vicariato, s 10 horas; mas, ento, por que o 
jornal se encontrava no bolso do seu sobretudo? Teria ele ido busc-lo para ler do lado de fora da casa... 
certamente era isso inconcebvel? Ou teria o Almirante, ao voltar para Rundel Croft, encontrado algum que 
lhe tivesse dado o jornal  trazido de Londres, talvez  Arthur Holland, por exemplo? Holland que tinha 
passeado a noite  beira do mar e ido para a cama cedo, sozinho. Mas aqui, novamente eram conjecturas...
fatos era o que o Inspetor desejava. Rudge tocou a campainha.
 Emery, seu patro recebe a ltima edio da Evening Gazette de Londres?
 Sim, senhor. O filho de Tolwhistle traz um exemplar todas as noites. Chega aqui por volta das nove horas.
 Ele trouxe o jornal para aqui ontem  noite?
 Sim, senhor  respondeu Emery, uma certa surpresa estampada em sua cara inexpressiva.
 Onde voc o ps?
No saguo, senhor.
 Ainda est l?
 No sei dizer.
 V at o saguo e veja; se no estiver l, verifique onde o puseram.
Parecendo mais surpreso do que nunca, Emery saiu arrastando-se pela porta. Rudge imaginou que no se 
passariam menos de 10 minutos antes que o mordomo, veloz como uma tartaruga, voltasse e, por isso, 
pegou o telefone que se encontrava em cima da escrivaninha e fez uma chamada para Tolwhistle, o 
proprietrio da papelaria de Whynmouth. O nmero estava ocupado, e Rudge, enquanto aguardava, deixou 
que sua mente voltasse a cogitar do vestido desaparecido. Ele se lembrava de que, quando mandara 
Emery pedir  Srta. Fitzgerald que viesse v-la, passaram-se 10 minutos antes que o mordomo voltasse e, 
quando veio, foi com a informao de que a Srta. Fitzgerald desceria em um quarto de hora. Houve, de fato, 
um intervalo de 25 minutos entre o envio de seu recado e a chegada da Srta. Fitzgerald. Sua aparncia, 
descuidada ao extremo, justificaria tal demora ou a explicaria? Seria possvel que a misteriosa sobrinha 
tivesse usado parte de seu tempo para esconder as roupas que tinha...
A campainha do telefone tocou.
 6 da papelaria de Tolwhistle? Quero falar com ele, por favor. 6 o senhor, Sr. Tolwhistle? Aqui  o Inspetor 
Rudge. Desejo umas informaes; tudo confidencial. Parece banal, mas no .
o senhor que fornece jornais ao Reverendo Mount, Vigrio de Lingham?  o senhor mesmo. Ele tem 
assinatura da ltima edio da Evening Gazette de Londres? Suspendeu no fim do ano passado?
Disse por qu? Oh, estragava a matutina... sim, compreendo. Alguma chance de que algum mais esteja 
fornecendo a Evening Gazette para ele? No, o senhor no ouviu falar nada sobre isso,  claro. Obrigado, Sr. 
Tolwhistle. Guarde minhas perguntas com o senhor mesmo. Algum dia lhe darei explicaes.
Isto selava a dvida a respeito de ter ou no o Almirante conseguido o jornal no Vicariato; permaneciam as 
duas alternativas, seja de ter voltado para casa, apanhado seu pr6prio jornal e tornado a sair, seja ter 
encontrado algum do lado de fora da casa que, por alguma razo, lhe dera o jornal.
Impaciente com a longa demora de Emery, Rudge foi procurala. No havia sinal de mordomo, mas o Agente 
de Polcia Hempstead se encontrava no saguo.
 Vim inform-la de que o corpo foi levado para a funerria, senhor. Entreguei-o formalmente e me deram um 
recibo.
O Inspetor pestanejou. A estava um caso de eficincia levada a seus extremos.
 Muito bem  disse ele.  Esta casa no pertence ao seu distrito, foi o que voc disse?
 Certo, senhor, mas o cadver foi encontrado nele.
 E voc acredita que seja sua obrigao fazer-se presente?
 Isso cabe ao senhor dizer, senhor.
Rudge sorriu. Ele sabia que esse jovem agente de olhar arguto estava em ccegas para tomar parte na 
investigao.
  Est bem  disse o Inspetor.  Vou dar-lhe uma incum4ncia; v l embaixo no abrigo dos barcos e veja 
com o Sargento Apgeton se ele encontrou alguma coisa significativa," No, eu irei com voc. Se houver 
alguma coisa, quero ver por mim mesmo e no vamos conservar o nosso sargento-detetive por l o dia 
inteiro.
Assim, esquecendo-se de tudo a respeito do jornal, o Inspetor Rudge acompanhou Hempstead peio gramado 
at o abrigo de barcos.
Enquanto caminhava, o Inspetor perguntou ao seu subordinado se algo em particular lhe chamara a ateno 
no caso.
Uma ou duas coisas, senhor. Em primeiro lugar, as roupas do cadver estavam quase secas; a parte de trs 
seca demais. No entanto, ontem  noite caiu muito sereno. Se ele estivesse deitado na grama, ou mesmo no 
bote, desde a meia-noite (o Dr. Grice determinou a hora da morte, como o senhor se lembra, como 
sendo antes da meia-noite, senhor), as roupas no estariam midas?
O Inspetor Rudge encarou Hempstead com interesse.
 Do que voc infere...?
 Que o Almirante foi morto dentro de casa, ou em um lugar de alguma forma coberto, e conservado a 
durante algum tempo depois de sua morte.
O Inspetor permaneceu em silncio por tanto tempo que Hempstead pensou que se tivesse excedido no 
cumprimento do dever.
No entanto, exatamente quando chegavam ao abrigo, Rudge tornou a falar.
 Este  um ponto interessante. Vamos conversar sobre ele mais tarde. Oh, Appleton, desculpe-me por faz-
la esperar tanto tempo. Encontrou alguma coisa?
O Sargento-Detetive Appleton era um homem corpulento, de aparncia solene, notvel como detetive, mais 
por sua tenacidade em seguir pequenas pistas do que por sua capacidade de levantar teorias a partir delas.
 Apenas dois pontos sugestivos, senhor. Este bote est muito limpo e bastante mido em seu interior. 
Parece que talvez ele tenha sido esfregado recentemente. Este  um ponto. O outro  que a sua proa est 
voltada para dentro. Os filhos do Vigrio me disseram que o Almirante costumava sempre pr a popa para 
dentro em primeiro lugar, de modo que o barco estivesse no lado certo, quando tivesse que sair de novo.
 Ah, truques da Marinha, heim? Vale a pena anotar isto.
Nada mais? Nem sangue, sinais de luta, pegadas, impresses digitais?
 No, para os dois primeiros, senhor. H uma ou duas boas pegadas que cobri com tbuas e parece haver 
impresses digitais por toda parte, no bote e nos remos.
 56  Vamos examin-las mais tarde. Alguma hiptese, Appleton?
 Nenhuma, senhor.
O inspetor Rudge sentou-se no banco e fez sinal aos seus subordinados para que se juntassem a ele.
 Vou fumar  disse ele, tirando um cachimbo do bolso.  Penso melhor quando estou fumando, e ns agora 
devemos pensar.
O chapu do Vigrio, em primeiro lugar; por que se encontrava ele no bote?
 Foi posto l pela parte culpada, para lanar suspeitas sobre o Vigrio  aventou o Sargento Appleton.
 Concorda com isso, Hempstead?
 A outra alternativa  que o prprio Vigrio tenha posto o chapu l e se esquecido disso.
 Ele positivamente declarou que estava com o chapu, quando acompanhou o Almirante que se retirava, 
depois do jantar, e que o havia deixado no pavilho.
 Mas suponhamos que ele tenha ido at o bote depois disso, senhor?
 Ah, voc est querendo dizer... bem, deixemos para l c que est querendo dizer. E a amarra, por que foi 
cortada?
 Algum estava apressado  sugeriu Appleton.
 Algum tentando insinuar que o bote tivesse sido roubado  murmurou Hempstead.
 E as forretas no tinham sido montadas  aduziu o Inspetor, como sua quota de suposies  seja porque 
o corpo foi transferido de um outro barco para o bote do Vigrio, que em seguida foi posto  deriva, seja... 
para sugerir aquela insinuao, em, Hempstead?
 Possivelmente, senhor.
 Bem, algum poder explicar agora por que o corpo foi encontrado onde estava e  hora em que foi 
encontrado?  indagou o Inspetor, acrescentando para si mesmo: Se  que foi.
O Sargento Appleton adiantou-se, brilhantemente.
Sim, senhor  disse ele.  Pensei a respeito, enquanto estava aqui esperando. Se o crime foi cometido  
meia-noite, como o Dr. Grice diz, e o bote se encontrava  deriva, ele teria ido direto para o mar, porque 
ento a mar estava cheia. Minha hiptese  que o crime foi cometido vrios quilmetros a montante e que, 
antes de o bote chegar a Whynmouth, a mar virou e o barco foi levado at onde foi encontrado.
 A que horas a mar se inverteu?
 De acordo com o Sr. Ware, senhor  informou Hempstead  s trs e quarenta e cinco da manh.
 Bem, vamos esclarecer isto. Ware nos disse, voc se lembra, Hempstead, que o bote levaria uns quarenta a 
quarenta e cinco min para ir do Vicariato ao ponto onde ele se encontrava, quando a embarcao foi vista. A 
que horas foi isso?
 Pouco depois das quatro e trinta, senhor.
 Isso significa que o bote saiu... ou passou... do Vicariato por volta das trs e cinqenta... cinco minutos 
apenas depois de a mar ter-se invertido?
 Isso mesmo, senhor.
 Ento isso quer dizer que, se o bote foi posto  deriva daqui ou do Vicariato, isto teria sido feito somente 
pouco antes das trs e quarenta e cinco, pois, de outro modo, ele no poderia ter voltado para onde Ware o 
encontrou na ocasio em que o fato aconteceu. Mas, s trs e quarenta e cinco j est quase claro e eles 
no fariam isso to tarde. Parece que a hiptese de Appleton  a correta.
O Sargento Appleton ficou satisfeito, mas o Agente de Polcia Hempstead parecia obstinado. Rudge notou 
sua disposio.
 Desembuche, Hempstead  disse ele.  Estou vendo que tem uma hiptese tambm.
 Bem, senhor, se me permite, eu lembro que foi desprezado a intervalo entre as mars. Durante uma hora 
aproximadamente, antes da inverso, a mar est to parada que dificilmente se nota a corrente.  possvel 
que um bote fique parado na margem durante algum tempo. Minha hiptese, como o senhor j sabe,  que o 
corpo no esteve dentro do bote tempo suficiente para que suas roupas ficassem midas com o orvalho. 
Penso que o bote foi posto  deriva a partir daqui por volta das duas e meia ou trs horas. Se a pessoa que 
fez isso fosse estranha a esta regio, talvez no soubesse a respeito das mars e pensasse que o bote 
fosse ser levado diretamente para o mar. Porm, o que aconteceu  que o barco foi nessa direo algumas 
centenas de metros e, em seguida, quando a mar diminuiu de intensidade, encostou em uma das margens; 
s trs e quarenta e cinco, quando a mar se inverteu, o bote se desprendeu e foi levado no fluxo ascendente 
da mar at chegar ao ponto em que Ware o avistou, s quatro e meia da manh.
 











CAPTULO 1V

Principalmente Conversas 
AGATHA CHRISTIE 

 Esta  tambm uma hiptese muito boa  admitiu Rudge.
Ele sempre acreditara em ser diplomata com seus inferiores hierrquicos. Nesse momento, nada em seu 
rosto revelava qual das duas hipteses lhe parecia ser a certa. Rudge sacudiu a cabea uma u duas vezes 
e, em seguida, levantou-se.
 H uma coisa que me est chamando a ateno  disse ele.  Ser que h alguma coisa nisso?
Appleton e Hempstead ficaram olhando para seu superior interrogativamente.
 Em minha conversa com o Vigrio ele mencionou que havia visto o vestido branco da Srta. Fitzgerald 
atravs das rvores.
 Sim, senhor, quando ela estava subindo para casa, lembro-me de que foi o que o Vigrio disse. Alguma 
coisa suspeita sobre isso, o senhor est achando?
 No, imagino que seja perfeitamente possvel. A Srta. Fitzgerald estava usando um vestido de chiffon com 
um casaco de renda creme. Se o Vigrio viu o vestido, ento  porque ela no estava usando nada por cima, 
nem casaco nem qualquer agasalho. Afinal de contas, por que deveria estar usando alguma coisa? A 
noite de ontem estava muito quente.
 Sim, senhor.  Appleton parecia intrigado.
 Por outro lado, quando o Almirante foi encontrado, estava vestindo um pesado sobretudo marram. Alguma 
coisa nisso parece estranha a vocs?
 Bem... sim, estou achando um pouco curioso... que a moa no estivesse usando nada mais quente do 
que um casaco de renda como agasalho, e que o Almirante... sim, senhor, compreendo o que est querendo 
dizer.
  Preciso pedir-lhe, Sargento, que pegue um barco e v at E o Vicariato, perguntar se o Almirante estava 
de sobretudo na noite passada.
 Agora mesmo, senhor.
Depois que o Sargento foi embora, o Inspetor se voltou para Hempstead.
 Agora  disse ele, os olhos cintilando  vou fazer-lhe uma pergunta.
 Sim, senhor.
 Quem tem a lngua mais comprida em Whynmouth?
Hempstead sorriu, mesmo sem querer.
 A Sra. Davis, senhor, que dirige o Hotel Lorde Marshall.
Ningum pode dizer nada quando ela est por perto.
 Ah, ela  desse tipo, no ?
Sm, de fato, senhor.
Bem, isto talvez me sirva. O Almirante era recm-chegado por aqui. Sempre h comentrios a respeito de 
recm-chegados. Para noventa e nove boatos falsos haver uma coisa verdadeira que algum viu e observou. 
As atenes se enfocaram sobre Rundel Croft.
Quero saber exatamente o que transpirou nas bisbilhotices de Whynmouth.
 Ento  a Sra. Davis que o senhor precisa, senhor.
 Quero tambm ir at o West End para ver Sir W;1frid Denny. Ele parece ser a nica pessoa das 
vizinhanas que sabe alguma coisa sobre o homem assassinado.  possvel que saiba se o Almirante tinha 
inimigos.
 Acha que o Almirante estava-se escondendo, senhor?
 No se escondendo exatamente. Ele veio para c ostensivamente, com seu prprio nome. No  uma 
coisa fora do comum para um oficial de Marinha reformado fazer. Mas a arma carregada na gaveta diz 
alguma coisa. Isto no  assim to comum. Eu gostaria de saber um pouco mais sobre a carreira do 
Almirante Penistone. Ah! A vem o Sargento de volta.
O Sargento, porm, no estava voltando sozinho. Com ele vinham os dois rapazes do Vicariato. Seus rostos 
juvenis e ansiosos luziam de curiosidade.
 Ei, Inspetor  exclamou Peter  ser que no podemos prestar alguma ajuda? O senhor no tem uma 
tarefa qualquer para ns? Esquisito que logo Penistone, entre todas as pessoas, fosse ser assassinado!
 Por que voc disse entre todas as pessoas, jovem?  indagou o Inspetor.
 Oh! No sei.  O rapaz enrubesceu.  Ele era to...
bem, correto e formal. Tudo certo e arrumado. Tipo do velho que  ficaria olhando para quem quer se 
esquecesse de trat-lo por senhor, ainda que uma nica vez.
 Severo e disciplinador, bem?
 Creio que  isso o que eu quis dizer. Completamente fora de poca.
 No creio que fosse um mau sujeito  aduziu Alec, tolerantemente.
O Inspetor se dirigiu a Appleton.
 E o sobretudo?
 O Almirante, senhor, no estava de sobretudo, quando foi ao jantar na noite passada.
 Claro que no  disse Peter.  Uma passagem rpida pelo rio e pronto. Por que ele usaria um agasalho? A 
Fitzgerald tambm no estava agasalhada.
 No  uma gracinha?  zombou Alec.  Toda de branco como uma tmida noivinha. E realmente j bastante 
velha.
 Bem  falou Rudge.  Tenho que continuar.
 Oh, Inspetor, e ns?
Rudge sorriu, indulgentemente.
 Suponho que vocs, jovens, poderiam procurar a arma do crime  sugeriu ele.  Ela no estava no 
ferimento. Algum ponto na margem do rio, quem sabe...  O Inspetor se retirou, sorrindo para si mesmo.  
Isso vai fazer com que os garotos se mantenham ocupados, pensou com os seus botes, e no causar 
mal algum.  at possvel que encontrem a arma... coisas mais estranhas j aconteceram.
Ao entrar no carro e partir na direo de Whynmouth, o crebro de Rudge trabalhava ativamente. Agora era a 
respeito do jornal vespertino. O Almirante deveria ter voltado para o interior de casa em algum momento entre 
as dez horas e a meia-noite, vestido um sobretudo e enfiado o jornal no bolso. Em seguida teria sado 
de novo... por qu?
Teria entrado no bote? Teria subido ou descido a correnteza para ir a algum encontro? Teria ido a p at 
alguma casa das redondezas?
At agora, tudo era mistrio.
Ao chegar a Whynmouth, Rudge parou o carro do lado oposto do Hotel Lorde Marshall.
O Lorde Marshall se orgulhava de sua aparncia antiga. O saguo era escuro e acanhado, e um pretenso 
visitante ficaria surpreso por no encontrar ningum a quem se dirigir. Normalmente, iludido pela obscuridade 
geral, perguntas eram dirigidas a um hspede, que as repelia friamente. Nas paredes havia quadros 
esportivos de natureza humorstica e vrios aqurios com peixes.
Rudge conhecia bem como se deslocar no Lorde Marshall. Atravessou a entrada e bateu a uma porta onde 
se lia Reservado. A voz aguda da Sra. Davis o convidou a entrar.
Ao v-lo, a dama tomou uma inspirao profunda e se ps a falar sem perda de tempo.
  o Inspetor Rudge, no ? Ainda bem que conheo o senhor de vista, como conheo todo mundo por 
aqui. E no apenas de vista, pois vez por outra j nos falamos, ainda que eu ouse dizer que o senhor no se 
lembra. Mas, como costumo dizer, ser bem conhecida da Polcia no  nenhum elogio, e estou bem 
satisfeita que ns no tenhamos, como se poderia dizer, realmente nos conhecido antes. E vou dizer-lhe 
uma coisa, Inspetor Rudge, o senhor no poderia ter feito nada melhor do que vir diretamente falar comigo 
esta manh! Como o senhor  recm-chegado por aqui... o senhor chegou somente h dois anos, no, ou 
foram trs?... como o tempo passa...  o que eu estou sempre dizendo. To depressa acabamos de comer 
uma refeio e j est na hora de outra. E tenho que servir o jantar s sete horas. Essa gente cheia de 
novidades, chegando de automvel, s oito 'horas, s nove, e querendo jantar.
Uma sopa fria eu posso conseguir,  o que digo, mas o jantar  servido s sete horas, e depois todo mundo 
est livre para passear e  muito agradvel andar pela praia em uma noite de vero,  o que pensam os 
jovens... e mesmo as pessoas mais velhas!
Sentindo necessidade de reabastecer seus pulmes, a Sra. Davis fez uma pausa infinitesimal. Era uma 
mulher alegre, de aparncia bem-humorada, em seus 50 anos, vestida de seda preta. Usava um medalho de 
ouro e vrios anis. Sem dar qualquer chance a Rudge para falar, ela prosseguiu.
 No  necessrio que o senhor me diga por que veio aqui.
 o Almirante Penistone. Soube das novidades h uma meia hora, Bem, disse para mim mesma, aqui 
estamos ns hoje e amanh j fomos embora. Mas no dessa maneira...  o que ardentemente espero. 
Apunhalado no corao com um instrumento fino, no foi? Confiada nisso, falei que deve ser um estilete! Um 
desses srdidos e criminosos estiletes italianos. Em Nova York eles so chamados de wops... os italianos, 
no os estiletes. E pode guardar minhas palavras, quem quer que tenha assassinado o Almirante esteve na 
Itlia. Naturalmente no deve ter sido um italiano, pois ele teria sido notado. Costumavam vender sorvete, os 
italianos, quando eu era moa. Agora, porm, tm propriedades e todas essas coisas, muito mais valiosas, 
eu diria. No... no temos muitos estrangeiros em Whynmouth... exceto,  claro, americanos... mas 
estes no so exatamente o que poderamos chamar de estrangeiros...
apenas um tipo estranho de ingleses, que  como eu os encaro! Boas histrias que o pessoal dos navios 
conta para eles... dir-se-ia que os americanos tm medo de um julgamento... e os pobres inocentes sendo 
tapeados... bem, mas me estou afastando do assunto.
E um triste assunto.  A Sra. Davis sacudiu a cabea, mas sem qualquer expresso de tristeza.  No que 
se pudesse dizer que o Almirante j fosse um dos nossos. Ora, ele s esteve em Whynmouth uma dzia de 
vezes. Mal o conhecamos de vista. E sua sobrinha!
Uma moa muito peculiar, se o senhor me perguntasse, Inspetor!
Ouvi sobre ela coisas bastante estranhas. O seu namorado est at hospedado aqui no hotel agora. Chegou 
ontem  noite por volta das oito e trinta. E se o senhor me perguntar, minha resposta  No.
 Espere a!  exclamou Rudge, completamente surpreendido por essa sbita e dramtica interrupo no 
fluxo do palavrrio.
 Minha resposta  No  repetiu a Sra. Davis, sacudindo a cabea violentamente.
 No a qu?  indagou o Inspetor, ainda intrigado.
 Estou dizendo que, se o senhor me perguntar se foi ele o criminoso, minha resposta  No!
 Oh, compreendo. Mas no sugeri coisa alguma desse tipo.
 No em palavras, mas  por isso que est aqui. Para bom entendedor meia palavra basta, como costumava 
dizer meu marido.
Eu no me iludo com as aparncias.
 Mas o que eu ia perguntar era...
A Sra. Davis o interrompeu, tranqilamente.
 Eu sei, eu sei, Sr. Rudge. Se o Sr. Holland saiu ou no ontem  noite, eu no lhe posso dizer. Ficamos 
empenhadas nos nossos afazeres e no podemos ver tudo. O que estou querendo dizer  que no se pode 
estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ainda mais com o gs estando fraco e uma coisa e outra. Vou pr 
eletricidade este ano. O mundo antigo  o mundo antigo, mas algumas coisas a gente no agiienta. Sistema 
de gua quente no ano passado e eletricidade este ano. Mas l estou eu novamente me afastando do ponto. 
Eu ia dizer... o que  que eu ia dizer?
O Inspetor garantiu-lhe que no fazia a menor idia.
 O Almirante Penistone era amigo de Sir Wilfrid' Denny, no era?  perguntou Rudge.
 A est um 6timo cavalheiro para o senhor... Sir Wilfrid Denny. Sempre uma palavra animadora e uma 
piada.  uma pena que esteja to idoso, o pobre cavalheiro. Oh! Sim, ele e o Almirante eram conhecidos. 
Dizem ser por essa razo que o Almirante veio morar aqui. Mas no sei de nada a respeito. H quem diga 
que Sir Wilfrid no ficou muito satisfeito quando soube que seu amigo estava vindo morar aqui. Mas sempre 
as pessoas dizem alguma coisa,  no ? Eu mesma nunca digo nada. H muita maldade produzida por 
mexericos. Feche a boca, e voc no erra nunca. Este  o meu lema. Mas h uma coisa que direi, e que  
uma vergonha. Pegar o barco do Vigrio para fazer dentro dele aquela sujeira. Procurando arrast-lo nisso, 
pobre cavalheiro. Como se ele j no tivesse problemas suficientes em sua vida.
 Tem um bocado de trabalho, no tem?
 Bem, agora j faz muito tempo. Os rapazes estavam com seis e com quatro anos. No sei como ela pde 
fazer uma coisa dessas! Fazer isso, uma mulher que abandona o marido e os filhos... bem, no h muito o 
que dizer sobre ela... no quando o marido  um bom cristo como o Vigrio. (H alguns maridos que eu 
diria que mereciam ser abandonados.) Abandonar seus filhinhos, a est uma coisa que no posso aceitar. E 
era uma dama bem bonita, segundo dizem. Jamais a vi pessoalmente. Isto aconteceu antes de o Sr. Mount 
vir para c. Com quem ela foi embora eu me esqueci. Mas ouvi dizer que era um cavalheiro muito bonito. Os 
homens bonitos exercem uma atrao inegvel. Bem, bem, o que teria .sido feito dela? Meu caro, meu caro, 
a vida  uma triste confuso.
Novamente me afastei do assunto principal! Ns estvamos falando do Sr. Holland e, se quer saber, ele  um 
homem bonito. Mesmo .que a Srta. Fitzgerald parecesse no pensar assim, embora estivessem noivos para 
se casar,  o que dizem.
Ento  isso o que dizem2 A Sra. Davis acenou com a cabea, bastante significativamente.
 E sobre o que o Almirante desejava falar com o Sr. Holland eu no fao idia  prosseguiu ela.  Mas 
imaginei que talvez a dama quisesse desfazer o compromisso e tivesse mandado seu tio cumprir essa feia 
tarefa por ela. Ainda assim, isso poderia ter esperado at a manh seguinte... Ouso dizer que foi isso 
exatamente c que o Almirante deve ter pensado e porque mudou de idia e disse que tinha que pegar um 
trem.
O Inspetor Rudge fez um valente esforo para interpretar esse enigmtico pronunciamento.
 O que est querendo dizer  que o Almirante Penistone esteve aqui na noite passada?  perguntou ele.
 Sim, esteve. Perguntou pelo Sr. Holland ao Boots e, quando o homem j se ia afastando, tornou a cham-
lo, pigarreou, voltou-se e olhou para o relgio; disse que tinha que pegar um trem, que no tinha tempo para 
se encontrar com o Sr. Holland.
 A que horas foi isso?
 No posso dizer exatamente, mas foi depois das onze horas.
Eu j estava deitada e satisfeita por isso. Que dia ns tivemos! Realmente, esses afazeres todos... como 
cansam! Ainda havia uma poro de gente por a. Nessas noites quentes no se consegue que as pessoas 
vo para a cama.
 Pegar um trem  resmungou o Inspetor.
 Creio que isso seria exatamente s onze e vinte e cinco  disse a Sra. Davis.  O trem para Londres. 
Chega l s seis da manh. Mas ele no pegou o trem. O que quero dizer  que ele no podia ter pegado o 
trem, pois, se tivesse, no teria sido encontrado morto no bote do Vigrio.  E a Sra. Davis olhou 
triunfalmente para o Inspetor.
 













CAPTULO V

O Inspetor Rudge Comea a Desenvolver uma Hiptese 
John RHODE 

 O Inspetor Rudge assumiu uma expresso de profunda admirao.
 Dou-lhe minha palavra, Sra. Davis, que  preciso uma mulher como a senhora para juntar dois e dois dessa 
forma!  exclamou ele.  Claro que o Almirante no pode ter pegado o trem, se pensarmos nisso!
A Sra. Davis riu, bem-humoradamente.
 Agora, o senhor est zombando de mim  disse ela.  Ho sei por que, mas a maior parte das pessoas 
que me visitam sempre do um jeito de fazer uma piada por alguma coisa que lhes digo. Talvez esteja tudo 
bem e isso as deixe animadas e contentes, e o que sempre digo : mantenha seus hspedes alegres por 
tanto tempo quanto voc tenha certeza de que tm dinheiro para pagar suas contas. No que eles consigam 
com freqncia me passar a perna...
 Tenho certeza de que no  interrompeu o Inspetor, delicadamente.  Seria preciso uma pessoa muito 
esperta para fazer uma coisa dessas, tenho certeza. Por falar nisso, como a senhora veio a saber do 
assassinato do Almirante Penistone antes de minha vinda aqui?
 Nem sempre os que sabem mais so os que ouvem mais  replicou a Sra. Davis, brejeiramente.  Aqui 
estou eu, no sa de casa nesta abenoada manh, e garanto que sei de mais coisas do que qualquer outra 
pessoa em Whynmouth, com exceo da Polcia, Inspetor. Ponha as coisas da seguinte maneira: o senhor 
chegou pela entrada do hotel e no deve ter notado. Mas se viesse pela rua lateral, h uma outra porta do 
bar. Est l, separado do prdio, de maneira a no interferir com os hspedes do hotel, que tornam seus 
drinques no salo de fumar e pagam mais caro por eles. So os clientes de fora que usam o bar, pescadores 
e pessoas assim, aos quais os cavalheiros que usam o salo de fumar no gostariam de associar-se. No 
que haja alguma coisa de errado com eles,  exceo de uma linguagem por vezes um tanto desabrida. 
Comigo so suficientemente delicados quando chego l pela manh,  hora de abrir, para ver se tudo est 
em ordem e confortvel.
 Ah, ento foi l que a senhora ouviu falar no crime esta manh, Sra. Davis  sugeriu o Inspetor.
 Ora! Era isso mesmo que eu j lhe ia dizer!  exclamou a Sra. Davis em um tom meio magoado.  Mas os 
senhores da Polcia so sempre a mesma coisa. Os senhores so to lacnicos em suas perguntas que 
dificilmente se consegue entender o que querem.
O que eu ia dizer era que me encontrava l esta manh, quando Billy, o atendente do bar, estava descendo 
as cortinas e to depressa que abriu a porta entraram dois sujeitos que usavam distintivos da assistncia 
pblica. Perguntei se tinha havido algum acidente e eles me contaram como o Sr. Wane, de Liam, tinha 
encontrado o corpo do Almirante no bote do Vigrio, que navegava pelo rio, sem ningum  vista.
Neste momento, como se atendendo s preces ntimas do Inspetor Rudge, uma cozinheira de aparncia 
agitada apareceu vinda da parte de trs e murmurou alguma coisa no ouvido da Sra. Davis.
Esta agora! Esqueci-me completamente...  exclamou a Sra. Davis.  Estava to interessada em sua 
conversa, Inspetor, que no dei ordem para servirem o almoo. O senhor me desculpar se eu for l ver como 
esto as coisas, no, Sr. Rudge?
O Inspetor esperou at que a Sra. Davis tivesse desaparecido, e ento, certo de que ela j no poderia ouvir, 
apertou a campainha onde estava assinalado Portaria. Dentro de poucos minutos, um homem careca 
apareceu na entrada do saguo, ainda lutando com o casaco curto que havia apressadamente posto por 
cima de sua camisa com as mangas arregaadas. De sua aparncia supunha-se que ele tivesse sido 
interrompido no ato de alimentar o sistema de aquecimento central. Encarou o Inspetor inquisitivamente.
 Sim, senhor  disse ele.
 Sou o Inspetor Rudge e vim at aqui para fazer algumas perguntas. O senhor conhecia o Almirante 
Penistone, suponho?
O homem coou a cabea.
 Bem, senhor, no posso propriamente dizer que o conhecesse. Somente o vi uma vez em minha vida e 
isso foi ontem  noite. Veio aqui e perguntou pelo Sr. Holland.
O Inspetor acenou com a cabea.
 Acredito que sim. Estou, porm, particularmente interessado em saber como ele parecia ontem. Estava 
preocupado, ansioso ou qualquer coisa assim?
 Eu no poderia dizer, senhor. J eram mais de onze horas e eu estava exatamente fechando a casa. A 
Sra. Davis est sempre me recomendando que tenha cuidado com o gs e s havia uma luz acesa. O 
Almirante entrou, ficou parado a onde o senhor talvez esteja agora, senhor. O Sr. Holland est?, perguntou 
ele, abruptamente. E quase antes que eu tivesse tempo de dizer que o Sr.
Holland estava deitado, o Almirante disse que no tinha importncia, que no poderia esperar, pois tinha que 
pegar um trem. Ele no esteve aqui mais do que alguns segundos, senhor. Parecia estar apressado, mas 
no pude ver seu rosto direito. Eu nem saberia quem era, se ele no me tivesse dito.
Novamente o Inspetor acenou com a cabea.
 D senhor o reconheceria de novo se o visse, suponho?  perguntou.
 Bem, senhor, talvez sim, talvez no. Nunca o vi perfeitamente, pode-se dizer.
 Oh, bem, isto no tem importncia  disse o Inspetor, casualmente.  O Sr. Holland estava quando o 
Almirante Penistone chegou?
 Tenho certeza de que sim, senhor, pelo menos suas botas estavam do lado de fora da porta. Eu as vi 
quando ia para meu quarto, pouco depois.
 Como pode ter certeza disto?
 Ora, senhor, porque fechei a porta como sempre fao .por volta das onze e meia. Depois disso, se algum 
quiser entrar aperta a campainha, que toca no meu quarto, eu deso e abro a porta para quem tocou. E a 
campainha no tocou ontem  noite.
 Compreendo. E quando a porta  aberta novamente?
  a primeira coisa que fao pela manh, senhor, por volta das seis horas.
 O que faz o senhor depois que abre a porta?
 Ora, senhor, acendo o fogo na cozinha e ponho uma chaleira com gua para aquecer, a fim de preparar o 
ch.
 Por acaso o senhor viu o Sr. Holland hoje pela manh?
 Eu estava no saguo, quando ele saiu depois do caf, senhor. Deviam ser umas nove horas. E desde ento 
ele ainda no voltou, pelo menos que eu saiba.
O som da voz da Sra. Davis, crescendo de intensidade rapidamente, ao regressar da parte de trs, levou o 
Inspetor Rudge a bater em retirada apressadamente. Saiu do hotel e se encaminhou para a delegacia de 
polcia, repassando os farrapos de informao que obtivera no Lorde Marshall e se congratulando consigo 
mesmo pela idia que tivera de avistar-se com a Sra. Davis. Faladeira como fosse, suas opinies livremente 
expressas sobre pessoas se baseavam em uma vivacidade inata. O Inspetor sentia j ter obtido uma valiosa 
idia a respeito de Sir Wilfrid Denny, e mesmo a revelao sobre aquele curioso episdio ocorrido com o 
Vigrio poderia tornar-se de valor. Quanto a Holland, a convico da Sra. Davis de que ele no era o 
criminoso estava certamente bem fundada, se Holland passou a noite no hotel.
Mas,  claro, a coisa mais interessante que ficara sabendo fora a visita do Almirante Penistone pouco depois 
das 11 horas da noite, como lhe tinham dito. Infelizmente era impossvel determinar se o visitante era o 
Almirante ou no. A identificao feita pelo porteiro era obviamente sem valor. Ele nunca tinha visto o 
Almirante antes e nem mesmo poderia reconhecer o visitante novamente. Teria sido mesmo o Almirante? A 
ltima vez em que tinha sido visto fora pouco depois das 10, no abrigo de barcos. Isso lhe deixaria uma hora 
para ir at Whynmouth. Dificilmente poderia ter, nesse espao-tem-po, coberto a distncia a p e era pouco 
provvel que tivesse sado de carro. Se o fizesse, algum, com certeza, teria ouvido. Poderia ter vindo de 
barco? Possivelmente, se a mar estivesse fluindo no sentido favorvel.
O Inspetor Rudge franziu o cenho.  No era marinheiro e estava comeando a encarar os caprichos desse 
maldito Rio Whyn como uma afronta pessoal. Sua idia sobre um rio respeitvel era de uma corrente plcida 
que sabia o que fazia e corria sempre em uma mesma direo, como, digamos, o Tmisa, em Maidenhead. 
Mas o Whyn era maluco, sujeito, como um luntico, s influncias da Lua, e mudando de direo em 
obedincia a alguma lei que se situava alm da compreenso do Inspetor. Decidiu que teria que consultar 
algum entendido sobre esse ponto. Por enquanto, imaginou que, se a mar estivesse fluindo para jusante do 
rio, no havia razo pela qual o Almirante no pudesse ter chegado ao Lorde Marshall  hora declarada.
Por outro lado, no entanto, o comportamento de Penistone divergia por completo daquilo que o Inspetor 
conclura a respeito de seu carter. Ele parecia ser de uma natureza peremptria e decidida. Rudge no 
podia imagin-la entrando no hotel com a inteno de ver Holland e, de repente, mudar de idia, alegando 
que mal tinha tempo para pegar seu trem. Seria mais coerente que ficasse andando para l e para c no 
saguo, at que Holland tivesse sido arrancado da cama.
A no ser que... sim... era uma possibilidade. Admitamos que sua ida ao hotel visasse apenas assegurar-se 
de que Holland havia chegado? A partir do fato de que o porteiro se propusera a ir ver se ele estava no quarto, 
o Almirante teria concludo que Holland estaria hospedado no hotel. Talvez, tendo a certeza disto, seu 
objetivo tivesse sido atingido e a desculpa a respeito do trem fora inventada ao sabor do momento, para 
justificar sua sada. Talvez ele no quisesse, ento, avistar-se com Holland.
Mas, e se o visitante no tivesse sido o Almirante, por que te ria dado seu nome? Para fazer constar que o 
Almirante tinha esta do em Whynmouth a essa particular ocasio? Isso abria um vasto campo a 
especulaes, em que um ponto central se tornava aparente. O visitante devia saber alguma coisa a respeito 
dos movimento do Almirante Penistone nessa noite. Assim, todos os esforos deve riam ser feitos para 
levantar esses movimentos.
E o que dizer do prprio Holland? O Inspetor no estava s satisfeito no que se referia a esse impulsivo 
cavalheiro. Talvez a Sr; Davis estivesse certa em sua conjectura de que a Srta. Fitzgerald no estava ansiosa 
em casar-se com ele, mas Rudge no estava convencido de que ela estivesse igualmente certa de que 
Holland no era o criminoso. No havia como obter confirmao quanto  st declarao de que passara a 
noite no hotel. Holland poderia facilmente ter escapulido durante a confuso que parecia ter reina( antes das 
11 horas e voltado logo depois das seis da manh, quando a porta j estava destrancada e o zelador 
ocupado em acender fogo na cozinha. Sc ele tivesse feito isso e encontrado .o Almirante em Whynmouth ou 
em qualquer outro lugar? Quanto mais Rudge considerava o assunto, mais amplo parecia o campo de 
especular que se estendia ante seus olhos.
Sua inteno o ' anal fora ir de carro at o West End para avistar com Sir Wilfrid Denny, depois de ter 
conversado com a S Davis. Mas a possvel luz que a palradora dama tinha lanado, sobre os movimentos do 
Almirante o fizera decidir adiar sua visita. Rudge tinha formado os rudimentos de uma hiptese com relao 
hora e ao local do crime, mas a possibilidade dessa hiptese dependia das mars no Rio Whyn e, sob esse 
aspecto, ele teria que bus o aconselhamento de um entendida. Por que no ter uma outra o versa com 
Neddy Ware? Ele conhecia as mars como ningum, passatempo favorito tinha tornado inteiramente 
necessrio que as estudasse. Alm disso, sempre havia a chance de que Ware lembrasse de algum detalhe 
que lhe escapara, na excitao inicial provocada pela descoberta do corpo.
O Inspetor Rudge colocou seu carro na direo de Lingham uma vez mais, e no tardou a chegar  casa de 
Ware. O velho estava em casa, fumando seu cachimbo, contemplativamente, depois da refeio do meio-dia. 
Ware cumprimentou o Inspetor com hospitalidade e sentaram-se ambos em uma sala decorada com 
modelos de navios e fotografias desbotadas dos vasos de guerra em que Ware tinha servido.
 O senhor quer saber a respeito das mars no rio?  replicou ele, em resposta  explanao feita pelo 
Inspetor sobre o motivo de sua visita.  Ora, elas so muito simples, bastando lembrar que so guas altas, 
Cheia e Inverso, em Whynmouth, s sete horas.
Rudge riu.
 No tenho dvida de que seja muito simples para o senhor  disse ele.  Pessoalmente, no tenho a 
menor idia sobre o que est falando. O que est querendo dizer com guas altas, Cheia e Inverso?
 Ora, meramente que as guas esto em seu nvel mximo em Whynmouth por volta das sete horas, nos 
dias de lua cheia ou lua nova  informou Ware.  Vamos considerar agora, por exemplo, a mar desta 
manh. Hoje  quarta-feira, dia dez. Segunda-feira foi lua nova, o que significa que as guas estiveram no seu 
mximo s sete da noite desse dia, em Whynmouth. Ontem  noite seria por volta das oito horas e hoje de 
madrugada  meia-noite e meia. So cerca de seis horas entre mar alta e mar baixa, fazendo a gua 
baixar s duas e meia da madrugada de hoje. A mar, aqui, comea a se produzir de meia hora a trs 
quartos de hora depois da mar baixa em Whynmouth, digamos, pouco depois das trs. E  quando saio 
para pescar.
 Depois das trs!  exclamou Rudge.  Mas pensei que o senhor tivesse dito que o relgio da igreja batera 
quatro horas, pouco antes da ter avistado o bote?
 O relgio!  replicou Ware, com um tom de voz de supremo desprezo.  O senhor no esperaria que as 
mars se comportassem como as brincadeiras de crianas que se fazem com o relgio durante a hora de 
vero, no  mesmo? A gente brinca de faz-de-conta com o tempo, s porque no se tem a coragem de 
encarar as perspectivas de nos levantarmos uma hora mais cedo do que o normal. Isso pode estar muito 
bem para o pessoal de terra, mas no para marinheiros. Para eles, tempo  tempo, e no pode ser alterado.
 Compreendo. Ento, no vero, a mar comea a subir aqui, pela manh, pouco depois das quatro horas. 
De tudo o que j me disse, posso concluir que ela comeou a baixar s dez da noite de ontem?
 Isso mesmo, s dez ou um pouco antes  concordou Ware.
 Como eu j disse foi lua nova h dois dias, o que significa que ontem  noite foi o topo da primavera. A 
mar deve fluir rio abaixo, creio, a uns trs. ps. durante as primeiras duas horas mais ou menos, Depois, 
diminui um pouco, como sempre acontece.
 Ento, se um homem sair daqui entre as dez e as onze no ter dificuldade em chegar a Whynmouth de 
barco?  sugeriu o Inspetor Rudge.
Ele seria levado at l e provavelmente chegaria ao mar  replicou Ware.  Isto , se no usasse seus 
remos. Se usasse, poderia chegar em Whynmouth dentro de uma hora, facilmente.  O velho marinheiro 
olhara para o Inspetor astutamente enquanto falava. Rudge percebeu o que ele tinha em mente e sorriu.
 O senhor pode imaginar o que estou pensando  disse o Inspetor.  Imaginei ser possvel que o Almirante 
Penistone tivesse ido em seu barco at Whynmouth ontem  noite. Mas, se o fizesse, seu barco no poderia 
ter voltado para c sozinho,, por si mesmo.
Algum deve t-lo trazido de volta e o colocado no abrigo de barcos.
Rudge fez uma pausa, como que esperando, de certo modo, algum comentrio de Ware, mas o velho 
anexamente se limitou a acenar com a cabea e continuou a cachimbar em silncio. Rudge procurou seguir 
um novo caminho.
Por que a amarra do bote do Vigrio estaria cortada e no desatada, Ware?  perguntou o Inspetor, 
abruptamente.
 Porque no poderia ter sido de outro modo, como os filhos do Vigrio diriam se o senhor lhes perguntasse 
 respondeu o velho, com um sorriso.  No tenho nada com isso, com esse crime, mas naturalmente 
pensei nele durante toda a manh.
 Eu gostaria muito de saber a que concluses chegou  disse, calmamente, o Inspetor Rudge.  Por que 
acha que o cabo do bote do Vigrio no podia ter sido desatado, por exemplo?
 No cheguei  concluso nenhuma  tornou Ware, impassivelmente.  Isto , no sei quem matou o 
Almirante, se  isso o que o senhor quer saber. Mas no  difcil saber-se como os botes vm a ser 
encontrados desse ou daquele modo.
 Talvez no para o senhor  observou o Inspetor  mas seria de grande ajuda para mim, se me explicasse.
. Est bem, eu explico. Vamos ver o bote do Vigrio em primeiro lugar. Quando os rapazes esto em casa, 
ele no  guardado no abrigo, mas sim fica na correnteza, amarrado a um poste. As vezes, os rapazes se 
lembram de retirar os remos e as forquetas de dentro dele, quando encostam na terra, mas na maior parte 
das vezes no  assim. J os vi deixarem tudo dentro do bote inmeras vezes.
Bem  continuou Ware  suponhamos que eles tenham sado com o bote ontem  noite e na volta o tenham 
amarrado quando a mar estava alta, em seu nvel mximo, como teria acontecido durante algum tempo 
entre as sete e as dez horas. O senhor poder verificar que em qualquer rio que sofra a influncia das mars 
a maior parte da subida tem lugar durante as trs primeiras horas do fluxo e a maior parte da baixa durante 
as trs primeiras horas a partir da .inverso do fluxo. Eles voltam quando a mar est alta e o que fazem? 
Um deles fica de p na proa e prende o cabo ao poste.
So ambos rapazes desenvolvidos e, naturalmente, prendem o cabo a um metro e vinte, um metro e 
cinqenta acima do nvel da gua.
Em seguida, fazem com que a popa encoste na margem para que possam saltar. Talvez estivessem 
achando que se achavam atrasados,  noite passada, e tivessem deixado os remas e as forretas dentro do 
bote em sua pressa.
O Inspetor Rudge sacudiu a cabea afirmativamente. Isto no parecia lev-lo a ponto nenhum mais adiante 
de onde j havia chegado.
 Bem, agora vejamos o barco do Almirante  prosseguiu Ware.  Do que ouvi, esse barco foi visto dentro ou 
acostado ao abrigo de Rundel Croft pouco antes das dez. Agora, tenho certeza daquilo que vou dizer. Se 
algum pegou o barco do Almirante entre as dez da noite de ontem e a uma hora da manh de hoje, no 
remaria rio acima. No se consegue muita coisa contra a corrente, com um barco pesado como aquele e a 
mar baixado a trs n6s. Pode ter certeza de que, se o barco saiu mesmo, foi corrente abaixo e no corrente 
acima.
Depois de uma hora da manh  continuou o velho  as coisas teriam sido diferentes. Haveria apenas uma 
correnteza suave at as quatro horas, talvez um n6 no mximo. Qualquer pessoa poderia remar contra essa 
correnteza e no levaria mais de uma hora para vir de Whynmouth at aqui, e isso remando calmamente. 
Est bastante claro, no?
Perfeitamente claro  concordou Rudge.  Ento , o seguinte: se o Almirante foi assassinado em seu 
pr6prio barco, isso ter ocorrido em algum lugar a jusante de Rundel Croft, em um ponto qualquer at 
Whynmouth, certo?
 Certo. Creio que quem quer que o tenha assassinado trouxe o barco de volta com o corpo dentro. 
Admitamos que a volta tenha sido por ocasio das guas mais paradas. O sujeito, quem quer que seja, v o 
bote do Vigrio amarrado ao poste na correnteza e lhe ocorre a idia de .pr o corpo dentro dele. Encosta no 
bote, pe o corpo dente e. em seguida o que faz? Como vai fazer com que o bote se desloque? Responda a 
essa pergunta, Inspetor.
 No vejo exatamente qual a dificuldade  respondeu o Inspetor.  Ele no estava preso com uma corrente e 
cadeado.
  U senhor agora no percebeu onde eu estava querendo chegar  observou Ware, com um toque de 
impacincia.  Ora, quando ele voltou, a gua estava l embaixo, parada, e o rio tinha baixa<io de um metro 
e vinte a um metro e cinqenta depois que o bote fora amarrado. O senhor no percebe? S se fosse um 
homem muito alto, seria capaz de chegar at o n, a no ser que subisse no poste.
S havia uma coisa a ser feita, cortar a amarra. E h uma coisa que talvez o senhor no tenha observado. A 
amarra era um pedao quase novo de um cabo de fibra, de quatro centmetros de espessura.
 Notei que parecia quase novo. Mas no percebo o que isso tem a ver com o caso.
 J tentou alguma vez cortar um cabo de fibra com uma faca de bolso comum? No, creio que no. Mas 
pode ter certeza de que  uma parada muito dura. Alm disso, quando acabar, o corte estar todo pudo. 
Esse cabo, no entanto, estava liso no corte, como se tivesse sido cortado com um s golpe de uma faca 
muito afiada.
De qualquer modo, estava cortado e o barco foi  deriva.
'Ware bateu o cachimbo e se ps a enteei-lo novamente, devagar. Tirou do bolso um toco de fumo que cortou 
cuidadosamente na palma da mo.
 Esta faca  muito afiada  comentou ele  e trago sempre comigo com a finalidade de cortar meu fumo. 
Mas no creio que conseguisse cortar aquela amarra de um s golpe. No, tinha que ser uma faca mais forte 
e mais amolada para fazer aquele servio, sou capaz de jurar.
Enquanto Ware continuava a encher e a acender seu cachimbo, a mente do Inspetor se mantinha ocupada. 
A possibilidade de que o Almirante Penistone tivesse tomado de novo sua embarcao e remado rio abaixo 
parecia grandemente reforada. Neste caso, ele provavelmente teria sido morto em algum lugar prximo de 
Whynmouth e seu corpo teria chegado at o ponto onde foi localizado por Ware de forma bem semelhante  
imaginada pelo velho. Mas ser que havia algum modo de se comprovar isso?
Em primeiro lugar, a que horas teria ocorrido? O mdico dissera que, em sua opinio, o Almirante havia sido 
morto antes da meia-noite. Mas, se ele fosse na verdade o visitante que esteve no - Lorde Marshall, teria 
chegado a Whynmouth pouco depois das onze.
Sua partida de Rundel Croft no poderia ter sido muito retardada; sua impacincia de deixar o Vicariato 
parecia indicar a vontade de sair o mais rapidamente possvel. A desculpa que deu a sua sobrinha para no 
subir com ela para a casa, pois desejava fumar um charuto antes, era provavelmente com o objetivo principal 
de afast-la do caminho. Na certa, pretendia partir to logo ela estivesse fora de alcance da vista e do ouvido.
 Mas, se fosse assim, como o Vigrio, que ficara no pavilho at as 10:20, no o tinha visto? De repente, 
ocorreu a Rudge a evidente confuso do Vigrio, quando ouviu falar do crime. Seria possvel que ele, de fato, 
tivesse visto a partida do Almirante para sua misteriosa jornada, mas tivesse suas prprias e boas razes 
para no revelar esse fato? Isso, pelo menos, era possvel.
As reflexes do Inspetor foram interrompidas por uma observao de Ware, que tinha finalmente conseguido 
fazer com que seu cachimbo se comportasse de maneira conveniente.
  curioso que eu no parea conhecer o Almirante Penistone  observou o velho.  Com esse nome s6 
havia um no Almanaque da Marinha, quando eu estava na ativa e o vi mais de uma vez.
 O senhor o viu? Quando foi isso?  quis saber Rudge, ansiosamente.
Ora na Base da China, h vinte anos ou mais. Eu estava servindo, nessa ocasio, no Rutlandshire, um dos 
cruzadores de trs chamins, classe County, um verdadeiro demnio dentro dgua. Lembro-me de uma vez 
em que fomos apanhados por um furaco e ele quase foi embora. Ali est ele.
Com achaste do cachimbo, Ware apontava para uma das fotos que adornavam a sala.
 Um navio semelhante se encontrava na mesma base conosco. Huntingdonshire, era o nome do outro 
cruzador e no se podia diferenar os dois, a no ser pelas faixas em suas chamins. Nossos canhes de 
seis polegadas estavam um pouco mais acima na coberta, mas isso era tudo. O Comandante do 
Huntingdonshire se chamava Penistone, e era o melhor oficial que se poderia encontrar. O Huntingdonshire 
confiava inteiramente nele. O navio sempre foi um barco feliz, tudo a bordo muito bem cuidado. E era 
inteligente tambm. O Comandante Penistone tinha sido um excelente artilheiro antes de ser promovido, e 
mantinha essa legenda em seu navio.
Quando comandou o Huntingdonshire, o navio tinha as melhores marcas da Artilharia da Marinha.
 E esse era o mesmo homem cujo corpo o senhor viu esta manh no bote do Vigrio?  perguntou Rudge.
 Bem, se era mudou um bocado desde que o conheci. No que o corpo que vi esta manh no fosse da 
mesma estatura e coisas assim. Mas, se era o mesmo rosto, mudou um bocado ao longo desses ltimos 
vinte anos. Quero referir-me mais  expresso. O Comandante Penistone que conheci era um sujeito jovial, 
com uma palavra de incentivo para cada um, no importa que se tratasse de um grumete ou de um almirante. 
E o sujeito que vi na manh de hoje parecia, com todo o respeito a ele, uma espcie de demnio mal-
humorado.
 Creio que era mesmo, do que ouvi sobre ele  replicou .Rudge.  Bem, Ware, agradeo-lhe muito por tudo 
o que me disse.
Por falar nisso, o senhor ter que ser ouvido no inqurito, como sabe. Receber uma intimao para 
comparecer, na ocasio apropriada. Aparecerei por aqui para conversarmos um pouco mais em uma outra 
oportunidade, est bem?
 Sim, o senhor ser sempre bem-vindo  disse Ware, cordialmente.  Se o senhor fosse um pescador eu o 
levaria a um lugar onde se pesca mesmo de fato. Por direito  particular, como iodos os pesqueiros por aqui, 
mas ningum se preocupa comigo, O Inspetor Rudge saiu da casa do velho e partiu em seu carro.
Estava na hora de fazer 'a visita que adiara a Sir Wilfrid Denny.
Enquanto guiava na direo de West End, tinha seus pensamentos absortos sobre como descobrir se o 
Almirante Penistone tinha ou no remado rio abaixo na noite anterior. Se o tivesse feito, era provvel que no 
fora visto. Na maior parte de seu curso, o rio ficava fora do alcance da estrada. Somente era visvel em um 
ponto: a Ponte de Fernton. Havia,  claro, algumas casinhas prximas s suas margens, mas seus 
moradores, com toda a certeza, estariam na cama s 10 horas. Ficava, assim, somente a remota 
possibilidade de que algum tivesse cruzado a Ponte de Fernton no momento em que o Almirante estivesse 
passando. por baixo dela.
O fato de que a jornada do Almirante no tivesse sido observada provavelmente tinha um outro signi6cado 
com relao ao assunto. O assassino deveria estar a par de sua inteno ou t-lo encontrado casualmente, 
seja na Ponte Ferntas, seja em Whynmouth.
Mas, se o: encontrara por acaso, como estaria provido com a arma adequada? Normalmente as pessoas no 
carregam consigo punhais capazes de infligir um tal ferimento. No, um encontro casual no parecia ajustar-
se, de modo algum. O crime tinha que ter sido premeditado. Porm, at que conhecesse mais os que 
lidavam com o Almirante, era impossvel desconfiar de quem poderi8 saber de seus planos. Havia sempre 
uma probabilidade,  claro, que o criminoso tivesse arranjado o encontro.   Ao cruzar a Ponte de Fernton, 
Rudge parou o carro e olhou por cima do parapeito, de ambos os lados. Verificou que era possvel ver 
algumas centenas, de metros, tanto para a jusante quanto para a montante da correnteza, antes que curvas 
escondessem o rio em ambas as direes. Em uma noite clara um barco poderia ser visto a alguma 
distncia. Julgando-se satisfeito, o Inspetor prosseguiu em seu carro.
 76 West End era um subrbio de Whynmouth, e ficava do ledo do rio que dava para a baa, e em sua maior 
parte era constitudo par construes de casas de tijolos vermelhos, levantadas no centro de jardins. No 
entanto, uma casa mais velha, construda de pedra, mantinha-se escondida de seus vizinhos e da estrada de 
ferro para o norte, por arbustos de algum porte. Essa propriedade, como Rudge se havia certificado, era 
conhecida como Mardale e nela morava Sir Wilfrid Denny. O porto de entrada estava aberto, e o Inspetor 
entrou com o carro, at ser finalmente obstado pelo gramado maltratado e, aparentemente, demasiado 
crescido, que descia at o rio, e pelo pssimo estado de conservao a que chegara a casa. Rudge se 
lembrou da referncia da Sra. Davis  falta de meios de Sir Wilfrid, o que, ao que parecia, era por completo 
justificado.
Aparentemente, no havia ningum em casa, quando Rudge tocou a campainha, mas, aps uma longa 
espera, uma dama idosa e de cara desagradvel apareceu e ficou olhando inquisitivamente para ele.
 Sir Wilfrid Denny est em casa?  perguntou o Inspetor.
 No, no est  replicou a mulher.  Foi chamado a Londres inesperadamente, e partiu no primeiro trem 
desta manh.
 




Captulo VI

O Inspetor Rudge Pensa Melhor Sobre o Assunto
MILWARD KENNEDY          

Uma ou duas perguntas hbeis elucidaram o fato de que a chamada tinha sido telefnica e que no era 
h rito de Sir Wilfrid ir com freqncia ou regularmente a Londres e, acima de tudo, de manh cedo. Ele no 
era, ao que partia, um magnata da cidade, mas um funcionrio civil aposentado  um desses funcionrios 
conciliares, explicara a mulher. O Inspetor comeou a entender por que o caminho estava to anal cuidado, 
peie, enquanto o homem de negcios normalmente obtm o ttulo de cavalheiro no auge de sua prosperidade 
e se aposenta para a opa38ceia, o servidor civil acha que um ttulo  uma pequena compensao para a 
diferena entre salrio e provento.
A notcia de que Sir Wilfrid estava ao ate era desconcertante, mas, no fim de contas e depois de uns poucos 
segundos de rpido raciocnio, no completamente mal recebida. Subconscientemente, o Inspetor Rudge se 
apercebia de que soas sindicncias estavam-se tornando indevidamente dispersas e que nenhuma delas, at 
ento, poderia por si s merecer o crdito de completa. Ao se despedir da mulher e agradecer, deixou um 
recado delicado para Sir Wilfrid, pedindo-lhe que entrasse em contato cem a Polcia ao regressar. Rudge deu 
partida no carro e rumo  de volta para Lingham, seus sentimentos subconscientes tomando fanas definitiva 
em sua conscincia de maneira to definitiva que pouco antes de chegar  bifurcao da estrada ele parou o 
carro no acostamento, acendeu o cachimbo, pegou sua caderneta de anotaes e ficou meditando.
Ele havia corrido para l e para c  do Vicariato a Rundel Croft, de Rundel Croft a Whynmouth, do Hotel 
Lorde Marshall para a casa de Ware, da para o West End e agora estava indo... bem, para onde estava 
indo? Claro que no havia perdido muito tempo, pois as distncias eram todas curtas; incidentemente, 
percebeu que, ainda que pouco antes estivesse convencido de que o Almirante dificilmente poderia ter 
chegado a p ao Lorde Marshall por volta das 11 horas, agora tinha observado que a distncia, partindo de 
Rundel Croft, no excederia de muito uns quatro quilmetros, fora da estrada. No entanto, isso era incidental; 
o que o Inspetor desejava, naquele momento, era planejar sua estratgia.
Em primeiro lugar, de que ficara sabendo em Rundel Croft? Por Deus, tinha-se esquecido completamente do 
jornal. Se Emery tinha encontrado o exemplar regular ainda no saguo, no seria uma explicao para o 
que estava no bolso do Almirante assassinado que ele tivesse mesmo ido a Whynmouth? Bem, era ocioso 
especular; ali estava, obviamente, um fio solto a ser ajustado. Quanto ao resto, suas sindicncias tinham 
sido dirigidas a dois objetivos distintos: descobrir alguma coisa a respeito das pessoas envolvidas, seu 
passado, suas caractersticas e assim por diante e, de outro lado, desvendar o que acontecera no Vicariato 
na noite anterior. Quanto mais pensava no assunto, mais aborrecido se sentia com a fuga da Srta. Fitzgerald 
 fuga, esperava confiante em Deus, seria uma palavra muito forte; tambm meditou, em dvida, se no fora 
por demais generosos na liberdade que havia permitido a Holland. Mies-mo assim, nenhum deles  a no ser 
que sua impresso fosse completamente errada  seria a melhor fonte de informaes sobre o Almirante. 
Porm, o que mais havia ele descoberto? Praticamente nada, seno comentrios do Vigrio, dos 
empregados, do velho Neddy Ware e da Sra. Davis, nenhum dos quais podia jactar-se de conhecer o morto 
havia mais de um ms. O Vigrio sugerira que o Almirante era bastante socivel, enquanto seus filhos 
deixaram transparecer exatamente o oposto. Quanto ao velho Ware... bem, que confiana podia ser 
depositada em sua opinio? Dificilmente um suboficial poderia ter intimidade com o comandante de um 
cruzador; alm do mais, 20 anos era um perodo suficiente para obscurecer a nitidez de suas recordaes. 
Claro, Sir Wilfrid Denny talvez pudesse ajudar, mas isso era mais um salto no escuro. Talvez ele no 
conhecesse o Almirante havia mais tempo do que o Vigrio e, se estivera com ele mais freqentemente no 
ltimo ms, poderia significar simplesmente que o ex-artilheiro no tivesse muita predileo por clrigos, o 
que no seria um trao sem precedentes em um Almirante reformado.
No, disse Rudge para si mesmo, ele claramente precisava trabalhar em linhas menos casuais; no 
Almirantado haveria registros, havia os advogados, havia referncias dadas aos agentes imobilirios, quando 
da assinatura do contrato de Rundel Croft. Ao se lembrar de advogados, ocorreu-lhe o testamento, No 
terminara de examin-la; suas clusulas poderiam ser de primordial importncia como um guia para o motivo. 
Ele nem mesmo sabia se se tratava de uma cpia de testamento legalmente registrado, ainda que, 
obviamente, isso no tivesse um significado vital.
Parecia haver uma srie de indagaes a serem respondidas, sendo essencial, em primeiro lugar, dispor de 
um telefone e de pessoal. No adiantava muito deixar o sargento e o agente de polcia passando o dia no 
abrigo de barcos, enquanto ele prprio procurava estar em todos os lugares de uma s vez e realizar trs 
tarefas ao mesmo tempo. Mesmo assim, Rudge no se mostrava com muita pressa; estava apreciando seu 
cachimbo e queria girar em volta do problema como um todo. O que dizer dos acontecimentos da noite 
anterior? Por Deus, havia um ponto que parecia ter-lhe escapado. Onde estava a chave da janela francesa? 
Seria o Almirante a nica pessoa a dispor de uma chave particular, ou sua sobrinha tambm dispunha de 
uma?
Rudge continuou a fumar seu cachimbo, folheando as pginas de sua caderneta. A empregada... sim, Jennie 
Merton; uma coisinha linda e muito inteligente. Ela lhe dera uma descrio muito clara de Elma Fitzgerald, 
seu tio e a criadagem como um todo. Teria mesmo? No fora ele apressado demais em aceitar a opinio 
dela como digna de confiana? Havia s trs semanas que Jennie estava trabalhando l; ainda assim, 
quando ela lhe dissera que Elma e o Almirante eram rspidos um com o outro, que Elma e Holland no se 
davam as mos e que ela no podia entender os porqus da inconstncia de Elma em se levantar e vestir 
suas melhores roupas... bem, no tinha sido ele um pouco rpido demais em pensar que havia algo 
misterioso, quase sinistro, em tudo isso? A outra empregada, a que tinha ficado to aborrecida em Rundel 
Croft que sara depois de uma semana, provavelmente teria podido contar a histria ntima da casa do 
Almirante: talvez eles estivessem acostumados a unir a vida mais alegre... De qualquer modo, ela devia ter-
se sentido bastante aborrecida, pois tinha mandado s favas seu salrio para poder dar o fora. Rudge se 
recriminou acerbamente; aqui estava ele, quase rotulando a empregada desaparecida como uma aventureira 
estrangeira... e tudo sob o peso de umas poucas palavras de Jennie Merton.
Ocorreu-lhe tambm que, ao pensar nisso, havia uma certa confuso no relato que Jennie fizera pela manh, 
e o desaparecimento daquele vestido branco de noite. Emery, aparentemente, tinha encontrado Jennie, e 
esta tinha ido acordar sua patroa, dizendo-lhe que ela estava sendo aguardada (todo o processo no levando 
mais de 10 minutos). Ento teria sido dito a Jennie que sasse imediatamente, pois sua patroa queria 
levantar-se. Mas, em algum moem-to, teria sido determinado a ela que preparasse algumas coisas para a 
noke. Quando Jennie se pusera a guardar as roupas  e isso, presumivelmente, ocorrera enquanto sua 
patroa estava sendo entrevistada l embaixo  o vestido branco havia desaparecido e no fora encontrado em 
lugar algum. Mesmo assim, Jennie calmamente admitia que o vestido fora colocado mais tarde na mala por 
sua patroa, como se isso explicasse tudo. Este fato certamente parecia sugerir que, afinal de contas, seu 
crebro no era assim to maravilhosamente dotado. E, o que era mais, ele iria trocar mais uma ou 
duas palavras com ela sobre esse assunto.
Certamente havia ainda um bom trabalho a ser feito em Rundel Croft. Isto no queria dizer que no houvesse 
mais nada a ser feito no Vicariato. Se os dois rapazes no tivessem encontrado nem traos da arma, era 
necessrio que fosse organizada uma busca apropriada. E, ainda, o chapu do Vigrio: por um lado, Mount 
parecera demasiado rpido em admitir onde distraidamente o esquecera, o que parecia um tanto incoerente; 
por outro, o Vigrio no se perturbara quando o assunto fora mencionado  de qualquer modo, infinitamente 
menos do que em outros pontos da entrevista.
O Inspetor Rudge bateu o cachimbo e deu partida no carro.
Iria a Rundel Croft e, enquanto fazia a volta, encontrou mais uma razo para sua deciso: pistas no bote e no 
abrigo de barcos. Deixou o carro na frente da casa, rodeou-a e desceu apressadamente ao encontro de seus 
dois subordinados. Estes o acolheram de uma forma que sugeria que estavam estalando de novidades.
 Bem, Sargento?  perguntou.  Alguma coisa importante? A arma foi encontrada?
No, senhor, mas...
O que, ento? Pegadas?
Ahn... no, senhor.
Uhm. Bem, j vamos saber em um minuto.  O Inspetor percebeu que estava sendo desnecessariamente 
abrupto e que o Sargento Appleton em particular tinha agora uma expresso distintamente sombria.  
Desculpe  disse Rudge, com um sorriso agradvel.  A coisa  que temos muito o que fazer e quero 
comear o mais depressa possvel aquilo que vai tomar mais tempo. Pr o moinho para girar, vocs sabem. 
Assim, se realmente no apanharam o criminoso, ou alguma coisa parecida...
'  No  exatamente isso  respondeu o Sargento, seu bom humor de volta.
Ento, Sargento, venha at a casa comigo. Hempstead, voc fica aqui. Voltaremos logo que puder. Fique de 
olho tambm na margem oposta.
Os dois homens se apressaram em subir para a casa, e o Inspetor se encaminhou diretamente para a janela 
francesa, preocupao maior em seus pensamentos. Uma coisa era certa: a chave no se encontrava do 
lado de fora. Apressaram-se a rodear a casa e dirigiram-se  porta da frente e tocar a campainha; aps um 
intervalo de pelo menos trs minutos, durante o qual o Inspetor fumegava de impacincia, Emery abriu a 
porta e os fez entrar, com aquele mesmo ar de relutante incompetncia que fora a primeira impresso que 
causara a Rudge.
 Quero dar uma outra palavra com voc, Emery  comeou ele srio.
 Aqui est  disse Emery.
 Aqui est o qu?  O homem realmente parecia meio imbecil tanto quanto dolorosamente lento.
 A Evening Gazette  explicou Emery, voltando-se e apontando para uma mesa lateral do saguo.
 O exemplar regular de assinatura? O que  entregue s nove horas? Onde estava?
 Ali.
 Mas voc me disse antes que no tinha certeza. Se ele esteve ali o tempo todo...
 Nem tinha mesmo  protestou Emery, com uma leve indignao  mas no minuto em que fui verificar e virei 
as costas, o senhor sumiu.
O Inspetor deu de ombros; ele no podia negar que o homem tivesse alguma razo, mas gente mole como 
aquele mordomo deveria esperar todas as formas de crticas.
 O jornal j havia sido lido?  foi a pergunta seguinte do Inspetor. Percebeu imediatamente que essa 
pergunta no fora calculada para produzir uma resposta que ajudasse, apressadamente, emendou-a, e 
extraiu de Emery a opinio de que o jornal nem havia sido tocado, desde que fora colocado sobre a mesa.
O Inspetor sacudiu a cabea; em seguida, apanhou o jornal e pediu ao mordomo que os conduzisse at o 
escritrio. O Sargento estava visivelmente intrigado, muito em particular com o fato de o Inspetor ter-se 
apossado da Evening Gazette, mas seguiu em silncio e fechou a porta do escritrio ap6s a passagem do 
pequeno cortejo.
Agora, Emery  falou o Inspetor, refreando a tendncia de gritar  quero saber sobre as chaves da janela 
francesa, aquela que voc fechou mas no trancou. Primeiro que tudo, todas as outras portas estavam 
fechadas e trancadas quando voc foi para a cama a noite passada? Estavam, no? Ento aquela era a 
nica forma pela qual o Almirante e Srta. Fitzgerald poderiam ter entrado. E essa janela francesa... quantas 
chaves tem?
  A minha est aqui no meu chaveiro  replicou o mordomo, e bruscamente mostrou um gordo molho de 
chaves, separou uma delas e ofereceu-a para exame. O Inspetor tomou-a, satisfez-se em verificar que era 
mesmo a chave da janela francesa, abrindo-a, e devolveu o molho. Rudge chegara a ficar imaginando como o 
mordomo conseguia no esquecer a chave do lado de dentro, na fechadura; o molho deu a explicao 
necessria.
 Muito bem  disse.  Quantas outras dessas chaves existem?
 S sei de uma. A chave que o prprio Almirante tinha.
Tem certeza?
P a nica de que j ouvi falar.
 A Srta. Fitzgerald no dispe de uma?
 No.
 Como sabe?
Bem, uma ou duas vezes  noite ela pediu a chave do Almirante emprestada.
 Oh, ela sai com freqncia  noite?  O Inspetor no pde resistir a esse desvio do rumo principal de suas 
perguntas.
 De vez em quando. Com o Sr. Holland  respondeu o mordomo, como um esboo de careta.
 Saindo por a, hem?  sugeriu Rudge, vulgarmente, com um sorriso se alargando no rosto. Rudge 
estabeleceu uma comparao mental entre a opinio de Jennie Merton e este fato. Em seguida, como que 
determinado a manter Emery no seu devido lugar, perguntou incisivamente o que havia acontecido com a 
segunda chave, a chave do Almirante.
 Bem, eu... eu realmente no sei dizer.
Onde o Almirante a guardava? Em um chaveiro, como voc, ou separadamente?
 Separada  respondeu Emery.  Ela costumava ficar em cima de sua mesa, no porta-canetas. Tinha uma 
indicao.
O Inspetor atravessou o escritrio rapidamente.
Bem, no est aqui  anunciou. Inmeras idias brilhantes assaltaram sua mente. O Almirante poderia ter 
dado a chave  sua sobrinha, enquanto ela subia para casa na frente dele. Ela poderia ter entrado e trancado 
a porta, desse modo trancando o tio do lado de fora; neste caso, como teria ele apanhado o sobretudo?
Elma tambm poderia ter deixado a porta aberta, provavelmente com a chave na fechadura e seu tio poderia 
ter entrado, trancando a porta e pondo a chave no bolso; mas em seus bolsos no foram encontradas chaves 
estranhas e, com certeza, nenhuma trazendo indicaes.
O Sargento Appleton pigarreou.
 Talvez seja esta, senhor  disse o Sargento e apresentou uma chave na qual estava presa uma pequena 
etiqueta de metal em que estava gravada a palavra Janela. O Sargento se apressou em acrescentar, em 
face do olhar inquisidor e bastante aborrecido do inspetor:  Ns j amos falar-lhe, senhor, l no abrigo de 
barcos.
 Isto  tudo, por enquanto  disse o Inspetor, dirigindo-se u Emery.  Posso precisar de voc mais tarde, 
por isso fique  mo. H um outro telefone? Este ento  uma extenso, suponho?
(O Inspetor apontava para um aparelho sobre urna mesa, no lado oposto do escritrio.) Ligue-a para c. E 
uma outra coisa: quero ver a empregada de novo... Merton... dentro de alguns minutos.
 Bem, senhor, ela foi embora  informou o mordomo, com, talvez, um toque de maliciosa satisfao.
 Mas eu lhe disse, no...  comeou o Inspetor zangado.
  sua me. Ela est indisposta.
O Inspetor tornou a dar um sorriso de desdm, e o mordomo se retirou apressadamente. Era intil culpar a 
pobre criatura; ele no poderia ter impedido que Jennie Merton sasse, da mesma forma que no impediu que 
Holland entrasse, observou Rudge para o Sargento.
 No houve mal nenhum  acrescentou, referindo-se  chave; o Sargento, acertadamente, recebeu essas 
palavras como um velado pedido de desculpas.  Onde encontrou essa chave?
 No barco... no barco do Almirante.
 Voc no esteve mexendo...
 Oh, no senhor. No que haja algum perigo. Afora os remos e as forquetas, ele est to limpo quanto um 
alfinete novo.
 Uhm. E quanto a impresses digitais na chave?
Era fcil perceber-se, no entanto, que a superfcie grosseira da etiqueta no receberia impresses digitais;  
Algum se preocupou com o barco  disse Rudge, pensativamente.  No estou entendendo como a chave 
foi deixada l.
 No creio que o estalo do barco tenha muita significao... necessariamente  sugeriu o Sargento.  Estive 
falando com os filhos do Vigrio. Eles disseram que o Almirante sempre fazia uma faxina nele, depois que 
dava por encerrada sua utilizao, a ca  dia.
O Inspetor meditou sobre isso. O fato parecia casar com a descrio do Almirante como sendo super 
organizado; isso tambm poderia ajudar a explicar por que, aps retirar-se apressadamente do Vicariato  
logo depois das dez, pois tinha que entrar antes da meia-noite!  ele havia ficado para trs no abrigo de 
embarcaes.
Mas isto estava longe ainda de ser conclusivo.
 Bem, vamos adiante  disse ele ao Sargento.
 O que atraiu minha ateno foi a borda da etiqueta. Ela estava aparecendo por baixo das tbuas do fundo 
do barco. Como se, tivesse cado e escorregado l para dentro.
  melhor ns experimentarmos a chave, para termos certeza.
Rudge enfiou a chave no buraco da fechadura e abriu e fechou .a janela francesa.
 & dela mesmo  concordou o Inspetor, e permaneceu em silncio durante alguns momentos, batendo com 
a chave na palma .de sua mo esquerda e correndo os olhos abstratamente pelo escritrio. De repente, 
interrompeu sua inspeo e se encaminhou para a lareira. Pegou uma fotografia grande, emoldurada, em que 
aparecia .um oficial de Marinha em primeiro uniforme.   ele mesmo, no?
O Almirante Penistone?
 Sim  disse o Sargento Appleton, com alguma surpresa.
O Inspetor contou ao Sargento a conversa que tivera com o velho Ware.
 No parece provvel que no seja o verdadeiro Almirante Penistone  observou o Sargento.  Pode no ser, 
mas est presente por toda a casa.  E apontou para uma taa gravada que se encontrava tambm em cima 
da lareira. Um escrutnio mais amplo, entretanto, revelou um grupo de oficiais da Marinha, no centro do qual 
se encontrava um homem mais jovem, porm inegavelmente semelhante ao morto. Os nomes dos 
componentes do grupo achavam-se impressos embaixo da fato; no centro, estava o nome do Comandante 
Penistone.
 No creio que haja mais qualquer sombra de dvida  assentiu o Inspetor  mas no podemos correr 
riscos. H uma coisa que quero que voc faa: telefonar para o Almirantado.
Enquanto falava, o Inspetor pegou um exemplar de Quem  Quem de uma prateleira cheia de livros de 
consulta.
 Eis a  disse o Inspetor.  Uhm. Nenhum endereo...
apenas um resumo de sua carreira, quando no servio ativo. Artilharia, sim. Esquadra da China. Parece ter 
tido uma boa estrela.
Engraado que se tenha reformado to cedo. Pensei que os cortes .fossem uma inveno moderna. De 
qualquer modo, d um telefonema para o Almirantado.
O Sargento Appleton levantou o fone. A linha estava morta; o lamentvel Emery se esquecera de ligar a 
extenso. O Sargento saiu para corrigir as coisas e se valeu da oportunidade para repreender o mordomo.
Ao voltar, encontrou o Inspetor sentado  mesa, engolfado em uma nova tentativa de traduzir a linguagem 
jurdica para o senso comum. No era assim to difcil como ele tinha imaginado, em sua prvia e apressada 
leitura do testamento. Os bens do :cunhado do Almirante Penistone estavam aparentemente divididos em 
partes iguais (afora um ou dois pequenos legados) entre Elma Fitzgerald e seu irmo. At que a morte de 
seu irmo pudesse ser estabelecida, ela e seu tio eram os curadores da parte dele, cujos dividendos, menos 
um pequeno percentual para ambos, seria adicionado ao capital; com a morte do irmo, o dinheiro passaria 
todo para as mos de Elma. Quanto  parte dela, Elma no receberia o dinheiro at que viesse a casar-se, 
ficando at ento seu tio e o Sr. Edwin Dakers, de Dakers e Dakers, como curadores. A nica clusula digna 
de observao era a proviso de que, se ela casasse sem a aprovao escrita do tio, receberia apenas uma 
quantia necessria  sua sobrevivncia retirada de sua parte, devendo o tio, quando de sua morte, reverter a 
instituies de caridade. O Inspetor ficou satisfeito de saber que, como temera, no havia o problema de o 
Almirante ser o nico curador de Elma; do que conhecia das leis, lembrava-se de que uma tal situao era 
dificilmente possvel. O documento,  claro, era uma cpia; Dakers e Dakers provavelmente saberiam se era 
a c6pia de um testamento registrado ou no, e talvez fosse necessrio, para fins formais, examinar o original 
na Somerset House. O Sargento poderia falar com o Sr. Edwin Dakers...
Mas o Sargento no parecia estar-se saindo bem com seu telefonema, pelo simples fato de que no sabia 
castamente o que significava telefonar para o Almirantado e por quem se .deveria perguntar, quando se 
entrava em contato com aquela augusta repartio. O posto interurbano local no fora tambm 
particularmente brilhante, pois estava supostamente fazendo indagaes. O Inspetor franziu o cenho e olhou 
inquietamente para o exemplar da Evening Gazette, que ele tinha atirado em cima da mesa. Precisava olhar 
cuidadosamente o exemplar que tinha sido encontrado no bolso do morto. O modo pelo qual estava dobrado 
poderia ser sugestivo ou talvez houvesse um artigo qualquer assinalado. Seguramente o Almirante no teria 
comprado um exemplar extra, sabendo que o de sua assinatura estaria no saguo de sua casa, a no ser 
que nele houvesse alguma coisa de importncia O "noticirio no parecia conter nada de anormal: a 
Tragdia num Prdio de Apartamentos de Londres ocupava a maior parte da 1.' pgina, juntamente com um 
relato de novos problemas na Manchuria (Moscou, como sempre, era acusada de estar dando cobertura ao 
ltimo Ministro da Guerra, de nome impronuncivel) e uma foto de damas de honra num casamento em 
Santa Margarida.
A campainha do telefone tocou. O Sargento, ainda apreensivo, pegou o fone. Sua expresso mudou 
rapidamente, passando  surpresa.
  Quem? Sim. Espere um pouco que vou passar... oh, muito bem. Quem? Oh, sim, sim, espere um 
momento...  Appleton fez sinais frenticos para o Inspetor, que rapidamente atravessem o escritrio.
 Quem ?
 A Srta.... sim... estou escutando... A Srta. Fitzgerald  D-me aqui  pediu o Inspetor.  Vamos homem.  
O Sargento estava rabiscando coisas ininteligveis no bloquinho de papel que tinha  sua frente. Por fim e 
duvidosamente passou o telefone para o Inspetor.  Srta. Fitzgerald? Aqui  o Inspetor Rudge.
Que bom que tenha telefonado. Quero perguntar-lhe...
 Desculpe  ouviu ele a voz enfadonha de Elma Fitzgerald dizer  mas no posso esperar agora. Eu lhe 
enviei um recado. E, por falar nisso, no sou a Srta. Fitzgerald.
Houve um clique quando ela desligou o telefone. O Inspetor praguejou e acionou o gancho furiosamente para 
cima e para baixo.
 Localize essa chamada, por favor  pediu ele  telefonista, explicando quem era.
 Est tudo bem, senhor  disse o Sargento.  Ela estava falando do Carlton, em Londres. Ela mesma disse 
e eu tambm ouvi a telefonista do hotel dizer a mesma coisa quando a ligao foi completada.
 Qual foi o recado? Ela no podia esperar para falar comia, bem?
 Ela disse que achava que o senhor queria entrar em contato com ela e com o Sr. Holland. Assim, o senhor 
estaria interessado em saber que ambos esto hospedados no Carlton e ficaro l nos prximos dois ou trs 
dias, voltando em seguida. Ela vai sair hoje de noite para danar, unas sempre teria prazer em ver o senhor, 
marcando uma hora. Mas pediu para o senhor lembrar-se de procurar pela Sra. Holland, pois ela se casou 
hoje, com uma licena especial.
O Inspetor digeriu  ou se ps a digerir  essa notcia em silncio. Se Elma e Holland eram marido e mulher, 
seria difcil...
E o testamento? Se o Almirante estava morto, a clusula a respeito de seu consentimento ao casamento da 
sobrinha presumivelmente caa por terra... O recado de Elma positivamente lhe dava alguma coisa em que 
pensar.
 Bem, Sargento  decidiu ele  vamos continuar. Apresse-se a chamar o Almirantado e, depois, quero que 
entre em contato com o Sr. Edwin Dakers.  Em seguida, acrescentou uma srie de instrues, inclusive 
que deveria ser avisado quando Jennie Merton voltasse.  Vou at o abrigo de barcos  concluiu o Inspetor e 
saiu pela janela francesa.
 : Rudge encontrou Hempstead pacientemente de guarda.
Alguma novidade?  perguntou.
 No, senhor. Ningum esteve aqui.
 No descobriu nada de novo?
 No, senhor. O Sargento lhe falou sobre a chave?
 Sim. Bom trabalho. Alguma coisa aconteceu do lado de l?
 No, senhor. Os rapazes procuraram a faca em todos os, lugares, mas no creio que tenham encontrado 
coisa alguma. Disseram que iam agora tomar um banho.
O sol estava ficando quente e havia uma nota de inveja no tom de voz do Agente de Polcia.
Viu o Vigrio?
Sim, senhor. Ele esteve molhando o jardim.
 Hoje de manh? No sol?
Sim, senhor. Com uma mangueira. Valia a pena ver. Ele regou muito bem tudo o que estava  vista... at 
mesmo as flores, aqui e ali. Mas eu no diria que tenha causado muitos danos. Acho que ele no entende 
muito de jardinagem, e foi isso exatamente o que disse Bob Hawkins, que vem duas vezes por semana.
O Inspetor examinou o abrigo de barcos e o que ele continha.
Vamos fazer moldes dessas pegadas, se pudermos  observou  ainda que elas no paream muito ntidas. 
Creio que devemos tirar tambm impresses digitais dos remos e forquetas. No podemos manter este local 
indefinidamente sob observao e, se houver algumas impresses digitais que nos digam alguma coisa, 
no queremos que elas desapaream.
Rudge entrou no barco e comeou a entregar cuidadosamente a Hempstead os objetos que havia 
mencionado. Enquanto assim fazia, o som de vozes no outro lado do rio fez com que se voltasse, inclinando 
o barco perigosamente. Os dois rapazes, vestindo trajes de banho, com toalhas nas mos, vinham descendo 
o caminho .rstico, de tijolos vermelhos, saindo do pavilho. Um sbito pensamento 'acudiu ao Inspetor.
 Al!  chamou ele, quando os rapazes chegaram ao cais do Vicariato.  Ser que vocs me emprestam 
essa chalana velha por algum tempo? Isto me pouparia de ir de carro, pela estrada, sempre que preciso.
 Claro!  respondeu o mais velho dos dois.
Se vocs pudessem traz-la at aqui e nadarem de volta  sugeriu Rudge.
 Boa idia  replicou o rapaz com um sorriso.
Quando a parafernlia do barco, foi convenientemente posta em terra, a chalana tinha chegado; o Inspetor a 
amarrou em uma ala do cais de desembarque de Rundel Croft.
  Quantas vezes por dia vocs se banham?  quis saber o Inspetor, jovialmente.  Ou ser que foi a busca 
que os tornou to calorentos?
 Tudo faz parte da busca  respondeu o mais moo, talvez detectando na pergunta uma nota de crtica.
 Vamos mergulhar para tentar encontrar a arma  aduziu o outro.
 6timo  concordou Rudge.  Ainda que eu tema que, com a lama e com a mar, e sem saber que tamanho 
a arma provavelmente tem, isto no ser fcil. Eu contava que vocs a encontrassem em algum lugar da 
margem, mas parece que no conseguiram nada.
 Tudo o que encontramos foi o cachimbo favorito do Almirante  disse Peter.
  mesmo? E onde o encontraram?
 No escritrio de meu pai. Ele deve ter esquecido o cachimbo por l  noite passada. Ele estava fumando 
esse cachimbo ontem  noite.
 Tem certeza de que  o cachimbo do Almirante?
:  Oh, sim. O senhor ver por que, quando vir o cachimbo.
 um cachimbo velho, feito de espuma-do-mar, no formato de uma cabea-de-negro.
 Vocs no esto com ele a?  indagou o Inspetor, percebendo imediatamente a tolice da pergunta.
 Est l em casa.  Alec educadamente refreou um comentrio sarcstico e passou para a popa da 
chalana, preparando-se para mergulhar no rio.
 Escute, Alec, voc no acha que devemos contar a ele...?
 consultou seu irmo.
 Contar a ele, o qu? Oh, aquilo. Voc  um tolo, Peter.
No, acho que no tem nada com o caso.
 O que ?  quis saber o Inspetor.
 Oh, nada  foi a lacnica resposta.  Alguma coisa que ns perdemos e no que encontramos.
 Ento  melhor me dizerem  sugeriu Rudge.  A funo da Polcia  descobrir coisas, vocs sabem disso.
 Ento  melhor que o senhor mergulhe e no ns  sugeriu Alec, astutamente.  Bem, j que Peter falou 
tanto,  melhor que eu conte mesmo. Mas no tem nada a ver com o seu caso. Pelo menos no vejo como 
poderia ter. . que ns... ou, pelo menos.
Peter... deixou uma faca no pavilho ontem  tarde, ou diz que deixou, e ela no se encontra mais l.
 Ahn, ?  Hempstead tambm aguou os ouvidos.  Que tipo de faca? De bolso, suponho.
  Bean, no. Era uma faca norueguesa grande. N6s a usvamos para aguar a ponta de estacas;  
necessrio uma faca afiada para isso. De qualquer modo, sumiu; as chances so que Peter no a tenha 
deixado no pavilho. Ele  to ruim como meu pai para no saber onde pe as coisas.
Alec pulou para dentro dgua, logo seguido por Peter, tendo o Inspetor, como conseqncia, recebido 
alguns respingos. Mas Rudge ficou satisfeito em saber dessa nova notcia  custa de uns respingos dgua, 
e, com um sorriso no rosto, observou os dois rapazes cruzarem o rio, galgarem a margem oposta e 
comearem a mergulhar vigorosamente na busca da arma desconhecida.
O sorriso desapareceu lentamente; pistas  ou chamemos de informaes  pareciam estar-se acumulando. 
Lembrou-se do provrbio sobre a dificuldade de separar o joio do trigo.
 Interessante, senhor, no ?  A voz de Hempstead interrompeu seus pensamentos.  As coisas 
comeam a tomar forma, poder-se-ia dizer.  Essa ltima base tinha mais de pergunta do que a primeira.
 Talvez  admitiu o Inspetor, vagarosamente.  Mas ainda est cheio de quebra-cabeas. Uma das coisas, 
Hempstead,  aquele sobretudo. Suponhamos que o Almirante tenha sado em seu barco; bem, posso 
garantir que ele poderia ter levado o sobretudo ao sair, mas seria preciso uma noite de fato muito fria para 
que voc ou eu pusssemos um capoto pesado daqueles para remar.
Sem falar em outras coisas, pelo menos os braos  necessrio deixar livres, no ?
O Agente de Polcia fez um rudo gataral destinado a transmitir seu assentimento, sem realmente 
comprometer-se.
 E uma outra coisa  prossigam o Inspetor Rudge   esse jornal vespertino. Oh, ainda h lotes de 
problemas e de quebra-cabeas. O maior deles, porm,  onde foi conseguido o jornal? Ele deve ter 
chegado aqui s oito e meia de ontem  noite...
no h como fugir disso.  Houve uma pausa, em seguida quebrada pelo prprio Inspetor.  A no ser  
acrescentou, lentamente, e quase sem respirar  que tenha vindo de carro.
O Inspetor se voltou para Hempstead, to de repente que o surpreendeu reprimindo um bocejo. Rudge se 
lembrou de que o infortunado auxiliar estivera em servio durante a noite. Isto, por sua vez, sugeriu-lhe duas 
coisas; em primeiro lugar, que o remo e as forquetas tinham que ser levados para a delegacia, o que 
Hempstead poderia fazer e, ao mesmo tempo, ser substitudo; a segunda coisa...
 Voc no notou nada de particular com carros pelas vizinhanas ontem  noite, por volta das dez e trinta, 
no , Hempstead?
O Agente de Polcia meditou sobre a pergunta.
  Bem, agora que o senhor falou nisso  disse, no fim de algum tempo, Hempstead  havia um carro parado 
ontem  noite, em Lingham, por volta de um quarto para as onze, ou coisa assim.
Vi quando parou perto do poste de luz da praa. Carro fechado, com uma mulher l dentro.
 Sozinha?
 Isso eu no sei dizer. S sei que era um mulher porque vi quando ela se inclinou para falar com o motorista 
ou quem quer que estivesse na direo do carro.
 Voc a reconheceria?
 No posso dizer, senhor. Tambm no anotei o numero da placa do carro, pois no me pareceu 
necessrio. Apenas vi o carro.
No ficou parado seno uns poucos minutos e logo prosseguiu. Pela estrada para Whynmouth.
 O que,  claro  concluiu o Inspetor Rudge  faria com que passasse pelo Vicariato.
 








































Captulo VII

Choques para o Inspetor 
DOROTHY L. SAYERS          

O Inspetor ruminou durante alguns momentos sobre as fascinantes possibilidades sugeridas por esse 
fragmento de informao, despachando Hempstead em seguida, com a recomendao de que fizesse uma 
boa refeio e voltasse, depois do que caminhou vagarosamente at  casa.
 Sim, filho, o que ?
A pergunta foi dirigida a Peter Mount que de repente surgira a seu lado.
 Um bilhete que Papai mandou para o senhor  informou o rapaz.  Atravessei o rio com ele.
 sobre o funeral, creio, disse Rudge para si mesmo. Pegou o bilhete.
 Caro Inspetor Rudge

Estou ansioso por seguir para Londres esta tarde, para tratar de um assunto urgente, ligado a minhas 
obrigaes clericais. Espero que no haja obsesses a que o faa. Eu no teria sequer pensado em me 
afastar, se o assunto no fosse de grande importncia, pois sei que o senhor preferiria ter todas as 
testemunhas  mo. No entanto, espero que no me demore muito e,  claro, estou ciente de que devo estar 
de volta a tempo de comparecer  audincia que, como fui informado pelo Sr. Skipworth, ter lugar depois de 
amanh. Manterei o senhor informado sobre os meus movimentos, para o caso em que se faa necessrio, a 
qualquer momento, entrar em contato comigo e, se eu tiver que pernoitar em Londres, estarei no Hotel 
Charing Cross.
Desculpando-me por algum inconveniente que esse pedido possa causar-lhe, subscrevo-me cordialmente, 
Philip Mount

Meu Deus! Mais um, comentou, mentalmente, o Inspetor.
Durante uns momentos ficou indeciso, o bilhete aberto na mo.
Tinha que tomar uma deciso. Se proibisse o Vigrio de ir...
bem, dificilmente poderia fazer uma coisa dessas sem se comprometer, ele mesmo, com uma acusao, 
para a qual no estava certamente preparado. Poderia pedir ao Vigrio que no fosse... roas, alm da 
delicadeza de expresses, o bilhete parecia trazer implcita uma determinao suave. No tinha nada de 
positivo contra o Vigrio, com exceo de que seu chapu e seu barco tinham sido encontrados em um local 
esquisito e que ele era um mau jardineiro.
O Inspetor se voltou para Peter.
 Creio que eu gostaria de ver seu pai, se ele puder dispensar-me alguns minutos.
Muito bem.
 Por falar nisso, como voc cruzou o rio?
 Seu novo policial me trouxe na chalana... mas ele no  muito bom remador.
Rudge notou, com satisfao, que o substituto de Hempstead j havia chegado. Isto significava que ele 
prprio estava livre para se afastar de Rundel Croft, se o desejasse. Dirigiu uma ou duas palavras para o 
recm-chegado  um homem corpulento chamado Bancock  entrou na chalana, e Peter o levou para o outro 
lado. Na subida para o Vicariato, Rudge notou a rea encharcada em torno do pavilho. A mangueira tinha 
atingido um punhado de begnias na borda de um canteiro. Uma ou duas dessas plantas haviam sido 
at quebradas pela fora do jato e em outras a gua ainda gotejava, formando como que gotculas de cristal, 
incandescentes brilho ao do sol. O Vigrio, no dia seguinte, provavelmente estaria especulando por que sua 
folhagem estaria salpicada de manchas brancas.
O Reverendo se encontrava no escritrio. Saudou Rudge cordialmente, mas seu rosto parecia um pouco 
contrado. Sem dvida nenhuma deveria ter recebido um srio choque, pensou Rudge. De qualquer modo, era 
um rosto forte e simptico, ao modo eclesistico. Refletia honestidade, mas no se poderia afirmar que 
assim fosse.
De acordo com as informaes locais, o Vigrio era um ritualista, e os ritualistas tm estranhas idias sobre 
a verdade. Por exemplo, seriam capazes de subscrever os Trinta e Nove Artigos e, em 
seguida, despudoradamente, imaginar sadas engenhosas para desviar-se deles.
Rudge era bastante entendido quanto s diferentes variedades de procos, pois um de seus cunhados era 
administrador dos paroquianos cm St. Saviour, Whynmouth.
 Bem, Inspetor, espero que no tenha vindo aqui me dizer que no posso ir a Londres.
 Bem, no, senhor... no exatamente. Eu no gostaria de chegar a esse ponto, mas no digo que no fosse 
prefervel que ficasse aqui. Porm, como o senhor informou que o assunto  urgente...  Rudge fez uma 
pausa a fim de dar tempo ao Vigrio para explicar qual era o assunto.
 Oh, sim,  um assunto muito importante  limitou-se a dizer Mount.  Se fosse possvel esperar alguns 
dias, eu teria tentado adiar a viagem, mas temo que seja impossvel.
 Entendo, senhor.  Rudge, por ele mesmo, no podia perceber por que um assunto clerical seria to 
urgente, a no ser que fosse uma convocao do Arcebispo de Canterbury ou uma importante conferncia, 
mas, se assim fosse, por que o Vigrio no dizia?
A expresso do rosto do Sr. Mount, no entanto, era apenas a branda severidade de algum pronto para ler a 
Primeira Lio.
 Entendo ento que est tudo certo, Inspetor?
 Oh, sim. Desde que, como o senhor mesmo disse, mantenha-se em contato conosco. E lhe agradeo 
muito ter-me feito saber de suas intenes. No  todo mundo que dispensa a mesma considerao.
 Ns, ambos, temos nossas obrigaes a cumprir  replicou o Vigrio.  Alm disso  acrescentou, com 
um leve piscar de olhos  se tivesse ido embora sem o avisar, o senhor poderia pensar que eu estivesse 
fugindo, o que eu nunca faria.
Rudge riu, respeitosamente.
 H uma ou duas coisas que ia perguntar-lhe, senhor disse o Inspetor  e fico feliz por ter esta 
oportunidade.  sobre o falecido Almirante Penistone. O senhor diria que ele era um bom andarilho?
 No  respondeu o Vigrio.  O Almirante Penistone nunca procurava caminhar muito, devido a um 
ferimento em seu p, provocado durante a guerra. Um estilhao de granada, creio. Ele, na verdade, no 
claudicava, mas cansava-o caminhar grandes distncias ou muito depressa. Sempre preferia deslocar-se de 
carro ou ir pelo rio, quando possvel.
O Inspetor balanou a cabea. Isto prejudicava suas recentes estimativas e o punha de novo onde se 
encontrava antes. Passou para o ponto seguinte.
 O senhor dorme do lado da casa voltado para o rio?
 No. Meus filhos e os empregados  que dormem desse lado, mas a janela de meu quarto  do lado 
oposto, dando vista para o gramado. as vezes, sou chamado durante a noite para atender algum doente ou 
que esteja morrendo, e  mais conveniente que me chamem sem perturbar o restante da casa. H uma porta 
lateral, o senhor sabe, que d para o gramado, com uma campainha que soa no meu quarto.
 Compreendo. De sua janela pode ser vista a estrada?
 Sim, de um certo modo. O que quero dizer  que pode ver-se a estrada, mas,  claro, a uns duzentos 
metros da casa.
 Muito bem. Suponho que viu um carro fechado passar l na estrada,  noite passada, na direo de 
Whynmouth?
 Esta  uma pergunta muito vaga. A que horas o senhor est-se referindo?
 Cerca de um quarto para as onze. Pensei que talvez o senhor pudesse ter visto esse carro quando estava 
trocando de roupa.
O Vigrio sacudiu a cabea.
 No  disse, por fim.  Lamento que no o possa ajudar. Vim direto para casa s dez e vinte, mudei de 
roupa e fui para a cama. No creio que tenha olhado pela janela, absolutamente. De qualquer modo, a essa 
hora que o senhor mencionou, eu deveria estar no banheiro do corredor, ou  o Vigrio piscou novamente  
fazendo as minhas oraes.
 Muito bem  disse Rudge, embaraado como todo ingls genuno  meno de devoes particulares.  
Era apenas uma chance, senhor, mas uma chance muito tnue. Realmente eu no esperava que o senhor 
tivesse visto o carro. Quer ter a fineza de me dar um telefonema, quando chegar a Londres, senhor?
 Certamente o farei  replicou o Vigrio.  E muito obrigado por ter dado permisso a minha escapulida. 
Prometo-lhe que no faltarei  minha palavra.
 Tenho certeza disso, senhor  tornou Rudge com convico, e bateu em retirada.
O Inspetor atravessou devagar o jardim do Vicariato, suas pesadas botas estalando ruidosamente sobre as 
pedras, no silncio abafado daquela manh quente de agosto. Peter ainda estava zanzando pelo abrigo de 
barcos. Rudge olhou para o poste  beira do rio, ainda com a ponta de um cabo presa a ele por algumas 
voltas. Raciocinou se sua concluso quanto ao corpo ter sido passado de um outro barco para o do Vigrio 
no teria sido muito apressada. Ele deveria, pelo menos por precauo, examinar a margem  busca 
de pegadas.
A busca, no entanto, nada revelou que ajudasse. O capim da borda estava amassado e quebrado em alguns 
pontos, o que era natural, a famlia do Vigrio costumava embarcar no bote por ali, mas o prprio capim se 
encontrava demasiado curto e seco para revelar pegadas e tudo o que ficasse abaixo do nvel mximo do rio 
teria sido obviamente obliterado, quando a mar subira pela manh.
Rudge sentou-se na beira do rio e ficou olhando para ele. A mar estava exatamente chegando ao seu ponto 
mais baixo e lento, e a agitao das guas batia nos costados da chalana e do abrigo cie barcos com um 
barulho suave. No lado oposto estava o barco do Almirante, balanando-se ligeiramente, quando o marulhar 
das guas levantava sua popa e obscurecia-lhe os contornos, diluindo suas formas nas sombras escuras. 
Entre as duas margens, o Sol incidia a pleno sobre as guas. Rudge sentiu em sua cabea os tons da velha 
cano.
Velho Rio, sob velho Rio Leve saber de muita coisa Mas no fala nada...
 Isso o fez lembrar-se de que prometera  sua senhoria o disco de Paul Robeson Swing low, sweet chariot. E 
de que seu rdio precisava de um novo acumulador. Amaldioou o rio, com seu perptuo sorriso e com seus 
imbecis caprichos das mars. Conhecia o Rio Ouse em Huntingdon  lento, solitrio, regulado por bombas e 
represas, pouco usado para embarcaes devido ao abandono em que encontrava e bancos cobertos de 
mato. Conhecera rios na Esccia, tumultuosos, barulhentos, cheios de pedras, teis apenas para 
pescarias... quando se gosta desse tipo de coisas. Tinha at passado umas frias na Irlanda e visto o 
majestoso Shannon, equipado e preparado para produzir eletricidade. Este rio, porm, era uma 
besta perigosa e no era bom para ningum. Que sentido fazia um rio com uma diferena de um metro entre 
os nveis da mar alta e da mar baixa, duas vezes por dia?
Tornou a olhar para o poste de amarrao, e mediu com o olho a distncia entre a ponta da corda e o nvel do 
rio. Quase dois metros e meio. Neddy estava certo. Qualquer pessoa no rio, que quisesse soltar o barco na 
mar baixa, teria que cortar o cabo. O bote estaria de fato se balanando muito baixo, e o cabo teria que 
ser longo para manter a embarcao dentro dgua. Sbito, o Inspetor levantou-se, arrancando-se de sua 
sonolenta ruminao.
 Ei, filho  disse ele, em voz alta.
Peter emergiu do abrigo de barcos.
 Que comprimento voc diria que o cabo teria?
 Cerca de trs braas... uns seis metros e meio, o senhor sabe. Tem que ser mesmo comprido, por causa 
da mar.
 Sim, era o que eu pensava.  Rudge mediu com o olho a extremidade do cabo que pendia sobre a 
correnteza; em seguida procurou lembrar-se da extremidade deixada no bote do Vigrio. No mximo um 
metro e meio, pensou. Mas no tinha certeza. Provavelmente era isso mesmo, mas, apenas por uma 
questo de rotina, no seria uma m idia colocar as duas extremidades juntas. Tornou a olhar para o poste. 
Podia ver claramente, com os olhos de sua mente, o bote do Vigrio com o cabo de fibra novo cortado e 
Neddy Ware demonstrando com seu toco de fumo como tinha que ser afiada a faca usada para cortar o 
cabo. O Sol, sobre o rio, ofuscava.
Olhando para o poste, os olhos de Rudge pareciam alagados. No entanto, estava-lhe parecendo que essa 
extremidade estava cortada com menos perfeio do que a outra.
 O qu ?  indagou Peter, olhando primeiro para o poste, depois para o Inspetor.
 No muita coisa  respondeu Rudge  apenas algo em que pensei e que devo verificar dentro de pouco 
tempo. Vou atravessar o rio agora, creio, se  que voc no est precisando da chalana.
O Inspetor conseguiu atravessar o rio sem maiores problemas e encontrou o Agente de Polcia Bancock 
lendo um jornal, fleumaticamente, na margem oposta. Rudge determinou a seu subordinado que mantivesse 
o olho na casa e anotasse qualquer recado telefnico, entrou no carro da Polcia apressadamente e se dirigiu 
para Lingham pela Ponte Fernton. O bote do Vigrio l estava, tendo sido cuidadosamente colocado em cima 
de uma carroa e trancado no Salo de Danas da cervejaria local, onde se encontrava tambm, sob a 
responsabilidade da funerria da localidade, o corpo do Almirante Penistone. Pensando no assunto, Rudge 
conclura ser esse o melhor arranjo, uma vez que o inqurito deveria ser realizado em Lingham e convinha 
deixar o corpo ali por enquanto, levando-o de volta, se necessrio, para Rundel Croft, para o funeral.
Mas, no momento, o corpo no interessava a Rudge. O bote com o cabo era seu objetivo. Entrando no 
Salo de Danas Rudge encontrou o fotgrafo da polcia em atividade. Ele parecia ter colhido uma rica safra 
de impresses digitais e agora estava metodicamente colocando lminas sobre elas. Rudge fez sinal para 
que continuasse e, em seguida, tirando do bolso uma trena dobrvel esticou-a do lado do cabo cortado, 
cuidadosamente. A medida precisa era 1,55 metro, da extremidade cortada at o anel preso  proa do bote.
Saiu novamente, seguindo outra vez para Rundel Croft, amaldioando a tola necessidade de se afastar por 
quase cinco quilmetros de seu trajeto em cada viagem. Ao chegar, tornou a chalana de novo. Junto ao 
poste de amarrao, tomou-lhe as medidas.
Da parte de baixo da volta do cabo at a sua extremidade havia 2,65 metros e, calculando a parte do cabo 
empregada em volta do poste para fix-la e a ponta que sobrava, havia mais um metro.
Isto levava todo o cabo preso ao poste a um total de 3,65 metros.
Somados esses 3,65 metros ao 1,55 metro de cabo preso ao bote, tinha-se somente um total de 5,20 
metros. Faltava cerca de 1,10 metro de cabo, ainda no encontrado.
Rudge, agarrando-se cuidadosamente ao poste com um dos braos enquanto executava suas medies, e 
firmando bem os dedos de seus ps para evitar que a chalana deslizasse, deixando-o como um macaco 
agarrado num tronco, sacudiu a cabea. Em seguida, examinou em sua mo a extremidade cortada do cabo, 
com bastante ateno. Ele estava certo, o corte nesta extremidade no era to perfeito quanto o outro. Devia 
ter sido usada uma faca afiada, unas o cabo se partira gradualmente, as fibras cedendo sob o golpe, umas 
delas mais desfeitas do que as outras.
O Inspetor se defrontava com um novo quebra-cabea. Por que algum necessitaria de um pedao de cabo 
de pouco mais de um metro? Dificilmente esse pedao poderia ter sido usado para amarrar alguma coisa, 
pois a espessura do cabo indicava que comprimento quase igual seria necessrio s para dar o n. Bem, a 
estava mais um enigma.
Rudge desceu do poste e embarcou na chalana mais uma vez.
O pedao de cabo que faltava tinha que ser encontrado, se possvel. Mas era provvel que tivesse sido 
meramente atirado dentro do rio e, se assim fosse, teria sido levado para o mar a essa hora. Ou (dado que o 
ridculo Whyn corria nos dois sentidos) poderia ter ido rio acima, atrs do Almirante. Essa linha de busca no 
parecia ser muito promissora.
Mensagem alguma, de qualquer espcie, tinha chegado  casa na sua ausncia e, sem saber muito bem o 
que fazer, Rudge resolveu ir at o escritrio do Almirante. L encontrou o Sargento que, aps muita conversa 
com o posto telefnico local, conseguira falar com o Almirantado e estava procurando explicar para uma voz 
lnguida do outro lado da linha com que departamento e com quem desejava ele falar. O Inspetor pegou o 
fone.
 Aqui  da Polcia de Whynmouth  disse ele em um tom peremptrio, calculado de modo a transmitir que, 
embora a Marinha pudesse ser o servio mais antigo, a Lei era ainda mais importante.  Queremos 
informaes a respeito da carreira do Almirante Penistone, reformado, que serviu na Esquadra da China e 
mora agora em Lingham. Por favor, ponha-me imediatamente em contato com a pessoa certa. O assunto  
urgente.
 Oh!  fez a voz.  O que o senhor deseja saber a respeito dele? Eu poderia dar uma olhada nos seus 
registros para o senhor,  claro, eu...
 Eu no desejo isso  disse o Inspetor.  Quero falar confidencialmente com alguma autoridade... e quanto 
mais rpido melhor.
 Oh!  fez novamente a voz.  Bem, no sei. Sabe, creio que todo mundo saiu para almoar. Uma hora, 
sabe. Olhe aqui.
Creio que o melhor seria o senhor tornar a chamar dentro de uma ou duas horas e pedir o ramal cinqenta e 
cinco, onde  possvel que possam dizer alguma coisa, no se sabe. Vou mandar uma nota para eles a esse 
respeito.
 Obrigado.  O Inspetor colocou o fane no gancho e., depois dos 30 segundos regulamentares se 
escoarem, tirou-o novamente.
 O nmero, por favor?  perguntou a telefonista.
 Olhe aqui  disse Rudge  a senhorita tem um catlogo de Londres? Tem. Bom. Poderia ver o nmero do 
telefone de Dakers e Dakers para mim? So advogados em... espere um momento...
em Lincolns Inn. Sim, eu espero. Certo, Dakers e Dakers.  bastante urgente.
 Eu o ch-ch-chamo  disse a telefonista.
As observaes do jovem do Almirantado tinham lembrado a Rudge que estava trabalhando desde as seis 
horas da manh e no havia comido nada. Tocou a campainha e perguntou a Emery se era possvel arranjar-
lhe alguma coisa para comer.
 Bem  disse o criado, em dvida  no sei, creio que sim.  Fez uma pausa e depois continuou.  Eu e a 
Sra. Emery amos agora mesmo comer umas fatias de pernil. Se o senhor gosta, poderia comer pernil 
tambm.
A idia pareceu boa ao Inspetor. Respondeu que apreciaria muito, de fato.
 Bem, direi a ela  tornou Emery. Saiu e voltou dentro de alguns minutos.
 Suponho que o senhor gostaria de tomar alguma coisa  sugeriu Emery, relutantemente.
 Qualquer coisa que tiver  respondeu Rudge, animadamente.
 Bem, sugiro um copo de cerveja  disse Emery.  Eu e a, Sra. Emery amos agora mesmo tomar um copo. 
A Sra. Emery 'achou que precisava de alguma bebida alcolica para levantar-lhe o nimo.
O Inspetor prontamente aceitou o oferecimento da cerveja.
Emery se retirou hesitante, no tardando a voltar novamente.
 Posso trazer em uma bandeja? No estamos acostumados a ter a Polcia por aqui.
O Inspetor respondeu que o que fosse mais conveniente para o Sr. e a Sra. Emery estaria bem para ele. O 
homem tornou a sair e depois de algum tempo voltou, dirigindo-se a Rudge em tom lamentoso.
 A Sra. Emery disse que o senhor pode comer um pedao de pernil, se lhe agradar. Mas disse tambm que 
no fez sobremesa hoje devido a estar desanimada, mas talvez um pedao de bolo o senhor aceite.
O Inspetor respondeu que estava todo muito bem e, nesse momento, o telefone tocou. Atendendo, Rudge 
verificou estar em contato com Dakers e Dakers. O Sr. E4efm Dakers e o Sr. Trubody no estavam. A 
pessoa que estava falea0o poderia ajudar em alguma coisa?
O Inspetor explicou que desejava falar urgentemente com o Sr.
Edwin Dakers em assunto relacionado com o Almirante Penistone.
No, ele no estava falando em nome 4o Almirante. O Almirante, de fato, estava morto.
  mesmo? O Sr. Dakers vai ficar muito abatido quando souber disso.
 De fato  tornou a falar o Inspetor  ele morreu em circunstncias muito misteriosas. Eu represento a 
Polcia.
  mesmo? O Sr. Dakers vai ficar muito abatido. Se o senhor me der o nmero de seu telefone, pois direi a 
ele para ligar, assim que chegue.
O Inspetor agradeceu, lembrando-se em seguida de que o Sargento Appleton estava por ali e no se havia 
alimentado. Tornou a tocar a campainha. Emery apareceu e comeou a falar imediatamente, com uma 
expresso de reprovao.
 Olhe, no adianta o senhor estar tocando a campainha. Ningum pode apressar um pernil.  preciso que 
ele cozinhe bem para no provocar sua bile.
  isso mesmo  confirmou 34dge  mas estava-me lembrando de meu Sargento. Voc acha que consegue 
tambm uma refeio para ele?
 O Sargento  informou Emery  est l na cozinha comigo e com a Sra. Emery, comendo alguma coisa. 
No tem nada demais, espero.
 Claro que no  admitiu Rudge.  Fico satisfeito que ele esteja l.  Emery tornou a sair, enquanto o 
Inspetor ponderava sobre as timas qualidades do Sargento Appleton quanto  iniciativa e desempenho.
As fatias de pernil  cortadas finas e bem fritas  foram trazidas pela Sra. Emery, uma mulherzinha que 
lembrava um passarinho, com olhos irritados e aspecto desptico, o que explicava, at certo ponto, a 
aparncia amarrotada e murcha do marido. Um simples olhar para as fatias de pernil fritas com perfeio e 
seu acompanhamento de ervilhas e de batatas fritas explicava um outro enigma. Evidentemente a 
imbecilidade de Emery era o preo que o Almirante pagava pelas habilidades culinrias da Sra. Emery. 
Rudge expressou sua satisfao.
 E nem sei como consegui fazer isso  disse a Sra. Emery  com o pobre do patro morto to de repente, a 
Srta. Elma fora, e toda a casa tumultuada. At o prprio cheiro de carne parece algo quase sobrenatural, 
poderamos dizer. Mas, sim! Emery  homem e homem tem que comer carne, mesmo que o mundo todo 
tivesse que se afogar num dilvio como o de No.
 Na verdade  ponderou Rudge  ns somos de um sexo insensvel, suponho, Sra. Emery. Deve ter sido um 
grande transtorno para a senhora. E com a Srta. Fitzgerald ausente inesperadamente, tudo recai nos seus 
ombros.
 Ah!  exclamou a Sra. Emery.  E quando no recai tudo sobre meus ombros, eu gostaria de saber? A 
Srta. Elma se preocupa muito mesmo com a casa! Podia at ser homem pelo auxilio que presta. Agora, o 
pobre do Almirante gostava das coisas arrumadas e mesmo que fosse exigente em suas maneiras era um 
prazer trabalhar para ele. Muitas vezes tive que chamar a ateno, de Emery, pois percebia que sua lerdeza 
era uma dura prova para o patro...
mas, sim! Emery, apesar de meu marido,  uma pobre criatura. O Almirante avisou-o de que seria despedido 
no fim do ms, mas qual!
Nem liguei. Preparei um jantar delicioso, como o Almirante gostava, e ele me disse: Sra. Emery, diga quele 
desajeitado de seu marido que pode ficar e aqui est meio guinu para comprar umas fitas para a senhora. 
Ele era um bom patro e vou afirmar isso at morrer.
 Tenho certeza que sim  concordou Rudge, com simpatia.
Percebeu que havia negligenciado com relao  Sra. Emery. Se deseja saber a verdade a respeito do 
carter de um homem, ele sempre repetia, pergunte a seus criados. Tinha agora dois testemunhos favorveis 
ao Almirante e sentia serem ambos dignos de confiana. Neddy Ware fazia eco com a opinio da prpria 
tripulao do Almirante  e a tripulao raramente se engana com seu comandante. As palavras da Sra. 
Emery estavam de acordo com as de Ware.  Suponho  falou o Inspetor  que o Almirante Penistone por 
vezes era um pouco explosivo, no ?
 No acho que isso o fizesse pior  retorquiu a Sra. Emery.
  melhor um homem explosivo do que um homem desanimado.
E o patro tinha muito com que se incomodar. A maneira pela qual a Sita. Elma o tratava, suas 
preocupaes, e uma coisa e outra...
 Que preocupaes eram essas?
 Bem, Inspetor, no sei se eu poderia corretamente dizer que preocupaes. Mas ouvi falar que ele no foi 
tratado corretamente pelo Almirantado quando jovem e nunca aceitou esse fato.
Alguma coisa relacionada com deveres no exterior,  o que dizem, e ele afirmava que poria tudo nos devidos 
lugares, ainda que levasse a vida toda. Mas a Srta. Elma no tinha as considerao com ele do que um 
homem com uma mulher cheia de filhos.  Sem se deter para explicar essa obscura observao, a Sra. 
Emery prosseguiu mais rapidamente ainda.  Ela no ouvia uma s palavra, a Srta. Elma, apenas ficava ali 
sentada, parecendo to alheada como uma vaca e no punha as mos na poeira ou arrumava um vaso de 
flores para fazer a casa parecer hospitaleira. E me desculpe se fico do lado do Sr. Holland, ele  um 
cavalheiro muito bom, ao casar-se com nossa dama, ainda que eu no saiba o que ele pde ver nela. Para 
mim  um milagre que, com tantas moas sensatas e decentes por a, um homem v escolher o tipo errado, 
pois nem mesmo  bonita.
 Bem  disse Rudge  agora no adianta rezar. Eles se casaram hoje pela manh.
 Bem, eu nunca imaginaria  observou a Sra. Emery.  Era por isso que o seu Sargento parecia to 
malicioso! H uma surpresa para a senhora, madame  disse ele  mas no lhe vou contar, pois a senhora 
vai ouvir a novidade daqui a pouco. Engraado! Isso  mesmo coisa da Srta. Elma, casar-se antes mesmo 
de o corpo do pobre tio ser enterrado, que frieza! E fico surpreendida que o Sr. Holland fizesse uma coisa 
dessa! Qualquer coisa que a Srta. Elma dissesse ele obedecia como um cordeirinho com uma fita azul 
amarrada ao pescoo, mas os homens grandes por vezes so os mais submissos, quando se trata de 
mulher.
 A senhora acha, ento, que o Sr. Holland gosta muito da Srta. Fitzgerald, no ?  sugeriu Rudge. Ser 
que ele algum dia chegaria ao fundo das relaes entre esse par? No havia duas pessoas que parecessem 
concordar a respeito deles.
 Gostar ele gostava  respondeu a Sra. Emery  e ainda gosta, disto no tenho dvida, embora quanto 
tempo v durar seja um outro assunto. Dela mesma e de suas esquisitices, isso  tudo de que essa jovem 
jamais gostou, se algum me perguntar, e ele no tardar a verificar a mesma coisa. Tudo parece diferente 
quando algum se casa. Astuta ela foi, levando-o para l e para c, ao sabor de seus caprichos. Quanto a 
preocupar-se com ele, no, e o patro sabia disso melhor do que ningum. Se o Almirante estivesse vivo, os 
dois no se casariam to facilmente, isto  verdade, mas carem fora e irem juntar as mos sobre o cadver, 
como se pode dizer,  uma coisa que eu dificilmente acreditaria que o Sr. Holland fosse capaz.
 Hum  fez o Inspetor que estava com seu pensamento voltado para o tempo que seria necessrio para a 
obteno de uma licena especial. Parecia lembrar-se indistintamente que tinha que ser pelo menos com um 
dia de antecipao.  Talvez eles tivessem decidido casar-se hoje, de qualquer modo.
 Ento, deveriam ter alterado seus planos  tornou a Sra.
Emery.  Desagradvel,  como classifico. Mas eu no me admiraria se eles estivessem combinados, agora 
que o senhor lembrou.
Talvez fosse essa a razo pela qual o Sr. Holland estava to ansioso de falar com o Almirante  noite 
passada.
 Oh, sim. Ele telefonou de Whynmouth, no foi?
 Sim, telefonou. Eu mesma recebi o recado. Queria ver o patro com urgncia. Eu disse que a Srta. Elma e 
o Almirante tinham ido jantar no Vicariato e no estariam de volta at tarde, pois supunha que eles ficariam 
por l at umas onze horas, jogando cartas ou qualquer coisa assim. O Vigrio no se preocupa com 
jogar cartas absolutamente, pois  um homem dedicado aos servios religiosos e aos santos, mas podia 
esperar-se que isso acontecesse, pois roupas finas e velas no  o que se pode chamar de religio, 
no concorda o senhor? Bem, eu disse ao Sr. Holland que eles no estariam de volta antes das onze, o que 
na hora me pareceu carreto, pois no se podia esperar que eu soubesse que estariam aqui cedo, logo nessa 
noite. Faz-se o que se pensa ser o melhor. Ento, lembrei que ele poderia ir at o Vicariato, mas o Sr. 
Holland disse que no, que podia esperar e que talvez aparecesse por aqui mais tarde.
 E apareceu?
 No que eu saiba, mas eu durmo profundamente, graas a Deus, e preciso mesmo dormir, com esse 
trabalho todo da casa.
Emery deveria fazer a limpeza, mas na metade do tempo tenho que andar atrs dele, e quanto a Jennie, ela 
 uma tima moca, mas est sempre sendo chamada a ateno pela Srta. Elma e no d um passo ou um 
monto por si mesma. Fui empregada para cozinhar, mas com a Srta. Elma tomando o caf da manh na 
cama e se levantando fora de hora, fica difcil, s tenho um par de mos.
  verdade  concordou Rudge  e mos muito capazes, tenho certeza, Sra. Emery.
 Quando vim para c, eu disse que deveria ter uma ajudante de cozinha comia, com todos esses assoalhos 
de cermica. Isto  o pior nessas casas antigas. Mas no tenho queixas do Almirante, pois ele no era rico 
e ela deveria ter feito alguma coisa para ajud-la, se quisesse, pois me disseram que tem muito dinheiro. E o 
que ela fazia com sua penso  difcil dizer-se, no que seja da minha conta, pois no , unas ningum pode 
impedir os prprios pensamentos. Gastar com vestidos, ela no gastava, ningum pode dizer isso, 
excetuando-se um traje de noite, de quando em quando, ou um casaco bonito. Mas isso no so coisas que 
precisem de muito dinheiro, como o senhor deve saber muito bem, se for casado. So os sapatos, as luvas, 
as bolsas, as meias e as blusas que custam caro.
E tenho certeza de que a Srta. Elma se preocupava to pouco com essas coisas como qualquer mocinha. 
Aquela empregada francesa que veio com ela costumava reclamar terrivelmente da maneira como a Srta. 
Elma saa.
 Ah, sim... a moa francesa. Como era ela?
 Moa?  protestou a Sra. Emery.  , agora chamam de moas, mas se ela tornar a ver os quarenta, vou 
ficar surpreendida.
Era uma coisinha linda, por assim dizer, e falava ingls muito bem.
Mas no gosto de empregadas que tenham muita intimidade com as patroas. Vi o olhar que ela lanava para 
a Srta. Elma algumas vezes, quando o patro se afastava um pouco, e os olhares que trocavam no deviam 
ser trocados entre pessoas em sua posio na vida. Que os empregados fiquem para o seu lado e que os 
patres fiquem para o deles,  o meu lema, mas patroas jovens fazendo confidncias a suas empregadas, a 
respeito do dono da casa,  muito mal feito, de acordo com meu modo de pensar. Acredito que tenha havido 
algum problema, ou ento a        Mademoiselle no iria embora sem esperar o seu salrio, no ? Es' 
tocando a campainha l da frente, quem ser? Espero que Emcey atenda, como  de sua obrigao, mas 
ele est atarantado com essas coisas todas. O senhor deve ter notado. Eu diria que sua cabea no  muito 
certa. Agora, eu sou diferente. Sou do tipo que observa tudo. Posso ter estado somente um ms com o 
Almirante, mas uma mulher experiente...
e eu j trabalhei em muitos lugares... no demora muito tempo para somar dois e dois. Oh, e vi quem era a 
Srta. Elma...
Ah! At que enfim Emery se lembram de suas obrigaes, fico satisfeita em dizer.
A porta se abriu e Emery esfinge por ela sua melanclica cabea.
 Esto aqui dois jornalistas que desejam ver o Inspetor.
Rudge j ia dar o fora nos jornalistas, quando lhe ocorreu que todas as criaturas de Deus tm sua utilidade. 
Passou os olhos no carto que lhe foi apresentado e observou que nele se liam duas palavras mgicas: 
Evening Gazette.
 J vou falar com eles  anunciou laconicamente.
Os dois jornalistas entraram; um deles um homem sacudido, com cabelos curtos e culos de armao de 
chifre, tendo a parte superior do rosto parecendo queimada por alguma forma de exposio imprpria  luz do 
sol (todos os homens simpticos so ligeiramente queimados pelo sol), e um sujeito soturno com 
uma cmara fotogrfica.
 Muito bem  disse Rudge  como vocs, rapazes, souberam do que houve?
Cabelos Curtos sorriu.
 Recebemos informaes, hem, Inspetor? Se a Gazette no publicou  porque ainda no ocorreu. 
Soubemos disso na rua, s doze e trinta. Vai-nos ajudar da melhor forma, no vai?
 Bem  disse Rudge. Ficou pensando por um momento e, em seguida, deu todas as informaes que 
achava que de qualquer forma deviam ir a pblico.
 Est tudo O.K.  disse Cabelos Curtos.  Agora, com relao  sua prpria pessoa, Inspetor. Nossos 
leitores querem saber tudo a seu respeito. Ser que o senhor faria a bondade de vir at o abrigo de barcos 
para uma foto? D maior interesse  notcia, o senhor sabe. Bem,  muita bondade sua. No vai demorar um 
minuto. Aquele  o barco do Almirante? Por favor, aponte naturalmente em sua direo. timo. Vai dar uma 
boa foto, hem, Tom?
Rudge, mesmo sem querer, sentiu-se lisonjeado.
 Vamos dizer,  claro, que o senhor est com o caso nas mos e que no h necessidade de chamar a 
Scotland Yard. S isso.
Bem, e quanto  sobrinha do Almirante? Podemos dar uma palavrinha com ela?
 No  respondeu o Inspetor.  Na verdade  acrescentou magnanimamente  no me importo de lhes 
contar uma coisa a respeito dela.
O reprter ficou ansiosamente atento.
 Ela foi para Londres esta manh  informou o Inspetor, pomposamente  e se casou com um homem 
chamado Arthur Holland, um comerciante que mantm negcios na China.
 Casou-se? Trabalhou rpido. Isso vai dar uma boa histria.
Por que a pressa?
 Isso ainda no lhe posso dizer. Mas, olhe aqui. Se eu lhe der a exclusividade deste caso, voc faria uma 
coisa para mim?
 Claro.
 Quero dados sobre a carreira do Almirante Penistone na Marinha. Por que pediu reforma aos quarenta e 
trs anos e por que logo em seguida voltou para a Marinha e tudo mais.
 Oh! Posso dizer-lhe alguma coisa a esse respeito.  O reprter riu.  Soube atravs de um homem que 
conheci na Embaixada chinesa. O velho teve uns problemas em Hong Kong em 1911.
Alguma questo particular. Algo relacionado com uma mulher. Uma
dessas coisas que oficiais de Marinha no fazem. Exigiram que ele pedisse para passar para a reserva. 
Nenhum escndalo pblico... a senhor sabe, esse tipo de coisas. O homem que me falou no sabia de todos 
os detalhes, mas me prometeu que ia saber para mim.
Tudo o que vier a saber eu lhe conto. Eu diria que no vamos publicar nada disso, pois alguns dos 
interessados podem ainda estar vivos, mas lhe mando uma nota sobre tudo isso. E... se houver alguma coisa 
que o senhor descubra e ache que ns possamos ouvi-la diretamente da boca do informante, nos chamar, 
est bem? 6 um trato.
Rudge concordou prontamente. Era um grande negcio, mais rendoso do que ficar desenrolando a burocracia 
do Almirantado.
Problemas em Hong Kong em 1911? Isso explicava as coisas. Sem dvida, como Penistone era um bom 
oficial, ficaram satisfeitssimos em deix-la voltar em 1914. Mas para ele, naturalmente, isso teria feito 
diferena. Azedou um pouco o temperamento do velho. Seria possvel que o crime tivesse alguma ligao 
com aquele antigo problema? Parecia um perodo muito longo para manter-se ressentimentos, mas com 
chineses envolvidos nunca se sabe. E, por falar nisso, Holland voltara da China no fazia muito tempo. O que 
mesmo a Sra. Emery tinha falado de Holland? Ele dissera que poderia ir at Rundel Croft depois das 11 
horas. Suponhamos que o tivesse feito?
Obviamente, Holland e Elma tinham que ser mantidos  mo.
Eles teriam que ser intimados para serem ouvidos oficialmente, de qualquer modo. Tinha que tratar desse 
assunto com o juiz de instruo. Uma pequena tarefa para o Sargento Appleton. Rudge voltou at a casa e 
enviou seu subordinado com um bilhete. Mal tinha feito isso, quando o telefone tocou.
O Sr. Edwin Dakers estava na linha. De fato ele ficara pesaroso e horrorizado ao saber da morte do 
Almirante. Achava melhor ir at Rundel Croft imediatamente. Como curador da Srta. Fitzgerald e seu 
representante, seria necessrio para ele v-la sem demora. Sem dvida, ela estava grandemente abatida por 
essa melanclica ocorrncia.
 No notei isso  disse Rudge, com uma espcie de perversa satisfao.  Na verdade, to depressa a 
Srta. Fitzgerald soube da morte do tio foi para Londres e se casou com um Sr. Holland.
Eu ficaria agradecido, senhor, se...
 O qu!  exclamou o Sr. Dakers em um tom de voz to horrorizado que o aparelho pareceu tremer.
Rudge repetiu a informao.
 Deus abenoe minha alma!  reagiu o Sr. Dakers, fazendo em seguida uma pausa to longa que Rudge j 
comeava a pensar que ele tivesse morrido de horror. Depois, disse:  Isto  na verdade muito desagradvel, 
Inspetor.  Estou mais do que chocado. Estou horrorizado.
 De fato, parece um pouco de insensibilidade  disse Rudge.
 Insensibilidade?  repetiu o Sr. Dakers.  Isto pode ser seriamente prejudicial aos interesses monetrios 
dela. Poder o senhor dizer-me onde ela se encontra?
 O casal est no Carlton, foi o que ela disse  replicou Rudge.  A Srta. Fitzgerald... isto , a Sra. Holland... 
 (o Sr. Dakers grunhiu debilmente)  mencionou que iriam danar esta noite. Eu agradeceria, senhor...
 Danar no Carlton?  interrompeu o advogado.  Ela deve estar fora do seu estado normal. Muito 
interessante. No estou muito certo a respeito do dispositivo legal envolvido, mas, se no estou enganado, o 
Cdigo diz... meu Deus! Creio que tenho que buscar a opinio do Conselho. Enquanto isso lhe agradeo 
muito por me dar cincia desses eventos, Devo ir procurar minha cliente imediatamente e...
 Espero que a encontre, senhor, e a persuada a voltar logo.
O Sr. e a Sra. Holland sero intimados,  claro, mas nesse meio tempo seria desejvel...
 Claro, claro  tornou o Sr. Dakers  muito desagradvel e indesejvel. Farei o que puder para convenc-la a 
voltar para casa sem demora.
 Obrigado, senhor, e lhe agradeceria tambm se pudesse falar pessoalmente com o senhor, em uma 
oportunidade qualquer. H um ou dois assuntos que eu gostaria que fossem esclarecidos, em ligao com 
um documento que temos aqui.
 Oh!  fez o Sr. Dakers.  Sim?
 Em ligao  prosseguiu Rudge  cem uma cpia de testamento, senhor, feito por John Martin Fitzgerald, 
em 1915.
 Ah!  fez o Sr. Dakers. Sua voz parecia cautelosa.  Sim.
Sim. Entendo. De que forma, precisamente, o senhor est interessado nesse testamento?
Rudge tossiu.
 Bem, senhor, de um modo geral, poderia dizer. H um irmo que  mencionado nele, por exemplo, e um ou 
dois pontos mais de interesse.
 Sim, compreendo. Bem, Inspetor, creio que o melhor  que eu v a seu encontro. Vou esforar-me para 
levar a Srta. Fitz...
isto , a Sra. Holland, comigo, mas, de qualquer forma, devo chegar a Lingham hoje  noite. Onde poderei 
encontr-lo?
 Estarei em Rundel Croft, senhor.
 Muito bem. Eu o avisarei a que horas poder esperar-me.
Quando a audincia vai realizar-se?
 Creio que depois de amanh, senhor.
 Sim. Deverei estar l, claro, representando a Sra. Holland.
Creio que eu devia ter sido avisado de tudo isso antes. Por que o senhor s me telefonou h uma hora?
O Inspetor gostaria de ter respondido que no era obrigao sua avisar os advogados de pessoas suspeitas 
ou sob desconfiana, mas respondeu submissamente que tinha estado muito ocupado e que somente ento 
tivera tempo de analisar o contedo do testamento.
  uma pena  acrescentou o lnspetor  que a prpria Sra. Holland no lhe tenha dado conhecimento do 
assunto.
 . Muito  replicou o ahaga3o, secamente.  Muito bem, Inspetor, vamos ficar por aqui  B o Sr. Dakers 
desligou.
Eis a, pensou Rudge, desanimadamente. Nada a fazer, suponho, a no ser esperar pelo velho. Mesmo 
assim, se ele trouxer a Sra. Holland de volta j  alguma coibia.  uma pena que parea to pouco o que se 
pode fazer. Os Holland`s e o em Londres, Denny tambm. Bem, e aqueles recortes de jamais? Ainda no 
tinha examinado a coleo de recortes. Talvez  dessem sugerir alguma coisa relacionada com o misterioso 
pasae3o de Penistone. Ou, quem sabe haveria outros documentos de I ?
Os recortes, como o pr6prio Rudge esperava, pareciam em sua maior parte relacionados com a China 
embora muitos deles estivessem ligados a assuntos da Marinha Datavam de dois anos antes da Guerra, 
devidamente numerados e etiquetados, de forma a corresponder ao ndex alfabtico, e com a caligra6a do 
Almirante.
Rudge observou um pequeno grupo de I, guardados sob o ttulo de Denny, W.. Ansiosamente examinou 
esses recortes. Atravs deles ficou sabendo que Sir Wilfrid Denny, durante muitos anos, servira na Alfndega 
de Hong Kong, agentando-se em 1921, com um ttulo e uma penso. Aparentemente, fora s em 1925 que 
Denny viera para Whynmouth, tendo antes morado em Hertfordshire. Tinha 64 anos e era vivo, pois sua 
mulher morrera h 15 anos, na China. No tinha filhos vivos, tendo morrido o nico que possua, durante a 
Guerra.
Era interessante. Ento Sir Wilfrid estava tambm ligado  China. Sem dvida seu relacionamento com o 
Almirante datava da poca em que este estivera servindo na China. Rudge recolocou os recortes dentro da 
pasta e j ia tornar a p-la no arquivo, quando notou um adendo na pasta: Ver H5 e X27
O que significava essa enigmtica referncia ele no saberia sequer pensar. Procurou o nmero 5 no arquivo 
H e verificou que ele se referia a um simples recorte sobre um hbil marujo de nome Hendry, que fora morto 
em uma briga em Hong Kong, havia j alguns anos. Isto parecia que produziria frutos, mas, procurando 
o arquivo X, verificou que no havia nada catalogado sob aquela letra esquisita, Na realidade, pensou Rudge, 
seria estranho haver 57 recortes referenciados  letra X. X deveria estar relacionado a alguma coisa 
diferente. O qu?
Voltou  lista alfabtica e, sob a letra F, seu olhar foi atrado por um outro registro: Fitzgerald, W. E. O 
irmo desaparecido de Elma! Certamente isso seria de interesse. Ansiosamente, Rudge fez o arquivo girar.
A pasta marcada com Fitzgerald, W. E. nada continha, a no ser um pedao de papel, onde se lia, escrito 
a lpis. Ver X.
 Maldito X!  resmungou Rudge.  Onde, diabo, tinha-se metido esse X? Talvez ele fosse inteiramente 
particular. O velho deve t-lo escondido em algum lugar mais seguro.
Cheio de excitao, o Inspetor se ps a realizar uma busca cuidadosa e completa no armrio e na mesa. No 
armrio no encontrou nada, nem mesmo na mesa, numa busca superficial. No entanto, finalmente, depois 
de remexer em um monte de recibos e de velhos tales de cheques no fundo de uma gaveta, Rudge 
descobriu um boto que deslizava. Comprimiu o boto e ficou um buraco de fechadura a descoberto. No 
chaveiro do Almirante verificou a existncia de uma chave do tamanho adequado. Colocou a chave na 
fechadura. Encaixou bem e deu a volta com facilidade. A porta deslizou e revelou uma pasta assinalada com 
X, semelhante s encontradas no armrio.
Antes de tirar a pasta de onde se encontrava, Rudge percebeu que iria ficar desapontado. A pasta estava to 
chata quanto um carto de visitas e, na realidade, completamente vazia.
Olhava ainda para a pasta, desanimado, quando a porta se abriu para dar entrada a Jennie com uma bandeja 
de ch.
 Ento voc est de volta, Jennie  cumprimentou Rudge, alegremente.  . muita bondade sua trazer-me 
ch. Sua me est melhor?
 Oh, ela no est muito bem, Sr. Rudge. Obrigada. O mdico diz que so as suas costas. Ele foi visit-la 
duas vezes hoje e ela se sente um pouco melhor, mas ainda est desanimada.
Rudge expressou sua simpatia e observou que a doena da me de Jennie parecia bastante verdadeira. 
Depois de tomar o ch, prosseguiu em sua busca dos desaparecidos contedos da pasta, mas no teve 
xito. Trs chamadas telefnicas vieram quebrar a monotonia.
uma era do juiz de instruo, pedindo a Rudge que fosse procur-lo logo cedo na manh seguinte; a outra 
era do Sr. Dakers, informando-o de que estava ainda procurando entrar em contato com os Hollands e que 
chegaria s oito e cinqenta; a terceira chamada, muito mais tarde, era do Vigrio.
 Estou falando do Hotel Charing Cross  disse a voz clara do Vigrio, modulada segundo Oxford.  Creio 
que serei obrigado a passar a noite em Londres. Ligarei novamente, amanh pela manh.
Rudge agradeceu e desligou. Em seguida, aps uns dois minutos, tomou uma precauo bvia. Ligou para o 
Hotel Charing Cross.
 Est hospedado a um Sr. Mount... Reverendo Philip Mount... est hospedado a no hotel?
Houve uma ligeira pausa.
 Sim, senhor  responderam por fim.
 Ele est?
 Vou saber. Pode ficar na linha, senhor?
Uma abafada babel, depois a rudo de passos que se aproximavam e o fone foi levantado.
 Al, sim. Quem est falando, por favor?
 ele mesmo, no h dvida, pensou Rudge.
 Acabo de me lembrar de uma coisa que esqueci de lhe perguntar, senhor  disse o policial, em voz alta. 
Em seguida, repetiu sua pergunta sobre o comprimento do cabo de fibra.
O Vigrio confirmou o que Peter j dissera, Rudge agradeceu e desligou.
At agora, tudo bem. No gostei que se afastasse como fez, mas ele parece bastante correto. Espero que 
sim, por causa dos filhos. Mas o cabo, sem dvida,  um mistrio.
As 8:50 chegaram em Whynmouth, inexoravelmente, e logo um txi rumou para Rundel Croft. Rudge ouviu 
quando o carro se aproximou e parou. Renasceram suas esperanas, mas logo em seguida se 
desvaneceram de novo, ao ouvir a campainha tocar.
 A Sra. Holland teria entrado  resmungou, desapontado.
 Mas no!  Animou-se novamente.  A porta,  claro, estava trancada, para impedir a entrada de possveis 
intrusos.
Os passos de Emery se arrastaram pelo saguo. A porta do escritrio se abriu e um homem alto, magro, de 
cabelos grisalhos entrou... sozinho.
 Sr. Dakers?  perguntou Rudge, executando um gesto que poderia situar-se entre uma saudao e uma 
reverncia.
 Sim  respondeu o advogado.  E o senhor, pelo visto,  o Inspetor Rudge. timo. Muito bem, Inspetor, 
lamento dizer que falhei em encontrar qualquer dos dois, o Sr. e a Sra. Holland.
Eles esto de fato hospedados no Carlton e eram esperados para jantar. Deixei um recado para a Sra. 
Holland, expresso em termos tais que acho que dificilmente ela deixar de dar-lhe ateno. No  necessrio 
que eu repita como me sinto abalado e chocado com todos os acontecimentos.
 Entendo o seu ponto de vista, senhor  disse Rudge  e posso acrescentar que a ausncia do Sr. e da 
Sra. Holland est tornando a minha tarefa mais difcil. Por falar nisso, senhor, estou em uma posio peculiar 
nesta casa, com o Almirante Penistone morto e ningum  frente dela, por assim dizer, mas creio que 
no ser demais perguntar-lhe se o senhor j jantou, antes de entrarmos no assunto.
 Obrigado, Inspetor, obrigado... mas no preciso de nada.
Muito obrigado. Eu gostaria de ouvir imediatamente todos os detalhes desse doloroso acontecimento.
Rudge, rapidamente, descreveu as circunstncias da morte do Almirante e a partida de sua sobrinha, 
enquanto o Sr. Dakers concorria com apressados Veja s e Meu Deus, meu Deus.
 Ento parece no haver dvida de que o Almirante Penistone foi assassinado.
 Nenhuma, absolutamente, senhor.
 Ele no poderia, suponho, ter... ahn... se suicidado e atirado a faca no rio.
Essa soluo no tinha ocorrido a Rudge, mas ele respondeu que, a julgar pela posio do corpo e pelas 
circunstncias de um modo geral, achava essa hiptese bem afastada das probabilidades.
O Sr. Dakers acenou com a cabea, pesarosamente.
 Pelo que ouvi  disse ele, com o ar de um homem que est agarrando um touro pelos chifres  no h 
qualquer suspeita levantada contra minha cliente ou seu marido, no ?
 Bem  tornou Rudge, cautelosamente  eu no diria que at agora haja suspeitas levantadas contra 
qualquer pessoa. E, alm do mais, o crime no parece certamente ser do tipo que se leve a suspeitar de 
uma moa. Quanto ao Sr. Holland, pouco sabemos ainda a seu respeito. Talvez nos possa ajudar, senhor?
O Sr. Dakers sacudiu a cabea.
 Pouco sei a respeito dele, alm de seu nome e do fato de ter sido, de certo modo, noivo de minha cliente.
 O noivado contou com a aprovao do Almirante Penistone, senhor?
O advogado olhou astutamente para Rudge.
 Sei o que tem em mente, Inspetor. Bem, suponho que devia mesmo esperar por isso e no adianta nada 
tentar esconder os fatos.
Tanto quanto sei, o Almirante Penistone, conquanto relutante ainda em dar seu consentimento ao 
casamento, no o havia proibido definitivamente. Isto  tudo o que lhe posso dizer.
 Compreendo, senhor. Bem, agora quanto ao testamento desse John Martin Fitzgerald. Presumo que o Sr. 
Fitzgerald esteja morto, dado que o senhor e o falecido Almirante estavam agindo como curadores da Sra. 
Holland. Esta cpia  do testamento legalmente registrado quando da morte do Sr. Fitzgerald?
 Sim, . Meu amigo John Fitzgerald era um advogado. Ele morreu em 1916 e esse foi seu ltimo 
testamento. No posso dizer que tenha sido um testamento redigido por mim para ele, nem , creio, um 
testamento que ele mesmo teria redigido para um de seus clientes, mas como o senhor sabe, Inspetor, os 
advogados so tidos como notrios em estabelecer pssimas clusulas com relao s suas propriedades 
pessoais.
 Qual o valor do testamento, senhor?
 Cerca de cinqenta mil libras. Isso  esclareceu o Sr. Dakers  no representou a taxao da lei. A maior 
parte do dinheiro foi herdada. Mas  melhor que eu comece do princpio. John Fitzgerald se casou em 1888 
com Mary Penistone, irm do falecido Almirante. Ela morreu em 1911, deixando dois filhos vivos: 
Walter Everett, nascido em 1889, e Elma Mary, nascida nove anos mais tarde, em 1898. Quando Walter 
tinha vinte anos, houve alguma espcie de problema com ele em casa. Creio que era algo relacionado com 
uma jovem, ligada  famlia em uma posio de dependente...
de fato, como governanta. O pai de Walter ficou extremamente aborrecido e houve uma discusso terrvel. O 
jovem Walter saiu de casa e desapareceu; durante algum tempo no era permitido sequer pronunciar-lhe o 
nome. O senhor conhece esse tipo de coisas. Elma,  claro, era muito pequena ainda para que lhe fosse dito 
qual o tipo de problema, mas a Sra. Fitzgerald sempre achou que o marido tinha sido muito duro com o filho.
Ela morreu, como j disse, em 1911, e chego a acreditar que sua preocupao com o filho ajudou a tirar-lhe 
a sade... de fato, como ns costumamos dizer, partiu-lhe o corao. Sei que John Fitzgerald tambm 
pensou assim e isso teve sobre ele um efeito de amolecimento. Desenvolveu esforos para encontrar Walter, 
ainda que sem xito, e preparou um testamento, dividindo suas propriedades entre Walter e Elma.
Nada se ouviu sobre Walter at o incio do ano de 1915, quando enviou a seu pai uma carta, datada de 
algum lugar na Frana.
Na carta, Walter expressava sua tristeza quanto ao seu comportamento anterior e seu silncio de seis anos, 
esperando que fosse perdoado e acrescentando que estava ento se esforando para virar outra pgina de 
sua vida e cumprir suas obrigaes para com seu pas. Nenhuma palavra a respeito de onde vivera nesse 
perodo. Ao mesmo tempo, juntava um testamento em caso de acidente redigido a favor de sua irm Elma. 
O pai e a irm responderam imediatamente, pedindo-lhe que viesse para casa assim que pudesse, e que 
tudo seria esquecido e perdoado. Walter jamais voltou, ainda que escrevesse de tempos em tempos e, aps 
a desastrosa Batalha de Loos, seu nome foi includo nas listas de desaparecidos, provavelmente mortos. 
Nessa ocasio seu pai j era um homem muito doente. Estava sofrendo da molstia de Bright e no tinha 
mais muito tempo de vida. Recusou-se absolutamente a acreditar que Walter tivesse morrido. Ele havia 
reaparecido antes e tornaria a aparecer de novo. Nesse meio tempo, tendo aumentado consideravelmente 
seus bens, preparou um novo testamento, deixando as condies quanto s suas propriedades as mesmas 
de seu testamento de 1911, mas adicionando algumas outras clusulas.
Agora quero dizer algumas palavras sobre o seu cunhado, o: Almirante Penistone. Ele... o senhor conhece 
alguma coisa sobre sua histria?
 Ouvi dizer  respondeu Rudge  que houve uma espcie de interrupo de sua carreira em 1911.
 Oh, o senhor sabe disso? Bem, um caso lamentvel. No  preciso que eu desa a detalhes, mas o caso 
 que tornou extremamente inadequado que ele fosse indicado como curador da jovem.
Por favor compreenda que no estou expressando minha opinio quanto a ser realmente o Comandante 
Penistone (o que ele era na ocasio) culpado no assunto. Mas o simples fato de que seu nome tenha sido 
ligado a um caso to desagradvel teria sido suficiente.
No entanto, John Fitzgerald, que nunca pensava mal de ningum...
 Trao pouco comum num advogado  Rudge no cansou u evitar de comentar.
 Meu bom homem, um advogado em suas atividades profissionais e em suas atividades particulares pode 
ser duas pessoas diferentes  retorquiu o Sr. Dakers com alguma aspereza.  John Fitzgerald no podia 
pensar mal do irmo de sua mulher. Ele sustentava que Penistone tinha sido tratado de maneira injusta e, a 
fim de mostrar ao mundo o que pensava a respeito, nomeou-o curador de Elma e inseriu essa absurda 
clusula com relao ao casamento dela.
 Mas o senhor mesmo  insinuou Rudge  aceitou comparticipar da curatela com o Almirante Penistone.
 E se no o tivesse feito  disse o Sr. Dakers  ele poderia ter indicado uma outra ovelha negra qualquer 
que precisasse ser reabilitada. No. Fiz o melhor que pude de uma incumbncia ruim, devido  considerao 
pela filha de meu pobre amigo. Devo ainda dizer, fazendo justia ao Almirante Penistone, que no tenho 
qualquer razo para reclamar de sua administrao dos negcios de minha cliente. Ainda que os seus 
modos fossem abruptos e por vezes desagradveis, acredito que ele tenha sido um homem perfeitamente 
honesto com relao a dinheiro e que no havia nada de inconveniente na casa que montou para sua 
sobrinha. Se houvesse,  claro, eu teria interferido.
 Mas quem quis que a Srta. Fitzgerald viesse morar com o tio?
 Foi a vontade do pai dela. Achei inconveniente, mas no pude apresentar razes vlidas para minha 
oposio. A parte de dinheiro de Elma foi investida, por aconselhamento meu, em ttulos seguros, sendo os 
pagamentos creditados a ela, trimestralmente, pelos curadores.
 Uma rendinha muito boa  comentou Rudge.
 Cerca de mil e quinhentas libras por ano.
 Surpreende-me um pouco  disse Rudge  que o Almirante no mantivesse uma residncia mais adequada 
para sua sobrinha. Esta casa  bastante confortvel, mas muito isolada, e eles no tinham 'muita 
companhia, pelo menos para o meu entendimento.
  verdade  admitiu o Sr. Dakers  mas isto no era somente por culpa do Almirante Penistone. Ele 
prprio, naturalmente, deixou de freqentar a sociedade e, embora de 1914 a 1918 de fato estivesse em 
servio ativo, no fazia quaisquer restries a sua sobrinha. Elma teve uma boa educao e gozou das 
vantagens de duas temporadas em Londres, aos cuidados de uma senhora muito capaz, mas desconfio de 
que no gostava muito da vida social.
  estranho que no se tenha casado mais cedo  observou Rudge.  Uma moa com vinte e cinco mil 
libras ou qualquer coisa assim deveria ter muitos pretendentes.
O advogado deu de ombros.
 Desconfio de que Elma fosse... um pouco difcil. Ela talvez no seja... atraente, naquilo que posso chamar 
de aspecto matrimonivel. Houve vrios... candidatos pobres,  claro, mas no foram encorajados. O 
Almirante Penistone nem sonharia em consentir em casamento, a no ser com um homem independente 
financeiramente. E alm disso houve aquele infeliz escndalo com 'Walter.
 O que foi que houve?
 Ora, isso aconteceu em 1920. Obviamente a primeira coisa que parecia conveniente fazer era obter da 
Justia licena para que Walter fosse dado como presumivelmente morto. No pudemos fazer nada at 1919, 
depois que foram postos em liberdade os prisioneiros de guerra ingleses que se encontravam na Alemanha. 
Seu nome no fazia parte de nenhuma das relaes e achamos que no haveria dificuldades. Curiosamente, 
entretanto, apareceu um homem que disse ter servido com Walter em uma mesma unidade em 1915 e que 
declarou t-lo visto vivo em Budapeste, depois da cessao das hostilidades. O homem disse que no havia 
falado com ele, mas que no tinha qualquer dvida quanto  sua identidade. Walter era, ao que presumo, um 
homem profundamente simptico... certamente como menino era simptico. Parecia-se muito com a me, 
que era uma mulher bonita, com aparncia melhor do que a de seu irmo, o Almirante, embora houvesse 
muitos traos fortes de famlia.
Bem,  claro que tudo isso significou mais demora e mais investigaes. No obtivemos qualquer outra 
notcia dele, porm em vista da declarao do soldado, o tribunal se recusou a dar Walter como 
presumivelmente morto... naturalmente. Nesse meia tempo, o caso teve um seguimento muito infeliz. To 
logo se tornou conhecido que Walter provavelmente no tinha sido morto na guerra, tivemos notcia de que 
havia contra ele um mandado de priso, em Xangai, por falsificao de documentos, sim, senhor.
 Em Xangai?
 Sim. A ordem de priso datava de 1914. Aparentemente Walter, ao deixar o pas em 1909, conseguira 
emprego na Companhia Anglo-Asitica de Tabaco. A princpio, ele ficou em Hong Kong, mas, em 1913, foi 
transferido para Xangai. L se meteu em alguma espcie de dificuldade financeira, creio eu. Seja como 
for, falsificou a assinatura de um cliente da Companhia em um cheque de grande valor e desapareceu. A 
guerra estourou naquela ocasio e suponho que no meio da confuso o assunto no foi tocado para a frente 
ou foi negligenciado, at que a notcia de sua morte, em 1915, ps um fim no assunto. Entretanto, quando 
pareceu provvel que Walter, apesar de tudo, tinha sobrevivido, a coisa veio  tona novamente. O Almirante 
ficou muito preocupado. Esse novo escndalo, surgindo exatamente quando o seu problema antigo parecia 
ter sido esquecido, azedou seu nimo completamente.
 Pensei que o Almirante Penistone tivesse ingressado de novo na Marinha durante a guerra.
 Sim. Ele era um excelente oficial e ficaram muito satisfeitos em t-lo de novo. Prestou bons servios e 
finalmente passou para a reserva pela segunda vez, quando a guerra terminou, no posto de Contra-Almirante. 
Mas, se outras pessoas j haviam esquecido seus problemas anteriores, ele no. Os problemas continuavam 
presentes em sua cabea, e o que aconteceu com Walter acabou completamente com ele. Um homem j 
semicomprometido com Elma afastou-se bastante ostensivamente, quando soube da histria do irmo, e o 
Almirante Penistone declarou que no queria sua sobrinha submetida a insultos. Arrumou sua mala e levou-a 
para morar com ele na Cornualha. E por l ficaram at cerca de um ms. Tudo isso aconteceu em 1920. 
Desde ento nada mais se ouviu falar sobre Walter.
Assim, o senhor est vendo que a situao  muito peculiar.
 Sim  concordou Rudge, pensativamente.  Walter parece ter sido colocado em uma posio muito difcil. 
Se ele d um passo  frente e aparece, provavelmente ter que cumprir pena. Se no aparece, no pode pr 
a mo em seu dinheiro.
 Esta , precisamente, a situao. Por outro lado, se ele estiver morto, sua parte do dinheiro vai para Elma, 
de acordo com o .seu desejo de 1914. Desde que fique provado,  claro, que a testemunha estava certa ao 
declarar que ele realmente ainda vivia aps a morte de seu pai. Se no, mesmo assim ir para as mos 
dela como legatria residual de acordo com o testamento do pai.
 Neste caso, a norte de Walter seria vantajosa para sua irm, financeiramente. Compreendo. Mas, olhe 
aqui, Sr. Dakers, em que p esto as coisas com relao  quota da Sra. Holland referente ao dinheiro de 
seu pai? Presumo que, com o Almirante agora morto, a clusula sobre o consentimento ao casamento se 
torna nula.
 Esta  exatamente a dificuldade  respondeu o Sr. Dakers, sem constrangimento.  A opinio do tribunal 
em casos como esses  que o testamento no pode exigir do beneficirio a execuo de coisas impossveis. 
Assim, tem sido firmado, em casos e mais casos, que quando as condies se tornam inexeqveis, pela 
vontade de Deus, o legado permanece.
 Pela vontade de Deus?  indagou Rudge.
 Sim. No caso de ser exigido o consentimento a um matrimnio, por exemplo, se a pessoa a quem o 
consentimento  solicitado morre antes do casamento, tornando a condio impossvel de ser cumprida, o 
legado se mantm.
 Muito bem  concordou Rudge  mas o que, precisamente, significa vontade de Deus?
 Bem  respondeu o advogado, um tanto relutantemente, pensou Rudge  bem, praticamente falando, 
significa a supereminncia de condies que o beneficirio no podia ter evitado.
 Vamos falar claramente  props Rudge.  Caso se verificasse que Elma Holland tivesse qualquer 
envolvimento com o assassinato do Almirante Penistone...
Claro, nesse caso  tornou o Sr. Dakers  no haveria dvidas quanto ao problema da herana por parte dela. 
A lei textualmente veda a um criminoso usufruir dos frutos de seu crime.
Mas, certamente, esta  uma questo que no ir surgir.
 Espero que no  disse Rudge.  Ento, at onde posso entender, a Sra. Holland tem, agora, direito  sua 
herana?
 Sim  replicou o advogado.  Espero que o tribunal encare o caso dessa forma. A dificuldade est na 
pressa extrema com que o casamento se seguiu  morte. Vou ser franco com o senhor, lnspetor. Creio que 
seria possvel contestar o caso e acredito tambm que, se isso ocorrer, poderamos seguir uma ou duas 
linhas de ao. Poderamos,  claro, admitir que ela pretendia pedir o necessrio consentimento antes do 
casamento e que, se no tivesse ocorrido a morte, teria tido tempo para faz-lo. Agora devo dizer,  claro, 
que ela pediu esse consentimento... vrias vezes.
 Havia alguma expectativa razovel de obter esse consentimento?  quis saber Rudge.  Sr. Dakers  
acrescentou, ao perceber que o advogado parecia hesitar  chegaria ao ponto de lhe afirmar que tenho 
testemunhas capazes de dizer que o Almirante parecia no aprovar o casamento.
 Precisamente  assentiu o Sr. Dakers.  Devo admitir que )havia... pelo menos uma aparncia de alguma 
objeo. E, se esse for o caso, no sei bem o que o tribunal vai pensar de um casamento apressadamente 
realizado. Poder inferir-se que o Almirante se opunha violentamente ao casamento e que, assim, este se 
realizou sob uma definida inteno de fugir ao objetivo do testador. A indecorosa pressa com que a cerimnia 
foi realizada, como o senhor pode entender, traz em si mesma a presuno de que a morte do Almirante 
removeu o nico obstculo ao casamento.
 E se foi assim  falou Rudge  poder-se-ia alegar que a morte do Almirante no foi vontade de Deus, 
absolutamente, por assim dizer?
 Se for levantada uma alegao to monstruosa  retrucou o Sr. Dakers  ela ter que ser refutada; alis, o 
simples fato de que a pressa do casamento poderia prejudicar o direito absoluto aos bens se constituiria em 
uma boa resposta  acusao.
 Sim  disse Rudge, percebendo a fraqueza do argumento  desde que o beneficirio soubesse dos 
dispositivos da lei.  Rudge fez uma pausa e prosseguiu em seguida.  E qual seria a segunda linha de ao 
para a defesa?
 Provar que no tendo sido a cerimnia arranjada seno depois da morte, teria sido impossvel obter o 
consentimento. Se assim foi... ainda que eu no entenda como uma licena poderia ter sido obtida em to 
pouco tempo... isto seria uma resposta completa  parte contestaste. Casos tais tm acontecido 
freqentemente.
Por exemplo, em Collet versus Collet, a me, de quem o consentimento era exigido, morreu em 1856. Em 
1865, a filha contraiu matrimnio. O C6digo Supremo dispunha que o segundo legatrio (isto , a pessoa que 
deveria receber os bens o caso em que as condies no fossem satisfeitas, o senhor compreende) no 
teria direito, se o cumprimento da exigncia se tivesse tornado impossvel atravs da vontade de Deus e no 
por culpa da pessoa que tivesse que cumpri-la. (Dakers, lendo essas palavras em um caderno de notas, 
olhou Rudge por cima do pince-nez ao terminar a leitura, mas Rudge nada disse. O advogado retomou a 
palavra.) H aqui uma razovel certeza de que a me, se estivesse viva, teria dado o seu consentimento ao 
casamento, aceitvel sob todos os aspectos. Como v, Inspetor, a est a nossa dificuldade. O tribunal 
parece ter baseado sua deciso, de algum modo, no que se poderia esperar razoavelmente que a me viria a 
fazer.
 Entendo  disse Rudge.  E no presente caso o consentimento do Almirante no podia ser esperado com 
muita certeza.
 A tambm  tornou o advogado  quem poder dizer?
Se a aceitabilidade do casamento, como tal,  um fator a ser levado em considerao, parece no haver 
razo pela qual o Almirante Penistone teria negado seu consentimento. Holland, no pouco que conheo a 
seu respeito, parece ser um homem respeitvel, de idade adequada e de posio, dispondo de meios 
prprios que o situam fora da classe de caadores de dotes. 8 um caso muito bonito, Sr.
Rudge, e se eu no estivesse pessoalmente interessado, teria grande prazer em v-lo em debate.
Rudge ia replicar, quando se ouviu o rudo da aproximao de um automvel. Seguiu-se uma pequena 
agitao na porta da frente.
Vozes e passos se fizeram ouvir e, um minuto depois, a porta do escritrio se abriu.
 Inspetor  falou Arthur Holland que acompanhara sua mulher at o escritrio  devemo-lhe desculpas por 
nos termos ausentado como o fizemos, mas estvamos apressados e temamos que o senhor nos 
retardasse. 8 o Sr. Dakers? Como tem passado, senhor? Minha mulher e eu recebemos o seu recado e 
achamos melhor vir at aqui e tranquiliz-lo.
 Obrigado  agradeceu o Sr. Dakers, secamente.  Bem, Elma, vocs se casaram com muita pressa. 
Espero que no venham a arrepender-se.
Elma achou graa. Surgiu um leve rubor em suas faces normalmente plidas, pensou Rudge, mais como 
uma manifestao de uma excitao consumidora do que a radiante felicidade de uma mulher recm-casada.
 O senhor cometeu um engano, Sr. Dakers  disse ela.  No prejudiquei nada nem comprometi nada. Olhe 
aqui.
Elma entregou uma folha de papel ao advogado. O Sr. Dakers ajustou os culos mais firmemente no nariz e 
leu a folha de papel com um ou dois grunhidos de surpresa, entregando-a em seguida a Rudge.
 Isto resolve nossos problemas, creio, Inspetor.
Rudge voltou os olhos para o papel. Estava datilografado, com a exceo da assinatura. Nele se lia: Eu, 
espontaneamente, dou meu consentimento para o casamento de minha sobrinha, Elma Mary Fitzgerald, com 
Arthur Holland.
Assinado (H. L. Penistone)
Estava datado de 9 de agosto.
O Inspetor Rudge voltou-se para Holland.
 Quando foi isso parar em suas mos, senhor?
 Minha mulher me deu esta manh  respondeu ele.  Ela o conseguiu do Almirante  noite passada.
 A que horas foi isso, madame?  inquiriu o Inspetor.
 Logo depois da meia-noite  respondeu ela, em um tom de voz curiosamente inexpressivo, que lembrou a 
Rudge a entrevista que tivera com a moa mais cedo naquele mesmo dia.
 Depois da meia-noite? A senhora viu seu tio vivo depois da meia-noite?
 Claro, ora  interps Holland.  Eu mesmo o vi. Sim, eu sei, Inspetor. No lhe quis falar sobre isso porque 
temi que o senhor nos impedisse de ir a Londres. Mas agora afirmo. Vi o Almirante vivo, aqui neste escritrio, 
 noite passada,  meia-noite e quinze.















































Captulo VIII

Trinca e Nove Itens de Dvidas 
RONALD A. KNOX

 Por sua prpria natureza, a vida de um policial  cheia de surpresas. Uma considervel parte da comunidade 
est sempre pronta em colocar armadilhas divertidas em suas trilhas, estender fios de arame atravessando 
veredas de jardins ou esperar em vielas escuras com um pedao de tijolo escondido dentro de um p de 
meia. Rudge no havia galgado o cargo de inspetor sem passar por algumas experincias desse tipo e tinha 
chegado perto de assumir uma atitude em que nada o surpreendia, a qual (o velho poeta nos assegura) faz 
parte dos ingredientes para a felicidade. Essa ltima notcia, porm, quase o pegou de surpresa. A 
declarao de Grice de que o Almirante morrera algum tempo antes da meia-noite tinha parecido um evidente 
ponto de partida; todos os outros sinais do caso se haviam agrupado em torno dela tranqilamente  a 
possibilidade de uma ida a Whynmouth com o rio em baixa, a visita de um carro estranho, a escurido, o 
isolamento, o movimento das mars. (Por falar nisso, por que ficara to convencido a respeito das mars? 
Oh, sim, Neddy Ware; estranho que Neddy tivesse sido to positivo a respeito.) Demasiado tarde, Rudge 
percebeu que nenhum nico elemento, a no ser a desorientada infalibilidade do experto, havia encarado a 
possibilidade de que o crime fosse cometido bem depois da meia-noite. E isso, parecia-lhe agora, era o que 
deveria ter acontecido. Claro que Holland poderia estar mentindo, mas era difcil perceber que motivo teria; 
por que abandonar um libi de primeira classe no Hotel Lorde Marshall pela honra de ser o ltimo homem que 
viu o Almirante vivo? Isto seria uma idiotice, e Holland no parecia um idiota.
Dentro em pouco, Rudge se refez por hbito; ele sacara o inevitvel caderninho de notas e estava virando as 
pginas para chegar a uma em branco, lembrando-se de que no devia umedecer a ponta do dedo enquanto 
o fazia.
 Creio que devo avis-la, senhor  disse, dirigindo-se a Holland  que no  obrigado a prestar declarao 
alguma. O senhor sabe muito bem que dever ser chamado a depor no inqurito e se preferir reservar-se...
 Minha defesa?  interrompeu Holland, com ntida zombaria.   muita bondade sua. Mas, como v aqui me 
encontro, todo enrolado em uma histria da carochinha, cuidadosamente preparada para conduzir o senhor 
ao caminho errado; seria uma pena no arranc-la toda de dentro de minha cabea enquanto est fresquinha. 
O senhor preferiria pr-me primeiro na cadeia, no  mesmo, e tomar minhas declaraes sem a presena 
de testemunhas, a fim de que pudesse cozinh-las? Prefiro agora, se o senhor no se incomodar.
Rudge se recomps em tempo de lembrar quele palhao fora do circo que o caminho que tornara no o 
levaria a nada bom. Afinal de contas, Holland evidentemente pertencia  classe opulenta, que goza do 
benefcio da dvida.
 Mas creio que talvez a Sra. Holland...
 O senhor est querendo dizer que quer ter a certeza de que ambos estamos no mesmo barco? Bem,  
uma m sorte para um homem em lua-de-mel. Mas talvez voc, Elma, se no se incomodasse...  Entre 
ambos trocaram um rpido olhar; do lado dele, o registro de uma confiana idlatra; do lado dela, seria uma 
manifestao de desagrado com relao ao imprudente comportamento do marido? Ou no estaria ali, afinal 
de contas, um leve indcio de aborrecimento? O Sr. Dakers salvou a situao, indicando que nada o agradaria 
mais do que uma volta pelo jardim com... em resumo, com a Sra. Holland; era de opinio que havia muita 
coisa a ser discutida. E Rudge foi deixado a ss com sua testemunha principal.
 Bem  comeou ele, animadamente  quando o encontrei da ltima vez o senhor me contou uma histria 
que estava, admitir, em contradio com o que acaba de dizer, no?
 Esses intelectuais formidveis! Sim, eu lhe disse que estava j deitado, em Whynmouth. Na verdade, eu 
estava aqui. Uma discrepncia.
 Desculpe-me, senhor, mas ao que estou querendo chegar  se nada do que me disse ento era verdade? 
Por exemplo, tenho aqui anotado que o senhor no foi visto por ningum depois das onze horas. Ainda afirma 
a mesma coisa? No parece bastante improvvel que assim tenha sido? Talvez conseguisse lembrar-se 
de alguma pessoa que tivesse cruzado com o senhor quando vinha para c... veio a p, suponho? Ou veio de 
nibus?

 O ltimo nibus, meu caro Rudge, como o senhor e eu sabemos muito bem, sai s dez e meia. No, eu 
vim a p; e passei por alguns cavalheiros que haviam recentemente sado do Lorde Marshall, mas eles 
aparentemente no iriam manter uma memria vvida de suas impresses. Havia alguns namorados por a, 
mas lamento que no seja capaz de reconhecer-lhes a fisionomia e duvido que eles reconheam a minha. 
No falei com ningum.
 No se encontrou, por exemplo, com nenhum de nossos homens?
Houve uma frao de hesitao, quase como se uma pronta mentira pudesse revelar, de sbito, uma falha.
 No, creio que no  foi a resposta dada.  Houve um momento que olhei para uma rua lateral e julguei ter 
visto a lanterna de um policial sendo acionada, mas pode ter sido algum usando a lmpada de uma 
bicicleta. No me posso lembrar que rua foi.
 E o senhor teria vindo diretamente pela estrada principal?
 Durante todo o tempo.
 Agora ento, senhor, vamos tocar em mais um ponto, se no se incomoda. Durante todo o tempo era sua 
inteno fazer essa visita assim to tarde? Ou o senhor se demorou no caminho? Ou a idia lhe ocorreu 
subitamente quando j era quase havia de o hotel fechar ou j havia fechado?
 Meu caro Inspetor, o senhor  um pouco elementar. No tenho dvida de que Boots deve ter-lhe dito que viu 
meus sapatos do lado de fora, no corredor. Assim, a histria que decidi contar lhe  que eu j me achava em 
processo de ir para a cama quando um incidente me fez mudar de idias. Olhando pela janela, vi um homem 
saindo pela porta da frente do hotel, a quem me pareceu reconhecer pela postura de seus ombros. Ento 
pensei com meus botes que eu era um tolo; alguma coisa no chapu do homem me convenceu de que se 
tratava de um clrigo. Refleti, porm, que clrigos no so postos para fora de bares  hora de fechar. 
Convenci-me ento, no sei como, que se tratava do pobre Penistone. Como sabe, eu queria v-la; enfiei 
minhas roupas de volta, apressadamente, e sa para a rua. No havia qualquer sinal dormem,  claro, mas 
me apressei a seguir na direo que supunha que ele tornaria...
bem, em resumo, fiz todo o trajeto at aqui.
 Mesmo com a chance contrria de encontr-lo acordado em uma hora to tardia como aquela?
 Inspetor, no sei se o senhor  ou no um homem casado, ou se seu peito tem sido sempre impermevel a 
emoes mais suaves.
Mas se perguntar a qualquer pessoa que se encontre violentamente apaixonada, ela lhe dir que quem ama 
no acha nada demais caminhar dois ou trs quilmetros meramente para ficar do lado de fora de uma janela 
e pensar sentimentalmente entre os rododendros.
Isso seria tudo o que eu teria feito, se no tivesse visto fortes luzes acesas no escritrio do pobre Almirante.
 O senhor viu as luzes quando chegava?
 Sabe de uma coisa, Inspetor? O senhor obteria muito mais informaes se no procurasse pegar as 
pessoas em falhas durante todo o tempo. Claro que no as vi da estrada. Eu estava rodeando o gramado e 
foi de l que as vi. Atravessei o gramado e bati, tendo o Almirante me feito entrar pela janela francesa. Ele 
me disse que eu estava chegando mesmo a tempo, bastante dramtico, comentou, pois acabara de 
aprontar para sua sobrinha o documento pelo qual vnhamos esperando havia vrias semanas, o seu 
consentimento ao nosso casamento. E, fora de dvida, o documento se encontrava em cima da mesa 
quando entrei no escritrio.
 Isso seria...  meia-noite e quinze, segundo o senhor?
 No sei exatamente que horas seriam. Mas sa do Lorde Marshall pouco depois das onze horas, que  a 
hora de fechar. Caminhei devagar depois que sa de Whynmouth e assim s posso ter chegado aqui por volta 
de meia-noite mais ou menos;  o que posso dizer.
 Sim, compreendo. Bem, o senhor teve a impresso de que o Almirante Penistone estava em vias de 
recolher-se, quando o senhor chegou? Estava em traje de dormir, por exemplo? Estava fumando, bebendo 
usque com soda ou qualquer coisa assim? Compreende o que quero dizer, no? Estou tentando saber se 
ele teria sado depois que o senhor se retirou e se o fez, por que motivo?
 Bem, sob este aspecto no o posso ajudar muito. Durante parte do tempo, com toda a certeza, o 
Almirante tinha um cachimbo na boca. A nica coisa e me fez admitir que ele no estava prestes a ir para a 
cama era a desarrumao em cima da mesa; papis espalhados por ali, sabe, fora de seus lugares. O 
Almirante no era o tipo de homem de ir para a cama antes de primeiro arrumar seus documentos.
 Ah, isso  muito interessante. O senhor no faz idia, suponho, de que documentos se tratava?
 No fao a mnima idia, infelizmente. Eu diria que em sua profisso, Inspetor, por vezes  necessrio 
olhar por cima dos ombros de uma pessoa, para ver o que ela est lendo, mas temos um cdigo mais estrito 
no comrcio de juta.
Rudge percebeu a ofensa da observao, mas conseguiu mostrar um sorriso aceitvel.
 Ento, o senhor no ficou muito tempo? Agradeceu-lhe, talvez, e disse que ia voltar para Whynmouth?
  Dificilmente mais do que isso. O Almirante me fez sair pela janela francesa novamente voltei para o Lorde 
Marshall naquele estado de esprito em que o homem fica, meu caro Inspetor, quando percebe que o maior 
sonho de sua vida se transforma em realidade.
Por assim dizer, andando no ar, sem prestar muita ateno ao que ocorre  sua volta.
 Nem mesmo o senhor se lembra como conseguiu abrir a porta da frente do hotel?
 Ora, tornei minhas precaues a esse respeito. Sei que Boots costuma ir para a cama to cedo quanto 
possvel e no gosta de ter seu sono perturbado. Assim, tive o cuidado de deixar a porta de trs somente 
encostada... o senhor poder verificar que ela no tem tranca... e a Sra. Davis, lamento dizer, no sabia de 
nada.
Pensei em dizer-lhe, mas achei melhor que no o fizesse. Ela fala muito.
 Nisso, o senhor est certssimo. De qualquer nodo, gostaria que o senhor tivesse sido um pouco menos 
silencioso em suas idas e vindas; vo fazer-lhe perguntas sobre isso durante a audincia. Mas,  claro, o 
senhor deixou suas botas do lado de fora da porta, o que ser uma prova de que se encontrava dentro de 
seu quarto antes que a porta da frente se abrisse.
 Meu caro Inspetor, o senhor pensa em tudo. O senhor quer que eu diga que estava usando, s onze e 
quinze, em minha ida a Rundel Croft, o mesmo par de botas que se encontrava do lado de fora de minha 
porta  meia-noite e meia. Acredite-me, sua tcnica est melhorando. Mas a triste verdade  que, quando me 
acordei e fui seguir o fantasma do Almirante, pus um outro par de sapatos...
sapatos de camura que algum, que no seja bobo, no far limpar no Lorde Marshall.
 Ah, isso explica as coisas. Suponho que o senhor, por acaso, no ter trazido nenhum exemplar da 
Evening Gazette aqui para Rundel Croft.
 Nunca li esse jornal. Sua posio poltica me d nuseas.
Rudge manteve seu caderno de notas  frente, com o brao esticado, como se estivesse procurando um 
efeito artstico.
 Bem, a est um relato claro de seus movimentos, Sr. Hollan4 Mas h uma ou duas perguntas que eu 
gostaria de lhe fazer; no entanto, como no esto diretamente relacionadas com o que aconteceu na noite 
passada, eu no ficaria surpreso se o senhor no as respondesse. A primeira , exatamente: Por que o 
Almirante Penistone, de incio, no queria que o senhor se casasse com sua sobrinha e mais tarde mudou 
de idia?
 Creio que o senhor deve estar muito preocupa o procurando mistrios, se  que est fazendo desse ponto 
um mistrio. Se o senhor pensar um pouquinho sobre o assunto, ver que s conheci a famlia h umas trs 
ou quatro semanas. A primeira vez em que vi minha mulher, j que o senhor est sendo bondoso ao ponto 
de estar to interessado em nossos assuntos particulares, foi na casa de Sir Wilfrid Denny, logo depois que 
ela veio morar aqui. E foi amor  primeira vista da parte de ns dois. O Almirante... bem, era um homem 
circunspecto e desejava conhecer-me melhor, suponho. Quando sua sobrinha me escreveu, dizendo-me que 
viesse novamente a Whynmouth, pois tinha boas notcias para mim, apenas ousei esperar que fosse isso. 
(Foi ento que obtive a licena.) Parece, no entanto, que minha respeitabilidade era mais evidente para ele 
do que  para o senhor.
 Oh, espere a, o senhor no est ofendido, espero. Quanto  segunda pergunta, pode parecer indelicada, 
mas tenho que faz-la.
Por que toda essa pressa em se casarem, Sr. Holland?
Desta vez inquestionavelmente Holland fez uma pausa. Seu rosto, entretanto, no sugeria culpa ou 
duplicidade. Parecia algum que soubesse mais do que estava  vontade para dizer, porm que no estava 
certo do quanto poderia dizer, sem fugir da verdade. Foi,.
pelo menos, como Rudge interpretou sua expresso nos rpidos momentos que perdurou o embarao.
 Inspetor  disse por fim Holland, com uma nota mais sria em sua voz  o senhor no deve pedir que me 
responsabilize pelos caprichos de uma mulher. Sei que o senhor deve ter achado muito chocante ir a 
Londres como fomos e realizar um casamento desses; muito em silncio devido ao luto da famlia da noiva, o 
cadver ainda no de todo frio e assim por diante. Creio, porm, que Elma  bem mais nervosa do que seu 
autocontrole permite que se note. Acho que estava completamente aturdida com o que aconteceu ontem 
 noite e se sentia em perigo aqui; quem poderia dizer no ser ela vtima dessa misteriosa vendetta ou o que 
quer que tenha sido isso?
Elma queria sair desta casa e ter um homem a seu lado, um homem que, agora que seu tio estava morto, 
tivesse o direito legal de proteg-la. Eu me enquadrava nesse ponto, como o senhor v; posso no ser digno 
de Elma, mas eu satisfazia as condies para preencher a lacuna. Suponho ter sido assim que Elma 
encarou o assunto.
 Sim, compreendo. Posso agora fazer-lhe uma outra pergunta? O prprio Almirante, a ltima vez em que 
estiveram juntos, deu ao senhor alguma idia do que o fizera mudar de opinio? Deu alguma explicao?
 Se o senhor o conhecesse, saberia no ser um homem que desse explicaes s coisas. Em sua 
conversao ele era incisivo e breve... odiava desperdiar palavras. E ontem  noite disse pouco mais do que 
Boa-noite, Chegue at aqui que tenho uma coisa para lhe mostrar e Bem, isso o far mais feliz?. Alm 
disso, limitou-se a fumar seu cachimbo. Essa era sua idia de conversao.
 Ah, ele fumava muito, no? Sempre o mesmo cachimbo, acredito; um verdadeiro fumante nunca usa mais 
de um.
 Ento ele no era um bom fumante, pois o senhor mesmo pode ver que h cachimbos espalhados em cima 
da lareira. Se um deles no acendesse direito, pegava um outro.
 Estou imaginando... ser que ele tinha qualquer coisa na cabea, e foi por isso que falou to pouco? Claro, 
estou ansioso por saber se o desventurado cavalheiro sabia o que o estava esperando.
Parecia cansado ou preocupado, por exemplo, quando o senhor esteve com ele?
 No que eu tenha notado. No, no notei nada. Claro, quando estive com ele no escritrio a nica lmpada 
que estava acesa era a usada para leitura, bem a ao seu lado, e que tem sobre ela uma proteo verde e 
espessa, como o senhor v; no se pode ver muito bem o rosto de um homem quando est de p e com 
toda a luz sendo projetada sobre a mesa. Mas se o senhor me perguntar se o tom de sua voz sugeria 
excitao ou preocupao, minha resposta seria no.
 Muito bem, Sr. Holland, creio que perguntei ao senhor tudo o que queria. Oh, exceto uma coisa... por 
acaso o Almirante estaria usando um sobretudo?
 Em seu escritrio? Numa noite quente? O senhor poderia igualmente perguntar se ele no estava metido 
em uma armadura de ao.
 Sei que isso parece improvvel, senhor. Mas a est... o Almirante usava um sobretudo quando foi 
encontrado. E  claro...
por falar nisso, Sr. Holland, quando pensou ter visto o Almirante do lado de fora de sua janela, estaria ele 
usando capote nessa ocasio?
 Ora, como se pode ser tolo em observar coisas! Eu o vejo agora envergando um sobretudo; mas agora 
tenho esta informao a respeito do corpo... creio que ele no estava de capote nenhum; mas agora 
argumento comigo mesmo que talvez eu esteja dizendo isso porque devia ter notado, se ele estivesse de 
capote em uma noite quente como aquela. Imagine se minha memria funcionasse  base de meus olhos! 
No, Inspetor, o senhor pode pr-me na cadeia, mas eu o estaria enganando, se tentasse dar uma resposta 
incisiva a essa pergunta incisiva.
 Bem, muito obrigado pelo que me disse, Sr. Holland. Agora, quanto  Sra. Holland...
 Se o senhor me perguntar, espero que a Sra. Holland deseje jantar. No me parece que esteja ocorrendo 
ao senhor que est estragando nossa lua-de-mel. Olhe aqui, estamos com aposentos reservados no Lorde 
Marshall. Elma declarou que ainda no poderia dormir nesta casa. Eu no ousaria pensar o que ser o jantar 
da Sra. Davis, quando estiver frio. Ser que o senhor poderia esperar at amanh, para s ento tortur-la?
 Bem, senhor... Tenho que me encontrar com o juiz de instruo amanh pela manh pra dar-lhe um relato 
do caso o mais completo possvel, e o senhor e a Sra. Holland, seja l como for, vo ser importantes 
testemunhas. Mas se o senhor acredita que a primeira coisa que a Sra. Holland faa amanh, o mais cedo 
possvel, ser falar comigo, bem, h um policial de servio na praa e se eu puder inform-la, tenho certeza 
de que ele saber onde encontrar o senhor. Talvez, se eu for l atrs em seu carro... o senhor no 
se incomodaria de me dar uma carona at Whynmouth, no ?
 Est temeroso que eu siga uma outra rota? Correto, Inspetor, creio que fizemos por merecer isso. Muito 
bem, venha conosco; desta vez vamos agir certo.
Rudge sentou-se no escuro, na parte de trs do carro, instintivamente observando as duas figuras cujos 
vultos se tornavam difusos  luz que iluminava a estrada. As impresses que j havia formado sobre o casal 
estavam inteiramente confirmadas; pouco falavam um com o outro e, quando o faziam, era sempre por 
iniciativa de Holland; percebia-se, na forma pela qual inclinava seu ombro para cr lado, ser ele o modelo do 
enamorado cheio de deferncias, enquanto Elma olhava fixamente para a frente e mal se movia ao responder. 
Mas, sem dvida, Elma devia estar cansada; tinha muita coisa em que pensar; talvez estivesse penalizada a 
respeito do velho de cuja vida compartilhara por tantos anos e estava agora repousando sob a mortalha da 
funerria.
Rudge arranjou uma desculpa para acompanh-los at o hotel; estava particularmente preocupado em se 
certificar sobre a tranca da porta traseira. O Lorde Marshall  um hotel ao velho estilo e no dispe de 
entrada privativa para os visitantes; eles tm que passar por um estreito corredor, com uma ligeira reentrncia 
no meio que permite a quem entra uma viso das costas dos cavalheiros que se encontram tomando alguma 
coisa no bar para refrescar-se. Um desses cavalheiros fez uma ligeira volta, enquanto o casal e o Inspetor 
entravam, Rudge teve duas simultneas impresses: que ele conhecia o homem e que o homem no queria 
ser reconhecido. Pelo menos tornou a voltar-se quando se aproximavam e seu rosto ficou escondido na 
obscuridade do espao por baixo da escada. Retornando de um encontro felizmente breve com a Sra. Davis, 
Rudge encontrou o homem de novo e verificou que seu palpite estava certo.
Era o Cabelos Curtos, reprter da Gazette. Prometendo v-lo no dia seguinte, Rudge conseguiu adiar suas 
ansiosas perguntas a respeito do andamento do caso. Em seguida, o Inspetor falou com o policial da praa, 
indo depois disso se recolher  solido de seus prprios aposentos.
O Inspetor Rudge, devemos lamentavelmente admitir, era um homem muito normal. Ele no se isolava com 
um violino, ou com um frasco de cocana; no dava ns em cordes nem colecionava escaravelhos ou se 
distinguia em qualquer outra atividade colateral. As aposentos para os quais voltou eram bastante comuns, 
do qual ele nem mesmo havia trocado a decorao feita pela senhoria; o usque que retirou de dentro do 
armrio era de marca to conhecida que a simples meno de seu nome seria uma publicidade 
desnecessria; o mesmo pode ser dito do fumo com o qual encheu o cachimbo. Se toda a verdade deve ser 
confessada, o Inspetor Rudge era um ser humano to comum que tirou os sapatos e calou um par de 
chinelas. Em seguida, entregou-se aos afazeres noturnos, que consistiam em selecionar da massa de 
material que colecionara durante o dia os pontos que pareciam mais provveis a proporcionar rendimentos. 
Estes pontos eram por ele anotados sob a forma de perguntas; no acrescentava nenhuma observao por 
escrito, exacto um ocasional lembrete; mas depois que a cada pergunta era dada uma forma verbal, Rudge 
ficava olhando para o teto deixando que sua mente divagasse a respeito das possibilidades que a pergunta 
sugeria.
Aqui adiante esto reproduzidas as perguntas, com uma sntese das cogitaes a que levou cada uma 
delas. Quando Rudge contou suas perguntas, sua mente ortodoxa ficou deliciada ao verificar que elas eram 
exatamente 39.
 1. Por que Penistone teria vindo para Lingham, e por que esse gato teria aborrecido Sir Wilfrid? Tudo 
considerado, havia muito da Base da China envolvido no caso. Em vista disso, nada havia de particularmente 
improvvel no fato de que dois homens que conheciam bem a China estivessem morando to perto um do 
outro. Mas a Sra. Davis, dando voz aos comentrios locais, tinha visto neste fato alguma significao; 
inesperadamente, ela informara que Sir Wilfrid no parecia muito satisfeito com essa vizinhana. Seria 
concebvel ter havido alguma ligao entre os dois no passado? Uma liga<ao culposa? Se assim fosse, de 
que lado estaria a culpa? No lado de Sir Wilfrid, certamente. O crebro de Rudge, fizesse ele o que fizesse, 
estava preparado para viajar atravs dos canais oficiais; a idia de chantagem se apoderou dele. Ainda mais 
que Sir Wilfrid parecia encontrar-se em circunstncias difceis. Lembrete: Passar banco na esperana de 
obter um extrato da conta do Almirante, bastante difcil obter o de Sir Wilfrid.
128 2. Por que Jennie acha que Penistone e Elma pareciam mais marido e mulher do que tio e sobrinha? 
Provavelmente um mero mexerico. Afinal de contas, Jennie s conhecia o casal h pouco tempo; o fato de 
que ambos manejassem a criadagem, presumivelmente compartilhando das despesas financeiramente dar-
lhes-ia, na cabea de Jennie, a situao de igualdade. Mais uma vez as divagaes de Rudge brincaram com 
a idia de uma falsa identidade; ainda que parecesse impossvel que uma tal personificao durasse muito 
tempo; Dakers teria notado, se ningum mais o fizera.
3. Por que seria Elma to ntima da empregada francesa? E por que a empregada francesa partira to 
subitamente? As duas perguntas podiam ser encaradas como uma s; se havia alguma significao na 
primeira, isto provavelmente teria proporcionado uma explicao para a segunda. A alegao de que Clie 
achara o local muito montono era com certeza uma mera desculpa; uma francesa que tivesse passado 
anos exilada na Cornualha precisaria necessariamente de mais de uma semana para ficar cansada de 
Lingham; Whynmouth, afinal de contas, alardeava ter um cinema que era uma beleza.  claro que ali 
poderiam ocorrer romances ou tragdias, como tinha acabado de acontecer. Mas parecia mais natural 
admitir-se que a mudana fora a causa da fuga  sim, pode dar-se o nome de fuga, pois havia uma dvida em 
dinheiro.  claro que se Clie no fosse simplesmente uma empregada, poderia dar-se que dinheiro no 
fosse seu objetivo. Mas por que sair logo aps uma mudana? Seguramente teria sido mais plausvel ter 
avisado quando se realizou a mudana. Isso significava... devia significar que Clie, ao chegar a Lingham, 
encontrara alguma coisa inesperadamente desconcertante para ela; ou que surgiram em Lingham 
circunstncias que no haviam surgido na Cornualha. Para ser um romance, o tempo fora muito curto. Teria 
Clie estado em Lingham antes?  Lembrete: Levantar, se possvel, o atual paradeiro de Clie e referncias 
quanto ao seu passado.
4. Por que, mais uma vez com base no que dissera lennie, havia to poucas demonstraes de amor entre 
Elma e Holland, pelo menos do lado da moa? Ainda aqui poderia tratar-se de mexericos. Quem foi mesmo 
creditado com um lamentvel padro baixo de intoxicao? Talvez Jennie tivesse um padro anormalmente 
alto de bisbilhotar. Jennie ficava espionando; um casal de enamorados tmidos poderia apressadamente 
desengajar suas mos ao aviso das pesadas passadas da empregada entrando. Mas, se isso tinha algum 
fundo de verdade, sugeria que o casamento, de um dos lados, pelo menos, era um casamento de 
convenincia. De que lado? Do de Elma, de acordo com as evidncias; e, para ser correto, ela tivera um 
desapontamento anterior; sua mocidade estava passando. Poderia ser, tambm, que ela estivesse ansiosa 
para administrar seu capital, ao invs de ter os rendimentos recebidos atravs de seus curadores. Mas onde 
estava, nesse caso, a necessidade? Elma vivia de maneira simples; vestia-se mal. Holland,  claro, poderia 
ser um aventureiro; mas, se assim fosse, sabia inteligentemente fingir que estava amando.
5. O que Elma fazia de seu dinheiro? Esta pergunta emanava, naturalmente, da anterior. Como a vida seria 
simples para a Polcia, se todos ns auditssemos nossas contas, como as associaes de caridade! 
Rundel Croft no era uma casa com muitas pretenses; estava sendo mantida com aparente negligncia. 
Mesmo se Elma contribusse com mais da metade das despesas  e o Almirante devia ter tido algum 
dinheiro  era difcil acreditar-se que 1.200 libras por ano seriam necessrias para a manuteno da casa. De 
qualquer modo, o capital era dela; no havia necessidade bvia de economia. Mais uma vez a palavra 
chantagem se fez presente; s que desta vez parecia ser na direo oposta. Se Sir Wilfrid fosse o 
chantagista, por que teriam as vtimas vindo para to perto? E por que teria ele manifestado aborrecimento? 
Lembrete: Uma vez mais, consultar o extrato de contas do Almirante.
6. Que papel representou 0alter na histria passada dessas vidas? Se ele estava morto, ento sua influncia 
somente persistiria no que se referia a ficar Elma de fora de metade da herana, o que, em vista das j 
favorveis circunstncias, parecia ser um fator a ser negligenciado. Mas, se ele estivesse vivo... qual ento 
seria sua influncia? Seria ele benquisto no seio da famlia ou teria a histria de seu desmando obliterado 
toda a afeio? Era estranho, quando se vinha a pensar nisso, que uma famlia to ligada a um soldado 
desaparecido durante a guerra no tivesse uma fotografia sua exposta no escritrio ou na sala de visitas. 
Mas, havia ainda o escndalo do cheque; seria desagradvel, talvez, que os visitantes perguntassem Quem 
 esse a? Se ele estava vivo, o que fazia? O que estaria ele fazendo? Parecia improvvel que um homem 
com seus antecedentes fosse deixar uma fortuna passar, sem luta. No entanto, se estivesse vivo e tentando 
reemporcar-se, o que poderia lucrar cometendo um crime dessa espcie ou induzindo outras pessoas a 
comet-la? A questo  o desaparecimento de um tio valioso, Rudge, sem sentir, estava dizendo para si 
mesmo. O cadver de um curador no faz testamento.
7. Por que Ware achava que o Almirante tinha mudado desde a ltima vez que o vira? As pessoas mudam de 
aspecto,  claro, e um homem sofrendo sob uma longa doena pode ser desculpado por ter perdido algo de 
sua antiga jovialidade e vitalidade. Mas as fotografias existentes em Rundel Croft, evidentemente datando de 
perodo anterior s reminiscncias de Ware, tinham traos inconfundveis de semelhana com o homem 
encontrado morto. Uma vez mais ousada sugesto de falsa identidade perpassou o crebro do Inspetor; uma 
vez mais o senso comum lembrou-lhe que uma personificao durante muito tempo  impossvel na prtica. 
Era concebvel que Ware tivesse reconhecido o corpo que pescou de dentro dgua; ento, a fim de explicar 
o seu lapso de memria, teria inventado essa histria de aspecto diferente? Mas, tambm a, por que deveria 
Ware fingir ignorncia? Por que no dizer apenas: J vi este homem antes, mas no me lembro em que 
circunstncias? Lembrete: Perguntar ao Sr. Dakers a respeito.
8. A referncia feita pela Sra. Davis com relao  fuga da mulher do Vigrio levava a algum lugar? Isso 
parecia um tiro longo, mas at agora, com exceo de Elma, no havia nenhuma mulher no caso, a no ser 
a dama no carro, no identificada, e esse fantasma que passou por Lingham seguramente poderia dar um 
bom rendimento. J foi sugerido que Rudge percorria com o crebro obstinadamente todos os canais da 
experincia da Polcia; e cher-chez la femme  quase o primeiro item do declogo policial. Mas, como fazer 
indagaes sobre a histria da Sra. Mount desde o seu desaparecimento? O Vigrio poderia dar o nome de 
seu rival, mas seria uma brutalidade perguntar-lhe; mesmo assim, os vestgios de um desaparecimento 
ocorrido h mas de 10 anos estariam agora obliterados. No, decidiu Rudge, estava-se tornando 
fantasmagrico. A Sra. Mount jamais vivera em Lingham; presumivelmente seu marido nunca tinha ouvido 
falar sobre Denny ou Penistone  poca da desero dela. Aqui no havia nenhum fio solto a ser apanhado.
Rudge riscou a pgina com um trao. At aqui todas as suas perguntas eram questes que podiam ser 
formuladas, ainda que no houvesse razes para que a Polcia as formulasse, ontem  tarde, quando o rio 
corria pacificamente entre o Vicariato e Rundel Croft, os dois rapazes se divertindo em suas guas, sem 
sombra de qualquer tragdia para influir sobre seu nimo; quando a voz brusca e incisava do Almirante o 
proclamava cheio de vitalidade e nenhum corpo exangue jazia sem vida. Agora, voltemos ao crime; suas 
circunstncias e os indcios deixados. Rudge chegou sua cadeira um pouco mais para perto da mesa, deu 
uma meditativa ajeitada nos culos, bateu o cachimbo e tornou a ench-la, voltando ento metodicamente a 
seu auto-imposto catecismo.
9. Por que Elma se vestiu com esmero naquela noite para a visita ao Vigrio? Aqui tambm, mais uma vez, 
estamos lidando com impresses, as impresses de uma empregada bastante fantasiosa. No se deve, 
porm, desprezar as informaes dos expertos; e a empregada de uma dama, no pequeno universo de seus 
prprios e limitados interesses,  um crtico observador. Qualquer desvio do normal, pequeno como seja, 
deve ser encarado como um indcio possvel de que o crime no surgiu absolutamente de surpresa; que 
algum j estava atrs de alguma coisa anteriormente. Mas, nesse caso, quem estava atrs de qu? Se 
Elma achava que iria encontrar Holland naquela noite,  estranho que tivesse sido o seu tio e no ela quem 
estivesse apressado para voltar para Rundel Croft. Se estava projetado um encontro, evidentemente seria um 
encontro secreto; no havia necessidade, ento, de chamar a ateno para esse fato enfeitando-se toda para 
a ocasio. Por outro lado, o Sr. Holland dificilmente parecia ser homem que apreciasse o que a dama vestia; 
dificilmente seria o homem a quem a mais audaciosa das aventureiras se teria proposto a seduzir. Diverses, 
N. 82, Seduzindo o Vigrio. Seria concebvel que Elma estivesse perseguindo alguma caa que significasse 
deixar Rundel Croft mais tarde, naquela noite; se ela desejou mudar de roupa para essa ocasio e resolveu 
usar um elaborado vestido de noite a fim de disfarar melhor a mudana de traje, o que faria depois? 
Lembrete: Perguntar a Jennie se outras peas do guarda-roupa mostravam sinais de terem sido remexidas 
ou dobradas apressadamente nessa manh.
10. Por que Elma escondera o vestido mais tarde? Isso, pelo menos, era agir depressa demais. Porm, 
certamente, ela resolvera que deveria guardar o vestido, e guardar por suas prprias mos. A concluso, 
ainda que no indiscutvel, era ser certamente provvel que havia alguma coisa relacionada com aquele 
vestido que Elma no queria que mesmo um olho de toda a confiana descobrisse. Mas isso significaria, a 
no ser que Elma fosse contar uma hist6ria completamente diferente amanh de manh, durante o 
interrogat6-rio, que tinha alguma coisa a esconder e estava apresentando um relato falso de seus 
movimentos. Se, depois de sair do abrigo dos barcos, ela tivesse ido diretamente para a cama, era 
impossvel que qualquer evidncia denunciadora  um rasgo ou uma mancha  surgisse depois de ter 
desejado uma boa noite ao Almirante. O problema estava em que, tendo Elma ido para o Lorde Marshall, 
Jennie no se encontrava mais em condies de dar informaes. Lembre-te: Se no hotel houver uma 
camareira discreta, pedir-lhe que verifique se o tal vestido voltou de Londres.
11. Foi Penistone mesmo quem foi a Whynmouth quela noite? Os informes vinham de duas fontes; ambas 
incertas, uma delas e possivelmente mentirosa. Rudge se certificara pessoalmente de que a iluminao do 
lado de fora do Lorde Marshall era particularmente ' inadequada. A declarao direta feita a Boots, que 
dificilmente poderia estar mentindo, mostrava que o homem que foi ao hotel ou era o prprio Almirante ou 
algum impostor que o estaria personalizando. Se o que dissera Holland era verdadeiro, ficava confirmada a 
verso de que houvera alguma tentativa de disfarce; Holland no ouvira o que o visitante dissera, mas ainda 
assim achou que parecia ser o Almirante. Mas, ser que Holland estava falando a verdade? Admitamos que 
fosse o Almirante; por que, subitamente, queria pegar aquele tardio (e pssimo) trem para Londres? Como 
alternativa, por que quereria ele criar a impresso de que pretendia faz-lo? Qualquer dessas suposies 
implicava em haver por parte do Almirante uma atitude misteriosa, que nenhum indcio, exceto talvez sua 
impacincia em sair do Vicariato, sugeria. Admitindo-se que no fosse o Almirante, ento qual seria a chave 
deste elaborado mistrio? Implicar Holland no crime? Mas no haveria como prever que Holland no iria ficar 
ferrado no sono no Lorde Marshall; nada, a no ser suas pr6prias palavras, servira para p-lo em ligao com 
o misterioso visitante. Dissimular o ponto onde o crime foi cometido? Sim, nisso havia algo; poderia ajudar 
em um libi. Mas o falso Almirante no teria procurado deixar outros indcios de sua visita ao hotel, alm da 
palavra de um empregado estpido e sonolento?
12. Se foi o Almirante, teria vindo pela estrada ou pelo rio? Pelas declaraes do Vigrio, que deviam ser 
verdadeiras, dado que poderiam ser verificadas, o Almirante tinha um defeito numa das pernas e no 
costumava caminhar se pudesse evitar de faz-lo. Parecia improvvel que tivesse retirado o carro sem 
acordar algum da casa. O barco continuava como uma possibilidade; e se o Almirante tivesse descido o rio 
secretamente de barco, onde iria escond-lo quando tornasse o trem para Londres? Se o abandonasse seria 
como que um convite para que fosse roubado; deix-lo amarrado entre outros barcos seria um testemunho de 
seus movimentos. Era difcil imaginar-se que pretendesse deixar Whynmouth para sempre. O que parecia  
que toda essa conversa a respeito de trem fosse uma cortina de fumaa. Mais uma vez, com que objetivo? A 
nica coisa que parecia certa era ter sido o barco do Almirante retirado do abrigo aquela noite e nele 
recolocado por algum que no o Almirante.
13. Por que o visitante, quem quer que ele fosse, perguntou por Holland e depois se recusou a vi-lo? 'Se 
fosse um falso Almirante no havia dvida quanto  resposta; o homem perguntara por Holland de modo a 
obter uma desculpa para mencionar o nome do Almirante; possivelmente, tambm, para implicar Holland nos 
acontecimentos que deveriam seguir-se. Na verdade, ele no se encontrou com Holland com medo de ser 
descoberto. Se fosse o verdadeiro Almirante, o motivo era mais difcil de ser determinado. O comportamento 
do homem fora o de uma pessoa que desejava ter certeza
de que um hspede do hotel j tivesse realmente chegado ou que estivesse realmente no hotel e que, 
mesmo assim, no se preocupara em esconder da pessoa procurada os seus mtodos de indagao. Se a 
histria de Holland fosse verdadeira, o Almirante poderia ter pensado mesmo em fazer-lhe de fato uma visita, 
a fim de tranquiliz-la sobre o consentimento. Mas por que, depois de ter tido todo esse trabalho, teria ele se 
retirado, sem deixar qualquer recado significativo?
14. Teria Holland realmente visto algum na rua? Resposta: sim, e isso significa que a histria de Holland  
verdadeira at um ponto; ele se encontrava realmente no Lorde Marshall ou em suas proximidades perto da 
hora de fechar. Mas havia a hesitao a respeito do sobretudo; seria genuna? Ou fora fingida a ignorncia a 
fim de evitar possveis armadilhas? Resposta: no, e isso significa que Holland sabe de outras coisas que 
ainda no revelou. Ou ele sabia que o Almirante pretendia fazer essa visita, ou tinha prvio conhecimento do 
sujeito que personificaria o Almirante. Em qualquer caso, o fato de ter mencionado o visitante seria uma 
tentativa para provar que realmente j se recolhera ao hotel  hora em que este era fechado; isso cheirava a 
libi.
15. Teria Holland ido realmente a Rundel Croft naquela noite? Contra isso havia uma extrema nebulosidade; a 
ausncia de um motivo claro, o cuidado que teve em explicar por que no era provvel que aparecesse 
qualquer testemunha quando de sua ida at Rundel Croft, a escolha de um novo par de calados, o alegado 
segredo quanto a suas sadas e entradas. Por outro lado, se Holland estivesse mentindo, seria difcil 
imaginar que o estivesse fazendo para cobrir-se a si mesmo; a cama seria seu melhor libi. As declaraes 
de Boots e da Sra. Davis se constituam em um obstculo difcil de ser transposto, sem algum indicio 
positivo para implicar Holland... e um tal indcio no existia. Ao invs de prender-se  sua histria inicial, de 
acordo com a qual se encontrava dormindo profundamente em sua cama, ele se afastara desse caminho, 
confessando-se um mentiroso, e contando uma histria fantstica em muitos pontos, sobre uma visita a 
Rundel Croft que pessoa alguma poderia, testemunhar e, assim fazendo, colocava-se na situao de ter sido 
a ltima pessoa a ver o Almirante com vida. Ele parecia estar enfiando a cabea deliberadamente em um n; 
por que o faria, a no ser para desviar as suspeitas de cima do verdadeiro criminoso? E isso significava... 
isso se encaixava. Ele falara a verdade hoje pela manh; depois disso, soubera de outras coisas que o 
haviam levado a dar uma laada em volta do prprio pescoo. Mas, ento, estaria Holland mentindo? No 
teria ele, agora, inventado uma histria mais plausvel para explicar sua presena em Rundel Croft?
16. Se Holland foi a Rundel Croft de fato, teria sido com encontro marcado? Um tal encontro poderia ter sido 
programado antes com o prprio Almirante ou, mais provavelmente, com Elma. Se o dito anteriormente fosse 
verdade, nenhuma imputao poderia ser feita, a no ser o registro de um recado; se o recado foi levado 
atravs de um bilhete, algum teria levado o bilhete; se foi dado por telefone, a chamada provavelmente 
poderia ser levantada. Tambm, com toda a certeza, um recado transmitido por telefone para um hotel 
significava que teria que ser levado ao destinatrio por um de seus empregados, e o fato de ser quela hora 
da noite provavelmente seria lembrado. Pensando sobre o assunto, o recado (se  que houve um) deveria ter 
vindo de Elma ou Holland teria suposto que viera dela. De outro modo, no teria nenhuma razo para 
escond-la; e teria tornado sua histria muito mais plausvel ao admiti-la. Lembrete: Conversar com a Sra. 
Davis a respeito do recado; se necessrio, indagar no posto telefnico.
17. Quem era a mulher que esteve em Lingham s dez e quarenta e cinco da noite? Esta era uma forma 
errada de fazer tal pergunta; dificilmente poder-se-ia esperar saber quem era ela, a essa altura. Mas valia a 
pena considerar se sua chegada tinha alguma coisa a ver com a situao. Seu carro, no qual podia 
encontrar-se ou no algum outro ocupaste, chegaria a Whynmouth em tempo de levar o misterioso visitante 
ao Lorde Marshall. Alternativamente, teria sido possvel aos ocupantes de um tal carro estarem em Rundel 
Croft a tempo de cometer o crime, ainda que este tivesse ocorrido mais cedo. Eles poderiam ter dado a volta 
pela Ponte de Fernton, a pergunta a respeito do Vicariato sendo unicamente para despistar; ou poderiam ter 
parado perto do Vicariato e se transportado para o outro lado do rio, por si mesmos, soltando o bote do 
Vigrio. Este ltimo plano teria o efeito de colocar o barco do Sr. Mount na cena do crime. Rudge, no 
entanto, sentiu-se reagir instintivamente a uma tal explicao. Pois isso significaria que o criminoso ou os 
criminosos chegaram e saram de carro, sendo Londres, provavelmente, sua base. No era possvel  Polcia 
de Whynmouth procurar tipos suspeitos em Londres; a Scotland Yard poderia ser acionada, mas isso 
significava que todo o crdito iria para a Polcia de Londres.
A essa altura o Inspetor traou uma linha no sentido transversal na pgina. Ele havia chegado ao fim das 
perguntas que antecediam, ou pareciam anteceder, ao crime propriamente. Era tempo, agora, de se voltar 
para um novo conjunto de problemas: os problemas gerados pelas circunstncias em que o corpo fora 
encontrado. O cachimbo precisava ser aceso de novo; e, com essa finalidade, mais fumo parecia ser 
indicado; a indicao foi acatada com abundncia. Agora, os fatos. O testemunho humano era uma coisa 
incerta e escorregadia com que lidar; o que era dito parecia uma fotografia obscurecida pela sombra de quem 
falara. A natureza, porm, no mente; as mars sobem e descem, o orvalho cai, o sangue flui, as portas se 
abrem e se fecham, dentro de princpios uniformes e compreensveis. Os indcios apontam as aes que os 
produziram e do pistas fascinantes que levam aos motivos que se situam por trs das aes. Bem, ento...
 18. Aqui est um homem assassinado; quem teria um motivo e qual seria esse motivo para assassinai-lo? 
Normalmente se espera um desentendimento local; quanto  faca, como a Sra. Davis observou, no  arma 
usada pelo criminoso ingls. No entanto, residindo no local h apenas um ms, dificilmente haveria tempo 
para uma suposio desse tipo. Um inimigo da Cornualha teria achado difcil traar a pista desse homem e 
se teria demorado mais para certificar-se do estado de coisas. O desentendimento ento, que teria terminado 
por ficar resolvido com aquela feio ferimento, seria uma questo anterior, do passado do Almirante. Alm 
disso, poder-se-ia presumir com alguma certeza, que ou o criminoso conhecia os hbitos do Almirante ou 
gozava de sua coabia. Um homem  encontrado assassinado no bote do Vigrio, na mesma noite em que 
esteve jantando no Vicariato; em seu bolso tem um exemplar do jornal de que  de fato um assunte; o crime 
se encontra ligado a uma visita, suposta ou real, a um batel das proximidades, onde um conhecido da vtima 
estava de fato hospedaria. Tudo isso revela o conhecimento de circunstncias importantes; o misterioso 
chins das histrias de detetives pode ser excludo da lista dos suspeitos; no teria sido ele quem cometeu 
o crime. Isto reduz a busca a pessoas que sabiam alguma coisa a respeito do Almirante. Quem eram? 
Neddy Ware (quase nada), o Vigrio, os 5lhos do Vigrio, Sir Wilfrid Denny, ainda uma quantidade 
desconhecida. Dos empregados: mas estes, at agora, no tinham dado razes para suspeitas. A famlia e 
os que estavam interessados em seus bens: Elma, o problemtico Walter, Holland, o Sr. Dakers. Entre 
estes, quem tinha um motivo... um motivo forte? O de Elma era fraco  a vontade de dispor de seu prprio 
dinheiro. Holland tinha um motivo mais forte  ultrapassar um obstculo a seu casamento; mas seria esse 
motivo suficientemente forte? No, a no ser que e quando fosse provado que o consentimento datilografado 
fora forjado. O Sr. Dakers dificilmente entrava no quadro; Walter, se estivesse vivo, era, sem dvida, um 
candidato forte; mas que vantagens, exatamente, poderia ele obter pelo falecimento de seu tio? Esta 
ausncia de motivo era um trao intrigante; seria possvel que algum hspede de Sir Wilfrid estivesse 
implicado? Lembrete: pesquisar sobre Denny to logo possvel.
19. Por que uma faca foi escolhida como arma? Esfaquearem-to significa normalmente assassinato como 
resultado do fervilha-mento do sangue ou de pnico; um crime premeditado normalmente  cometido com 
armas mais seguras. O uso de uma faca sugeria que o crime tivera lugar em um local onde a detonao de 
armas de fogo poderia ter sido ouvida e atrado socorro; perto da casa, por exemplo. Grice estivera ausente o 
dia todo e at ento no examinara o ferimento desde que o desaparecimento da faca norueguesa tinha sido 
descoberto. Se parecia provvel que aquela fora a arma do crime, isso sugeria que os planos iniciais do 
criminoso no envolvesse assassinato, ou, pelo menos, um assassinato cometido por essa forma.
20. Por que o corpo foi encontrado num bote? No adianta supor que o crime tenha sido cometido no bote e 
que o corpo, por medo ou por escrpulo em manipul-lo, tenha sido deixado onde ficou. Em primeiro lugar,  
muito difcil matar um homem num bote; o prprio criminoso deve encontrar-se dentro dele, o que significa 
que criminoso e vtima esto olhando um para o outro o tempo todo, no ensejando um ataque repentino. 
Nesse caso, tambm, o sangue se teria espalhado pelo barco, mas no havia marcas na pintura branca. O 
corpo, ento, deve ter sido deliberadamente posto dentro da embarcao. Por qu? Por convenincia de 
solt-lo  deriva? Isto era possvel; mas, assegurado que o cadver iria passear de barco, no se segue, par 
isso, que o barco deveria ser deixado por a. Suponha, nos que o corpo fosse lanado por cima da borda, 
com um par de pedras presas a ele? O desaparecimento do Almirante a princpio teria provocado alarme; no 
entanto, a informao prestada pelo Hotel Lorde Marshall de que Pensionei fora visto naquela noite em 
Whynmouth, en routc para tomar o ltimo trem, teria dissipado rumores de crime at que o rio devolvesse o 
cadver, a essa altura, o criminoso j podia estar em qualquer lugar  na China, por exemplo. O instinto do 
criminoso  sempre o de esconder a vtima, pelo menos no momento do crime; o assassino do Almirante 
tinha deliberadamente exibido o cadver, com a certeza de que ele seria encontrado na manh seguinte. O 
que isso significava? Isso sugeria, pelo menos, que todas as circunstncias em que o corpo foi encontrado 
eram uma moldura deliberada; o criminoso tinha certeza de que as suspeitas no recairiam sobre ele, 
enquanto conseguisse manter indcios que jogariam as suspeitas em cima de outra pessoa. Dentro de um tal 
estado de nimo, o bote se justificava. Um bota se desloca com a correnteza ou com a mar a uma 
velocidade mais u menos uniforme; um corpo flutuante, por si s, poderia ver-se embaraado em ramos de 
rvores ou em bancos de areia. Podia ser que o criminoso pretendesse sugerir, pela posio em que o corpo 
foi encontrado, que o crime tivesse sido cometido a uma hora diferente ou em um ponto diferente da hora ou 
do local verdadeiro. O melhor era perguntar a Neddy que combinao de horas e locais poderia ter levado ao 
ponto em que o bote fora encontrado, isto , Whynmouth, Fernton e o Vicariato, como locais alternativos; 
10:30, 11:30 e meia-noite e meia como horas alternativas. Lembretes: Tornar a falar com Neddy.
21. Por que teria sido o corpo encontrado naquele bote em particular? Uma resposta fcil se insinuava: 
Lanar suspeita sobre o Vigrio; por que razo, tambm, o chapu foi ali atirado? Supor que o Vigrio, se 
ele fosse realmente o criminoso furtivo, iria permitir ser ligado ao crime dessa forma to gritante, era ridculo. 
Mas, ento, no era igualmente ridculo supor que o criminoso tivesse escolhido o Vigrio como seu bode 
expiatrio? A moldura, nesse. caso, era uma obra inconcebivelmente desajeitada. A simples burla de 
pretender que o Vigrio fosse o assassino parecia demasiado simples; a burla dupla de fingir que o Vigrio 
era o assassino pareci demasiado complicada. Assim, com que outra finalidade teria sido bote do Vigrio 
arrastado para dentro da histria, afinal de contas? Isso podia indicar que o criminoso tivesse partido do outro 
lado do rio e achara que um bote emprestado economizaria tempo com relao a dar a volta pela ponte. Por 
outro lado, poderia sugerir ' tambm que o criminoso desejara que a polcia pensasse exatamente isso, tendo 
realmente iniciado sua operao da borda do rio e Rundel Croft. No havia muito o que fazer com essa pista 
ainda que ela excitasse a imaginao.
22. Por que o Vigrio deixou o chapu para trs? Admitindo se por um momento que o Vigrio fosse o 
criminoso, a pergunta no encontrava uma resposta pronta. De um modo geral as pessoas usam sempre 
chapus ou no os usam nunca; a primeira das clssico acima perceber a ausncia de uma sensao 
familiar com uma es cie de desconforto. Era de esperar-se que o criminoso, passando mo na testa, 
exclamasse instintivamente: Meu Deus, onde est meu chapu? Uma troca eventual de chapus entre 
criminoso vtima parecia possvel; Holland imaginara um aspecto clerical chapu que o Almirante, se  que 
era ele, usava naquela noite. Ainda admitindo-se que o criminoso tivesse vindo da direo do Vicariato era 
possvel que tivesse encontrado o chapu abandonado no pavilho e o tivesse pegado por motivos pessoais... 
esconder seu rosto por exemplo. Lembrete: Examinar o chapu numa remota chance de encontrar fios de 
cabelo presos a ele.
 138  23. Por que a chave da janela francesa foi encontrada no fundo do barco do Almirante? O problema da 
chave era menos intrigante. Presumivelmente, quando Elma deixou seu tio para guardar o barco, levou 
consigo a chave e a deixou na porta, pelo lado de fora, de modo que ele prprio pudesse entrar mais tarde. O 
Almirante teria entrado? Parece que sim, para pegar seu sobretudo. Ento, se ele tornou a sair vivo 
novamente, teria fechado a porta pelo lado de fora e enfiado a chave no bolso. Do bolso, a chave poderia 
ter cado com facilidade, quando seu corpo foi posto dentro do barco.
Alternativamente, se o Almirante foi morto no jardim, antes de poder entrar de novo na casa, o criminoso sem 
dvida ter-se-ia utilizado da chave para entrar ele prprio, quando procurava os documentos escondidos. 
Tendo conseguido os documentos e estando o Almirante morto, no importava o que tivesse feito com a 
chave; na realidade, era necessrio que se livrasse dela de alguma forma.
24. Por que estaria o barco do Almirante, contrariando o que  hbito, amarrado pela proa? Aqui estava um 
ponto de grande significao. Isto significava que esse barco, tambm, figurara nos acontecimentos daquela 
noite de agosto. Ou o Almirante estivera a bordo de seu barco, tendo sido apanhado no meio de seu 
trajeto, ou o criminoso, depois de t-la morto em seu prprio jardim, tinha feito uso de dois barcos para livrar-
se do corpo, ou possivelmente para assegurar sua prpria fuga. Por alguma razo, desconcertante por certo, 
o criminoso teria julgado mais importante deixar o barco do Almirante amarrado do que o do Vigrio. 
Inexplicavelmente, deve ter pensado que as coisas, desse modo, pareceriam mais naturais. Surgiu uma outra 
considerao pertinente; Elma seguramente conheceria a pequena mania de seu tio com relao  
amarrao de barcos; assim, se ela ou algum que agisse sob sua imediata orientao fosse o criminoso, 
seria difcil acreditar que o barco no tivesse sido encontrado pela manh amarrado da maneira usual.
25. Por que faltava um pedao da corda? E um pedao to pequeno; no tanto como algum cortaria se 
estivesse precisando da corda com alguma finalidade no usual; amarrar as mos de um homem, por 
exemplo. No, o bote do Vigrio tinha sido primeiro solto de sua amarra e depois amarrado novamente, ou no 
mesmo poste ou em outro, e uma vez mais fora necessrio solt-lo, cortando-o com uma faca ao invs de 
ser desfeito o n. Isto era intrigante, pois normalmente o que algum faz pode desfazer. Tem que admitir-se 
um acidente, isto , duas cordas poderiam ter sido amarradas antes e depois se encharcado de gua, onde 
teriam ficado; se surgisse uma necessidade sbita de pressa, no haveria tempo talvez ara que os ns 
fossem desfeitos. Seguindo-se a indicao da findada do cabo, porm, chegava-se  concluso de que ele 
fora cortado duas vezes; que uma pessoa diferente fora a responsvel pelo segundo corte e que essa 
segunda pessoa era mais baixa do que a primeira. O Vigrio, por exemplo, que era alto, poderia ter sido o 
primeiro a cortar o cabo; mas, se fosse ele quem tornou a amarrar o bote, naturalmente t-la-ia feito a uma 
altura tal que lhe tornasse possvel desat-lo sem dificuldade. Esse novo elemento do caso poderia ser 
chamado de x-n, sendo o cortador original rotulado como x. Bem, era possvel que x-n fosse simplesmente o 
Almirante. Surgia o problema de saber-se se no tinha que ser admitido a existncia de duas pessoas alm 
do Almirante, ambas interessadas nos acontecimentos daquela noite, x e x-n. Holland poderia ser x, mas 
devido  sua altura era de esperar-se que tivesse desatado o bote, mesmo de sua primeira amarrao.
26. Por que o corpo foi encontrado de sobretudo? . uma pena, quando se pensa nesse aspecto, que esta 
pergunta no tenha sido feita logo depois da de n. 20. Seria uma rima. Rudge, em sua juventude, tinha 
procurado preencher os ltimos versos de poemas humorsticos, mas jamais se proclamara um poeta e era 
uma experincia nova para ele encontrar-se na situao do jovem Ovdio, escrevendo versos 
inconscientemente. Sim, com toda a certeza, o sobretudo. Se o Almirante de fato ia a Whynmouth e 
pretendia tomar o ltimo trem, era concebvel que tivesse levado consigo o sobretudo para proteg-lo do frio 
da madrugada. Mas Rudge estava inteiramente inclinado a no acreditar na projetada viagem do trem. Se o 
Almirante realmente foi a Whynmouth ou a qualquer outro ponto ao longo do rio, de barco e com a inteno 
de voltar de barco, poderia ter-se sobrecarregado com um sobretudo substancialmente pesado por uma 
razo: ele deveria ter previsto que ficaria em algum lugar esperando por algum, com quem falaria a cu 
aberto, e ficou com medo de resfriar-se aps ter feito exerccio, sem essa precauo. Por outro lado, o 
sobretudo era solto, do tipo que chamam de Raglan. Teria sido bem possvel, ento, para o criminoso, a 
no ser que ele fosse excessivamente escrupuloso em lidar com cadveres, vestir o sobretudo no corpo do 
Almirante, de uma forma perfeitamente convincente. Bem, mas o que significaria isso? Provavelmente que o 
criminoso estava montando uma moldura, como antes, tendo difundido a idia de que o Almirante pretendia ir 
a Londres pelo ltimo trem, procurou corrobor-la vestindo sua vtima adequadamente para uma tal viagem.
27. 8 agora, por que o jornal no bolso? Se o Almirante pretendera realmente viajar de trem e tinha ido em 
casa pegar o capote com essa inteno, no era humanamente de esperar-se que seu olhar casse no jornal 
ali perto e que ele o enfiasse no bolso do capote ali mesmo e naquela mesma ocasio? A viagem de trem 
entre Whynmouth e Londres no se destaca pela velocidade em que  feita e muitos passageiros se munem 
de algum tipo de literatura antes de embarcar. Mas o Almirante no tinha feito isso; o exemplar achado no 
saguo na manh seguinte  do crime era item carreto, pois estava assinalado com Almirante Penistone, 
com os erros normais da caligrafia de Tolwhistle. De onde teria sado o jornal que no era o da assinatura? 
As nove horas as lojas e as bancas de jornais de Whynmouth j estavam fechadas; tambm no haveria 
mais jornaleiros a essa hora  Whynmouth  um lugar sonolento, e o ltimo otimista que havia tentado 
vender as ditas ltimas edies tinha desistido de faz-lo havia j alguns meses. O Almirante no tinha ido 
ao Lorde Marshall; ento no poderia ter pegado um exemplar do jornal por l e sado com ele. Se de fato 
estava com o jornal, quando ainda se encontrava vivo, poder-se-ia concluir que ele tinha passado em algum 
outro lugar naquela noite. A casa de Sir Wilfrid Denny se apresentava como uma possibilidade. Se, por outro 
lado, o jornal foi colocado no bolso do Almirante depois de sua morte, pelo homem que o matou, isto 
somente poderia ter sido feito com a inteno de plantar um falso indcio. Falso como? Com relao  hora, 
sugerindo que o crime ocorreu, digamos, depois das nove horas em lugar de ter sido antes dessa hora? Mas 
isso faria com que o crime fosse situado mais cedo, a uma hora impossvel. Ento para indicar lugar; o crime 
teria ocorrido em um lugar distante de Whynmouth e o criminoso, ao enfiar o jornal no bolso do morto, tinha 
tentado criar a impresso de que o crime tivera lugar em Whynmouth ou, pelo menos, quando a vtima voltava 
de l. Posto dessa forma, esse indcio se harmonizava com as concluses j tiradas  que o criminoso 
queria que se pensasse, erroneamente, que o Almirante estivera em Whynmouth naquela noite. Aceitando-se 
esse argumento, surgia uma outra considerao. O criminoso seria algum que no conhecia Whynmouth ou 
no estava atualizado com relao  localidade. Um dos moradores  o esquivo Sir Wilfrid Denny, por 
exemplo  no teria cometido o engano de admitir que a Gazette ainda estivesse  venda s 11:00 horas da 
noite.
28. Qual a natureza dos documentos marcados com X? Que eram documentos sigilosos e valiosos no  
necessrio dizer-se. O que era mais estranho, ao pensar-se no assunto,  que qualquer referncia a X fosse 
dada no prprio arquivo. O prprio Almirante, ainda que fosse um dos poucos almirantes que no alardeasse 
publicamente seu dbito a algum sistema de exerccio de memria, no era mais do que qualquer outra 
pessoa um distrado; por que, ento, precisaria de uma referncia para lembr-la onde esses documentos 
importantes eram guardados? Mas, se as referncias no fossem em benefcio do prprio Almirante, quem 
poderia beneficiar-se delas?
Na eventualidade. de que a mesa fosse arrombada, no seria mais seguro manter em segredo a existncia 
de X e onde se localizava? Chegava a parecer que o Almirante tinha antecipado o que finalmente veio a se 
abater sobre ele  afinal de contas havia um revlver carregado na mesa  contando que um policial mais 
cedo ou mais tarde revistasse sua mesa e necessitasse de uma indicao que o informasse de que 
documentos secretos se encontravam escondidos em algum lugar. Parecia que Sir Wilfrid estava de algum 
modo envolvido, bem como o sobrinho, Walter. Parecia provvel que os antecedentes fossem chineses. Seria 
isso chantagem? Se fosse, Sir Wilfrid seguramente seria a vtima, no Walter; no  possvel ameaar-se 
algum que desapareceu da face da terra com revelaes.
29. Esses documentos foram destrudos? Roubados? Por quem? Era possvel que o Almirante Penistone, 
em alguma poca, se tivesse livrado de documentos que o estivessem prejudicando ou a algum com quem 
se preocupasse. Era mais natural supor-se que o assassino fosse tambm ladro. Mas  e aqui estava um 
ponto importante  quem tivesse roubado esses documentos tinha que ser, quase necessariamente, algum 
ntimo da casa; a mesa no apresentava vestgios de ter sido forada, nem havia marcas de violncia na 
gaveta secreta. Se, ento, o vilo da noite anterior tivesse levado os documentos, ele saberia exatamente 
onde devia t-los procurado e no havia perdido tempo com isso.
Puxa! A estava um aspecto novo dos indcios levantados, fechando as pistas que datavam da noite anterior. 
O p esquerdo de Rudge tinha ficado dormente e ele caminhou um pouco dentro do quarto, procurando 
esboar o que faltava em sua tarefa. Sim, deveria analisar o comportamento das diferentes pessoas, contra 
quem se poderia compreensivelmente levantar suspeitas, desde que o corpo fora descoberto. A linha mais 
notvel, indubitavelmente, era o que se poderia denominar de xodo da populao rural  a generalizada fuga 
para Londres. Bem, ento: 30. Por que Elma Fitzgerald se apressou em partir para Londres? A concluso 
inevitvel parecia ser que sua fuga foi uma conseqncia das notcias sobre o crime. Ela no gostava de 
levantar-se cedo, e se naquela manh o fizera tinha sido por culpa do prprio Rudge. Como a maior parte das 
empresas ferrovirias, a de Whynmouth parte do pressuposto de que ningum quer ir para a metrpole muito 
depois das 10:00 horas da manh; a partir dessa hora o nmero de trens diminui sensivelmente e no h 
mais passagens disponveis para durante o dia. Consequentemente, quem pensar em ir a Londres deve 
preparar-se para sair cedo. Elma saiu cedo, mas no estava preparada para isso. No havia sado para 
encontrar-se com Holland; ela sabia, a no ser que o recado que Holland mandara durante a noite no lhe 
tivesse sido dado, que ele estava em Whynmouth. Tambm no tinha ido procurar o Sr. Dakers  ainda que, 
 claro, a busca de Holland pudesse ter interrompido um tal plano. O melhor  esperar para ver o que Elma 
vai dizer amanh pela manh.
31. Por que Holland fez a mesma coisa? Isso era mais que claro. Inocente ou culpado, e se ele acreditava 
que Elma pudesse estar culpada, naturalmente gostaria de encontr-la para discutir a situao. Mas partindo 
do suposto de que o prprio Holland estava inocente, tudo indicava que devesse acreditar que ela estaria 
culpada. Caso contrrio, ele poderia pelo menos ter esperado para contar uma histria verdadeira  polcia.
32. Por que Sir Wilfrid fez a mesma coisa/ Deve ser observado que Sir Wilfrid, se os seus movimentos foram 
corretamente informados, estava  testa do xodo. Ele teria ido para Londres no primeiro trem; qual era o 
horrio? Pouco depois das sete... de qualquer modo, muito antes que Elma estivesse fora da cama. No 
antes da hora em que o corpo fora descoberto, mas certamente antes que os rumores da descoberta 
tivessem chegado at ele. Ento, ou a chamada que havia recebido viera acompanhada pelas notcias sobre 
a tragdia, o que indicava Neddy Ware ou o Vigrio como sendo sua fonte, ou ele teria ido para Londres sem 
saber que ocorrera o crime... ou pelo menos ignorando que o crime tivesse sido descoberto. Bem, afinal de 
contas podia mesmo ter sido acidental; pelo menos era necessrio ouvir o que o homem tinha a dizer. Mas, 
que curiosa influncia Penistone devia exercer, que sua morte aparentemente levou seus conhecidos a se 
espalharem, ao invs de reunir-se para lament-la!
33. Por que o Vigrio teria feito a mesma coisas Uma vez mais poderia tratar-se de mera coincidncia; 
Mount poderia, muito possivelmente, ter ido conversar com algum arquidicono. Mas seria mais natural, 
tambm, ligar seu comportamento com o transtorno geral. Bem, que precisa ao na histria tinha levado a 
Hegira do Vigrio? O cadver havia sido descoberto e ele permanecera calmo  relativamente calmo. O 
desaparecimento de Holland e de Elma o havia deixado inabalvel. Que fator novo poderia ter surgido na 
situao? Parecia mais que o Vigrio tivesse feito alguma descoberta por conta prpria, uma descoberta que 
no achara conveniente comunicar.
34. Estaria o Vigrio contando tudo o que sabia?  curioso como as pessoas so diferentes quando sob 
interrogatrio. Elma Fitzgerald manteve uma atitude de hostilidade natural; ela se encontrava to obviamente 
ressentida por estar sendo interrogada, fossem quais fossem as perguntas, que era difcil saber-se se seu 
embarao era por lhe serem dirigidas perguntas relacionadas com o crime, ou no. A desdenhosa jovialidade 
de Holland era, sem dvida, um comportamento permanente; isso o tornava uma pessoa difcil para ser 
interrogada, pois nunca se sabia que atitude tomar contra suas piadas. Mas quanto ao Sr. Mount, tratava-se 
evidentemente de um homem preocupado, com problemas de conscincia, para dizer a verdade. No entanto, 
havia uma hesitao em suas maneiras que sugeria no estar ele muito certo quanto a que parte da verdade 
dizer; no muita certeza quanto ao que devia responder a uma pergunta, por medo de que a seguinte fosse 
abrir caminhos que ele estava determinado a no trilhar. O Vigrio era escrupuloso quanto a falar a verdade e 
os escrupulosos desse mundo so mais propensos a dizer bobagens do que os inescrupulosos.
35. Par que o Vigrio regara o jardim? Isso poderia no ter sido nada mais do que uma gafe horticultural. 
Mas, se estamos preparados para dar um tiro longo, suponhamos que o Vigrio tenha descoberto alguma 
coisa e, perguntar-se-ia naturalmente, no teria ele procurado esconder vestgios? Deixemo-nos levar nessa 
fantasia e onde isso nos conduziria? No vestgios de si mesmo, com toda a certeza; pois ele teria 
conscincia de os haver deixado e teria tido o elementar bom senso de apag-los mais cedo naquele dia, em 
uma ocasio em que fosse improvvel que a polcia estivesse por ali. A mesma considerao era vlida, 
ainda que um pouco mais fracamente, ao pensar-se em vestgios de algum sobre cuja presena o Vigrio 
tinha conscincia na ocasio em que foram deixados. E ele seguramente tinha alguma idia de quem eram 
os vestgios e de como teriam vindo parar ali ou o seu meticuloso senso de justia o teria induzido a indic-
los  polcia. Um tiro longo, mas sobre o qual era necessrio meditar.
36. Por que o cachimbo do Almirante fora deixado no escritrio do Vigrio? Provavelmente por esquecimento 
do Almirante. Ele estava apressado ao sair, pelo que parecia; o mais meticuloso dos almirantes podia ter tais 
lapsos, ocasionalmente. E o Almirante, como ressaltara Holland, era um homem que possua muitos 
cachimbos. O crebro de Rudge, porm, estava agora empenhado em avaliar que significao poderia ter 
cada coisa; mesmo esse cachimbo... havia uma remota possibilidade de que o Almirante o tivesse deixado 
l propositadamente, a fim de ter uma desculpa para voltar ao Vicariato (o que aparentemente no fez) ; ou 
que o prprio Vigrio tenha encontrado o objeto em algum lugar onde parecesse muito provvel que contasse 
uma histria e, por segurana, o levara para outro lugar. Rudge, com o nimo talvez inconsciente de um 
telogo, j estava imaginando o Sr. Mount como uma espcie de homem que no mentiria diretamente, mas 
que desejava que as pessoas se deixassem enganar a si mesmas (procurem no jardim, seria sua frase 
menos tcnica).
37. Por que Holland e Elma estavam to apressados para se casar? Que a licena j tinha sido conseguida 
antes de o crime ter sido cometido, parecia evidente. Mas esse fato em si mesmo no sugeria que houvesse 
um conhecimento antecipado do crime; o prprio relato de Holland  que Elma o havia encorajado por carta a 
aguardar o consentimento do Almirante e que ele providenciara a licena com a fora dessa esperana  
parecia carreto.  compreensvel por que eles teriam apressado seus preparativos enquanto o Almirante 
ainda estava vivo, j tendo dado seu relutante consentimento. Quem sabia l quando ele poderia mudar de 
idia? No entanto, depois de o Almirante morto, esse motivo no tinha mais razo de ser; esperar um pouco 
teria sido mais decoroso e, de acordo com Dakers, tambm mais prudente. Deveria ter havido uma razo, 
mas qual? Rudge admitiu que, nesse ponto, havia um desafio para ele.
38. Por que teria Holland escondido, inicialmente, seu alegado encontro  meia-noite? Sua prpria desculpa, 
de ter escondido toda a histria quanto ao seu encontro da meia-noite simplesmente para evitar questes 
embaraosas quando estava com pressa, parecia estranhamente inadequada. Presumindo-se que a primeira 
histria fosse verdadeira e a segunda, falsa, por que teria ele lanado dvidas sobre sua prpria veracidade 
com essa curiosa meia-volta? Admitindo-se o contrrio, por que no teria ele se apegado  sua mentira 
depois de ter mentido? Com o consentimento datilografado no bolso, ele poderia facilmente dizer que tinha 
ido ao encontro de Elma na noite anterior, antes do jantar no Vicariato; que motivo havia para insistir to 
incisivamente que o encontro s fora realizado  meia-noite? Parecia que algum fato surgido durante o dia 
teria feito com que a declarao de Holland quanto a se achar em seus aposentos do Lorde Marshall, 
dormindo profundamente, se tornasse incoerente com a veracidade do consentimento datilografado. O que 
poderia ter sido? Em vo, Rudge torturou sua prpria imaginao com esse problema.
39. Por que o consentimento foi datilografado? No havia mquina de escrever no escritrio do Almirante; os 
documentos nos arquivos que no eram testamentais tinham sido laboriosamente copiados por um 
profissional. Alm disso, o amador, para quem  um pouco difcil ajustar as folhas corretamente na mquina 
de escrever, no recorre  sua mquina, a no ser quando esteja lidando com um documento de certa 
extenso, digamos quatro ou cinco linhas. Ento era improvvel... a no ser que o documento fosse forjado 
(sendo muito mais fcil forjar uma assinatura, por mera imitao, do que uma linha inteira escrita  mo). Ou, 
quem sabe, e consentimento tinha sido extrado por meio de ameaas ou de violncia, em cujo caso era 
bastante provvel que o criminoso tivesse tornado as coisas mais expeditas preparando antecipadamente 
uma declarao? Lembrete: Perguntar  Sra. Holland onde e por quem supunha ela ter sido datilografado o 
consentimento.
Assim, tendo anotado seus pensamentos, Rudge foi para a cama, confortando-se com a velha e 
supersticiosa esperana que todos ns temos por vezes, de que ao acordar teria uma inspirao. A noite, 
porm, no lhe deu nenhum conselho. Na verdade, sonhou que vira o crime ser cometido. Mas, ao seu 
sonho, a autora do crime era a Sra. Davis, a vtima, o Sr. Dakers, a arma estava enrolada em um jornal, e o 
cenrio de tudo era o Hotel Charing Cross., do que concluiu sabiamente que a oniromancia tem seus 
momentos de falibilidade.
 CAPTULO IX

O Visitante da Noite
FREEMAN WILLS CROFTS

          O Inspetor Rudge acordou na manh seguinte com o crebro um pouco confuso. Estava com uma 
impresso subconsciente de que esse dia no era um dia comum e que importantes obrigaes o 
esperavam. Ento se lembrou. Sua grande oportunidade tinha chegado! Levantou-se de um salto.
Durante o caf da manh, Rudge estabeleceu seus planos para o dia. Primeiro, haveria uma reunio com 
seus superiores. O Superintendente Hawkesworth estava de frias quando o crime ocorrera e ainda que 
Rudge tivesse telegrafado para ele diretamente assim que soubera do crime, sua volta no era esperada at 
de manh cedo nesse dia. O Delegado de Polcia, Major Twyfitt, tambm se encontrava ausente, mas 
retornara na noite passada e tambm queria ouvir as noticias. Em seguida, haveria o encontro com o juiz de 
instruo a respeito do inqurito, aps o que Rudge esperava estar livre para seguir uma ou duas das linhas 
de investigao sobre as quais havia pensado na noite anterior.
O inspetor estava bastante preocupado por no ter ainda conseguido arranjar uma identificao adequada 
dos restos mortais. Rudge mesmo no duvidava de que o morto fosse o Almirante, mas isso ainda no fora 
provado e lhe cabia estabelecer esse ponto. Esta questo de identidade seria a primeira a ser levantada pelo 
Superintendente e possivelmente seria a nica que, por ora, interessaria o juiz.
Rudge se encaminhou para o Lorde Marshall, na esperana de que Dakers ali se encontrasse. Bakers 
deveria ser o seu homem para a identificao. Por um acaso, que Rudge encarou como um bom prenncio 
para o dia, aconteceu que Dakers ia saindo quando ele ia entrando.
  Bom-dia, senhor  cumprimentou Rudge, animadamente.
 5 muita sorte minha. Estava mesmo imaginando que seria bom v-lo.
Dakers se mostrou polido, mas no amvel. No demonstrou entusiasmo com o encontro.
 O que h?  perguntou, laconicamente.
 A identificao do corpo, senhor. Posso perguntar-lhe h quanto tempo conhecia o Almirante, senhor?
 H quanto tempo?  repetiu o advogado, pausadamente.
Vamos ver. Vinte e um... dois... h uns vinte e dois anos; possivelmente vinte e trs.
 Muito bem, senhor. E durante todo esse tempo o senhor o viu, suponho, com freqncia?
 Sim, embora a intervalos irregulares.
 Ento, senhor, eu lhe ficaria grato se o senhor pudesse, quando lhe for conveniente, ir at Lingham comigo, 
pois  l que o corpo est, a fim de ver se  possvel identific-lo formalmente.
 Primeiro quero tomar o meu caf.
 Como lhe disse, senhor, quando julgar conveniente. Estaria bem s dez horas?
Dakers concordou.
 H uma outra coisa  prosseguiu Rudge  que eu gostaria de lhe perguntar enquanto tenho oportunidade;  
a respeito do consentimento do Almirante ao casamento da sobrinha. Por acaso esse papel est com o 
senhor?
 O senhor est-se referindo  declarao datilografada?
 Sim, senhor.
Dakers pensou um pouco.
 Por que o senhor est interessado nisso?
 Do mesmo modo, senhor, que espero esteja tambm interessado  respondeu Rudge, prontamente.  Ns 
ambos, segundo creio, desejamos ter a certeza de que foi realmente passada pelo Almirante.
 O senhor est querendo dizer  tornou Dakers, frigidamente  que a Sra. Holland  uma mentirosa, uma 
falsificadora ou ambas as coisas?
 No, senhor  replicou Rudge, imperturbvel.  No foi a Sra. Holland quem declarou que tinha obtido a 
declarao do Almirante. Foi o Sr. Holland quem disse. Minha pergunta  no prprio interesse da Sra. 
Holland, realmente. Creio que esse documento ter que ter sua veracidade confirmada antes que ela 
possa herdar, e sugiro que quanto mais cedo sua autenticidade seja comprovada, melhor.
 Dakers se tornou ainda mais frgido, se isso era possvel.
 Obrigado, inspetor, mas me esforarei por zelar pelos interesses de mina cliente sem o auxlio da polcia.
 Como o senhor quiser.  Rudge deu de ombros.  Mas deve compreender que a polcia ter que examinar 
esse documento e eu apenas estava sugerindo que, se o senhor pudesse cooperar conosco nesse sentido, 
isto pouparia tempo e aborrecimentos. Mas,  claro, o senhor far como quiser. Ento, at s dez horas, 
senhor.
O Superintendente Hawkesworth estava aguardando Rudge na delegacia, e logo em seguida chegou o 
delegado do Condado, Twyfitt.
Rudge apresentou imediatamente um relato completo do que tinha acontecido e do que ele tinha feito, bem 
como dos prximos passos que pretendia dar. Os dois homens o escutaram sem interromper; Hawkesworth 
tomando abundantes notas.
 Parece que at agora tudo o que fez est certo, Rudge  disse o Superintendente, olhando para seu 
superior.
 Sim  concordou o Major Twyfitt.  Creio que Rudge est conduzindo bem as coisas.
 Sim  tornou Hawkesworth  mas h coisas demais para um homem s. Temos que dividi-las. Vamos 
estabelecer o que cada um dever fazer, e voc, ento, Rudge, pode levar a cabo a identificao. Vamos ver, 
ento.  Por alguns momentos, escreveu rapidamente.  Isto eu fao, creio  prosseguiu ele.  Eu me 
encarrego do problema relacionado com a China. Entrarei em contato com o Almirantado e com o Ministrio 
das Relaes Exteriores, com aquele jornalista e com qualquer outra organizao ou pessoa que venham a 
me ocorrer. Tambm farei um levantamento sobre Denny; arrisco-me a dizer que h alguma conexo entre 
os dois. O Sargento Appleton se encarregar de Holland; atividades de Holland aqui no pas, pois, na China, 
eu tomarei conta. Se for necessrio, Appleton poder buscar auxilio na Yard. Ao mesmo tempo poder 
verificar se esses dois se casaram mesmo em Londres. O Agente Hempstead parece ter-se conduzido bem?
 Oh, sim, senhor. Ele no  tolo, Hempstead  Muito bem, vou dar-lhe uma chance. Ele realizar 
uma busca em ambas as margens do rio, ao longo de todo o percurso em que o bote poder ter flutuado. 
Procurar indcios de qualquer tipo, particularmente pegadas, sinais de luta, locais onde o corpo pode ter 
sido guindado para o bote e aquele pedao de corda que est desaparecido. Isso o conservar ocupado. 
Quanto a voc, Rudge, fica encarregado de Rundel Croft e de seu pessoal, com a excluso do morto, o qual, 
creio, ficar a meu cargo. Isso cobre tudo por enquanto?
 Sim, senhor, creio que est bem.
  Bem, voc ento vai-se mexer agora. Vai procurar o juiz?
Identificao formal e um adiamento da ao?
 Claro, senhor.
Quinze minutos mais tarde, Rudge e Dakers chegavam  cervejaria em Lingham, onde jazia o corpo. Dakers 
havia recuperado seu bom humor e conversava animadamente durante o percurso.
 Bem, senhor?  quis saber Rudge, depois de o advogado ter ficado olhando para o corpo durante alguns 
minutos.
Dakers parecia estar acordando de um sonho.
 Oh, sim  disse ele, sem hesitao.   mesmo o Almirante Penistone. Sem qualquer dvida.  Parecia 
estar um tanto emocionado.  Pobre homem  acrescentou  lamento v-lo nesse estado. No devemos ver 
olho por olho em tudo, mas, ainda assim, julgando as pessoas de acordo como so vistas, no poderia dizer 
dele nada de mau.  Afastou-se com um suspiro.  Suponho que o senhor deseje que eu d meu 
testemunho quanto  identidade durante a audincia?
 Isso pouparia a Sra. Holland  ressaltou Rudge.
 Muito bem. Quando ir realizar-se?
 Amanh s dez horas, senhor.
 Estarei l.
 Obrigado, senhor. Eu suponho, senhor  Rudge sorriu como que se desculpando por dizer uma coisa 
estpida.  Eu suponho, senhor, que a Sra. Holland  realmente a sobrinha do falecido Almirante, no ? O 
senhor compreende, ningum por aqui conhece a famlia. Como o senhor sabe, o Almirante e a Sra. 
Holland se mudaram para c h cerca de um ms.
 Claro que sim  respondeu Dakers, pacientemente.  Temo que o senhor no v muito longe seguindo 
nesses caminhos Inspetor.
 Como sabe, senhor, temos que perguntar tudo. Bem, obrigado por ter feito a identificao. Onde o senhor 
gostaria que o levasse?
Dirigiram-se de volta ao Lorde Marshall, onde Dakers desceu.
Rudge estava-se afastando, quando o advogado fez-lhe um sinal para que parasse.
 Sobre o consentimento, Inspetor. Estive pensando no assunto e, afinal de contas, no vejo razo alguma 
pela qual o senhor no deva v-la. Ele no est ainda comigo, mas logo que o tiver comunicarei ao senhor.
Rudge tornou a agradecer, e os dois homens se separaram.
Rudge at ento achava-se satisfeito com o dia. Certamente estava obtendo progressos. Algumas de suas 
teorias tinham j sido eliminadas, e o fato concreto comeava a emergir da massa de suposies em que o 
caso ficara encoberto.
 O assunto de Rudge com o juiz de instruo no tardou a ficar resolvido. Era obviamente impossvel concluir 
o inqurito, e o Dr. Skipworth concordou em que tudo o que se fazia necessrio no momento era levar os 
preparativos ao ponto que permitisse ser dada uma ordem de sepultamento. Esse procedimento j tinha sido 
acordado por telefone, e o encontro visava apenas a prova exigida e ser obtida a certeza de que nenhum fator 
imprevisto tinha surgido.
No restante do dia, Rudge se ocupou em procurar colher informaes a respeito da criadagem de Rundel 
Croft. No ficou sabendo de muita coisa, deve admitir-se, mas iniciou uma srie de investigaes sobre cada 
um deles, cujas respostas, quando recebidas, seriam valiosas. Entre os documentos do Almirante, Rudge 
encontrou o endereo da Cornualha de onde o homem assassinado se havia mudado e telefonou para o 
Superintendente distrital de l, buscando todas as informaes disponveis sobre a famlia. Rudge se avistou 
com o Sra. Holland, infelizmente sem muito xito. Conseguiu saber onde os empregados  o mordomo e sua 
mulher e a atual empregada de Elma  haviam trabalhado e escreveu aos seus ex-patres pedindo maiores 
informaes a respeito deles. Finalmente, realizou uma busca geral na casa, a qual, no entanto, se mostrou 
infrutfera.
s 9:50 na manh seguinte, Rudge entrou na sala onde a audincia seria realizada. Para dizer a verdade, as 
audincias com o juiz de instruo no passavam de formalidades que o aborreciam por completo. Uma 
perda de tempo, era como as considerava, pois acreditava que o tempo sempre poderia ser mais bem 
aproveitado, levando para a &ente as investigaes normais.
Como Rudge havia previsto, as formalidades suscitaram pouco interesse. Os 11 jurados no se interessaram 
em ver o corpo e to logo prestaram compromisso, o interrogatrio comeou.
Neddy Ware, em primeiro lugar, contou em detalhes sua descoberta do cadver. Em seguida, o Sr. Bakers 
declarou, sob juramento, que havia visto o corpo e o identificara como do Contra-Almirante Hugh Cwrance 
Penistone. Dakers fez um esboo da vida do Almirante, explicou como viera a conhec-lo e, em seguida, 
sentou-se. O pr6ximo, o Dr. Grice, informou a causa da morte  uma ferida no corao produzida por uma 
faca ou um punhal, de lmina longa e fina A autpsia revelara que o Almirante gozava de sade relativamente 
boa para um homem de sua idade.
Com isto foram encerradas as preliminares, com o juiz de instruo declarando que, a fim de permitir  
polcia posteriores investigaes, a audincia era adiada de trs semanas a partir daquele dia.
 Mais uma vez Rudge foi atacado pela curiosidade de seu amigo reprter da Evening Gazette. O homem 
novamente o aborreceu  cata de novidades. Um crescente laconismo nas maneiras de Rudge no produziu 
qualquer efeito, e no foi seno quando ele ameaou de dar qualquer novidade que recebesse a um jornal 
rival, que o homem se tornou razovel.
Uma outra pessoa que demonstrou uma surpreendente curiosidade foi o Sr. Mount. Este fora a primeira 
pessoa que Rudge avistaria ao chegar  sala do juiz. De certo modo isso no era de estranhar-se, pois o 
prprio Rudge declarara ao Vigrio que sua presena seria necessria na audincia. Mas como, naquele dia, 
a audincia se limitou  comprovao da identidade do morto, Mount no tinha sequer recebido uma 
convocao para comparecer, nem tinha sido oficialmente informado quanto  hora e ao local. Mas l estava 
ele., e no somente se achava presente como, evidentemente, presa de uma extrema curiosidade tanto 
quanto se mostrando apreensivo.
Ao sair da sala da audincia, Rudge se viu agarrado pelo Vigrio. Sob o tnue vu do natural interesse de um 
clrigo por seus paroquianos, Mount fez uma tentativa realmente espalhafatosa para saber at onde iam os 
conhecimentos da polcia sobre o caso. Mas Mount era uma criana nas mos do experiente, inspetor. 
Rudge respondeu prontamente e com um convincente ar de candura, ao mesmo tempo que pedia ao Vigrio 
que no repetisse o que lhe estava confidenciando. Rudge sabia, no entanto, que quando o Vigrio 
meditasse sobre o que tinha acabado de dizer-lhe, seria difcil para ele saber exatamente o que era 
confidencial.
Rudge ponderou se havia ou no dado suficiente ateno a Mount. Sentando-se em sua sala, releu suas 
anotaes, transcrevendo alguma coisa que ficara sabendo sobre o Vigrio.
Em primeiro lugar, era evidente que Mount j se encontrava em termos de intimidade com o pessoal de 
Rundel Croft. Depois, fora do bote dele, Mount, que o corpo do homem tinha sido encontrado e, mais 
significativo ainda, que o chapu de Mount aparecera. Havia ainda a sbita ida de Mount a Londres; o regar 
do jardim e, agora, sua ansiedade a respeito do caso. Quanto mais Rudge pensava nisso, mais se sentia 
impelido  concluso de que Mount estaria de algum modo implicado.
Rudge considerou os pontos acima um a um, mas o nico que lhe pareceu capaz de produzir alguma luz 
nova era a ida do Vigrio a Londres. Lembrou-se dos detalhes.
Fora, entre meio-dia e uma hora que Mount enviara seu bilhete dizendo que estava ansioso em seguir at 
Londres naquela tarde, para tratar de um assunto urgente relacionado com seus deveres clericais. Bem, 
essa deciso deve ter sido muito repentina. Ele prprio, Rudge, tinha falado com Mount mais cedo nessa 
mesma manh, e o homem nada dissera ento sobre essa ida a Londres. Rudge no estava muito a par dos 
assuntos eclesisticos, mas duvidava que esses assuntos fossem tratados dessa forma. Idas a Londres, 
em sua maior parte, significavam para os clrigos encontros marcados com bastante antecedncia, ou 
entrevistas com dignitrios, tambm arranjadas com algum tempo de antecipao. O inspetor 
estava inclinado a duvidar de que as obrigaes clericais em questo tivessem muito que ver com a igreja.
Rudge meditou sobre o que devia fazer. Mount gozava de excelente reputao de probidade, e se fosse 
confrontado diretamente com o assunto poderia dar a explicao necessria. Rudge concluiu, porm, que 
no iria fazer nada desse tipo. Ele, Rudge, nada tinha a perguntar que demandasse uma resposta.
Mount tinha ido apressadamente a Londres. Mas isso tinha acontecido tambm com Elma, com Holland e 
com Denny. Seria possvel admitir-se haver uma conexo qualquer entre todas essas viagens? Sbito, 
ocorreu a Rudge que a melhor coisa que tinha a fazer era procurar levantar os movimentos de Mount na 
capital.
Isso no demandaria muito tempo e poderia levar a alguma coisa vital.
Rudge procurou o Superintendente e o ps a par de seus pontos de vista. Hawkesworth ficou sensibilizado e 
concordou em dispensar Rudge por uns dias.
 O melhor  que voc avise o pessoal da Yard sobre o que est pretendendo fazer  aconselhou 
Hawkesworth.  Eu telefono para eles avisando que voc ir procur-los.
A primeira pergunta era: Como Mount havia viajado? Mount possua um carro, mas a maioria das pessoas de 
renda mdia ia de trem, sendo esse meio de transporte muito mais barato para as longas distncias. Mount 
estava no Vicariato  uma hora da tarde e tinha telefonado para Rudge, do Hotel Charing Cross, s nove 
da noite. Havia dois e somente dois trens que ele poderia ter usado, o 2:05 de Whynmouth, que chegava a 
Waterloo s 5:45, e o 4:25 de Whynmouth, que chegava s 8:35.
Rudge comeou por se dirigir  redao do jornal local onde obteve uma fotografia de Mount. Em seguida, foi 
at a estao e comeou suas investigaes. Ficou sabendo imediatamente que Mount havia sido visto no 
dia em questo. Ele tinha sido notado particularmente, no s pelo bilheteiro como pelo cobrador, e 
pela mesma razo. O Vigrio tinha, aparentemente, comprado uma passagem para Londres, mas no viajara 
em um trem de Londres.
Tinha embarcado no 1:30, que fazia conexo em Passfield Junction
com o expresso das 11:00 horas da manh de Waterloo que demandava o oeste. Mount havia explicado que 
desejava interromper sua viagem e que seguiria para Londres em outro trem mais tarde.
Enquanto Rudge sacolejava no prximos trem para Passfield Junction ia-se lembrando do estado de coisas. 
A linha principal da Diviso Leste da Southern Railway vai de Waterloo at Devon, passando por Whynmouth. 
Entretanto, no atravessa Whynmouth; passa em um ponto a cerca de uns 15 quilmetros mais para o 
interior. Whynmouth  o terminal de um ramal que deriva da linha principal em Passfield Junction, uma 
pequena parada ao lado dos trilhos, a uns 23 quilmetros de Londres. A cidade mais prxima de Whynmouth 
sobre a linha principal cia Drychester. Ficava no lado Exeter de Whynmouth, a 18 quilmetros por estrada de 
rodagem. .Co havia conexo direta entre os dois lugares por ; ia frrea, obrigando a passagem por Passfield 
Junction.
A cada uma das pequenas paradas catre Whynmouth e Passfield Junction, Rudge saltava do trem e 
perguntava se o Vigrio havia sido visto descendo no dia em questo. Mas no foi seno ao chegar ao 
entroncamento em Passfield que obteve alguma informao.
O Sr. Mount era ligeiramente conhecido pelo chefe da estao, que acreditava t-la visto naquele dia 
entrando em um carro de terceira classe no expresso que descia. Rudge se dirigiu imediatamente  
bilheteria, onde ficou sabendo que apenas trs bilhetes de terceira classe haviam sido vendidos para aquele 
trem  uma ida para Exeter e duas para Drychester. Parecia uma concluso bastante clara que Mount 
tivesse adquirido passagem para Drychester.
Rudge prosseguiu sua viagem, tendo chegado a Drychester no horrio do trem. L, porm, no teve a mesma 
sorte. A estao de Drychester era um local tumultuado, muito diferente do pequeno entroncamento de 
Passfield. Ningum conhecia Mount e ningum havia visto um clrigo parecido com ele.
Tudo indicava, entretanto, que Moant devia ter chegado a Drychester s 2:40. Se assim fosse, seria muito 
tarde para ter alcanado o mais cedo dos dois trens para a capital, devendo ter prosseguido no segundo, 
deixando Drychester s 4:50. Isto significava que teria podido dispor de duas horas e dez minutos em 
Drychester. O que poderiam ter feito durante esse tempo?
Rudge no fazia idia. Pensou, em primeiro lugar, dirigir-se at a catedral e indagar aos porteiros, mas no 
estava ansioso em que se soubesse de suas investigaes. Finalmente, como uma espcie de desespero, 
Rudge decidiu interrogar os motoristas de txi da estao, na aleatria esperana de que Mount tivesse ido 
de carro a seu destino.
Munido com a fotografia, Rudge procurou os motoristas. No esperava obter muita coisa e, assim, ficou 
agradavelmente surpreendido quando de sbito verificou que, havia encontrado petrleo.
Mas no percebeu, a no ser muito tempo mais tarde, como o poo em que esbarrara era rico e profundo.
Quando mostrou a foto a um dos homens, um homenzinho seco como um rato, houve uma reao.
 Sim  disse o homem  vi esse cara, sim. Mas no foi aqui. Vi-o em Lingham.
 Oh  fez Rudge  em Lingham, foi? Isto no  bom para mim. Estou querendo saber onde andou por aqui.
 Eu no o vi aqui, Doutor. S o vi uma vez; em Lingham.
A sorte de Rudge, a sorte de Mount e a sorte de inmeras outras pessoas ficaram embalanadas. Rudge j 
ia passar adiante para o motorista seguinte, mas felizmente para ele prprio no o fez. Felizmente para ele 
pr6prio, fez a pergunta premiada.
 Quando foi isto?  quis saber.
 Na ltima tera-feira  noite  replicou o motorista de txi  numa casa perto de Lingham, uns oitocentos 
metros depois da vila, na direo do rio.
 Ao lado da Igreja?
 Isso mesmo, Doutor.
 E a que horas foi isso?
O homem fez uma pausa antes de responder.
 Devia ser meia-noite ou pouco depois disso.
O corao de Rudge deu um salto inesperado. Meia-noite ou pouco mais tarde, na noite do crime, era uma 
hora crtica. A meia-noite, o terrvel drama que levou o Almirante Penistone  morte j estava sendo 
encenado. O que estaria fazendo o Vigrio  meia-noite, era algo que ele gostaria muito de saber.
 Diga-me mais alguma coisa a respeito  sugeriu Rudge, disfarando cautelosamente a ansiedade que havia 
em sua voz.
A histria do homem porm, ao invs de esclarecer a situao, parecia apenas torn-la ainda mais 
incompreensvel. Aparentemente naquela noite, a noite do crime, ele ficara trabalhando at a chegada do 
ltimo trem de Londres, o 7:00 de Waterloo. O trem chegou s 10:20, e ele pegou uma corrida, de uma 
passageira do trem.
Era uma senhora, de pequena estatura e de meia-idade, com maneiras polidas e apressadas. Tanto quanto o 
motorista pudera ver  luz fraca das lmpadas, a dama estava elegantemente vestida e era muito bonita. 
Uma senhora atraente, pensou o motorista evidentemente. A dama lhe pedira que a levasse a uma casa em 
Lingham que ela indicou, esperasse por ela alguns minutos e a trouxesse de volta para o Anglers Arms, em 
Drychester.
A no ser o fato de ser um pouco tarde para uma visita, isso no pareceu estranho a Rudge. Ele conhecia o 
horrio dos trens de Londres. O ltimo trem com conexo em Whynmouth deixava Waterloo s 5:30. O trem 
das 7:00 de Londres no parava em Passfield Junction, e a nica forma pela qual um passageiro desse trem 
podia chegar a Whynmouth era vencendo de automvel os 18 quilmetros desde Drychester.
 Estou prestando ateno  disse Rudge.  Continue.
O homem levara a passageira a Lingham e ela o orientara para chegar  casa que ela havia mencionado, 
perto da igreja. A passageira lhe pedira para esperar na estrada, para que, assim explicou, no acordasse as 
crianas com o rudo do motor. A dama disse que no iria demorar. Em seguida, desapareceu na direo da 
casa.
Isso devia ter sido uns minutos antes das 11:00 horas.
O motorista se preparou para esperar e sem dvida esperou.
Os poucos minutos passaram trs ou quatro vezes e ainda no havia sinais da dama. O homem comeou a 
ficar impaciente, saiu do txi, caminhou ao longo da entrada at ver a casa, escondida por trs de alguma 
vegetao. A casa se encontrava escura e silenciosa, no parecendo no haver ningum nela. O motorista 
ficou cada vez mais preocupado com relao ao pagamento da corrida, adiantou-se e bateu na primeira porta 
que encontrou. Rudge identificou essa porta como sendo a lateral. Durante algum tempo no houve resposta, 
e o motorista passou a bater cada vez mais forte. Finalmente se abriu uma janela l em cima e o tal proco 
colocou a cabea de fora. O que era isso? Algum doente? O motorista lhe deu claramente a entender que 
no se tratava de doena, e o proco disse que desceria. Desceu e perguntou o que havia de errado. O 
motorista perguntou se sua passageira demoraria muito a sair, pois tinha que fazer um servio cedo, na 
manh seguinte, e no queria passar a noite esperando no porto. O proco, evidentemente, no sabia de 
nada a respeito da dama, mas lhe pediu que a descrevesse. Em seguida, de repente, pareceu t-la 
reconhecido. Pareceu aborrecido durante um momento, mas logo disse que estava bem, que achava que a 
dama era uma amiga da governanta e que, se o motorista esperasse um pouco mais, ele iria verificar se a 
dama j estava saindo. O proco desapareceu por trs ou quatro minutos, voltando ento para dizer que a 
dama havia sofrido um desmaio e, na excitao que se seguiu, o txi fora esquecido. A dama no se 
encontrava bem para voltar para Drychester naquela noite e ficaria com a governanta, mas ele pagaria o txi. 
Assim o fez. O motorista voltou para Drychester e isso era tudo o que tinha para dizer.
Mais uma complicao!, pensou Rudge. Ao invs das coisas irem-se clareando, o emaranhado estava 
cada vez pior.
 Diga-me  indagou Rudge  voc dirigiu dentro de Lingham, no  mesmo?
 Certo, Doutor.
 Parou por 16?
 No mais do que um minuto. Parei e a dama me indicou que direo tomar.
Aqui pelo menos havia alguma coisa. Esse deveria ter sido o carro que o agente Hempstead vira. Como 
estavam indo as coisas, a informao de Hempstead corroborava a histria.
Rudge adiou outras consideraes sobre o assunto e caminhou at o Anglers Aans, que ficava prximo da 
estao. Ali obteve algumas informa5es g e, assim julgou, justificavam inteiramente suas suspeitas.
Parecia que por volta das sete horas da noite em questo, tinha sido recebido um telegrama transmitido de 
Waterloo, informando que quem o expa5a, a Sra. Marsh, seguiria para Drychester no trem seguinte e pedia 
que lhe fosse reservado um quarto para aquela noite. Pedia tambm que o hotel fosse conservado aberto, 
pois, devido a ter que fazer ama visita logo que chegasse, somente mais tarde se recolheria. O aposento 
tinha sido devidamente preparado e o porteiro havia aguardado quase at s duas horas; a dama, porm, no 
apareceu e, desde ento, no houve mais notcias sobre ela.
Isto por certo dava cobertura  histria segundo a qual a senhora pretendera  do Vicariato de Lingham para 
Drychester.
At ento a coisa parecia suficientemente bona fide. No entanto, seria fcil saber dos detalhes no Vicariato. 
Nesse meio tempo, Rudge no deveria perder de vista seu objetivo presente: o que estaria fazendo Mount em 
Drychester?
O inspetor apresentou a fotografia de Mount e perguntou ao gerente do hotel se conhecia o original. Surgiu 
ento a informao que trouxe de volta para Mount todas as suspeitas, e que fizeram Rudge congratular-se 
consigo mesmo por ter seguido essa pista.
Mount, aparenteaaea40, tinha chegado ao hotel no dia seguinte.
quele em que o telegrama fora recebido, e Rudge percebeu que deve t-la feito assim que u a Drychester. 
No hotel declarou que estava conduzindo uma delicada sindicncia em nome de um membro de sua igreja O 
fato estaria relacionado com um casamento infeliz; esperava que o gerente no pedisse maiores detalhes.
A mulher de seu paroquiano tinha pretendido encontrar-se com o marido na noite precedente, relativamente a 
uma possvel reconciliao, voltando depois para o Anglers Arms e l passando a noite.
Mas a mulher no aparecera e o seu amigo paroquiano estava muito preocupado com ela. Esse amigo, no 
desejando revelar as mazelas da famlia, preferira no vir p pessoalmente ao hotel para fazer perguntas, tendo 
encarregado o Vigrio de faz-lo em seu lugar. Poderia o gerente proporcionar alguma informao a respeito 
da dama?
O Vigrio no sabia dizer sob que nome estava ela registrada.
Ainda que o gerente no conhecesse Mount pessoalmente, j o vira exercendo suas funes na catedral e 
se deu por satisfeito quanto  sua bona fide. Assim, forneceu-lhe todas as informaes de que dispunha. O 
Sr. Mount agradecera e sara imediatamente.
Imaginou Rudge que esse encontro, provavelmente, era tudo que Mount tinha a fazer em Drychester, mas, 
para maior segurana, foi at a catedral e, sob o disfarce de ex-paroquiano, perguntou ao chefe da portaria se 
alguma vez ouvira falar de seu antigo vigrio, o Rev. Philip Mount, que, segundo acreditava, estaria 
agora encarregado de uma parquia ali por perto. A partir deste ponto foi fcil desenvolver a conversao no 
rumo que era necessrio, e Rudge no tardou a convencer-se de que o Vigrio no fora  catedral no dia em 
questo.
Rudge pegou o ltimo trem para Londres, daquela noite. Cedo, na manh seguinte, j estava na Scotland 
Yard, onde explicou que pretendia fazer algumas investigaes no Hotel Charing Cross e possivelmente em 
outros lugares. Foi-lhe perguntado se precisava de ajuda e, tendo respondido que no, disseram-lhe que 
fosse em frente e que telefonasse, se necessrio.
Certo de que estava  vontade, Rudge foi at o hotel. Ali, com e auxlio de sua fotografia, no foi difcil 
estabelecer o fato de que Mount tinha chegado uns minutos antes das nove horas da noite em que telefonara 
para o inspetor, evidentemente tendo chegado pelo trem que encostou s 8:35 em Waterloo. Tanto quanto se 
soubesse, Mount no tinha sado naquela noite. Na manh seguinte, pagara sua conta depois do caf da 
manh e se fora.
At ento Rudge estava de vento em popa. Perguntas feitas na recepo e aos garons e arrumadeiras 
rapidamente resultaram nas informaes que desejava. Agora, porm, defrontava-se com alguma coisa mais 
dura. Em vo fez perguntas ao pessoal da portaria e aos mensageiros. O chefe da portaria tinha visto o 
Vigrio, ao que se lembrava embora no soubesse dizer como se havia retirado. Talvez ele ou um de seus 
homens tivesse chamado um txi para o Vigrio, mas chamavam tantos txis que no podiam ter certeza.
Apesar da persistncia extrema de Rudge, o xito no coroou seus esforos. Mount se retirara, mas 
ningum sabia como.
Rudge encaminhou-se para a praa em frente  estao. Co toda a probabilidade, Mount se dirigira a p para 
onde pretendia ir eu, quem sabe, tornara um nibus ou descera de metr. Se fora assim Rudge no sabia 
como poderia possivelmente seguir-lhe os passos e seria forado a voltar para Whynmouth, apoiado na 
esperana de obter um depoimento. Depoimento que Mount,  claro, poderia recusar-se a prestar, sem que 
Rudge atinasse como iria for-la a que o fizesse. No, se ele, Rudge, pudesse descobrir o que Mount tinha 
feito em Londres, seria infinitamente melhor.
Ser que Mount, afinal de contas no tomou um txi?, pensou Rudge. O pessoal da portaria poderia ter-se 
esquecido da circunstncia ou o prprio Mount poderia ter sado e chamado um txi ele mesmo. Rudge 
decidiu fazer investigaes entre os motoristas que costumavam fazer ponto nas proximidades do hotel.
Ps mos  obra imediatamente, mas verificou tratar-se de uma tarefa longa. A um motorista atrs do outro 
mostrou a fotografia que trazia e perguntou se no haviam pegado o Vigrio como passageiro. Um motorista 
atrs do outro respondeu negativamente,.
abanando a cabea. Nunca tinham visto aquele cavalheiro.
Mas Rudge insistiu. Essas investigaes eram a sua nica esperana e, antes de abandon-las, queria ter 
certeza de que no levavam a lugar nenhum. Finalmente, sua perseverana colheu uma justa recompensa. 
Um motorista regressando de uma corrida e tomou lugar no fim da sada. Rudge se dirigiu a ele com a foto.
O motorista procurou ser discreto. Havia visto Mount, mas no sabia o que Rude estava pretendendo. Uma 
boa gorjeta, no entanto, aplacou seus escrpulos, e o motorista disse o que sabia.
Ao que parecia, Mount tornara seu txi na praa da estao e pediu para ser levado  Rua Judd, para um 
determinado hotel. Ele no se lembrava do nmero, mas podia encontrar novamente o lugar.
 Ento vamos l  disse o inspetor, aboletando-se no carro.
No demorou muito a chegarem ao Hotel Friedlander e dentro de poucos minutos Rudge estava conversando 
com a gerente. Sim, o clrigo da foto tinha chegado na manh em questo. Tinha pedido para ver a Sra. 
Arkwright, uma senhora que estava hospedada com eles havia umas trs semanas. Mas a Sra. Arkwright 
tinha ido embora inesperadamente na noite anterior e ainda no havia voltado,.
de modo que o clrigo Seara desapontado. Ele havia deixado seu nome e seu endereo: Rev. Philip Mount, 
Vicariato de Lingham, Whynmouth, Dorset, e pedira que fosse solicitada  Sra. Arkwright para lhe telefonar 
quando voltasse. O Vigrio se retirara em seguida.
Rudge encaminhou sua conversao para a Sra. Arkwright. A.
gerente mostrou-se reticente, mas mesmo assim o policial conseguiu saber muita coisa. A Sta Arkwright era 
pequena, de meia-idade, ativa e animada. Decididamente era uma mulher bonita e que sabia.
vestir-se. Ainda que evidentemente no fosse rica, parecia ter conforto. A gerente no tinha certeza se ela 
no seria francesa. Havia uma moa francesa hospedada no hotel, e a Sra. Arkwright conversara com a 
moa em francs, to fluentemente como conversava com os demais em ingls.
O inspetor sentiu que estava progredindo. Que esta Sra. Arkwright tinha viajado inesperadamente de Londres 
para Drychester na noite que precedeu ao crime agora parecia claro. Tendo, durante a viagem, se 
transformado misteriosamente na Sra. Marsh, foi de carro at o Vicariato, desaparecendo em seguida.
Rudge gostaria de examinar o quarto e os pertences da senhora, mas no dispunha de nenhum mandado, e 
achou que de outra maneira no lhe seria possvel. No entanto, bombeando cuidadosamente, conseguiu 
saber um pouco mais da gerente.
A Sra. Arkwright tinha maneiras agradveis e era benquista entre os hspedes. Ela mesma, no entanto, no 
tinha muitos amigos, com o que a gerente queria dizer visitantes. Na verdade, a gerente podia dizer que 
somente um visitante a procurava, um homem que aparecia a intervalos irregulares. Era um homem alto o de 
aparncia distinta, com a testa bronzeada, como se tivesse vivido em um pas de clima quente. A gerente, de 
fato, nunca tinha visto um homem to bonito. Seu nome era Sr. Jellet.
Ao sair do hotel, Rudge tinha um estado de esprito reflexivo e, automaticamente, encaminhou-se para uma 
estao do metr. Havia algo de muito enigmtico a respeito de tudo isso. Que es Sra. Arkwright ou Marsh 
tinha estado no Vicariato na noite d crime, no podia haver dvida. Mas isso no significava que tivesse visto 
Mount. Do que o Vigrio dissera para o motorista de txi e difcil acreditar que ele soubesse que a dama 
estava por l. A mesmo tempo, Rudge tambm achava difcil acreditar na hist6 de que ela tivesse ido visitar a 
governanta e sofresse um desmaio Em qualquer caso, para onde teria ido a mulher ao desaparece Poder-se-
ia supor que o prprio Mount no soubesse e que sua i a Drychester e a Londres era somente um esforo 
para descobri-1 Para Rudge parecia mais que houvesse uma negociao secreta se desenvolvendo entre o 
Vigrio e essa mulher. Quer o Vigrio a tenha visto ou no na noite do crime, algo tinha acontecido p que ele 
desejasse v-la no dia seguinte. E envolvendo tudo ha uma dose de mistrio que no parecia nada boa.
Foi ento que Rudge se lembrou de uma coisa que lhe foi dito pela faladeira proprietria do Lord Marshall, em 
Whynmount Esse homem, Mount, tivera problemas em sua vida. Sua mulher e havia abandonado por outro 
homem. Ser que...?
Rudge se ps a assobiar, suavemente. Se a Sra. Arkwright Marsh fosse realmente a Sra. Mount, isto 
poderia, pelo menos, explicar parcialmente esses procedimentos misteriosos. Algum problema, talvez o do 
div6rcio, poderia ter surgido, necessitando de um encontro imediato. Isso responderia pela visita ao Vicariato 
e pela subsequente ida de Mount a Londres, ainda que no explicasse a negativa de Mount em saber de sua 
visita. Oh, sim, poderia. Rudge percebeu que estava enganado. Na excitao provocada pela discusso de 
um divrcio, o txi bem que poderia ter sido esquecido, e quando Mount se deparou com o motorista que 
estava esperando poderia ter inventado a histria a respeito da governanta, para evitar um possvel escndalo.
Como um todo, Rudge julgava sua hiptese bastante promissora para justificar aprofundar-se nela. No via, 
tinha que admitir, como estaria isso ligado  morte do Almirante Penistone, mas essa conexo era sugerida 
pelo bote, pelo chapu e, particularmente, pela ansiedade do Vigrio durante a audincia.
Como, raciocinava Rudge, poderia descobrir alguma coisa sobre a mulher de Mount que o abandonara? 
Pensou durante alguns minutos e, em seguida, voltando a Scotland Yard, conseguiu por emprstimo um 
dossi, atravs do qual ficou sabendo que Mount se encontrava em sua presente posio havia 10 anos, 
antes do que era adjunto de um p mo em uma das igrejas de Hull. Imediatamente, o Inspetor fez uma 
chamada para o Superintendente de Hull, pedindo-lhe para tentar conseguir uma descrio e, se possvel, 
uma foto da Sra. Mount.
Duas horas depois, Rudge recebeu uma resposta, segundo a qual a descrio e uma fotografia haviam sido 
obtidas e estavam sendo enviadas para a Yard.
Na segunda-feira, pela manh, chegou a encomenda. A fato tinha sido obtida na redao de um jornal local e 
mostrava a senhora em um grupo do comit do hospital. A descrio deu a Rudge um arrepio de satisfao. 
Parecia estar na pista certa.
Em meia hora, Rudge estava de volta ao hotel da Rua Judd. Lamentava ter que importunar novamente a 
gerente, mas poderia ela ter a bondade de informar se a Sra. Arkwright se encontrava entre as pessoas nele 
grupo?
A gerente hesitou um pouco, mas quando Rudge explicou que a foto tinha sido tirada h uns 10 anos, ela 
pde responder com segurana. Sim, a quarta senhora, a partir da esquerda, era, sem sombra de dvida, a 
Sra. Arkwright.
Satisfeito consigo mesmo, Rudge tomou o primeiro trem de Waterloo. Determinado a ir at o fim, foi a 
Drychester e se encontrou com seu amigo motorista de txi. Em Drychester a confirmao no foi definitiva, 
ainda que o homem tivesse concordado que a passageira bem poderia ter sido a dama da foto.
 Foi com a sensao de que havia tentado algo e algo havia conseguido, que Rudge voltou  delegacia de 
polcia naquela tarde para dar cincia ao Superintendente Hawkesworth dos progressos feitos. Hawkesworth, 
no entanto, adotou o desapontamento e estreito ponto de vista to freqentemente demonstrado pela 
Autoridade.
 Huh  fez ele, quando Rudge terminou.  Isso me parece um assunto ntimo. Esse bendito proco deve 
estar pensando em acertar as coisas com sua mulher, ou divorciar-se ou o que quer que voc imagine. Mas 
isso no nos vai ajudar com relao ao problema de quem matou o velho Penistone. O que voc prope que 
seja feito agora?
 Estou pensando, senhor, em ir procurar Mount e lhe pedir uma explicao.
Hawkesworth franziu o cenho.
 Uma explicao de qu?
 Uma explicao sobre onde foi a Sra. Mount naquela noite.
O bote foi desamarrado; isso estava em ligao com o crime; quem levou o bote? A Sra. Mount? Creio, 
senhor, que nas presentes circunstncias podemos pressionar um pouco esse assunto.
O Superintendente ficou pensando por algum tempo, em seguida meneou a cabea, concordando.
 Muito bem. Faa isso. J que chegou at a, v em frente.
Rudge sentia-se amargamente indignado ao dirigir seu carro para o Vicariato de Lingham. Isso era o que 
acontecia sempre quando algum se esforava e fazia uma coisa excepcionalmente bem! Que espcie de 
crebro tinha Hawkesworth? Com toda a certeza no estava claro que essa informao sobre a Sra. Mount 
era vital? Sua inesperada visita ao Vicariato na noite do crime; seu inesperado desaparecimento depois de ir 
at l; a ignorncia de Mount, suposta ou no, sobre toda essa questo. O bote; o chapu; a sbita tentativa 
de Mount de encontrar sua mulher; os subterfgios de Mount para evitar que a realidade viesse  tona...  
assuntos eclesisticos, dissera a Rudge; o infeliz casamento de um paroquiano, tinha o Vigrio explicado ao 
gerente do hotel de Drychester assuntos de famlia, esclarecera  senhora da Rua Judd...
De fato, todas as coisas pareciam tremendamente escorregadias e era provvel que conseguisse de Mount 
valiosas informaes. De certo modo animado, Rudge foi at o Vicariato.


 CAPTULO X

A Banheira
EDGAR Jepson

          O Agente de Polcia Richard Hempstead vinha tratando com carinho sua tia, a Sra. Emery. De 
incio, quando ela voltou para suas antigas vizinhanas e se empregou em Rundel Croft, Hempstead se havia 
mostrado como sobrinho que era, mas de forma moderada, certamente sem chegar ao ponto de acarici-la e, 
mesmo agora, o carinho, deve supor-se, no seria uma efuso natural de puro sentimento de nepotismo. Era 
o resultado de um sentimento, na realidade de dois sentimentos  um forte pressentimento, um palpite, de 
fato, de que o segredo do assassinato do Almirante devia ser procurado em Rundel Croft, e um outro no 
menos forte de que a companhia de Jennie Merton fazia bem a ele.
Assim, durante a ltima semana estivera freqentemente na casa. Em suas rondas, sempre lhe ocorriam 
todos os tipos de razes para ir ver sua tia; estando a casa vazia, a no ser por ela, o marido e Jennie, os 
ladres podiam entrar ou as galinhas serem roubadas; ou precisava fazer alguma pergunta relacionada com o 
mistrio, sem grande importncia; ou tinha que prestar alguma informao, sem grande importncia, sobre 
os progressos da Polcia no sentido de sua soluo. Hempstead era dotado de uma imaginao bastante 
criativa, o que, sem dvida, lhe era de utilidade no banco de testemunhas. Quando no se encontrava de 
servio, passava por l, na qualidade de sobrinho, para tomar ch ou jantar.
Deve duvidar-se de que a Sra. Emery, que gozava de uma inteligncia feminina bem maior do que o comum, 
como as mulheres dos Emerys deste mundo geralmente tm, julgasse a assiduidade de Hempstead como o 
melhor dos sentimentos de um sobrinho. Ela percebia que Jennie, como regra, se encontrava por perto  
Jennie tinha uma excelente vista sobre o caminho a partir das janelas da parte de cima da casa, onde suas 
obrigaes a mantinham a maior parte do tempo  para abrir a porta para o Agente de Polcia, quando este 
chegava.' Tambm, uma ocasio, ela ouvira Jennie dizer, quando o acompanhava da porta dos fundos para 
a cozinha:  Oh, pare com isso, Sr. Hempstead.
Bem, da maneira pela qual a Sra. Emery via as coisas, Jennie era uma boa moa, como as moas so hoje 
em dia, e mostrava muito senso na maneira pela qual se saa na cozinha, sendo a cozinha o que um homem 
de fato queria ao casar-se; de qualquer modo, Dick era um desses rapazes teimosos, que usaria seus 
prprios caminhos ou poderia fazer pior. De qualquer modo, quem era ela para interferir nos sonhos de amor 
de um jovem?
Assim, veio a ocorrer que Hempstead passara a ir freqentemente a Rundel Croft, sem que Elma Holland e 
seu marido ali estivessem. Se por vezes, em suas rondas, ele no se encontrava sozinho, mas 
acompanhado por Jennie, no havia mal algum. ele era tambm um homem til de ter-se por perto, pois em 
uma casa.
grande como Rundel Croft, pequenas coisas esto sempre precisando de ser consertadas e ele era til com 
as mos. A Sra. Emery no demorou a contar com ele para reparar as pequenas coisas que o Almirante 
costumava consertar, colocando uma mola em uma fechadura que se estragara, refazendo uma pintura que 
descascara, para manter de fato tudo novinho em folha como o Almirante gostava. Ele era um visitante til.
Hempstead instilara em Jennie sua firme opinio de que a soluo do mistrio do crime deveria ser 
encontrada na casa, e como Jennie o tivesse ajudado em suas buscas, ou mesmo empreendido algumas 
nos intervalos, por conta prpria, essa identidade de opinies fez com que ela o ajudasse com entusiasmo.
Juntos, revistavam a casa com um detalhamento fora do comum, todos os cantos e recantos, especialmente 
o escritrio e o quarto do Almirante, e o quarto de dormir de Elma Holland e sua sala de estar, procurando 
acima de tudo o vestido branco que desaparecera, e com o qual Elma havia jantado na casa do Vigrio.    
Sabe, Jennie, no digo que voc estivesse errada ao pensar que a Sra. Holland guardou o vestido em sua 
mala e o levou para Londres  disse Hempstead  mas h uma possibilidade de que ela o tenha dobrado 
bem e o enfiado em algum buraco ou em algum canto e, se for assim, e se ns o encontrarmos, dou um 
doce se no encontrarmos no tal vestido marcas de uma forma ou de outra que no sejam uma pista til. 
Talvez at esteja sujo de sangue.
 Talvez tenha razo  concordou Jennie.
Os dois se depararam com vrios buracos e cantos onde o vestido poderia ter sido metido, mas no 
encontraram o vestido.
Ento, na tarde de segunda-feira, quando estavam acabando de tomar ch (mais ou menos ao mesmo tempo 
em que o Inspetor Rudge chegava  delegacia de Whynmouth), a Sra. Emery disse: H uma coisa, Dick, que 
voc poderia ver antes de sair, a banheira. A Srta. Elma reclamou, quando voltou, que a gua estava 
escoando muito devagar e agora est entupida mesmo e a gua no sai de jeito nenhum. 6 um servio de 
bombeiro, eu sei; mas voc poderia dar um jeito.
 Bem, isto  fcil, tia  respondera Hempstead, com a confiana masculina.  Basta desentupir o ralo.
Hempstead acabou seu ch  ele sempre se demorava mais a tom-la do que seu tio e as duas mulheres  
pegou as ferramentas que julgou necessrias na caixa de ferramentas da casa e, juntamente com Jennie, 
encaminhou-se para o banheiro e se ps a trabalhar. Era um trabalho fcil, pois, depois de ter retirado 
o linleo, encontrou solta a tbua do soalho por cima do ralo, a fim de evitar que o inevitvel bombeiro tivesse 
muita dificuldade em chegar a ele. O ralo estava cheio de cabelos e Hempstead comeou a tir-los. Chamou 
sua ateno a grossura dos plos e se ps a examin-los.
  esquisito  observou Hempstead  se eu no tivesse visto a 'barba do Almirante eu diria que ele a tinha 
raspado.
 igual  barba do Almirante  comentou Jennie  s que menos grisalha.
Hempstead retirou do ralo, cuidadosamente, o restante dos plos, e os colocou dentro da pequena bacia 
esmaltada que trouxera consigo para nela colocar a suspeita que estava vedando o ralo, com um ar muito 
pensativo.
A tia disse  falou Hempstead  que a Sra. Holland reclamou que a gua estava escoando da banheira 
lentamente, quando ela voltou de Londres, depois de se casar. No creio que ningum tenha usado esta 
banheira entre o dia em que o Almirante foi assassinado e a ocasio em que a Sra. Holland voltou.
 Creio que no  concordou Jennie.
 Ento, se algum se barbeou...  disse Hempstead pensativamente e parou. J falara muito. No era bom 
fazer comentrios. Alm do mais, precisava pensar.  No devemos falar nada sobre isso  tornou o Agente 
de Polcia  nem mesmo para meu tio ou para minha tia. Pode ser alguma coisa importante.
 Claro que no  assentiu Jennie  principalmente para sua tia. Todo mundo ficaria sabendo antes de cair a 
noite.
 Voc poderia arranjar-me um pedao de papel de embrulho grosso? No posso pr esses plos para secar 
na frente do fogo, l na cozinha, porque minha tia os veria.
 Claro que no pode  concordou Jennie, saindo para trazer o papel de embrulho grosso.
No demorou muito Jennie estava de volta com o papel.
Hempstead espremeu a gua dos plos de barba e os enrolou no papel pardo, colocando o pacotinho no 
bolso. Voltaram ambos para a cozinha.
 Creio que ningum usou esta banheira entre o momento que a Sra. Holland foi casar-se e a hora em que 
voltou para c, no , Tia?  perguntou Hempstead.
 Que eu saiba, no  respondeu a Sra. Emery.
 Bem, j limpei o ralo para a senhora e a gua est de novo correndo livremente  informou o policial e se 
retirou.
'Hempstead afastou-se pensativo, remoendo o que encontrara, para ir procurar o Inspetor Rudge.
Encontrou-o do lado de fora dos portes do Vicariato, mostrou o que tirara do ralo e contou-lhe como o fato 
ocorrera.
  muito estranho  observou o Inspetor  no ralo da banheira em Rundel Croft? Bem, bem.  Os olhos do 
Inspetor brilharam quando comeou a perceber as implicaes da descoberta.
 Sim, senhor. E a Sra. Holland reclamou que a gua estava escorrendo muito devagar de dentro da 
banheira, quando voltou depois de ter-se casado, e parece que ningum usou a banheira entre a data em que 
foi a Londres com essa finalidade e o dia em que voltou. Faz crer que no havia plo nenhum no ralo na 
noite em que o Almirante foi jantar com o Vigrio, a noite em que foi assassinado. E certamente no havia 
ningum barbudo na casa desde que a Sra. Holland se ausentou, na manh seguinte  noite do crime.
 O que voc est querendo dizer  que algum que tenha tirado a barba, f-lo na noite do crime?  
perguntou o Inspetor, franzindo o cenho pensativamente.
 5, sim, senhor.
 O Sr. Holland, por acaso, no usava barba?  indagou Rudge.
 No, senhor. Vi o Sr. Holland trs ou quatro vezes quando ele estava namorando a Sra. Holland, e ele era o 
mesmo que  agora.
 Ah  fez o Inspetor, e continuou, de cenho franzido.  Mas quem quer que tenha ido ao Lorde Marshall e 
perguntado pelo Sr. Holland usava barba, e me parece muito claro no se tratar absolutamente do Almirante, 
o que pe um fim a isto. Quem quer que usava a barba, voltou a Rundel Croft e a raspou.
 h isso mesmo, senhor  concordou Hempstead.
 Bem, quem o fez no poderia t-la feito a no ser que conhecesse muito bem algum em Rundel Croft, 
algum que s poderia ser o prprio Almirante ou a Sra. Holland. Se o Almirante estivesse vivo, poderia ter 
sido ele; mas se o Almirante j estivesse morto, s poderia ser a Sra. Holland  observou o Inspetor.
 Mas dificilmente poderia ter sido o Almirante, senhor, pois quem raspou a barba o fez porque no queria 
que ningum soubesse que ele fingira ser o Almirante  disse Hempstead.
 Exatamente, e no parece provvel que o Almirante quisesse que alguma outra pessoa pretendesse passar 
por ele. Mas foi algum que conhecia um dos dois, sem dvida.
 Mas o ltimo lugar em que algum que cometeu o crime desejaria ser visto era aqui  protestou 
Hempstead.
 Ora, ora  disse o Inspetor.  Se voc soubesse das bobagens que j vi um criminoso fazer... Alm disso, 
h muitas pessoas que se denominam a si prprias de criminologistas, e que afirmam que um criminoso 
sempre volta  cena do crime.
 Foi o que aconteceu?
 No, creio que no  tornou o Inspetor. Ele permaneceu em silncio, considerando as novas possibilidades 
trazidas pela descoberta de Hempstead.
Em seguida, radiante de satisfao, voltou a se dirigir a seu subordinado.
Bem, o que queremos  um homem que raspou a barba recentemente. Bem, quem foi que eu vi, no faz 
muito tempo, que raspara a barba? Desconfio que vi algum.
 

















CAPTULO XI

No Vicariato
CLEMENCE DANE 

         Rudge tocou a campainha e como ningum veio atend-lo, tocou novamente. Podia ouvir a 
campainha soando nas profundezas da casa, mas no percebeu rudo algum de passos. A paz de vero que 
se espalhara sobre o jardim sem dvida tinha produzido efeito sobre a prpria casa. Todas as persianas 
estavam corridas, e Rudge podia ouvir o tique-taque do relgio antigo existente no bali. Espiando pelo buraco 
da fechadura, observou o seguinte: (a) que no havia chave. no buraco, e (b) que o bali estava vazio. No 
havia vigrio algum do lado de dentro, em cima do capacho, tiritando em seus chinelos, temeroso de ignorar 
a campainha que tocava, mas ao mesmo tempo com medo de atender  porta. Tudo o que havia era uma 
quietude de hora do ch, ainda que no se ouvisse o agradvel som produzido por loua de porcelana nem o 
retinir de colheres. Sem dvida, pensou o Inspetor, as empregadas esto tomando ch do lado de fora. As 
mulheres com freqncia levam suas costuras para o jardim. Vou dar a volta.
Deu a volta. O quintal bem arrumado e forrado com pedras, no entanto, achava-se igualmente deserto. A 
porta da cozinha estava trancada, e, no havia ningum no alpendre do outro lado do ptio. Na porta da 
cozinha, porm, estava pregado um carto, branco, tais como os usados pelas funerrias, no qual tinha sido 
escrito: VOLTAREI AS SETE E MEIA.
Ento era isso! Aborrecido, pois, apesar de seu zelo profissional, o Inspetor Rudge teria apreciado tomar uma 
xcara de ch, ele bateu em retirada. Com o eco barulhento de seus passos quebrando o silncio, rodeou o 
jardim. Rudge sabia que devia ter sado diretamente para a rua. A no ser que estivesse em misso oficial, 
era um intruso sem quaisquer direitos ali. Mas tinha que esperar duas horas antes de poder voltar. 
Virtuosamente, decidiu perambular pelo vilarejo, fazendo ocasionais perguntas, do mesmo modo que rapazes 
conquistadores soltam piadas, e talvez ir visitar aquele enigmtico aldeo, o velho Wade, na esperana de 
conseguir o brilho de alguma farpa perdida de informao. De qualquer modo, fazia um calor intenso. Por que 
apressar-se? Alm do mais, no estava ali aquela ameixeira amarrada como um prisioneiro aoitado a uma 
parede de um canto do jardim?
Bem, se o Inspetor tinha um fraco era por esse enganoso fruto, a ameixa rainha. O londrino s conhece. 
ameixas em caixas, j estragadas, sabe que tem que comer trs esferas sem gosto colhidas demasiado 
cedo, para o bem de uma perfeio aucarada colhida demasiado tarde. Mas, quando garoto, Tommy Rudge 
tinha ficado com sua av em algum lugar em Norfolk, h 30 anos, e comera ameixas de Norfolk nascidas de 
uma forma semelhante. A memria, harpista experiente, tocou as cordas do corao do Inspetor. L estava a 
rvore; l estavam as ameixas, todas elas com o toque dourado da perfeio ampliando suas faces verdes. O 
Inspetor pulou por cima dos anos e dos trs ps de alface ao mesmo tempo. Colheu, comeu, limpou o caldo 
que escorreu por seu queixo e por seus dedos e jogou os caroos no cho.
Ao faz-lo, um reflexo de luz incidiu sobre seus olhos e o obrigou a olhar para baixo. O reflexo se justificou a 
si mesmo plenamente, mas no foi o caco de uma garrafa quebrada brilhando no cho que chamou sua 
ateno, aps aquele olhar preliminar; sua ateno foi atrada por alguns caroos de ameixas, no os que ele 
havia cuspido, que ainda no haviam secado de todo. Ao lado desses caroos havia um leno, manchado 
pelo suco da fruta, amassado em uma bolinha, e ao p da rvore o terreno sem vegetao mostrava pegadas 
ntidas, de p& pequenos. Tamanho trinta e trs, pensou Rudge, avaliando mecanicamente, e saltos 
franceses!
Abaixando-se sem tocar nas pegadas, puxou o leno para mais perto, apanhou-o e o sacudiu. O leno se 
desdobrou facilmente, pois ainda estava mido; nitidamente, algum havia limpado as pontas de dedos sujos 
de suco. Em seguida, levantando-se cuidadosamente a fim de no desfazer as pegadas prximas,, Rudge 
examinou seu achado.
O leno estava amassado e manchado; mas era de linho fino," com um delicado bordado. Duas libras e 
quinze a dzia, estimou o preciso Inspetor Rudge, que tinha o dom de guardar informaes dos mais 
estranhos tipos, e cuja me, uma dama de companhia ao seu tempo, sempre se .esforara para que as 
informaes fossem corretas. Duas libras e quinze  o meu palpite, a no ser que tenha sido em uma 
liquidao, repetiu o Inspetor Rudge meditativamente, quando, passando os dedos nas' pontas do leno, 
descobriu em uma delas a inicial C, pequena, destacada, no fazendo parte do leno original.
Pensativamente, o Inspetor alisou o leno e o dobrou; depois tirou de sua caderneta de notas um envelope 
limpo, nele colocou o leno e o guardou em um dos bolsos de dentro do palet. Mais pensativamente ainda, 
correu os olhos em volta, deteve-os momentaneamente sobre os caroos, sacudiu a cabea, observou as 
pegadas, tornou a sacudir a cabea, e ento, com uma precauo inteiramente diferente de sua impetuosa 
chegada, passou do canteiro para o caminho revestido e se ps a caminhar majestosamente para l e para 
c uma vez mais.
O Sol do fim da tarde incidiu sobre seus ombros curvados at que a sarja azuis de sua roupa brilhasse 
sordidamente, como todas as sarjas azuis brilharo um dia. Um inquisitivo tordo, confundindo-o em seu 
andar com o jardineiro, manteve-se a seu lado entre os arbustos. O Inspetor estava imerso em seus 
pensamentos e em algo mais do que pensamentos. Debatia-se, como duas ou trs vezes em sua singular 
vida se debatera, saindo dos baixios do bom senso para mergulhar nas insondveis profundezas do instinto. 
Sentia que parte de sua mente se refletia em seus cotovelos, como ele mesmo dizia, e que estava a carga. 
Alguma coisa estava errada, no sabia onde, no sabia como, e o Inspetor o pressentia. Tanto quanto 
soubesse no havia ningum em casa. Espiara para dentro do saguo de entrada e o encontrara vazio; o 
carto na porta dos fundos era uma explicao suficiente. Algum,  claro, podia estar escondido na casa. 
Mas, por que o faria? No havia nisso o menor sentido. E o Inspetor Rudge no tinha nada absolutamente em 
que se apoiar, nem mesmo o abrigo de seu poder de raciocnio, nem sua capacidade de juntar dois e dois e 
fazer 22. No, ele no dispunha de coisa alguma, a no ser o leno com a mancha que provava que algum 
estivera no jardim recentemente e aquele sentimento em seus cotovelos de que alguma coisa estava errada.
Tanto quanto soubesse no havia ningum na casa, mas Rudge teve o mais estranho dos pressentimentos 
de que havia algum no jardim. Era to forte esse sentimento que por duas vezes parou e s. voltou 
completamente para olhar as glrias ultrapassadas do caminho reto e longo. Vazio, claro. Somente um 
honesto claro do pr-do-sol o gratificou. Um calor vermelho, branco, azul e amarelo se elevava novamente 
dos montculos de piretro, das margaridas e dos flores. As malvas-rosa permaneciam imveis na atmosfera 
pesada e saturada de sol. O que havia de errado com um pr-do-sol honesto e com flores que se 
rejubilavam? O que havia de errado com o jardim do Vicariato, logo depois da hora do ch nesta tarde de 
agosto? Rudge voltou-se e retomou seus passos.
Alguma coisa estava errada.
Se C fosse a Sra. Mount, ento no ltimo quarto de hora a Sra. Mount teria estado no jardim de seu ex-
marido, comendo as ameixas de seu ex-marido, perfeitamente  vontade na casa. E agora, onde estaria ela? 
Dentro de casa? Mas por que estaria l? Mas podia estar. Rudge nunca vira sua caligrafia e era possvel ter 
sido ela quem escrevera VOLTAREI AS SETE E MEIA no carto. E onde teria ela conseguido um tal carto, 
a no ser que tivesse estado dentro de casa? Era o tipo de carto que seria possvel encontrar no escritrio 
de um proco, mas dificilmente em uma bolsa de senhora. Teria ela escrito a mensagem? T-la-ia escrito, 
sabendo que os empregados haviam sado, no escritrio de seu ex-marido? Para quem era a mensagem? 
Para o incompreensvel Vigrio? Para o simptico desconhecido que ocasionalmente ia visi4-la no hotel? 
Por que s sete e meia? E se no fosse ela quem houvesse escrito a mensagem? Suponhamos que tenha 
sido uma das empregadas? Ou o Vigrio?
Rudge sentiu um impulso de ir at a porta e arrancar de l o carto, mas se refreou. O carto era uma 
mensagem para algum.
Suponhamos que algum ainda no tivesse chegado e lido o carto? O melhor era no perturbar a situao.
Sem se sentir arrependido, o Inspetor ps de lado todas as idias a respeito de uma encalorada volta pelo 
sonolento lugarejo, de uma no lucrativa conversa com o funileiro, o alfaiate e o fabricante de velas e um 
outro encontro com Neddy Ware. O que ele lamentou foi pr de lado tambm o agradvel e planejado final 
daquele giro. O Inspetor Rudge no iria chegar  hospedaria local, no saborearia um gole de cerveja esfriada 
no poo. Em : lugar de tudo isso, o Inspetor, instintiva e profissionalmente, abandonou a estradinha aberta, 
tomando a pequena faixa de grama que terminava em uns arbustos, insinuando-se entre os rododendros.
Estes comeavam onde terminava o quintal por trs da cozinha e se estendiam at o jardim da frente, 
protegendo desta forma por um cinturo de uns trs metros o gramado e a casa da vista dos que passavam 
pela estrada.
O Inspetor conhecia suas obrigaes. Consultou o relgio: eram quase seis horas. Se algum chegasse ao 
Vicariato entre aquela hora e s sete e meia citada no carto da porta da cozinha, o Inspetor pretendia: ficar 
sabendo. Os rododendros estavam sujos, como sempre acontece com eles nas reas rurais, e a terra 
sob eles, empoeirada. Seu posto de observao tinha pouca ventilao e estava terrivelmente quente. Apesar 
disso, o Inspetor pretendia ali permanecer at que voltasse quem escreveu o carto ou a pessoa a quem era 
dirigido.
Rudge ajeitou-se da melhor maneira possvel, ainda que, por convenincia, no ousasse fumar, mas sempre 
tinha  mo goma de mascar, para tais emergncias e, pacientemente, jogou consigo mesmo o jogo da 
velha, pois a terra do local em que se encontrava era seca e to solta quanto areia A medida que as sombras 
cresciam, o ar tornava-se mais fresco e Rudge sofria menos do calor e mais de mosquitos. Mas no foi antes 
que o relgio da igreja local batesse sete horas que sua dedicao veio a receber uma recompensa. Vozes, 
prazenteiras e no abafadas, chegaram a seus ouvidos. O porto do jardim rangeu e tornou a ser fechado. 
Soaram passos do outro lado da impenetrvel parede de rododendros e azevinhos que separavam o gramado 
da entrada. Duas figuras vinham entrando em animada conversao, chegaram ao portal, mergulharam em 
suas sombras e a figura mais alta tocou a campainha.
O Inspetor Rudge se agarrou aos grossos ramos dos rododendros em sua surpresa. As ltimas pessoas do 
mundo que ele esperava ver a essa hora e nesse lugar eram os Hollands, marido e mulher. O que estavam 
eles dizendo? O que estavam fazendo? Podia ouvir a campainha tocando, mas n5o as palavras trocadas 
pelo casal; o portal, por sua vez, estava to imerso na sombra que no conseguia ver-lhes os rostos. Deveria 
aparecer e fazer perguntas?
Enquanto Rudge hesitava, os dois se voltaram no portal e se fez ouvir a voz clara de Holland.
 Ns podemos muito bem esperar.
Sua mulher tambm se fez ouvir.
 Que horas so agora?
Holland consultou o relgio.
 Sete, quase exatamente.
Elma hesitou.
 No fiz essa viagem toda por nada.
 Voc j pensou  ponderou Holland, inquieto  que pode ser uma armadilha?
. Uma armadilha? Como?
 Bem...  Holland pareceu hesitar.  At que ponto Clie est sabendo?
 Oh, no se preocupe com isso, Arthur. Est quente e no me quero apoquentar. Vamos sentar um pouco. 
 Cruzando o gramado, Elma sentou-se na bilha batida que se estendia entre duas fileiras de cedro gigante, 
enquanto o marido deixava-se cair na grama ao lado dela.
Durante uns 10 minutos, os dois ficaram ali sentados, quase sem falar. O Inspetor Rudge amaldioou sua 
sorte. Nove entre dez mulheres teriam colocado uma corda em torno dos prprios pescoos de tanto falar 
nesses 10 minutos to ociosos. Era sua sina suspeitar de uma mulher que, apesar de sua experincia, era 
capaz de sentar-se quieta e sem dizer nada. Ainda quando se cansasse de sua imobilidade, Elma no 
desprenderia sua lngua, nem daria ao observador qualquer razo para seu sbito movimento. Mas, quando 
Elma se ps de p e caminhou na direo da casa, seu marido instantaneamente se levantou tambm e 
juntou-se a ela.
Teria ela feito algum sinal para ele? Ser que se sentia observada?
Esses foram os pensamentos que ocorreram a Rudge. Mas o Inspetor tinha certeza de que no fizera 
qualquer movimento; apesar disso, continuou imvel. Elma Holland, pensou o Inspetor Rudge, era bem capaz 
de preparar uma contra-armadilha. Nesse meio tempo, o casal tinha chegado junto  casa uma vez mais e a 
voz de Holland veio rolando por sobre a grama.
 Acho que a porta est entreaberta.
 Ela deve ter chegado sem ns vermos  respondeu a voz da mulher.  Venha! Vamos entrar! Ela deve estar 
l dentro.  O casal desapareceu.
O Inspetor Rudge soltou um profundo suspiro de alvio. Finalmente, podia mexer-se, bocejar, espreguiar-se, 
tirar o peso de seu corpo de. cima de seu infortunado p, que, dobrado sob ele, estava quase dormente. Na 
verdade era um violento ataque de alfinetadas e agulhadas. Estava exatamente comeando a fazer 
massagens no p, quando quase, se deixou trair pelos nervos, em face do som, fraco mas inconfundvel, de 
um grito. Ficou rgido enquanto se sentava. Logo em seguida, ps-se de p, preparando-se para sair a 
descoberto, quando mais prximo, mais alto, mais vigoroso, ouviu um segundo grito, logo repetido em srie, 
ao mesmo tempo que emergia da escurido da porta entreaberta a figura de Rima Holland.
Ao chegar do lado de fora, aparentemente, a Sra. Holland no teve mais foras para caminhar, ainda que se 
esforasse por dar um ou dois passos, como se estivesse abrindo caminho atravs de uma cerca invisvel. 
Seu rosto estava to branco quanto as paredes descoradas da casa, e quando seu marido, que no 
momento seguinte atravessou correndo o portal, chegou junto a ela, Elma caiu em seus braos como um 
saco de batatas, O Inspetor no foi muito menos rpido, mas quando cruzou os arbustos e correu pelo 
gramado, seus pensamentos voavam  sua frente. O que teria ela visto para arrebentar-lhe os nervos dessa 
forma? Logo se aproximou do par enlaado, e pde observar as condies das mos de Holland, quando 
gritou: Ei, saiam da frente.  Em seguida, acrescentou:  Fiquem a onde esto.
Passou por eles, galgou os degraus, atirou-se correndo atravs do saguo e abriu a porta da sala de jantar. 
Vazia! Assim tambm a sala de visitas. Porm, a porta do escritrio do Vigrio estava aberta. Rudge entrou e 
lanou um apressado olhar em volta.
O escritrio estava muito calmo, nele se alternando barras de sol e de sombra, muito fresco, muito escuro. 
Era um frescor agradvel e uma escurido agradvel, depois da claridade do jardim. Quieto como um 
tmulo, raciocinou o Inspetor consigo mesmo. Ento, por que os gritos? Logo em seguida, aproximando-se 
da mesa, colocada em ngulo com a janela, como que em uma posio defensiva, Rudge viu por que Elma 
Holland tinha gritado.
Cado no cho, entre a mesa e a parede, o corpo de uma mulher. Tinha os olhos abertos e fixos, como os 
olhos cuidadosamente pintados de uma figura de cera; em suas faces a maquiagem se destacava em 
camadas em sua pele. As mos achavam-se cruzadas sobre o peito, no em uma atitude de paz, mas em 
um ltima gesto de energia. Elas estavam cruzadas em torno do cabo de uma faca, cuja lmina se perdia 
nas dobras manchadas de seu florido vestido de vero.






CAPTULO XII

Dissipando o Tumulto
ANTHONY BERKELEY 

         Rudge se ajoelhou ao lado do corpo, sem se preocupar com o sangue espalhado por todo o tapete. 
A mulher ainda estava quente e o sangue mal havia cessado de correr de seu peito. Mas, com toda a 
certeza, estava morta.
Uma voz vinda da porta fez com que o Inspetor se pusesse de p novamente.
 Ns estvamos no saguo quando ela fez isso. Ns, na verdade, ouvimos quando caiu  falou Holland, 
gravemente, mas sem qualquer indcio de pnico.
Rudge franziu o cenho.
 Creio que lhe disse para ficar l fora onde estava, senhor.
 Oh, suas ordens que se danem, homem. Aqui est uma mulher que se apunhalou a si mesma; no h 
tempo a perder com cerimnias. H alguma coisa que eu possa fazer? Ela est morta?
Tem certeza?
Rudge se ps de p, lentamente.
 Ela est morta, sem dvida. Deve ter morrido na ocasio em que o senhor estava dentro de casa.
 Ento morreu em meus braos  observou Holland, sombriamente.
O Inspetor olhou para o sangue na mo de Holland, e este acenou com a cabea positivamente.
 Eu a sustentei por um segundo  disse Holland.  Penistone que j estava morta e no quis mexer em 
suas mos ou delas arrancar a arma.
 Foi muito acertado de sua parte, senhor.
  claro que o senhor sabe quem  ela, no? A empregada francesa de minha mulher... Clie.
 Ah!  fez Rudge.  H algumas perguntas que lhes que fazer, ao senhor e  Sra. Holland.
 175 Mais tarde  disse Holland, com sua maneira decidida.
 Minha mulher se encontra, no momento, muito perturbada. Naturalmente. No quero que seja importunada 
at que se recupere.
Rudge levantou suas sobrancelhas ligeiramente.
 Tenho que pedir-lhe que no saia daqui por enquanto  limitou-se, porm, a dizer.  Nem o senhor, nem 
sua mulher.
Onde est a Sra. Holland neste momento?
 Coloquei-a sobre um canteiro no jardim. Devo ir l, ter com ela. Esperaremos l pelo senhor, Inspetor. 
Qualquer coisa que pudermos dizer-lhe, ns o faremos.
Ouviu-se o rudo de passos sobre o pedregulho do lado de fora, passos que se adentraram no saguo sem 
hesitar.
 H algum por a?  indagou uma voz. No momento seguinte, a figura do ubquo reprter da Evening 
Gazette apareceu  porta. Com um resmungo, Holland passou por ele e saiu.
Um raio de sol entrando pela janela iluminou alegremente os culos de armao de osso do reprter.
 Al, Inspetor. No esperava v-lo. O Vigrio est por a?
 S ento percebeu o que havia aos ps de Rudge.  Meu Deus... o que  isso?
 Pelo que sei, a Srta. Clie  respondeu Rudge, austeramente.  Ex-empregada da Sra. Holland. Devo 
pedir-lhe que me deixe s aqui, por favor. Mais tarde voc vai conseguir sua histria. H...  O som de 
passos l fora interrompeu as palavras do Inspetor. Os dois homens ficaram escutando, atentamente. De 
novo, os passos progrediram, entrando na casa sem hesitao, encaminhando-se para o escritrio. O Vigrio 
entrou no aposento.
 Ora, Inspetor  disse ele, surpreendido.  No sabia que o senhor tambm estaria presente. O senhor... 
soube  Por um momento, o Vigrio pareceu estar gelado demais para se mover. Em seguida, ele mesmo se 
ps de joelhos ao lado do corpo, soltando um grito.  Clia  No toque nela, por favor, senhor.  Rudge se 
dobrou, como que protegendo o corpo do socorro do Vigrio. Este voltou para o policial um rosto destroado.
 Est morta?  perguntou.
 Lamento que sim, senhor.
 Ela no... se suicidou?
 Parece incomumente provvel, senhor.
O Sr. Mount escondeu o rosto nas mos e permaneceu imvel durante quase um minuto. Quando tornou a 
falar, estava mais controlado.
 Inspetor, o senhor sabe quem  esta pobre alma?
 Ela j foi identificada, senhor, como ex-empregada francesa da Sra. Holland.
 Sim.  O Vigrio fez uma pausa, como que se decidindo a alguma coisa.  Inspetor, h muitas coisas 
relacionadas com esta tragdia que eu no posso revelar. Meus lbios esto selados quanto a confisses. 
Mas, se isso serve de alguma coisa no interesse da justia, o mximo que posso dizer : essa pobre 
criatura  minha mulher. E, ai de mim, temo que tenha sido eu quem a conduziu a esse ato terrvel.
 2
 O senhor?  estranhou o Inspetor.  Como?  Em seguida, tendo seus olhos incidido sobre o jornalista, 
acrescentou:  Escute aqui, eu lhe disse para cair fora.  O Inspetor estava a ponto de segurar o sujeito 
pelos ombros e o pr porta afora, como uma espcie de vlvula fsica para as diferentes emoes que 
fervilhavam em seu ntimo, quando percebeu o rosto plido do outro e suas mos trmulas, e que no era 
apenas uma insensvel curiosidade profissional que o prendia ali; o homem, na verdade, parecia at incapaz 
de caminhar. Rudge colocou a mo com delicadeza em seu ombro e no com ferocidade, e o encaminhou 
at a porta.
Voc esteve na guerra, no?
O reprter conseguiu esboar um trmulo sorriso.
 Sim, mas ns no matvamos mulheres. Creio que vou vomitar.
O Vigrio passou pelo Inspetor e se encarregou do homem, conduzindo-o at um pequeno lavatrio que dava 
para o saguo, ao lado da porta da frente.
 Fique a at sentir-se melhor  recomendou o Vigrio, e voltou para junto do Inspetor no escritrio.
 Muitas pessoas ficam enjoadas  vista de sangue  observou o Inspetor.  Bem, senhor... o que me estava 
dizendo?
Achavam-se os dois lado a lado, olhando o corpo da mulher.
 Pobre alma, pobre alma  murmurou o Vigrio.  A me e meus filhos, Inspetor. Talvez eu tenha sido muito 
duro com ela.
Muito mesquinho, talvez. Mesmo assim, que outra coisa eu poderia ter feito? Minha religio probe 
expressamente o divrcio. Aqueles a quem Deus juntou, ningum separar...  bastante explcito.
 Ela queria divorciar-se do senhor?  perguntou Rudge, delicadamente, interrompendo os murmrios do 
Vigrio, que pareciam dirigir-se mais a si prprio do que ao Inspetor.
 Sim. Nunca soube do nome da homem que a induziu a ir embora com ele; ela sempre se recusou a me 
dizer; talvez tenha sido melhor assim. Ele parece ter sido bom para ela, de acordo com sua opinio.  Estava 
claro que o Vigrio se esforava por ser justo.  De qualquer modo, ele era dedicado a ela e ela a ele.
Queriam casar-se. Sempre quiseram casar-se. Mas eu no tinha como me reconciliar com minha 
conscincia, se me divorciasse dela.
Ento, na ltima tera-feira... a noite do crime, realmente...
 Sim?  Rudge quase perdeu a respirao. Finalmente alguma coisa ia ser revelada a respeito dos obscuros 
acontecimentos daquela noite.
 Ela veio aqui falar comigo, tarde da noite, e insistiu mais uma vez que eu reconsiderasse minha deciso. 
Estava muito preocupada... agitada... de fato bastante perturbada...
 Ah!  fez o Inspetor.
 Tive a maior dificuldade em acalm-la. Especialmente em vista do que eu tinha para dizer.
Ento o senhor repetiu sua negativa?
 E o que mais poderia fazer?  tornou o Vigrio, contristadamente.  Em minha opinio, no tinha escolha. 
A inteno  bastante explcita. Preocupava-me muito ter que dar essa resposta, mas a conscincia  
aduziu o Vigrio, com um sorriso plido  faz de todos ns homens valentes.
 E a que horas foi, senhor, que a dama veio procur-lo?  O Inspetor teria preferido no continuar a fazer 
perguntas nas circunstncias em que se encontravam, mas seus deveres no eram menos explcitos.
 Eu a vi pouco depois da meia-noite.
 Temos informaes, porm, que ela chegou aqui por volta das onze horas.
Um leve rubor tingiu o rosto do Vigrio.
 Torno a dizer que. a vi pouco depois da meia-noite. Era por volta da meia-noite e quinze, tanto quanto me 
lembre. Trouxe-a aqui para o escritrio e conversamos cerca de uma hora.
 E o que esteve ela fazendo entre as onze e a meia-noite e quinze?
Os lbios do Vigrio ficaram duros.
 Isso no lhe posso dizer, Inspetor.
O que significa que no me vai dizer, ou que no sabe?
 Nada mais tenho a dizer.
Os dois homens se entreolharam firmemente. Rudge no insistiu naquele ponto.
 E esta tarde? Ela havia marcado um encontro com o senhor?
 Sim, para as sete horas, com a presena, tambm, do Sr.
e da Sr. Holland. Infelizmente, infelizmente mesmo, cheguei tarde. De outro modo  houve uma pequena 
falha na voz do Vigrio  quem sabe se eu no poderia ter evitado... isto?
 E o senhor estava...
 Na loja de flores de Ferrers Abbas. As empregadas ainda esto por l, bem como meus rapazes. A casa 
estava inteiramente vazia.
 Por que a Sra. Mount desejava esse encontro?
 Ela no disse.
 Mas o senhor chegou a alguma concluso, no?
 Creio  respondeu o Vigrio, um pouco inquietamente  que ela havia chegado a alguma deciso com 
respeito a certa informao que achava ter, relacionada com a morte do Almirante Penistone.
 E o senhor sabe qual  a informao?
Um olhar de obstinao, que o desespero de Rudge intimamente classificou de teimosia de mula, tomou 
conta do rosto do Vigrio.
 J lhe disse, Inspetor, que para alguns pontos os meus lbios esto selados. Este  um deles.
Novamente os dois se entreolharam. Desta vez, porm, a interrupo veio de fora. Uma vez mais soaram 
passos no pedregulho, logo seguidos, nesta ocasio, pelo bater de um velho sino l pelos lados da porta de 
trs da casa.
O Vigrio foi at o saguo. Rudge seguiu.
De p,  porta da frente, encontra um homem idoso e de pequena estatura, cujo terno no muito novo era 
completado por elegante chapu de feltro, colocado em um jovial ngulo.
 Ah, Mount  disse o homem  desculpe-me por chegar to tarde. A reunio j terminou?
 Reunio?  repetiu o Vigrio, estupidamente.
 Sim. Foi-me dito para estar aqui s sete horas. No pude apurar o que se passava pelo telefone, mas a 
dama parecia estar com muita pressa.
 Ela... lhe telefonou?
 Sim.  O recm-chegado pareceu mais do que um pouco embaraado.  Para mim parecia um conto da 
carochinha. Bem, ela me disse que era sua mulher.
 E era  concordou o Vigrio, sombriamente. Voltou-se para Rudge.  Inspetor, no creio que o senhor 
conhea Sir Wilfrid Denny, no ?
 De vista, sim, senhor. Prazer em v-lo de volta, Sir. Wilfrid.
Tenho esperado para trocar uma ou duas palavras com o senhor.
 Sobre esse crime terrvel de Rundel Croft? Sim,  claro.
Voltei hoje  tarde. Nunca me ocorreu que o senhor me quisesse ver, ou teria voltado antes. Tive que ir a 
Paris.

  Denny...
Obviamente o Vigrio ia contar a novidade da ltima tragdia e, no querendo intrometer-se na cena, Rudge 
se retirou. Por curiosidade, abriu a porta do lavatrio onde ficara o reprter que se sentira mal, e olhou l para 
dentro. Estava vazio. Evidentemente o homem se tinha recuperado.
Antes de voltar ao escritrio, para montar guarda ao corpo e telefonar para o Superintendente e para o Dr. 
Grice, Rudge cedeu  sua curiosidade mais uma vez. Deu alguns passos j do lado de fora da porta e olhou 
o jardim. O resultado foi gratificante para ele. No canteiro, sentados um ao lado do outro, estavam o Sr. e a 
Sra. Holland; o brao do Sr. Holland estava passado em torno da mulher, e esta tinha a cabea apoiada nos 
ombros do marido.
Na hora mesmo em que Rudge os viu, a Sra. Holland levantou a cabea e espontaneamente beijou o marido.
Ento, afinal de contas, ela  humana, observou Rudge para si mesmo, tornando a entrar na casa 
apressadamente. E agora verificou que o amava durante todo o tempo. Bem, dizem que h um choque 
quando algum se apercebe disso.
 3
Rudge passou o caso para o Superintendente Hawkesworth.
O Major Twyfitt, Delegado de Polcia do Condado, voltara para casa de carro, mas felizmente no levava 
Hawkesworth com ele.
Juntos, os dois haviam revistado a casa, to logo o Dr. Grice chegara, mas no encontraram nada que 
lanasse mais luz sobre o caso.
O Superintendente encontrava-se agora tomando as providncias para a remoo do corpo, e Rudge se 
achou livre para trocar umas poucas palavras com o Sr. e a Sra. Holland.
A Sra. Holland estava ainda no mesmo lugar no jardim. Era bvio que recebera um tremendo choque, mas j 
apresentava alguns sinais de recuperao, e Rudge, que desejava fazer suas perguntas enquanto a 
impresso ainda era forte, julgou-se justificado em no acatar as objees de Holland, quanto a uma 
conversa imediata.
Com um ar inteiramente no oficial, deixou-se cair na grama, ao lado do casal.
  uma infelicidade, senhor, concordo. Mas h de compreender que preciso cumprir meu dever. Poderia a 
senhora, agora, ter a bondade de me dizer, primeiro que tudo, o que sabia a respeito dessa reunio? Quando 
a Sra. Mount a combinou e quais as razes que apresentou?
A pergunta do Inspetor tinha sido dirigida  Sra. Holland, mas foi seu marido quem respondeu.
 Ela ligou para ns no Lorde Marshall, hoje logo depois do almoo, e nos pediu que nos encontrssemos 
com ela, sem dar nenhuma razo.
 Mas devem ter inferido uma?
 No.
 Foi o senhor quem falou com ela por telefone?
 No  respondeu Holland relutantemente, observando Rudge.  Foi minha mulher.
 Enteado  disse Rudge, voltando-se intencionalmente para a Sra. Holland.  Que razo a senhora inferiu na 
ocasio, madame?
 Nenhuma.  O tom de Elma era lacnico como de costume.
 E a senhora no fez nenhuma pergunta a respeito?
 No.
 Mas no lhe pareceu estranho que sua ex-empregada quisesse v-la no Vicariato?
 Imaginei que devia estar preocupada com alguma coisa e queria um conselho, no tendo querido ir ao 
hotel, onde poderia ser reconhecida.
 Mas por que seria ela reconhecida?
Elma deu de ombros.
 Isto eu no lhe sei dizer.
 A senhora sabia que ela era a mulher do Sr. Mount?
 Certamente no.
 Ficou surpreendida com este fato?
 Muito.
 Talvez  aventou Rudge  a senhora possa ver algo atravs do qual este fato lance alguma luz na morte de 
seu tio?
 Creio que no  redargiu Elma.  Mas  claro, isto d uma razo para que ela tenha-me deixado... 
deixado o meu servio to abruptamente.
 Sim, isso  verdade  concordou Rudge.  Por falar nisso, a senhora disse ter pensado que ela estivesse 
preocupada com alguma coisa. Foi o que lhe pareceu ao telefone?
 Agitada, talvez  admitiu Elma.  Sim, estava.
Mas mesmo assim nem tanto agitada, pensou Rudge, pois comeu ameixas antes da reunio que 
convocou.
 Nunca lhe ocorreu  prosseguiu Rudge  que o conselho que a senhora sups que ela quisesse, talvez 
tivesse algum relacionamento com a morte de seu tio?
Certamente no  replicou Elma, rispidamente.  Por que teria?
 Rudge poderia dar mais de uma razo em resposta a essa pergunta. Mas no o fez. Preferindo fazer uma 
outra pergunta, lenta e intencionalmente.
 At onde Clie... sabia?
Seu tiro aceitou em cheio. Elma empalideceu, em seguida ficou corada e o olhar que dirigiu ao marido era 
um evidente pedido de auxlio. Holland atendeu imediatamente.
As palavras de Holland pegaram Rudge de surpresa. Ele no esbravejou nem tentou interromper o 
interrogatrio, limitando-se apenas a fazer uma observao.
  curioso que o senhor esteja dizendo isso, Inspetor; fiz a mesma pergunta  minha mulher h menos de 
uma hora. Eu tambm havia considerado a possibilidade de que ela estivesse em vim de nos dar alguma 
informao sobre a morte do Almirante. Me minha mulher foi positiva, e respondendo que ela no podia 
sabe] de nada.
 Como poderia?  perguntou Elma, aparentemente aliviada Rudge olhou para um e para o outro. Sabia muito 
bem que{ a Sra. Holland no dissera nada desse tipo, de qualquer modo, pele menos, h uma hora. Rudge 
no teve certeza de que tivesse agido inteligentemente. Numa tentativa de extrair do casal as informaes, 
dera-lhes a perceber que estivera escutando sua conversa, e quanto se achavam esperando, e Holland,  
claro, vira quando Rudge sara dos arbustos. Eles no podiam ter certeza de que Rudge tambm no os 
ouvira quando estavam no canteiro. Mas Holland no se achava absolutamente assustado. Ele havia retirado 
a coisa calmamente das mos de Rudge, tranqilizado sua mulher, e apresentado uma resposta que fora 
admirvel em sua essncia de no comprometimento. Rudge teria que se consolar com o fato de que Elma, 
sem dvida, perdera seu controle, ainda que por um instante Esses dois tinham que saber de alguma coisa, 
mas Rudge reconheci que no teria a mnima chance de arrancar deles o que sabiam atravs de perguntas 
diretas. Preocupado para que no os pudesse demasiadamente em guarda, tentou uma outra linha.
 Bem, diga-me, senhor, exatamente o que aconteceu quando entraram ambos na casa. O senhor notou que 
a porta da frente estava aberta, creio, e acompanhou a Sra. Holland l para dentro Holland sorriu, levemente.
 Como o senhor pde ver, Inspetor, l de baixo dos arboretos, sim. Por falar nisso  aduziu Holland, com 
mais seriedade  o senhor tinha alguma idia de que algo semelhante estava p acontecer? Porque se  
assim...
 Eu no fazia qualquer idia. No mais do que o senhor ( mesmo. Bem, quer ter a bondade de me contar o 
que ocorreu?
 Bem, acompanhei minha mulher no saguo. Pensamos que Clie... a Sra. Mount... devia ter chegado, pois 
a porta estava entreaberta. Olhamos primeiramente na sala de visitas, depois na de jantar. Creio que foi 
quando nos encontrvamos na sala de jantar (que, como sabe,  junto ao escritrio), que ouvimos um grito...
 Um grito terrvel  aduziu a Sra. Holland, com um tremor.
Sim, foi terrvel. Nunca ouvi nada assim to... bem, horripilante... dando medo. Era exatamente como se 
fosse um animal. Sa correndo da sala de jantar e entrei no escritrio, mas, antes de chegar l, ouvi um 
baque, que deve ter sido produzido por sua queda. E l estava ela, cada no tapete, o sangue correndo.
Como j lhe disse, ela morreu em meus braos.
 Oh-h-h-h-h-h  choramingou Elma.
 Compreendo. Obrigado, senhor. E a Sra. Holland? Isso coincide com suas pr6prias impresses?
 Sim, creio que sim. Talvez eu devesse diz r que ouvimos o baque antes de meu marido correr, mas no 
tenho certeza.
 Mas o senhor no pensa assim, no ?
Holland refletiu por uns instantes antes de responder.
 No poderia dizer. Talvez. Creio que ficamos imveis durante alguns segundos. Uma espcie de medo, 
sabe? Sim, talvez tenhamos ouvido o baque antes de que eu corresse. No tenho certeza, agora que estou 
pensando nisso. De qualquer modo, no pode ter-se passado mais de um segundo e meio entre uma coisa 
e outra.
 E a senhora acompanhou seu marido ao escritrio, madame?
 Sim.  Elma hesitou.  E l... e l...  Cobriu o rosto com as mos e seu corpo estremeceu.
 Inspetor  disse Holland, rapidamente  caia fora.
Rudge afastou-se.
De qualquer modo, no esperava mesmo ficar sabendo de mais alguma coisa.
 4
 Claro que  suicdio  resmungou o Superintendente.  O doutor diz que a empunhadura no punhal deve ter 
ocorrido enquanto viva; nele s h suas impresses digitais; os Hollands se encontravam a apenas uns 
poucos metros do escritrio quando ela se suicidou e at ouviram sua queda; Rudge podia observar a porta 
da frente, e a porta de trs continuava trancada pelo lado de dentro, e quando revistamos a casa no havia 
mais ningum. Como poderia ter sido outra coisa seno suicdio?  O Superintendente falava com desprezo.
Rudge no disse nada, mas suas faces vermelhas ficaram ainda mais coradas.
 Voc no est concordando?  quis saber o Delegado.
 No, senhor. Lamento, mas no estou. Vejo as coisas de uma outra forma. Uma mulher, prestes a 
cometer suicdio, iria matar seu tempo comendo ameixas? Isso no seria natural.
 Est querendo insinuar que Holland a matou?  perguntou o Superintendente, rispidamente.  No h 
ningum que pudesse ter feito isso.
 No, senhor. No estou querendo dizer isso.
J estava na manh seguinte, durante uma reunio realizada  na delegacia de polcia de Whynmouth. O ar 
j se achava tenso, e a tenso aumentou mais. As possibilidades de a morte da Sra.
Mount ser devida a suicdio ou a assassinato j tinham sido discutidas, pelo menos durante uma meia hora, 
e no se chegara ainda a uma concluso. O Superintendente achava que era suicdio, e o Delegado tinha 
que concordar que a lgica se encontrava de seu lado; o Inspetor Rudge se amarrava obstinadamente a 
assassinato e, quando desafiado a produzir suas provas, limitava-se a resmungar puerilidades sobre coisas 
que eram naturais ou no, e a dizer que estava sentindo nos seus ossos; no  de admirar-se que o 
Superintendente fungasse de desdm. O Major Twyfitt tinha-se mantido nobremente de acordo com o 
primeiro dever de um delegado, o de manter o equilbrio entre os dois subordinados em disputa, mas j no 
sabia quo rpido tudo aquilo lhe poderia escapar das mos.
Decidiu-se a mudar o tpico da discusso.
 Bem,  claro, Rudge, que se voc pensa assim, far tudo o que puder para coligir indcios que ap6iem suas 
concluses. Por enquanto, creio que podemos deixar esse problema para o juiz de instruo. Bem, voltemos 
ao assassinato do Almirante Penistone.
Na noite passada voc nos disse que a morta se identificava como Clie Blanc, empregada da Sra. Holland, 
o que decididamente liga o Vigrio  tragdia, como voc j sentiu  observou o 
Delegado, apaziguadoramente.  Falou-nos tambm sobre o que Hempstead, descobriu no banheiro de 
Rundel Croft. Bem, tem alguma idia quanto aonde tudo isso nos vai levar?
 Sim, senhor  respondeu o Inspetor, melancolicamente.
Uma boa idia na verdade.
 Oh, muito bem. Qual ?
 Prefiro no dizer, senhor, se no se incomoda, at que eu tenha colhido um pouco mais de indcios  
respondeu Rudge, olhando de lado para o Superintendente.
  Sim, sim, claro. Desde que voc esteja trabalhando em linhas definidas. Bem, o Superintendente obteve 
detalhes do Almirantado, com relao quele episdio de Hong Kong, que seria melhor que voc ouvisse. 
Conte a Rudge o que sabe, Superintendente.
0 Superintendente Hawkesworth tirou do bolso do palet um papel dobrado, abriu-o e leu, com voz totalmente 
inexpressiva: O Comandante Penistone se envolveu em um desagradvel incidente, em Hong Kong, em 
1911. Como ele mesmo admitiu, seguiu uma moa, que estava sendo maltratada por um chins, em 
um antro da pior espcie, j desfavoravelmente conhecido pelas autoridades. Depois disso, declarou que no 
se lembra de mais nada.
Ele foi visto, no entanto, em adiantado estado de intoxicao, cantando e danando na companhia de um 
grupo enorme de marinheiros, no s ingleses como de outras nacionalidades, e de cules chineses. Foi 
carregado para o navio na manh seguinte, ainda sob a influncia de bebidas e do pio, por alguns de seus 
pr6prios homens que o haviam reconhecido na noite anterior. Em considerao a seu currculo, foi permitido 
ao Comandante Penistone que pedisse sua passagem para a reserva, em lugar de ser submetido  
corte marcial. Ao rebentarem as hostilidades com a Alemanha, o Comandante Penistone se apresentou 
voluntariamente para prestar qualquer tipo de servios e, em vista da situao de emergncia, foi 
reincorporado temporariamente, com o posto de capito-de-mar-e-guerra. Serviu com destaque durante a 
guerra e, no que diz respeito ao Almirantado, o lamentvel incidente de Hong Kong foi excludo de seus 
assentamentos. O Almirante, porm, expressou a alguns dos oficiais superiores sua insatisfao com o 
caso e sua crena de que existe muito mais coisa por trs de tudo isso que nunca veio  tona, e costumava 
afirmar sua inteno de devotar seu tempo, depois de passar de novo para a reserva, em penetrar at o fundo 
no caso; mas, at agora, no se sabe se haveria outros indcios ou razes para que assim pensasse.
 Enteado  comentou Rudge.  Seguiu uma moa, no?
Bem, isso esclarece um ponto, senhor, no  mesmo? A pasta X!
 Voc est querendo dizer que a pasta X continha as provas que o Almirante colecionava para apoiar sua 
opinio de que o incidente fora uma tramia?  perguntou o Delegado.  Sim, essa  a deduo que 
podemos tirar.
 E lhe d alguma coisa a mais, Rudge  observou Hawkesworth.  D um motivo. Os documentos 
desapareceram dessa pasta, no ? Obviamente foram retirados depois do crime pelo criminoso. Em outras 
palavras, o Almirante estava certo. Ele estava de posse, das provas e ia implicar algum que no queria ser 
implicado. Assim, o Almirante foi morto para impedi-lo de desfechar o golpe. Bem, isso nos d uma 
indicao muito boa. O criminoso  algum que estava em Hong Kong em 1911. Algo errado nisso?
 Nada  concordou Rudge.  Bastante correto, senhor.
Tem que ser. Mas h uma coisa que no posso compreender, a histria que a Sra. Holland contou sobre ter 
visto o Almirante, em seu escritrio, com uma poro de papis sobre a mesa, depois da meia-noite da noite 
do crime. De acordo com o que diz o mdico, essa foi exatamente a hora que o criminoso deve ter ido 
procurar a pasta X.
 E talvez ele estivesse l  disse o Superintendente, sombriamente.
 Se est referindo a Holland, senhor  disse Rudge, retornando a um velho problema  por que iria ele 
inventar toda aquela histria, quando no havia provas de que ele no se encontrasse dormindo em sua cama 
no Lorde Marshall?
 No me estou referindo a Holland  exclamou o Superintendente.  Estou-me referindo ao homem que 
Holland viu. O homem a quem ele confundiu com o Almirante. O homem que estava personificando o 
Almirante... pela terceira vez.
 Pela terceira vez?
 Sim. Uma vez no escritrio, uma vez no Lorde Marshall e uma vez... em Hong Kong.
 Oh!  Rudge registrava uma admirao to genuna que o Superintendente desculpou as bobagens que o 
Inspetor dissera a respeito da Sra. Mount.  Deduo muito inteligente, senhor, se me permite dize-lo.
 Pode apostar nisso, esse homem  o criminoso  disse o Superintendente complacentemente e, pelo seu 
tom, poder-se-ia deduzir que no chegara ainda ao fim.
 Espere um momento  pediu o Inspetor, excitadamente.
 Isso significa que a Sra. Holland est envolvida. Holland deixou escapar que ela tambm se encontrava no 
escritrio.
 E voc no achou, durante todo o tempo, que a Sra. Holland sabia mais do que contou?
 Nunca imaginei que ela de fato estivesse envolvida no assassinato  confessou Rudge.
Com um ar de triunfo, o Superintendente levantou-se e abriu um armrio, de onde tirou um embrulho. Do 
embrulho, tirou um vestido de chiffon branco. Suas mos enormes pareciam completamente incongruentes 
com a delicadeza do tecido, ao colocar o vestido nas costas de uma cadeira ante os olhos do Inspetor. Sua 
razo ao fazer isso era evidente; no havia necessidade de que ele apontasse para a mancha de colorao 
de ferrugem existente em um dos quadris.
 O vestido branco desaparecido. Obtive um mandado de busca para revistar os aposentos dela no Lorde 
Marshall e o encontrei no fundo de uma gaveta  disse.
 Eu tinha certeza de que ela sabia de alguma coisa!  ex2        clamou Rudge.
 Por que as pessoas mantm provas contra si mesmas?  indagou o Major Twy6tt.
I  Sorte a nossa que o faam, senhor  comentou Hawkesworth,  Sabe, eu no pensava que ela estivesse 
metida nisso, desde o comeo  aduziu o Superintendente, dirigindo-se a Rudge.  Mas, afinal de contas, 
ela tem um cmplice, sem dvida. E isso nos d mais uma indicao. Sabe quem ?
 Oh, sim  concordou Rudge.  O irmo, Walter. Desde o incio ele no me sai da cabea.
 Ah, ?  disse o Superintendente, de certo modo desconcertado.  Ento por que nunca falou nisso?
 Porque no havia provas  respondeu Rudge, cheio de si.
 De qualquer modo, agora parece suficientemente claro  interveio o Delegado.  Podemos presumir, creio, 
que se algum andou personificando o Almirante, seja aqui, seja em Hong Kong, g s pode ter sido esse 
Walter Fitzgerald. Deve haver uma grande semelhana. 'Tambm temos provas disso, Rudge. Duas 
testemunhas, que viram um homem em Whynmouth no dia do crime, a quem, a distncia, confundiram com 
o Almirante, e s perceberam tratar-se de um homem mais jovem quando chegaram perto.
 Sim, senhor. Isso me d uma outra idia. Posso fazer uma chamada para Londres?
 Claro.
Rudge consultou sua caderneta de anotaes, e deu  telefonista o nmero do Hotel Friedlander, pedindo 
prioridade. Em menos de dois minutos, a ligao foi completada. Rudge explicou quem era.
 A senhora se lembra de ter-me dito que a Sra. Arkwright recebia apenas um visitante regular, um homem 
alto com a testa bronzeada? Esse homem usava barba? Ah, usava? Obrigado.  E Rudge desligou.
Os outros dois tinham ficado olhando para ele inquisitivamente.
Isso faz ligao com mais uma coisa.  Rudge no se sentia capaz de esconder sua satisfao.  O homem 
que fugiu com a mulher do Vigrio, o homem cujo nome o Vigrio nunca soube... era, tambm, Walter 
Fitzgerald  Ah!  fizeram os dois, simultaneamente.
 As coisas esto comeando a se encaixar.
O Superintendente limpou a garganta.
 Vou dar a vocs minha teoria sobre o que aconteceu naquela noite. Esse homem, esse Walter Fitzgerald, 
chegou... Sim?
Quem ? Oh, entre.  Uma batida  porta o havia interrompido no meio da frase.
O Agente de Polcia Hempstead entrou, parecendo imensamente satisfeito consigo mesmo. Trazia na mo 
um pedao de corda de fibra, amarrado a um outro de menor comprimento.
 Espero que no esteja atrapalhando, senhor  disse, referindo-se ao Major Twyfitt  mas achei que o 
senhor gostaria de saber imediatamente. Dei uma busca completa nas margens do rio, hoje pela manh, de 
Rundel Croft at o mar e no encontrei coisa nenhuma a no ser isto.
 O pedao da amarra que estava faltando  exclamou Rudge.
 Onde o encontrou? Desculpe, senhor  aduziu Rudge, maquinalmente, dirigindo-se ao Delegado, que 
acenou com a cabea, bem humorado.
 Estava cado junto a uns arbustos, a meio caminho, do lado em que fica o Vicariato.
 Bom trabalho  elogiou o Delegado ao pegar na, corda, e at mesmo Hawkesworth grunhiu sua aprovao.
 Voc andou perguntando pelas casas?  quis saber Rudge.
 Estive em todas elas, senhor. Ningum viu ou ouviu nada.
Mas descobri mais uma coisa.
 Descobriu? O qu?
 Bem, o senhor se lembra daquele conjunto de fotografias que me deu, senhor, de impresses digitais 
existentes nos remos do barco do Almirante? Bem, creio que as identifiquei. Hempstead mostrou um pedao 
de papel, que o Superintendente pegou antes que algum mais pudesse faz-lo.
Tirou do bolso um outro conjunto de fotografias e as comparou durante um minuto com as do pedao de 
papel. Em seguida, levantou os olhos.
 Este  o homem. Quem  ele, Hempstead?
Hempstead reluziu de auto-importncia.
 5
Quando Rudge saiu da delegacia de polcia e foi almoar, j fora de hora, tinha muita coisa em que pensar. O 
negcio estava-se espalhando demais para seu gosto. Metade dos habitantes de Lingham parecia agora 
estar implicado no crime, ou, pelo menos, ser
cmplice. O Vigrio, Elma Holland e, agora, Neddy Ware. Ainda havia um outro ponto contra Neddy Ware. 
Os moldes que tinham sido tirados das pegadas nas margens mostravam alguns, que haviam sido 
identificados positivamente, como sendo do Almirante, outros, de sua sobrinha, e uns poucos de ps 
grandes com solado grosseiro, cheio de pregos, que no podiam pertencer a ningum mais seno a um 
jardineiro; mas podiam tambm ser de Neddy Ware. Os moldes eram bem tirados e o Superintendente iria 
pessoalmente, depois do almoo, verificar se pertenciam ou no a Neddy Ware; no entanto, ningum tinha 
dvidas sobre esse ponto.
Neddy Ware havia fingido. O Inspetor pesarosamente tinha que reconhecer para si mesmo que havia sido 
completamente enganado pelo velho. Neddy Ware lhe dera informaes carretas sobre tudo o que dizia 
respeito ao rio e suas mars, e que poderia ser confirmado por qualquer pessoa familiarizada com eles; 
mesmo nos pontos que podiam incrimin-la ele fora preciso; mas, o que dizer de suas especulaes, que o 
Inspetor, inconscientemente, colocara na mesma base que o restante? Agora era difcil separar as 
especulaes dos fatos, mesmo consultando sua caderneta de anotaes, mas parecia a Rude haver duas 
idias principais que Ware habilidosamente enfiara em sua cabea e que ali haviam ficado desde ento, uma 
base sobre a qual podia erguer-se qualquer hiptese sobre o crime: que se o Almirante tivesse mesmo se 
utilizado de seu barco naquela noite ele teria seguido rio abaixo e que seria preciso uma hora para ir remando 
at Whynmouth. Essas duas idias,. como se apresentavam agora?
Quanto  primeira, parecia realmente no haver qualquer razo que justificasse. Por que deveria o Almirante 
seguir corrente abaixo? Assim, o bote abandonado poderia ter navegado  deriva at o ponto em que foi 
encontrado e  hora em que foi encontrado. Mas teria sido encontrado mesmo naquele local? quela hora? 
Toda histria inicial contada por Ware devia, agora, ser encarada com a maior suspeito.
E quanto ao segundo ponto? De Rundel Croft at Whynmouth, por gua, era uma distncia de cerca de um 
quilmetro. O Almirante devia ter iniciado seu deslocamento entre dez e quinze e dez e meia. A essa hora a 
mar estaria, mesmo de acordo com a informao de Ware, em seu ponto mais baixo. Poderia um homem 
robusto levar um barco a remos, com uma rpida mar ajudando, mais depressa do que se fosse 
caminhando? No havia dvida; claro que podia. Duas vezes mais rapidamente. Muito bem, ento. Neddy 
Ware quisera despistar a Polcia quanto  hora em que o Almirante poderia ter chegado a Whynmouth 
naquela noite (presumindo-se, por enquanto, que Ware tivesse falado a verdade quanto ao outro ponto e que 
o Almirante tivesse ido mesmo rio abaixo). Bem, por que, diabo, tinha ele querido fazer isso?
Nesse ponto o Inspetor afastou de si, mecanicamente, o prato de torta de groselha, anulando um dos 
melhores esforos de sua senhoria para acabar com o doce.
Havia apenas duas razes possveis, na opinio de Rudge: uma, que algum tivesse um libi para as 11:30, 
mas no para as 11 horas; a outra, fazer a polcia acreditar que o homem que se apresentou no Lorde 
Marshall logo depois das 11 horas fosse um impostor  exatamente o que a polcia tinha pensado. Mas, 
neste caso, o homem seria realmente o Almirante...
As coisas estavam-se tornando cada vez mais difceis. Rudge guardou esse ponto para voltar a ele mais 
tarde, e seguiu por uma outra linha.
Havia ainda outra vantagem em adiantar a hora dos acontecimentos por cerca de meia hora. Logo depois da 
meia-noite, o irmo, Walter Fitzgerald, estivera no escritrio do Almirante. Essa meia hora extra lhe dava 
tempo bastante de chegar l, contar as novidades para a irm, e iniciar sua busca  pasta X, por volta da 
meia-noite. Sem isso, o horrio teria sido demasiado apertado para Walter.
Bem, j havia encontrado suas respostas para muitos dos 39 itens de dvidas. Rudge folheou sua caderneta 
at encontr-los, percorrendo-os com os olhos para ver se essa interveno de Neddy Ware clareava tambm 
outros pontos.
Sim, de fato. O nmero 26: Por que o corpo foi encontrado de sobretudo? Rudge se lembrava da dificuldade 
da resposta. Se o Almirante tivesse tirado o barco do abrigo naquela noite, uma noite razoavelmente quente, 
por que usar um agasalho se ia remar portanto tempo? Suponhamos, porm, que no tivesse sido o 
Almirante quem remara. Suponhamos que fosse Neddy Ware, que no somente trouxera o barco de volta, 
mas tambm o tinha levado na ida, tendo o Almirante como passageiro. A estava uma linha que valia a pena 
investigar. Se essa fosse a verdade, ento Neddy Ware devia saber no somente onde o Almirante tinha ido, 
mas tambm quem o tinha assassinado. Mas como seria possvel desenterrar a verdade? Quase certamente 
Neddy Ware no se afastaria do que dissera a respeito.
Bem, havia uma possibilidade apenas. O Vigrio estivera sentado no pavilho. Ele poderia ter visto alguma 
coisa. Rudge j tivera uma suspeita de que o Vigrio vira algo, enquanto estivera sentado no pavilho. Bem, o 
Vigrio teria que ser levado a falar...
Atacando finalmente sua torta de groselha, Rudge limpou o prato em meia dzia de garfadas pantagrulicas, 
comeu em seguida
alguns pedaos de po e queijo, e correu para a rua, atrs de seu carro.
O Sr. Mount estava em casa e acabara de almoar. Recebeu o Inspetor em seu escritrio. Rudge foi direto 
ao assunto:  Desculpe-me por incomod-lo novamente, senhor, mas temos informaes de que o Almirante 
usou seu prprio barco, a pelas dez e quinze. Nessa ocasio o senhor se encontrava sentado no pavilho, 
olhando para o rio. O senhor o viu sair?
O Vigrio respondeu imediatamente.
 J que o senhor me est fazendo uma pergunta direta, Inspetor, responderei: sim, vi.
 Obrigado, senhor. No se importa que lhe pergunte por que no me deu essa informao mais cedo? Ainda 
que no lhe houvesse perguntado diretamente. o senhor deveria saber que seria uma informao valiosa.
 Certamente. Vou dizer-lhe.  porque eu temia que o fato que era do meu conhecimento levasse o senhor a 
suspeitar de um homem inocente.
 Enteado, senhor. Ento o senhor sabe quem matou o Almirante Penistone?
 No  respondeu o Vigrio.  No sei. Mas estou bastante certo a respeito de quem no o fez.
Bem, deixemos isso para l. Para que rumo seguiu o Almirante, senhor? Subiu ou desceu o rio?
 Desceu.
 E Neddy Ware estava remando com ele?
O Vigrio primeiro ficou surpreendido, depois preocupado.
 Inspetor, se o senhor est suspeitando do velho Ware...
 No, no estou, senhor. No quanto ao crime.
 Tenho sua palavra?
 Tem, Sr. Mount.
 Muito bem. Ento, admito que Ware estava remando para o Almirante naquela noite, e que fiquei muito 
surpreendido ao constatar esse fato. Eu no fazia idia de que sequer eles se conhecessem. Mas essa  a 
razo pela qual no falei nada sobre o que vi. Ns, procos, temos que confiar muito em nossa 
avaliao sobre a natureza das pessoas, como sabe, e sou capaz de apostar tudo o que tenho que o velho 
Ware  totalmente incapaz de cometer uma coisa daquelas. Eu o conheo desde que veio para Lingham, 
sabe, e tinha medo de que essa informao levasse o senhor a concluses inteiramente erradas. Assim, 
decidi-me a no informar nada voluntariamente, mas usar de toda a influncia que me fosse possvel para 
induzir Ware a ir procur-lo por sua prpria
iniciativa, a fim de lhe dar um relato completo do que sabia quanta aos acontecimentos daquela noite, 
quaisquer que fossem eles. Deva dizer que fracassei.
 Ele disse ao senhor que no nos viria procurar?
 Mais do que isso. Ele nega que estivesse no barco; diz que me enganei.
 Ns temos provas definitivas que ele esteve no barco, senhor; suas impresses digitais nos remos.
 Sim, eu estava certo de que no me tinha enganado.
 Bem, ns mesmos iremos procurar Ware.
 Tenho dvida se arrancaro alguma coisa dele.
 Mas tentaremos, senhor. Enquanto isso, tem certeza de que no h mais nada que gostaria de dizer, 
senhor, sobre aquela noite... sem necessariamente incriminar algum?
 Nada  respondeu o Vigrio, firmemente.
 6
Rudge saiu do Vicariato sentindo alguma satisfao. No apenas suas suspeitas haviam sido confirmadas 
quanto a ter Ware remado no barco, mas finalmente estavam aparecendo provas de que fora rio abaixo. 
Curioso como o velho Ware tinha insistido tanto nesse ponto, tambm. Com exceo da simples sugesto 
sobre o tempo que seria necessrio para a descida pelo rio, parecia que Ware no estava tentando engan-
los absolutamente... era quase como se estivesse procurando coloc-los no rumo certo. Seria possvel que o 
sentimento de culpa de Neddy Ware pesasse tanto em sua conscincia, que ele quisesse de fato fazer com 
que o assassino do Almirante fosse apanhado, mas, ao mesmo tempo, como um co1egial, no quisesse 
entreg-lo diretamente? Quando se pensava sobre isso, esta seria realmente a nica explicao quanto ao 
seu comportamento. Mas, se assim fosse, era uma pena, de algum modo; Rudge conhecia Neddy Ware o 
bastante para ter certeza de que, se o velho tivesse decidido que no entregaria o criminoso, no havia meios 
possveis de faz-la mudar de idia.
De qualquer modo, valia a pena tentar. Apressadamente, obteve permisso do Major Twyfitt para interrog-lo, 
sabendo ao mesmo tempo que a hiptese quanto s pegadas fora correta. Rudge seguiu elo seu carro na 
direo da casa de Ware.
O velho estava no jardim, tomando sol, e pareceu muito satisfeito em ver quem chegava.
 Muito bem, Sr. Rudge, ainda intrigado com as mars?
Rudge sentou-se no mesmo banco.
 192   No, Ware. Desta vez no so as mars.  algo mais srio. Quero que me diga o que fazia na 
companhia do Almirante, ter<a-feira  noite, ocasio em que ele foi assassinado.
O velho Ware fez: uma cara de completa surpresa.
 Eu? Eu no estive em sua companhia. Quem ps essa idia na sua cabea, Sr. Rudge? Eu no o 
conhecia nem mesmo de vista.
Eu no lhe disse, no dia seguinte, que no o reconhecera?
Sim,  verdade, mas lamento que no possa acreditar no que disse. Especialmente sabendo que o senhor 
estava em Hong Kong na ocasio do escndalo havido com ele, de modo que deve saber de tudo a respeito, 
ainda que nunca tenha dito nada. Escute aqui, Ware, no o estou ameaando, acredite; no faria nada 
desse tipo; mas, ao mesmo tempo, estou pronto a lhe dizer que temos provas de que foi ao encontro do 
Almirante Penistone em Rundel Croft, na noite da ltima tera-feira e saiu com ele, remando em seu barco 
rio abaixo, por volta de dez e quinze. E, o que  mais, vou dizer-lhe que provas temos: foi visto quando saam 
de barco, suas impresses digitais foram levantadas nos remos, e suas pegadas esto na margem do rio. 
Como v, no h como fugir disso.
Bem, no  preciso que eu lhe diga que isso o pe em uma posio incmoda. Acredite, no pense que 
suspeito de que tenha algema coisa a ver com o crime, mas outros poderiam pensar que Sim.:   Fico muito 
satisfeito em saber que o senhor pensa que no tenho nada a ver com o crime, Sr. Rudge  disse Ware, 
secamente.
 Mas outros podero no pensar da mesma maneira  repetiu Rudge  : e sem dvida assim ser, se no 
nos disser tudo o que sabe a respeito daquela noite. Vamos, Ware.
Neddy Ware puxou uma ou duas cachimbadas antes de responder.
 O senhor est muito certo de que foi um crime, no, Sr.
Rudge?
 Bem, o senhor no est imaginando que tenha sido suicdio, est? E no posso entender como aquela 
faca possa ter entrado em seu corao daquela forma por acidente. Acidente, suicdio, assassinato, tem que 
ter sido uma dessas trs coisas.
 Oh, no, no tem  retorquiu Ware.  No necessariamente.
 O que est querendo dizer? Est insinuando que a morte do Almirante no se deve a suicdio, nem a 
acidente, nem a assassinato?
 Eu? No estou dizendo nada. 8 sua obrigao descobrir como o Almirante morreu. O que estou dizendo  
que nem todas as mortes se devem a essas trs causas. O que me diz de um homem enforcado? O que  
isso, Sr. Rudge... acidente, suicdio, ou crime?
 Bem, no se preocupe com essas coisas  disse Rudge, impacientemente.  O que quero saber  o que o 
senhor fez na noite de tera-feira e onde levou o Almirante? E no  necessrio que eu repita ser de seu 
prprio interesse que me diga a verdade.
Novamente, Ware fez uma pausa antes de responder, to demorada que o Inspetor comeou a pensar que 
ele jamais iria responder; mas fora em momentos cruciais como esse que Rudge aprendera que uma 
silenciosa pacincia era a melhor atitude. Finalmente, o velho tirou o cachimbo da boca.
 E agora essa mulher. O que h com respeito a ela? Esto dizendo que ela  a mulher do Sr. Mount e 
outros dizem que  a empregada francesa que a sobrinha do Almirante tinha.
 Ela  ambas as coisas  disse Rudge, laconicamente, aborrecido com este desvio, mas procurando ao 
mximo no afobar o homem. Rudge era, ele mesmo, uma espcie de pescador.
 Ah, ? Isso  estranho. Esto dizendo agora que ela se matou.  Ware se voltou subitamente, e encarou o 
Inspetor.   verdade, Sr. Rudge? Ela se suicidou? O que foi dessa vez, ahn?
Acidente, suicdio ou assassinato?
 O Superintendente e o Major Twyfitt do-se como satisfeitos que tenha sido suicdio  respondeu Rudge, 
sem acrescentar que ele no.
 Ah!  fez Ware, e voltou para seu cachimbo.
Uma vez mais, o Inspetor lembrou a si mesmo que pacincia  uma virtude. Em seguida, Neddy Ware fez 
uma coisa que surpreendeu seu ouvinte. Voluntariamente, retornou ao assunto do que havia feito naquela 
noite.
Ento quer saber a meu respeito, hem, Sr. Rudge? Bem, j que o senhor sabe de tanta coisa, talvez seja 
mesmo melhor que eu conte. Eu teria falado antes, mas me pareceu melhor no dizer nada, pois o senhor 
podia pr em sua cabea idias estranhas a meu respeito. Foi por isso que na manh seguinte eu disse que 
nem conhecia o Almirante. Bem, fui ao encontro do Almirante, como o senhor disse. Ele me ofereceu cinco 
xelins naquela noite, ao me ver pescar perto da casa dele, para que remasse para ele em seu barco, indo at 
Whynmouth, depois do jantar, j que ele no queria fazer fora nos remos aps ter comido bem.
 E onde o levou?  quis saber Rudge, ansiosamente.
 Ora, onde ele queria ir... Whynmouth. Deixei-o no cais e ele me perguntou qual o caminho mais rpido para 
chegar ao Lorde Marshall. Foi essa a ltima vez em que o vi.
 No ficou esperando por ele?
 No. Ele disse que voltaria tarde e que viria de carro, provavelmente.
 O senhor deixou o barco e veio a p?
No. Trouxe o barco de volta para ele e o amarrei no abrigo,  moda da Marinha.
 Com a popa em primeiro lugar?
 No sei dizer. Provavelmente com a proa. Fica mais fcil.
Por que, Sr. Rudge?
 Oh, por nada. Alguma coisa mais?
 Eu o esfreguei bastante para limp-la, antes de vir embora.
A que horas chegaram a Whynmouth?
No poderia responder com certeza. Por volta das onze horas, creio.
 E o senhor para trazer o barco de volta teve que remar cerca de cinco quilmetros contra a corrente Quanto 
tempo gastou?
 No muito menos do que duas horas. Devia ser... sim, quase uma hora (hora que vocs usam) quando 
encostei o barco.
 E em seguida o senhor veio diretamente para sua casa?
 Sim, Sr. Rudge, e isso  tudo o que sei. Assim, fico satisfeito que o senhor no esteja suspeitando de 
mim, como assassino do: Almirante, como outros podem pensar.
Rudge ainda insistiu um pouco mais, porm no conseguiu saber de mais nada. Assim, quando voltou para 
seu carro, no estava completamente satisfeito com o que ficara sabendo. At onde podia confiar em Neddy 
Ware? Se aceitasse sua histria, o homem que esteve no Lorde Marshall seria de fato o Almirante, e talvez 
fosse esse o caso. O restante da histria, porm, no parecia ser muito verdadeiro. Seria provvel, por 
exemplo, que o Almirante sobrecarregasse Ware com aquele remar contra a corrente durante duas horas s 
para ir a Whynmouth rio abaixo em 40 minutos com o barco? Era possvel,  claro, mas o Inspetor tinha um 
forte pressentimento de que era a que a histria de Ware se afastava dos trilhos da verdade. Rudge estava 
certo de que o velho no dissera tudo o que sabia. Por que, por exemplo, depois de ter ido para a cama to 
tarde, estava novamente de p e saindo para pescar to cedo naquela manh? Parecia, quase, como se ele 
soubesse o que ia pescar.
Mas, pelo menos por enquanto, nada havia que pudesse ser feito a respeito; pelo menos, Rudge achava que 
podia tomar como certa o fato de o Almirante ter ido a Whynmouth naquela noite.
Mas, para ver quem?
puem... seno o seu assassino? Walter Fitzgerald teria estado em Whynmouth. Por certo, ele l estivera, e 
isso poderia ser investigado. No momento, todas .as indicaes pareciam apontar para Whynmouth; de 
acordo com esses sinais, embora Whynmouth que o Inspetor estava-se dirigindo nesse momento, em seu 
pequeno carro de dois lugares.
 Apesar disso, sua viagem naquela direo foi ocupada por pensamentos que nada tinham a ver com sua 
inteno. Quanto mais pensava sobre o assunto, mais insatisfeito ficava quanto  morte da Sra. Mount dever-
se a suicdio, como o Superintendente e o Major Twyfitt estavam to certamente convencidos. O comer, 
pouco antes, algumas ameixas, era apenas um entre uma dzia de indcios, bastante leves em si mesmos, 
mas bem fortes quando reunidos, de que ela nunca havia pensado em suicdio. Era bastante bvio que a Sra. 
Mount, de algum modo, estava envolvida na morte do Almirante. De qualquer forma, ela devia saber de muita 
coisa sobre isso, muita coisa mesmo, imaginou Rudge, a respeito de quem a perpetrara. Para o assassino, 
o suicdio da Sra. Mount era realmente uma sorte muito grande. para ser verdade. E, especialmente, logo 
antes daquela reunio que ela mesma convocara e na qual, sem qualquer sombra de dvida, pretendia, de 
alguma forma, tirar de cima de seus ombros o peso do que sabia. Seria possvel que aps convocar o prprio 
marido, os Hollands e Sir Wilfrid Denny, a Sra. Mount nada mais tivesse a apresentar-lhes seno seu prprio 
cadver? Isto seria, na verdade, uma tirada de humor negro; a Sra. Mount, no entanto, no era uma dama 
com esse tipo de humor.
No, era mesmo uma sorte para Walter Fitzgerald que ela tivesse morrido naquela hora.
Mas, como Walter o conseguira? Neste ponto, o Inspetor tinha de admitir que estava completamente perdido. 
To logo sua ligao telefnica lhe trouxera ajuda, ele e o Superintendente tinham revistado a casa toda, do 
sto ao poro, sem encontrar coisa alguma. Alm disso, Rudge tinha certeza de que ningum escapara, 
enquanto ele se encontrava ainda nas proximidades do escritrio. Mantivera constantemente sob sua vista a 
porta da frente e os arredores da cozinha, para no falar da alameda. Se fora Walter Fitzgerald quem matara 
Clie, ele o tinha feito de uma forma muito inteligente.
Durante todo o trajeto at Whynmouth, o Inspetor bateu com sua cabea de encontro a esse muro de pedra.
Rudge tambm no teve melhor sorte com sua outra tentativa. Ainda que passasse toda a tarde indo 
pessoalmente a todos os hotis, hospedarias, penses e apartamentos de aluguei em Whynmouth, no 
encontrou qualquer pista de sua barbuda caa. Parecia que o homem no estivera absolutamente em 
Whynmouth.
Bem, isso no era realmente importante. O Almirante deve ter feito arranjos para encontr-lo ali, mais isso 
no significaria, necessariamente, que ele se hospedasse em Whynmouth. Era bastante compreensvel por 
que o encontro no fora marcado para Rundel Croft; sem dvida, o Almirante no teria conseguido que ele 
fosse at l.
Rudge comeou a lamentar a falta de informaes sobre o sobrinho do Almirante. Parecia impossvel chegar-
se at ele, por qualquer ngulo. Pior ainda seria apelar para a nica pessoa capaz de prestar, realmente, 
alguma informao de importncia, a Sra. Holland. Alm disso, em sua situao atual de testemunha do 
fato, a prpria Sra. 'Holland se encontrava muito perto da orla da suspeio. Sir Wilfrid Denny era a nica 
esperana possvel.
Rudge deixou seu carro em Whynmouth, e cruzou de barcaa para o outro lado do rio, at West End.
Encontrou Sir Wilfrid no jardim, lavando suas rosas com suco de tabaco, para livr-las das moscas verdes. 
Ele mesmo um amante de rosas, Rudge se interessou em observar como o canteiro dessas flores era uma 
pequena parte do terreno que no ostentava o mesmo ar de abandono. Sir Wilfrid o cumprimentou com um 
aceno de cabea.
 Boa tarde, Inspetor. Estava mesmo esperando por sua visita no dia de hoje. Olhe aqui... j viu coisa mais 
linda?  Pegou entre as mos uma rosa Emma Wright entreaberta e a voltou na direo do Inspetor.
Linda, senhor  concordou Rudge, de todo o corao.
 Mas ela perde a cor assim que se abre completamente  lamentou Sir Wilfrid.  Isso  o que h de pior 
com essas rosas modernas. No conservam a cor. Fico com as rosas  antiga. Aquela rosada que ali est. 
No h nenhuma rosa moderna que chegue perto dela, quanto  tonalidade.
 Minha favorita sempre foi a Madame Abel  concordou Rudge.
Sir Wilfrid ficou radiante de alegria.
 Ento o senhor  tambm um entusiasta de rosas, Inspetor?
Isso  formidvel. Venha dar uma volta comigo. Esta  minha ltima importao. A Sra. Sra. G. . van 
Rossem. Conhece-a? No posso dizer que eu esteja muito satisfeito. A costumeira mistura de tons que hoje 
em dia parece ser o que tanto gostam. Minha preferncia  nas rosas com cores prprias. Mabel Morse, esta 
aqui...
Hem? O senhor no concorda?
  Sim, senhor, concordo. Inteiramente. Creio que o senhor tem toda razo. Mas, para lhe dizer a verdade, 
vim at aqui para conversar sobre um assunto completamente diferente.
 Ah, sim  anuiu Sir Wilfrid, ajoelhando-se.  Pobre Almirante Penistone. Eu me lembro; o senhor disse que 
queria fazer-me algumas perguntas. Sim?
 sobre o sobrinho do Almirante, Walter Fitzgerald. O senhor pode dizer-me alguma coisa sobre ele?
 3Valter Fitzgerald?  Sir Wilfrid apareceu intrigado.  No, creio que no. Claro, Inspetor, nunca conheci 
muito bem o Almirante. Ns travamos relaes h muitos anos, mas no posso dizer que tenhamos ido 
muito alm disso. Acredito  acrescentou Sir Wilfrid, com um leve sorriso  que pouca gente o tenha 
feito, com relao ao Almirante Penistone.
 O senhor estava em Hong Kong quando ele serviu l, no ?
Sir Wilfrid concordou, gravemente.
Sim, estava. E quando ocorreu um certo incidente. Mas, sem "dvida, o senhor j sabe de tudo isso...
  Sim, j ouvi falar nisso. O Almirante alguma vez se referiu ao senhor sobre esse fato?
Sim. Com freqncia  respondeu Sir Wilfrid, secamente.
 Bem, compreendo. Devia ser alguma coisa como uma abelha dentro do bon dele. O senhor concorda com 
a idia de que h muito mais coisas por trs desse incidente que nunca vieram  tona, como era a opinio do 
Almirante?
 Gostaria que assim fosse  repicou Sir Wilfrid, parecendo um pouco preocupado.  Mas os fatos foram 
muito claros. E sei, por acaso, que as autoridades fizeram um levantamento completo.
Sempre fui de opinio que essa idia do Almirante Penistone era uma espcie de orgulho obstinado. Foi seu 
nico lapso, compreende, em toda uma vida de honradez. Ele, simplesmente, se recusava a admitir esse 
fato.
 Ento o senhor imagina que no haja qualquer possibilidade de o Almirante ter sido personificado naquela 
ocasio?
 Nenhuma. Para qualquer pessoa, mesmo com parcos conhecimentos quanto s condies do servio 
militar, como eu, essa hiptese  simplesmente fantasiosa Ora, l estavam homens sob seu comando. 
Como poderiam eles ter-se enganado? No, lamento ter que dize-la, Inspetor, mas o Comandante Penistone 
no tinha mais ningum a agradecer pelo fato, seno a ele prprio. Esta era a opinio de todos que se 
encontravam l naquela poca. Mas, de qualquer modo, essa  uma histria antiga. No pode ter 
relacionamento algum com sua morte.
 No, claro que no  concordou o Inspetor, cautelosamente.  Ento o senhor no me pode dizer nada 
sobre o sobrinho, que  o motivo verdadeiro pelo qual vim at aqui? O senhor sabia que ele se encontrava 
tambm em Hong Kong naquela ocasio?
 Por Deus. Agora me lembro. Sim, ele foi jantar conosco certa feita. Um homem alto e bonito. Estou 
lembrado. Conversa agradvel tambm. Ouvi dizer que deu com os burros ngua, mais tarde. Uma pena.
 Ele usava barba, senhor?
 Barba?  repetiu Sir Wilfrid, intrigado.  Creio que no, ma" na verdade no me lembro. Por qu?
 Oh, apenas um ponto sem importncia. Ento o senhor no voltou mais a v-lo?
 No. Creio que somente esteve conosco uma vez. Mas no seria capaz de jurar. Naquela poca 
costumvamos dar muitas festas  disse Sir. Wilfrid, bastante pesaroso.  Ele pode ter aparecido l 
novamente, mas no me lembro.
 Enteado, senhor. Obrigado. Agora, um outro ponto. O senhor por acaso esteve aqui no jardim na noite da 
ltima tera-feira?
 Na noite da morte do Almirante? Sim, quase que certamente; ainda que, mais uma vez, no possa jurar. 
Mas, a no ser que esteja chovendo, sempre dou uma volta para ver as rosas depois do jantar. Tanto quanto 
me lembro, no estava chovendo naquela noite; assim, creio que estive no jardim. Por que o senhor 
est perguntando?
 Porque fomos informados de que o Almirante saltou de seu barco no cais de Whynmouth por volta das 
onze horas daquela noite e, como o senhor sabe, ele fica quase que do lado oposto a este jardim. Eu estava 
querendo saber se por alguma feliz circunstncia o senhor no o teria visto e poderia confirmar esse fato.
 No  respondeu Sir Wilfrid, decisivamente.  No, eu no estaria aqui a uma hora dessas assim to tarde. 
Alm disso, tenho certeza de que alguns amigos estiveram aqui nessa noite...  engraado, como  difcil 
ter-se certeza daquilo que se fez somente uma semana depois, no ?... Mas que histria toda  essa 
com relao ao Almirante ter sido visto em Whynmouth naquela noite?
Pelo que eu soube, ele foi morto em algum ponto rio acima.
 Por que pensa que tenha sido assim, senhor?
 Bem, no sei. O bote no estava  deriva, corrente abaixo, s quatro da madrugada? Fiquei certo de que 
isso significava que tivesse sido mais acima.
Com ar levemente superior, o Inspetor explicou as esquisitices do Rio Whyn com relao s mars, fazendo 
suas observaes enquanto acompanhava os passos de Sir Wilfrid ao longo do jardim at a margem do rio e 
ilustrando ao vivo suas consideraes. Sir Wilfrid, um homenzinho bastante suave, assumira o ar de quem 
se compromete a ver mais da prxima vez.
Tendo acabado sua aula, o Inspetor se retirou, refletindo que, infelizmente, ele no ficara sabendo de nada de 
novo com aquela visita. A opinio particular de Sir Wilfrid com relao ao trabalho do Superintendente, 
classificando-o como excelente, dificilmente poderia ser considerada como informao.
,Tendo caminhado  vista plena do anfitrio at a entrada principal, o Inspetor Rudge rodeou a casa e foi at 
sua parte de trs, onde ficou sabendo que, tanto quanto se lembrassem, Sir Wilfrid no havia sado de casa 
naquela tera-feira durante toda a noite, mas dois amigos tinham vindo visit-lo, informaes que 
Rudge somente conseguiu aps um arguto e velado interrogatrio.
 Pelo menos a garrafa de gua tinha baixado bastante de nvel e, na manh seguinte, havia trs copos para 
serem lavados, sem falar nos tocos de cigarros dentro dos cinzeiros, em nmero maior do que um homem 
poderia fumar sozinho. Devia ter algum mais com ele, no ?
Rudge concordou.
Como foi dito anteriormente, o Inspetor Rudge nada deixava ao acaso.
 8
Rudge passou pela delegacia de Whynmouth antes de voltar para seus aposentos e verificou que o Sargento 
Appleton havia telefonado dando conta do que fizera em Londres. No tivera dificuldades em colher 
informaes sobre Holland. Este, ao que parecia, era muito conhecido no seu ramo de atividades. Muitos 
homens importantes tinham-se referido a ele em termos os mais elevados, para no dizer os mais elogiosos. 
Holland era bastante conhecido no somente em todo o Leste, mas tambm em Londres, como o tipo mais 
caracterstico de homem de negcios ingls: enrgico, determinado, honestssimo e digno de toda a 
confiana, o prottipo de homem cuja palavra no precisa de um aval escrito, o que prometia, ele cumpria, e 
o que cumpria o fazia melhor do que qualquer outra pessoa. Appleton ficara impressionado e o confessara 
abertamente.
Quanto ao casamento, tambm no havia qualquer sombra de dvida. Havia sido realizado o casamento civil, 
registrado em um cartrio do West End; Appleton tinha examinado o registro e conversado com o escrivo, 
que descrevera marido e mulher detalhadamente; ele os observara bem, informara o escrivo, porque ambos 
se afastavam do tipo comum.
Hum!, fez Rudge para si mesmo. E ainda de acordo com o Superintendente ele tem um cmplice. Pelo 
menos sua mulher , o que quase significa a mesma coisa. H. alguma coisa engraada em algum lugar.
Rudge foi para casa jantar.
Como de costume, ficou meditando durante sua solitria refeio. Como um todo, no se sentia insatisfeito 
com seu dia de trabalho. No era verdade que no tivesse ficado sabendo de nada durante a visita que fizera 
a Sir Wilfrid Denny. Passando e repassando a conversa havida, Rudge percebeu que havia ficado sabendo de 
uma coisa de real valor, que podia conduzir a resultados bastante notveis, to notveis, na verdade, que 
quando Rudge se ps a avaliar as possibilidades ficou com medo de que sua prpria imaginao, 
atormentada pelos eventos da ltima semana, lhe estivesse inapelavelmente fugindo. Mesmo assim...
Mas era intil fazer especulaes. Deveria arquivar essa linha de raciocnio tambm que houvesse indcios 
para apoi-la. Por enquanto, tinha que concentrar seus pensamentos na morte da Sra. Mount.
Havia um ponto que se voltava fortemente contra um crime, ponto que o Superintendente Haw3cesworth,  
claro, j explorara ao mximo. De acordo com o mdico, se a Sra. Mount tivesse sido apunhalada por 
alguma outra pessoa, seu assassino no poderia ter evitado de ser atingido, e muito liberalmente, pelo 
sangue; o vestido da morta era de tecido finssimo e somente teria representado uma fraca barreira contra a 
torrente de sangue que:: teria jorrado de um tal ferimento, o que o tapete plenamente demonstrava. Mesmo 
assim, no fora visto ningum com manchas de sangue; Assim, argumentava o Superintendente, 
desdenhosamente lgico, uma tal pessoa no existe.
Rudge, ainda obstinadamente fixado em sua idia de assassina-to, achava agora que havia uma forma de 
contornar essa dificuldade; e era tambm uma forma que poderia conduzir a vrias outras quanto s 
peculiaridades da morte. Tambm muito simples: a Sra. Mount teria sido apunhalada por detrs e n5o p1a 
frente absolutamente. E, a, tudo indicava que o assassino fosse um homem Disto, porm, o Inspetor j 
estava convencido. Se. estivesse certo e realmente a Sra. Mount tivesse sido assassinada, o homem que a 
matou era o mesmo que havia assassinado o Almirante Pensionei. Sobre tudo isso Rudge no tinha dvidas. 
E ele a havia assassinado para fechar a boca, que a mulher estava prestes a abrir contra ele.
 Quanto  arma, essa fonte usualmente til para certas perguntas, nada se pode saber. O Sr. Mount 
identificara como sua a faca que havia sido retirada do peito de sua mulher, um abridor de papel de ao, com 
a ponta fina, que habitualmente ficava em cima da mesa de seu escritrio. Uma deduo que se poderia tirar 
desse fato  que o crime no havia sido premeditado; circunstncias surgiram no curso da reunio que deve 
ter sido realizada e tornaram o crime imperativo. Este, porm, no era um argumento em que se pudesse 
confiar.
Quanto  principal objeo do Superintendente contra a hiptese de crime, isto , que era impossvel que 
fosse um assassinato, pois nenhum criminoso poderia ter-se escapado e que nenhum criminoso fora 
encontrado, Rudge no estava disposto a se preocupa muito. Ele j montara uma teoria sobre isso. Rudge 
no acreditava que o assassino tivesse escapado, absolutamente.
Quando terminou de comer sua refeio, Rudge levantou-se da mesa e se ps a caminhar para l e para c 
pela sala. Senta-se inquieto. Alguma coisa tinha que ser feita, e no sabia muito bem o qu. Finalmente, 
entrou em seu carro e se dirigiu vara Rundel Croft. Ele gostaria de dar uma cachimbada no abrigo de 
barcos, olhando para o rio. para ver se isso ajudava as coisas.
Deu certo, mas o cachimbo nem chegou a ser aceso. Quase que automaticamente, logo que chegou ao 
abrigo, o Inspetor lanou uma vista de olhos sobre o barco do Almirante e algo prontamente atraiu sua 
ateno. Presa entre duas pranchas da proa havia alguma coisa de uma vvida cor vermelha. Rudge se 
inclinou sobre ela.
Era uma flor, uma valeriana, cada e triste, mas ainda no murcha.
 Ahn ahn  fez Rudge.
Era uma descoberta extremamente interessante. Lembrava-se de onde vira uma valeriana pela ltima vez: 
naquela tarde, no jardim de Sir Wilfrid Denny. Havia um punhado delas crescendo perto da gua, numa das 
extremidades do cais de acostamento. E, tanto quanto Rudge soubesse, no havia em mais lugar nenhum 
.do rio.
Porm, o que realmente era interessante  que a flor no se encontrava onde agora estava, quando o barco 
foi examinado na manh seguinte  do crime (Appleton, de qualquer modo, no deixaria de not-la), como na 
verdade mostravam suas condies de relativo frescor. Havia somente duas concluses que poderiam ser 
tiradas: uma, que o marco tivesse sido utilizado nesta tarde e a flor tivesse ido parar ali por acidente; e a 
outra, que tivesse sido colocada onde estava, deliberadamente.
Rudge pensou um pouco sobre. isso e, em seguida, tirou a flor.
O caule saiu inteiro do buraquinho onde ficara alojado; no havia qualquer chance possvel de que tivesse ido 
parar onde estava por acidente, quando o barco cruzou pelas valerianas. A seguinte concluso era lgica: 
algum estava tentando lanar suspeitas sobre Sir Wilfrid Denny.
O Inspetor se tornou muito ativo. Sabia perfeitamente quem colocara a valeriana no barco. Foi at a casa. O 
Agente de Polcia Hempstead l se encontrava, gozando de momentos agradveis como de costume. Rudge 
fez uma pergunta ao grupo reunido na cozinha, e foi Hempstead quem a soube responder.
 Aquele rep6rter da Evening Gazette esteve aqui hoje?
 Sim, senhor. Eu o vi l da outra margem, hoje pela manh, Estava perto do abrigo de barcos.
Rudge tornou a entrar em seu carro e se dirigiu o mais rapidamente que pde ao magistrado mais pr6ximo, a 
fim de obter um mandado de busca. Em seguida, encaminhou-se para o Lord Marshall.
 O rep6rter da Evening Gazette est?  perguntou ao porteiro.
 O Sr. Graham? No, Sr. Rudge. Ele saiu depois do jantar.
 Qual  o nmero do quarto dele?
 Dezessete.
 Obrigado. No, no me acompanhe e no fale sobre isto a pessoa alguma.
O porteiro acenou com a cabea, sentindo-se importante.
Rudge esteve ocupado por cerca de meia hora, sem ser perturbado. Quando saiu, no entanto, nada mais 
tinha no bolso seno um pedao de papel no qual datilografara, laboriosamente, algumas frases, usando a 
mquina porttil que se encontrava sobre uma mesa perto da janela.
Saiu discretamente para a rua e olhou em volta. Do outro lado estava um homem recostado. Rudge fez um 
sinal para ele, que foi ao seu encontro logo depois de uma esquina.
 Ambos esto l dentro  disse o homem em voz baixa, quando se aproximou do Inspetor.  Jantaram a 
mesmo e no saram depois do jantar.  Desde a descoberta do vestido manchado de sangue, o Sr. e a Sra. 
Holland tinham sido colocados pelo Superintendente Hawkesworth sob cerrada observao.
Rudge meneou a cabea.
 No se preocupe com eles. Quero que voc observe uma outra pessoa. Aquele sujeito que  reprter da 
Evening Gazette.
Voc o conhece?
 Aquele dos cabelos curtos e dos 6culos?
 Sim. Seu nome  Graham, segundo diz.
 Ento esse no  o seu nome verdadeiro, Sr. Rudge?
  No. Seu nome verdadeiro  disse Rudge   Walter Fitzgerald.
 9
 Voc devia ter telefonado para mim ontem  noite, Rudge  disse o Major Twyfitt, severamente.  Ou, pelo 
menos, deveria ter entrado em contato com o Superintendente. O sujeito pode ter dado o fora.
Tenho um homem guardando a parte de trs do hotel, bem como sua frente, por toda a noite, senhor  
justificou-se Rudge.
O Superintendente no disse nada, mas no parecia muito satisfeito.
 H quanto tempo voc sabia que esse tal de Graham era Walter Fitzgerald?
 No havia uma identificao definitiva at ficar estabelecido que aquelas frases datilografadas que escrevi 
no seu quarto foram batidas na mesma mquina utilizada para redigir o consentimento do Almirante ao 
casamento da Sra. Holland. Claro que eu j suspeitara disso antes  falou Rudge, com um olhar de esguelha 
para o Superintendente  to logo fiquei sabendo a respeito dos remanescentes de uma barba encontrados 
no ralo da banheira em Rundel Croft, pois eu me lembrava de que o rosto desse reprter era bem mais claro 
em volta do queixo do que na testa. A princpio pensei que ele estivesse usando algum tipo de barbeador de 
pele.
E voc disse que telefonou ontem  noite para a Evening Gazette  Sim, senhor, ele  mesmo do jornal. E- 
usava barba da ltima vez em que o viram. O editor me disse que, na verdade, ele no  o seu, reprter 
policial, que est doente, e, assim, quando Walter Fitzgerald telefonou para a redao na manh seguinte ao 
crime, para avs-los de que estava no local c pedir para fazer a cobertura, a resposta foi afirmativa, ainda que 
eu tenha ficado sabendo que ele no estava na folha de pagamento. Uma espcie de freelance, 
mas gostavam do que produzia. Graham era o nome sob o qual se assinava;  Sim. Isto deu-lhe uma 
desculpa para permanecer no local e se manter em contato com os acontecimentos. Muito conveniente, do 
ponto de vista dele. O homem no sabe que voc suspeita dele?
Tem certeza?
 No tenho razo para achar que ele saiba, senhor.
 Bem, esperemos que no  disse o Superintendente com energia  pois, se ele vier a saber e cair fora, 
voc ser o responsvel, Rudge.
No pensei que houvesse indcios suficientes para efetuar uma priso  desculpou-se Rudge.  No naquela 
ocasio.
 E agora, temos?
 Bem, isso quem pode dizer  o senhor e o Major  respondeu Rudge, cheio de si.  Mas no perdi tempo, 
senhor, posso assegurar.  Declarao inteiramente verdadeira, pois Rudge no fora para a cama durante 
toda a noite.
Ento nos diga o que fez, homem  falou o Superintendente, impacientemente.
Rudge limpou a garganta.
 Talvez seja melhor que eu comece desde o princpio do caso, como eu o encarava at a noite passada. 
No me estou referindo aos fatos. Isso todos ns conhecemos. Estou-me referindo s idias que os fatos me 
deram.
 O silncio dos dois o encorajou a prosseguir.
 Bem, em primeiro lugar,  claro, estava a pergunta de por que o corpo do Almirante estaria em um bote? 
Seria muito fcil, se, fosse usado um barco que estivesse  mo, levar o cadver at o mar e afund-la com 
algumas pedras. A nica razo que imaginei possvel era a de criar uma impresso falsa; e a nica 
impresso falsa que eu podia ver era que o corpo tivesse flutuado corrente abaixo, ao invs de flutuar corrente 
acima... em outras palavras, que'6 crime tivesse sido cometido em algum ponto acima de Lingham. Isso 
levava  hiptese de que o crime realmente tivesse sido cometido em Whynmouth, ou, pelo menos, em 
algum ponto entre Whynmouth e Lingham. De qualquer modo, foi a rea onde me concentrei.
  Mesmo assim  observou o Major Twyfitt  essa parece sei uma razo muito fraca para que no 
afundassem o corpo e escondessem tambm o crime.
Isso me ocorreu, senhor  replicou Rudge, ligeiramente complacente.  Eu tinha certeza de que havia uma 
outra razo e, agora, creio saber qual . O velho Ware me conduziu a ela. Se h uma coisa de que tenho 
certeza  que o velho sabe mais do que diz. E estou certo de que ele sabe quem matou o Almirante. 
De qualquer modo, ele me deu uma pista. Perguntou como eu sabia que fora um crime?
 O qu?  quis saber o Superintendente.
No foi crime?  surpreendeu-se o Major.
 Eu no disse isso, senhor  apressou-se a responder Rudge.
 O que estou querendo dizer  que Ware no acredita que tenha sido crime. Se foi ou no, ainda no 
podemos saber, mas juro que e isso o que Ware pensa.
 Que provas voc tem?  indagou o Superintendente.
 Nenhuma, senhor. Somente unia impresso. Mas conheo Neddy Ware muito bem. E ainda que no passe 
de um pescador de trutas e coisas assim, aposto tudo o que tenho que ele est convencido de que no foi 
crime. E minha concluso  que, o que quer que os outros quisessem fazer, ele se ops a que o corpo fosse 
afundado ou a ele dado sumio de alguma forma. Creio que o bote foi uma idia sua.
 Voc est sempre acreditando nisso e naquilo  rosnou o Superintendente.  Ns queremos uma prova.
 No h prova nenhuma  redargiu Rudge, imperturbvel.
 E de qualquer modo estou apresentando apenas uma idia. Mas insisto, senhor, que haja alguma coisa 
nela; e se houver mesmo, bem... isso altera o caso profundamente.
  uma possibilidade  admitiu o Major Twyfitt.
O Superintendente, vendo seu crime fugir-lhe das mos, parecia abatido.
 De qualquer modo, continuaremos a agir como se no houvesse dvidas de que se trata de um crime  
observou o Delegado.
 Claro, senhor. Ento continuarei com minha reconstituiro.
Bem, tnhamos o Almirante sendo conduzido no bote, com Neddy Ware remando, at Whynmouth, e esse 
tal reprter, o sobrinho, remando no bote. do Vicariato, atrs dele, cerca de uma hora mais tarde, tendo a 
Sra. Mount como passageira.
 Opa  interrompeu o surpreso Delegado, que no se lembrava de ter ouvido nada dessa espcie.  O que  
que h?
 Creio que isso  bvio, senhor  disse Rudge, com um olhar maroto na direo do Superintendente.  O 
que estou querendo dizer  que temos indcios que levam a isso. Sabemos que a Sra. Mount chegou ao 
Vicariato por volta das onze horas; sabemos que o Vigrio no esteve com ela at depois da meia-noite; 
sabemos que o bote do Vicariato foi tirado naquela noite; temos certeza de que Fitzgerald esteja metido em 
tudo isso; sabemos que Fitzgerald, era amante da Sra. Mount. Qual  o resultado? Ora, que 
Fitzgerald, sabendo que ela ia ver o Vigrio naquela noite para conversar sobre o divrcio, interceptou-a no 
jardim, levou-a at o pavilho para conversarem um pouco, e decidiu que o melhor seria ir at Whynmouth 
atrs do Almirante ( mais do que possvel que houvesse um encontro acertado entre os dois homens), nega 
o chapu do Vigrio para usar na hiptese de que algum os veja sair no bote (nada como um chapu para 
estabelecer identidade), pega a faca norueguesa que os rapazes esqueceram por ali, a fim de cortar o cabo 
com... no!  disse Rudge, pensativamente.  Ela voltou correndo para apanhar a faca, quando verificaram 
que no podiam desfazer o n.
 Como diabo voc sabe disso?
 Saber eu no sei, senhor. Mas se foi isso o que ela fez, muita coisa estaria explicada. Sempre me intrigou 
por que estaria o Vigrio regando seu jardim com tanto empenho na manh seguinte, sob um sol abrasador. 
Suponhamos, porm, que ela tenha deixado pegadas nos canteiros quando foi apanhar a faca. Um forte jato 
d gua destruiria essas pegadas, de forma muito menos bvia do que um ancinho ou uma outra ferramenta 
qualquer, estando o jardim sob observao permanente de nossos homens postados no abrigo de barcos da 
casa do Almirante. Ele chegou at a dar uma esguichada no interior do pavilho. Suponhamos que ela tenha 
deixado p-de-arroz espalhado por ali, como acontece com as mulheres?
 uma possibilidade  concordou o Delegado, com interesse.  Mais do que uma possibilidade.
O Superintendente no disse nada.
 Bem, de qualquer modo, como eu disse, temos Fitzgerald saindo atrs do Almirante. Seriam precisos uns 
trinta ou quarenta minutos para que ele chegasse a Whynmouth. Temos ento um intervalo de quinze ou 
vinte minutos, durante o qual o Almirante  morto e so feitos arranjos entre as duas embarcaes. O 
corpo  colocado no bote do Vigrio, os dois cabos so amarrados um no outro, e algum os conduz a 
remos corrente acima. Quem? No Fitzgerald. Ele no teria tempo. Ns vamos encontr-la em Rundel Croft 
pouco depois da meia-noite. No a Sra. Mount; ela estava no Vicariato mais ou menos  mesma hora.
Ware  admitiu o Delegado.  Sim, isso parece claro.
O Superintendente no disse nada.
. Neddy Ware, sim, senhor  disse Rudge, j agora muito  vontade.  E toma a cortar os dois cabos 
quando chega a Rundel Croft algumas horas mais tarde, com sua prpria faca, que no  to afiada como a 
faca norueguesa.
 No parece prprio de um marinheiro  comentou o Major  cortar um cabo ao invs de desat-lo.
 Mas, suponhamos que o n no tenha sido dado por um marinheiro, senhor? Suponhamos que quem dera 
o n fora algum de terra, um n difcil, que o arrastar-se na gua tornou ainda mais tenso. Alm de que  
minha opinio que o velho Ware estava num estado de nimo tal que, mesmo um marinheiro, seria capaz 
de cortar um cabo em lugar de desfazer o n.
 Est bem  concordou o Delegado.  Prossiga.
O Superintendente no disse nada.
.  Fitzgerald deve ter voltado de carro, pelo lado da margem onde se situa Whynmouth, a fim de l deixar a 
Sra. Mount para o encontro. Em Rundel Croft ele estacionou o carro enquanto ia l dentro. Pensei muito a 
esse respeito, senhor. Suspeitara de que Fitzgerald tivesse um carro, mas sabendo que ele mesmo estava 
em Rundel Croft, fiz investigaes apenas nesse lado do rio. To logo o Sargento Appleton voltou,  noite 
passada, mandei-o investigar do outro lado. O sargento encontrou duas testemunhas que viam um carro, de 
luzes apagadas, parado por dentro dos portes do Vicariato, por trs dos arbustos, fora da vista de quem 
passa pela estrada; uma teria visto  meia-noite e quinze, outra  meia-noite e quarenta.
 Como poderiam ter visto o carro, se ele estava fora da vista de quem passasse na estrada?
 Como as pessoas do campo vm tantas coisas, senhor? Eles tero alguma explicao plausvel, o senhor 
pode ter certeza. Mas o senhor sabe to bem quanto eu que, se ele tivesse ficado estacionado no poro da 
casa do Vigrio com uma lona em cima, algum o teria visto. E isso  muito conveniente para n6s tambm.
O Major Twyfitt achou graa.
 Muito bem. Ento como Fitzgerald cruzou o rio?
 Deve ter sido a nado. No havia outra maneira. Minha idia  que ele se tenha decido lapidamente, 
envolvido suas roupas no casaco, atirado o pacote por cima do rio (no so mais do que uns doze metros de 
largura ali), e nadado para o lado oposto.
E l estava ele, procurando a pasta X confortavelmente, sua irm ajudando-o, quando chega Holland e bate 
 janela francesa. Isso deve ter sido um choque desagradvel para eles. Mas Fitzgerald se controlou. 
Sussurrou para a irm que se livrasse de Holland imediatamente, conservando-se  sombra e entregou o 
consentimento datilografado, aprovando o casamento. Isso foi o bastante para que Holland fosse embora com 
a cabea meio virada de satisfao...
to virada que no havia espao nela para' observar que o Almirante parecia demasiado jovem naquele 
momento. Fitzgerald, aps a sada de Holland, encontra os documentos e os destrui, sobe, raspa a barba, 
torna a cruzar o rio, apanha a Sra. Mount e cai fora juntamente com ela em seu carro. No consegui saber 
para onde foram, mas creio que tornaram a direo de Londres, teriam ido o mais longe que pudessem nesta 
direo.
 Ento voc acha que Holland estava certo ao identificai : Almirante naquela noite?
Acho, sim, senhor. Em minha opinio, ele sabe agora da verdade; mas naquela ocasio no sabia.
 Ento, isso o transforma tambm em cmplice.
Sim, senhor. Ainda que seja provvel que, lhe tenham contado a mesma coisa que contaram a Ware ... que 
no fora, um crime. E a Sra. Holland tambm. Isso explicaria por que ela no se sentiu surpreendida, quando 
a vi pela primeira vez, ao saber que seu tio estava morto, mas deu um pulo quando eu disse que ele morrera 
assassinado.
 Isso se encaixa muito bem, Rudge  comentou o Major.
Finalmente, o Superintendente abriu a boca.
 Encontrou a arma, Rudge?
No, senhor  respondeu o inspetor.
Ah  fez o Superintendente.
 Mas encontrei isto que aqui est.  Rudge tirou do bolso um pacote de papel pardo. Desenrolando-o, 
Rudge ps  luz uma faca norueguesa, longa e fina, bastante enferrujada.
O Superintendente pegou a arma ansiosamente.
 Ento voc encontrou a arma?
 No, senhor.
 Onde voc a encontrou, Rudge?  interps o Major Twyfitt.
Num canteiro de flores do jardim do Vigrio, senhor.
 Voc estava procurando a arma por l?
 Sim, senhor. Ontem  noite havia um luar muito claro.
 Ora, Rudge  perguntou o Delegado, pacientemente  voc estava procurando essa arma ontem  noite em 
um canteiro de flores do jardim do Vigrio?
 Bem, senhor, coloquei as coisas da seguinte maneira: o crime foi ou no foi premeditado? De algum modo, 
com as observaes de Ware e tudo mais, imaginei que no fosse. Mas eu no tardaria a testar essa 
impresso. Se Fitzgerald tivesse premeditado matar o Almirante naquela noite, ele teria levado esta faca 
consigo, poi8 teria percebido, assim que a viu, que nada serviria melhor a seus planos. Se ele no tivesse 
uma tal inteno, imaginei que, mais provavelmente, a jogaria novamente no jardim, to logo tivesse cortado 
o cabo. Por isso, dei uma passada na casa do Vigrio  noite passada, dando uma busca dentro do alcance 
de alguma coisa que tivesse sido atirada de junto do poste de amarrao.  Rudge, a essa altura, estava to 
satisfeito consigo mesmo que no conseguiu resistir  tentao de lanar um sorriso completamente no 
oficial ao seu .superior hierrquico. O Major Twyfitt sorriu para ele tambm.  Trabalho muito inteligente, 
Rudge.
  O que desejo  disse o Superintendente, ainda no pacificado   a arma do crime.
  Encontrei isso tambm, senhor.
Rudge tirou do bolso mais um pacote de papel pardo e de dentro 'dH0: mais uma faca, uma dessas facas 
ordinrias normalmente usadas por marinheiros e operrios das docas.
 No h nela impresses digitais  informou Rudge, enquanto a colocava em cima da mesa.
 E onde voc a encontrou?
 Junto de umas valerianas, senhor, no jardim de Sir Wilfrid Denny, debruadas sobre o rio.
 No jardim de Sir Wilfrid Denny!
 Sim, senhor. L mesmo.  Rudge fez um relato de sua descoberta de uma valeriana enfiada no barco do 
Almirante, que l no se encontrava quando o Sargento Appleton inspecionara a embarcao.  8 como 
essas caas ao tesouro  acrescentou Rudge  quando se vai de uma pista para outra. Aquela valeriana 
era uma pista e eu a segui, indo descobrir essa faca. 6 um indcio falso. No h nela nenhuma mancha de 
sangue. B claro que a verdadeira arma est no fundo do mar.
 C o que voc acha?
 Rios  disse Rudge  podem ser dragados.
 E voc acha que Fitzgerald foi quem deu esses falsos indcios?
 Tenho certeza disso, senhor.
 J est na hora  observou o Superintendente  de colocarmos a mo nesse Sr. Fitzgerald.
Rudge olhou para o relgio.
 Estou esperando por ele s onze e meia. Ainda temos quinze minutos pela frente. Eu disse a ele que tinha 
uma informao a dar-lhe com exclusividade, se aparecesse a essa hora.
 E ele vir?  perguntou o Delegado, em dvida.  No acha que voc est correndo um risco?
 O Sargento Appleton, de qualquer modo, est em seus calcanhares.
 Se esse Fitzgerald escapar, Rudge  rosnou o Superintendente Hawkesworth.
 Ele no o far, senhor. H mais alguma coisa que deseja que eu relate antes que ele aparea?
 Conseguiu apurar alguma coisa a respeito daquele exemplar de jornal encontrado no bolso do Almirante?
 No, senhor. Ele deve t-la apanhado em Whynmouth, talvez no Lorde Marshall. No creio que se deva dar 
muito importncia a esse detalhe.
 Ento voc acha que foi o Almirante mesmo quem esteve no Lorde Marshall?  perguntou o Major Twyfitt.
 Sim, senhor, acho. Sei que o Superintendente pensa de maneira diferente, mas conseguimos provar que o 
Almirante esteve em Whynmouth e, assim, por que no teria sido ele? Tenho impresso de que ele previa 
algum perigo no encontro que estava por realizar-se e queria que Holland estivesse presente vara dar-lhe 
cobertura; quando o porteiro, porm, informou que Holland estava deitado, ele no o quis incomodar, fazendo-
o sair da cama, e deu a primeira desculpa que lhe ocorreu.  claro que nunca pretendeu tomar trem algum, 
mas tinha que dizer alguma coisa.
 'Hum  fez o Superintendente, no gostando de que essa brilhante idia lhe fosse arrebatada por um 
simples inspetor.
E a chave da janela francesa no bolso do Almirante?  indagou o Major.
 Por que no teria sido o prprio Almirante quem a deixou cair, senhor? Parece perda de tempo  disse 
Rudge  a preocupao de buscar explicaes complicadas quando h uma to simples  mo.  o que 
sinto  acrescentou o Inspetor, com ar inocente  sobre a visita do Almirante ao Lorde Marshall, ainda que 
eu saiba que o Superintendente Hawkesworth no concorde comigo.
A cara grande do Sr. Hawkesworth pareceu durante um momento to tomada por uma sincera emoo que o 
Delegado apressou-se a desviar a conversa para uma linha totalmente diversa.
 E quanto  morte da Sra. Mount, Rudge? Voc conseguiu algum progresso quanto  sua teoria de crime?
No, no que diz respeito a provas, senhor  respondeu Rudge, lentamente  mas lhe posso apresentar uma 
denncia de assassinato, se o senhor tiver a bondade de escutar, ainda que eu saiba que no possamos 
lev-la a jri no p em que est.
 Ento, vamos ouvir.
 Se foi crime, senhor, deve ter acontecido da seguinte maneira. A Sra. Mount marcou a reunio. Ela perdeu 
o controle e pretendeu falar. Os Hollands j sabem de muita coisa; ela lhes vai dizer mais ainda. No imagino 
quanto o Reverendo sabe, mas ele ia ficar sabendo muito mais depois de finda a reunio. Naturalmente, isso 
no est de acordo com a cartilha de uma certa pessoa.
Essa pessoa soube disso e vai at l para impedir a Sra. Mount de fazer o que pretendia. Deve ter chegado 
l pouco antes de mim.
Ela o deixou entrar e os dois se puseram a discutir. Sbito, vem me entrando pela alameda. Ele empunha o 
cortador de papel em cima da mesa e a ameaa, se ela emitir um som. Ela se conserva em silncio. Ambos 
vem quando me escondi nos arbustos. Uma hora depois, mais ou menos, chegam os Hollands e ele faz a 
mesma coisa. Os Hollands sentam-se no gramado e a situao est salva por mais algum tempo. Ele, 
porm, est cada vez mais assustado e ela, prxima da histeria. Ele no confia absolutamente nela. Durante 
o tempo todo em que ns trs l nos encontrvamos, ele teve que manter a faca de encontro a seu peito, 
para que ela se mantivesse em silncio. E o que fez ele? Fez com que ela prpria empunhasse a faca, com 
ambas as mos em seu punho, e a ponta exatamente voltada para seu corao; com uma das mos sobre a 
mo dela era-lhe mais fcil control-la e ao mesmo tempo ter o olho livre. Ela est meio morta de medo 
dele... sabe que ele est querendo mat-la... e faz qualquer coisa que ele quiser. Ento, os Hollands se 
dirigiram novamente  casa. Do que eles falaram, o criminoso ficou sabendo que a porta da frente que ele 
naturalmente no fechara direito, estava entreaberta. Os Hollands vinham entrando. Ouviu quando eles foram 
at a sala de visitas e depois passaram para a sala de jantar; sabia que provavelmente iriam at o escritrio. 
O que faz, ento? Ele agora est por detrs da Sra.
Mount, tendo ambas as mos sobre as dela no cabo da faca. Com um impulso convulsivo, fora a faca no 
corao dela. Ela grita uma primeira vez. Ele a solta e corre para a porta, limpando suas mos no leno. Os 
Hollands entram; a Sra. Holland sai correndo, o Sr. Holland se demora um instante e sai tambm atrs da 
mulher.
Eu estou vindo pelo gramado. O assassino disps de uns poucos segundos para entrar no lavatrio prximo 
da porta da frente. Ele o faz. Mas no pode sair dali pois ser visto. Ento  concluiu Rudge quase perdendo 
a respirao  tudo o que ele tem a fazer  esperar at que a barra esteja limpa, sair da casa, esconder-se 
em um de seus cantos, caminhar sobre o pedregulho e tornar a entrar na casa. E isso, senhor,  exatamente 
o que suponho que ele tenha feito.
Fez-se silncio depois que Rudge acabou de falar.
Foi o Superintendente Hawkesworth quem quebrou tal silncio, com uma ligeira observao.
 Voc poder provar que ele no veio pela alameda? E aqueles dois que estavam l no gramado?
 Eles no poderiam ver de onde se encontravam. O canto da casa os impedia.
 Alm de que eles no falariam.
Fez-se outro silncio.
Sr. Hawkesworth  disse Rudge, um tanto modestamente  quem vai efetuar a priso, o senhor ou eu?
  melhor que seja voc. J fez um timo trabalho neste caso  disse o Superintendente, que afinal de 
contas era um. homem razovel  e creio que deve ter este crdito. Quem efetua a priso obtm o crdito. 
Isto   aduziu ele, perfunctoriamente.  se o Major Twyfitt estiver de acordo.
 Certamente, certamente  concordou o Delegado.  Concordo inteiramente. Rudge trabalhou muito bem. 
Poupou-nos de uma srie de problemas, isso para no dizermos nada quanto  Scotland Yard.
 Obrigado, senhor  agradeceu Rudge, modestamente, e olhou para o relgio. Estavam-se aproximando das 
onze e meia.
Bem, suponho que s o que podemos fazer  esperar  disse o Delegado. Todos os trs estavam 
comeando a sentir-se inquietos.
No tiveram que esperar muito. Antes que os ponteiros do relgio marcassem a hora combinada, um policial 
enfiou a cabea pela porta e anunciou, em um sussurro estentreo, que o Sr. Graham, que tinha um 
encontro marcado com o Sr. Rudge, havia chegado.
 Faa-o entrar  disse o Major.
O reprter de cabelos curtos entrou com sua usual aparncia de autoconfiana, cumprimentando os trs 
efusivamente e recebendo, em troca apenas trs secos acenos de cabea.
 Quais so as novidades, Inspetor?  perguntou ele.  Tem algo de especial para mim? Isto  muito correto 
de sua parte.
 Algo muito especial  respondeu Rudge, friamente.  Vou efetuar uma priso.
 Uma priso!  Fitzgerald ficou olhando para ele.  Oh!
Pela morte do Almirante Penistone?
 Pela morte do Almirante Penistone e por alguma coisa mais  retorquiu Rudge, gravemente.
 Compreendo. Ahn... muita bondade sua deixar que eu saiba disso.  A autoconfiana do reprter j no era 
to acentuada. Sem ser convidado, sentou-se em uma cadeira, como se suas pernas estivessem 
subitamente fraquejando. Os outros trs ficaram olhando para ele em silncio. Novamente, o policial enfiou a 
cabea pela porta Sir Wilfrid Denny, que tem um encontro marcado com o Sr. Rudge, acaba de chegar.
Faam entrar, Gravestock  disse Rudge. Aos seus superiores, Rudge explicou, enquanto se punha de p.  
Pedi a Sir Wilfrid que tivesse a bondade de vir at aqui, a fim de que pudesse fazer-lhe algumas perguntas 
sobre... certas coisas.
Os outros concordaram com a cabea.
Rudge foi at a porta, ao encontro de Sir Wilfrid. Este, no entanto, j havia entrado quando Rudge se 
aproximou. Rudge era um homenzarro e Sir Wilfrid, pequenino. Foi Sir Wilfrid quem se estatelou no cho. 
Demonstrando ter ficado embaraado e se desculpando de todo o corao, Rudge ajudou-o a pr-se de p e 
a ajeitar sua roupa.
Desculpe-me senhor. Lamento muito. Foi um descuido de minha parte. O senhor conhece o Major Twyfitt? E 
o Superintendente Hawkesworth2 Lamento t-la trazido at aqui, senhor, mas h uma ou duas perguntas que 
gostaria de fazer-lhe, para esclarecer um ponto duvidoso.  sobre uma valeriana que encontrei enfiada entre 
duas tbuas do barco do Almirante Penistone. Bem, dei uma busca no rio, para cima e para baixo, e a nica 
moita de valerianas que crescem perto do rio, segundo verifiquei,  no seu jardim. Estamos querendo saber 
se o senhor nos pode dizer alguma coisa a esse respeito?
Sir Wilfrid enfiou as mos nos bolsos do casaco e encarou Rudge com perplexidade.
 No, no posso.
 Nem a respeito desta faca, encontrada na mesma moita de valerianas, tendo nela vestgios de sangue?
Sir Wilfrid olhou para o Major Twyfitt, olhou para o Superintendente Hawkesworth, olhou para Walter 
Fitzgerald. Em seguida, tossiu.
 Nunca vi essa faca antes  afirmou ele.
 Obrigado, senhor. Isso  tudo que eu lhe queria perguntar.
E agora tenho uma dolorosa tarefa a cumprir.
Rudge fez uma pausa e olhou duramente para Sir Wilfrid. Este tornou a tossir, mais violentamente desta vez.
 Sir Wilfrid Denny  disse Rudge  eu o prendo pelo assassinato de Hugh Lawrence Penistone e pelo de 
Celia Mount, e o advirto de que tudo o que venha a dizer poder ser usado como prova contra o senhor.
 10
 Eu dificilmente acreditaria  respondeu Sir Wilfrid, secamente.  Bem, eu o cumprimento, Inspetor. Como 
descobriu?  Sir Wilfrid sentou-se, desembaraadamente,  borda da mesa.
 Olhe aqui, Denny  falou o Major Twyfitt, desajeitadamente, enquanto ele e o Superintendente 
Hawkesworth saam do estupor em que pareciam mergulhados.  Olhe aqui, no sei se...
bem, acho que  melhor que no diga nada. Seu advogado...
 Sei muito bem o que estou fazendo  interrompeu Sir Wilfrid.  Ele me entregou, suponho?  Sir Wilfrid fez 
um sinal na direo de Fitzgerald, que no se mexera em sua cadeira.
 Quero crer que o senhor deseja prestar uma declarao, no, Sir Wilfrid?  insinuou Rudge suavemente, 
ainda que nada parecesse haver para que assim pensasse.
 Sim, farei uma declarao, sem dvida. Matei a ambos, quero dizer-lhes desde logo. No sei se vai ajudar 
o que vou acrescentar, mas no pretendi matar o Almirante; pelo menos suponho que o fiz em legtima 
defesa. Ele me atacou com um atiador de fogo.
O Superintendente tinha apanhado um pedao de papel em cima da mesa e escrevia furiosamente.
 Ento, por que o senhor matou a Sra. Mount, quando pensou que ela ia acus-la?  perguntou Rudge.
 Realmente, Rudge  disse o Delegado, sentindo-se infeliz.
 No creio que devamos perguntar... Sir Wilfrid, de fato, deveria ver seu advogado.
Oh, responderei a qualquer pergunta. Por que a matei?
Porque eu no queria ser preso,  claro. Como eu poderia provar legtima defesa? Quando as circunstncias 
viessem  luz do dia, eu aparentemente teria todos os motivos para ter cometido o crime.
 O senhor est-se referindo  sua quota no negcio de Hong Kong?
 Estou vendo que sabem de tudo. Sim. Mas lamento sobre a Sra. Mount. Eu... creio que perdi a cabea. 
Fui tomado de pnico. Uma coisa horrvel de fazer-se... eu creio  acrescentou ele em voz baixa, dirigindo-se 
a Walter Fitzgerald  que no vai adiantar nada dizer-lhe que pretendo emendar minha prpria vida, no ?
Fitzgerald se ps de p sem responder e, atravessando a sala at a lareira, encostou a cabea nas mos. A 
melhor acabar com isso rapidamente  disse Sir Wilfrid, falando para o Superintendente.  No temos muito 
tempo.
O Almirante suspeitava h muito tempo de minha participao no que aconteceu em Hong Kong. De um 
modo ou de outro, consegui mant-lo afastado. Foi quando Ware desconfiou de mim.
 Ware?
 Sim. Ele sabia durante todo o tempo... ainda que eu ignore como, diabo, ele descobriu. Foi por isso que 
veio morar aqui quando deixou a Marinha.
 Ele estava fazendo chantagem com o senhor?
 Bem, creio que pode chamar assim; mas era somente coisa de um presente de uma libra ou duas, de 
quando em quando, e ele nunca me ameaou. Ele apenas sabia, e eu lhe dava algumas 
libras ocasionalmente para guardar o que sabia s para ele. Mas o Almirante tomou conta dele; se pagou 
mais, ou se apelou para dever
e honra, no posso dizer, mas Ware passou para o lado dele.
Ento, o Almirante veio aqui me visitar, vomitando, como podem imaginar, fogo e morte. Ele me apertou num 
canto, at que no me foi possvel continuar negando. Foi ento que ele no deve ter enxergado mais nada, 
pois simplesmente me atacou, s cegas, com o atiador. Apanhei a primeira coisa que pude (na verdade era 
uma faca de trincheira que um de meus sobrinho me dera como lembrana de guerra), esquivei-me do 
atiador e o atingi primeiro. Em
seguida, desci at onde Ware estava esperando com o barco do Almirante, quando vi que Fitzgerald e a Sra. 
Mount haviam chegado em um outro barco.
 Um minuto, Sir Wilfrid  interrompeu o Superintendente.
 A que horas foi isso?
 Oh, creio que foi por volta de vinte para a meia-noite.
Disse-lhes o que havia feito e que tnhamos de nos ver livres do corpo. Temo que tenha perdido um pouco a 
cabea, pois no dei ouvidos para eles quando Ware e Fitzgerald instaram comigo para que fizesse tudo s 
claras e telefonasse para a Polcia. Era homicdio justificado, alegavam eles, e nada me poderia acontecer. 
Mas: eu sabia que, se o fizesse, toda aquela histria de Hong Kong viria  tona, e em qualquer caso eu 
perderia minha penso; achei O tambm que seria quase inevitvel ter que enfrentar uma acusao 
de assassinato. Por fim, Fitzgerald concordou em ficar de meu lado, mas tivemos muito trabalho para 
convencer Ware. Finalmente concordou que, se no fosse preciso que contasse mentira alguma diretamente, 
exceto para esconder o fato de que tinha sado com o Almirante naquela noite, ele no me denunciaria; 
limitar-se-ia a no saber de nada. Eu estava por demais preocupado para combinar alguma coisa; como sem 
dvida Fitzgerald j lhes disse, ele se encarregou de nossos planos. Ware insistiu que o corpo no deveria 
ser escondido, devendo tudo ficar to s claras quanto possvel; assim, voltamos para a casa, tornamos um 
gole de bebida cada um, e colocamos o corpo no bote do Vigrio, coberto com um pedao de lona. Ware se 
encarregou de rebocar o bote corrente acima: e solt-la  deriva, antes de levar de volta o barco do Almirante 
para seu respectivo abrigo. Nesse meio tempo, Fitzgerald 'prometeu ir imediatamente a Rundel Croft e 
revistar os 'papis do Almirante, destruindo qualquer documento escrito que tivesse contra mim, o que sei 
que fez. No dia seguinte, sentindo-me incapaz de ficar e enfrentar a situao, francamente bati em retirada e 
fugi para Paris, Fitzgerald mandou um recado me dizendo que parecia no haver nenhuma suspeita contra 
mim e eu voltei.
E a Sra. Mount?
Falando em voz baixa, Sir Wilfrid contou os detalhes. Eles vieram a coincidir quase exatamente com o que 
Rudge havia imaginado, exceto que Sir Wilfrid continuava a afirmar que jamais. desejara mat-la. A Sra. 
Mount, escutando Holland na outra :sala, fez uma tentativa desesperada para escapar e, na luta, Sir 
Wilfrid tinha mecanicamente empregado mais fora para domin-la, com isso enterrando a faca. No houve 
um plano preestabelecido por seus: movimentos subseqentes. Ele havia corrido com o pnico; de um lugar 
para outro, onde as oportunidades se ofereciam.
 Nada mais tinha a dizer.
O Major Twyfitt sacudiu a cabea.
Eu no devia ter deixado voc dizer coisa alguma, at que se tivesse avistado com seu advogado.
..  Meu caro amigo  disse Sir Wilfrid, quase alegremente  no se preocupe; eu jamais enfrentarei um juiz. 
Voc ouviu quando eu tossi antes que seu homem me desse voz de priso?
Com o disfarce da segunda vez em que o fiz, coloquei algo dentro da minha boca que comprei em Paris 
especialmente para essa finalidade. Creio que s tenho mais dez minutos de vida.
Consternado, o Major Twyfitt deu um pulo para a frente, : do mesmo modo que o Superintendente. Para a 
Polcia  uma coisa muito ruim, quando um preso consegue cometer suicdio mesmo embaixo de seus 
narizes. Rudge, no entanto, chegou primeiro.
 Bem  disse ele  ns o poremos em segurana por esses dez minutos, de qualquer modo. Quer 
acompanhar-me, por favor?
 Pegando-o pelo brao, conduziu-o para fora da sala.
Quando Rudge voltou, o Superintendente estava telefonando freneticamente para um mdico, que no se 
encontrava em casa.
Coloquei-o numa cela  disse, sumariamente.  No se preocupe, senhor. No temos necessidade de 
mdico. Eu sabia o que ele tinha escondido no bolso esquerdo do casaco. Eu esperava por isso. Assim, 
preparei um pacotinho semelhante e os troquei durante a coliso. Aqui est ele.  Rudge apresentou um 
pequeno envelope de papel transparente.
Mas como voc conseguiu ficar sabendo com que o pacotinho dele se parecia?  perguntou o delegado.
 Andei espionando um bocado Sir Wilfrid  noite passada, senhor, atravs das persianas de sua sala de 
visitas. Vi quando ele preparava o pacotinho, desconfiei do que fosse, e sabia que estaria em seu bolso 
esquerdo porque tinha a mo metida nele quando entrou aqui. Sir Wilfrid engoliu apenas trs tabletes de 
bicarbonato de sdio. Isso foi tudo.
 11
O Major Twyfitt deixou-se cair de novo em sua cadeira. Todos pareciam ter esquecido Walter Fitzgerald, que 
ainda estava junto  lareira, com aspecto de depresso.
 Na noite passada voc j sabia que era Denny?
No vou dizer que soubesse, senhor. Mas h algum tempo que vinha suspeitando, desde que estive com ele 
em seu jardim.
Denny pareceu muito ansioso em dizer que mal conhecia o Almirante e, alm disso, para um homem que 
mora  beira de um rio, parecia saber naquilo pouco sobre mars. No pude engolir essa.
Havia tambm aqueles rumores a respeito de desentendimentos entre ele e o Almirante, e tendo os dois 
estado em Hong Kong na mesma poca, imaginei que ele pudesse estar metido no incidente, do lado errado; 
alm disso, ele foi tambm um pouco contundente demais ao insinuar que o Almirante no fosse inocente. 
E, ainda que se lembrasse de ser Fitzgerald um bonito tipo de homem, no sabia dizer se ele usava barba ou 
no.
 Ento voc nos estava tapeando hoje pela manh, quando nos disse que toda sua suspeita estava voltada 
para... uma outra pessoa?
 Senhor, eu nunca disse nada. No mencionei qualquer nome. Eu tinha dentro de mim a certeza de que era 
Denny, mas qual a vantagem em diz-lo? Eu no tinha orava real alguma. A princpio, pensei em prender... 
algum na presena de Sir Wilfrid, pensando que, se ele fosse o criminoso, diria ali mesmo e na mesma 
hora. Mas na noite passada, quando o vi preparando o pacotinho, tive certeza de que era ele; assim, achei 
que teria uma oportunidade para prend-la. Se desse certo, muito bem. Se, no desse...
 Voc estaria na rua da amargura  disse o Superintendente com severidade.
 Mas deu certo, senhor. Achei que de alguma forma daria certo  admitiu Rudge  se Sir Wilfrid se sentisse 
seguro de ter com ele o contedo daquele pacotinho.
 Completamente fora das normas oficiais, Rudge  observou o Delegado.  Completamente fora das normas 
profissionais.
Mas muito inteligente.
 Obrigado, senhor.
 Bem, e com o Sr. Fitzgerald que aqui est? Creio que gostaramos de fazer-lhe algumas perguntas.
 Faa-as  disse Walter.  Direi tudo o que o senhor quiser saber. Graas a Deus est tudo terminado. Era 
um  pesadelo, posso garantir-lhe. Eu sabia que estavam atrs de mim.
 Bem...  disse o Superintendente Hawkesworth, e comeou a fazer suas perguntas.
O relato de Fitzgerald sobre os acontecimentos da noite da tera-feira do crime coincidiram exatamente com 
a reconstituio feita por Rudge, com exceo de que ele e a Sra. Mount no haviam regressado para 
Londres naquela noite. Haviam seguido no carro por uns 60 quilmetros, pararam num bosque e 
dormiram, se  que puderam dormir. A Sra. Mount, ao passar do tempo, mostrava-se mais e mais incisiva, 
achando que Denny deveria entregar-se e tinha mesmo relatado os fatos a seu marido, sob o juramento da 
confisso; Mount lhe havia prometido juntar-se aos seus esforos em insistir que Sir Wilfrid e Ware 
procurassem a Polcia espontaneamente, a fim de contar a verdade.
Holland, durante todo o tempo, tinha sido um inocente. Elma sabia a verdade, mas Holland ainda no sabia 
quem havia matado o Almirante; ele, se limitara a aceitar a palavra de Fitzgerald de que no fora ele o 
assassino. A questo do consentimento datilografado tinha surgido da forma que se segue. Holland havia 
encontrado Fitzgerald no Oriente, vira que ele se encontrava sem rumo e gostara dele o suficiente para tentar 
recuper-lo. Walter, sem lhe dizer nada a respeito do incidente de Hong Kong, informara-o a respeito da 
acusao que havia contra ele...
A ordem de priso contra o senhor por falsificao?  interps o Superintendente.
 O senhor est a par disso? Ento, sim.
Essa acusao o impedia de aparecer na Inglaterra sob seu verdadeiro nome e, consequentemente, de obter 
sua herana. Hol1and prometera ver o que podia fazer. Entrou em ligao com a firma em Hong Kong que 
concordou, em vista do tempo j decorrido, em retirar a acusao contra ele, se Walter repusesse a 
importncia. Isto era uma coisa que ele no podia fazer at que tivesse recebido sua herana, tendo-se 
recusado a permitir que Holland lhe emprestasse o dinheiro, uma soma considervel. Holland, dessa forma, 
se dispusera a entrar em contato com o Almirante na Inglaterra, e tentar obter uma reconciliao, de modo 
que o dinheiro pudesse ser adiantado pela famlia; ao mesmo tempo, Holland se comprometera a se avistar 
com Elma e lhe assegurar que, finalmente, tudo estava entrando nos eixos.
Quando ainda se encontrava no exterior, Walter sempre se mantivera em contato com Elma, e quando o 
Almirante tentou obstar a que eles se correspondessem, a Sra. Mount tinha ido para a casa de Elma, como 
empregada, no somente para lhe; dar proteo, mas tambm para atuar como ligao.
O Almirante recebeu Holland com suspeitas, por ser amigo de Walter e, a princpio, no quis conversa com 
ele. Holland percebeu que levaria tempo para que mudasse de atitude e se decidiu a trat-lo to 
pacientemente quanto possvel. Nesse meio tempo, tendo conhecido Elma, imediatamente caiu de amores 
por ela.
Agora, era a vez de Walter fazer um favor a Holland. Ele chegara  Inglaterra e estava morando em Londres. 
A Sra. Mount foi tambm para Londres, tendo Walter a instalado perto dele, sob o nome de Arkwright. Walter 
ficou satisfeitssimo ao saber dos sentimentos de Holland com relao a Elma, pois, conhecendo-se a si 
mesmo, sempre temera que Elma, vindo a amar algum de personalidade forte, poderia tornar-se tambm 
contrria a ele. Walter insistiu tremendamente junto a Elma para que aceitasse Holland. Finalmente, vendo o 
quanto seu irmo desejava o casamento, Elma consentiu em aceitar Holland. O Almirante, no entanto, era 
ainda um obstculo. Ele no permitiria que Elma se casasse com nenhum amigo de Walter. Holland j 
estava melhorando sua posio, mas o Almirante no cedia de forma alguma.
Nesse meio tempo, Elma estava procurando fazer alguma coisa por Walter. Ele e a Sra. Mount haviam 
sempre querido casar-se, mas o Vigrio no concedia o divrcio a sua mulher. Elma tinha imaginado que o 
Sr. Mount dera indicaes de que estaria interessado nela. Deliberadamente, disps-se a reforar esse 
interesse a fim de ser capaz de usar sua influncia com ele para persuadi-la a conceder o divrcio. Era por 
essa razo que ela sempre procurava estar com a melhor aparncia possvel quando ia estar com o Vigrio. 
Walter no sabia disso na ocasio, mas era com pesar que Holland via o interesse de Elma pelo Vigrio, 
razo pela qual no dava maior ateno ao proco. Assim, ele disse a Walter que tinha chegado ao fim de 
sua pacincia; iria a Londres obter uma licena especial e estava disposto a us-la com ou sem o 
consentimento do Almirante. E assim o fez.
Walter sabia que isso poria o Almirante mais radical do que antes, e que Elma, certamente, perderia o 
controle do dinheiro dela. Ele sabia, atravs da irm, da obsesso do Almirante com respeito ao incidente de 
Hong Kong, e resolvera usar esse fato para obter o consentimento ao casamento. Assim, ele datilografou o 
consentimento e, enchendo-se de coragem, foi procurar o tio logo depois do ch no dia de sua morte, 
permanecendo  espera dele no jardim, de modo a conservar o encontro secreto.
Era a primeira vez em muitos anos que ele via o Almirante e, a princpio, seu tio se recusou a falar com ele. 
Quando Walter, no entanto, anunciou que poderia contar toda a verdade sobre o epi-s6dio de Hong Kong, o 
Almirante mudou de tom. Walter, ento, apresentou sua proposio: a verdade em troca do consentimento. 
O Almirante no hesitou; assinou na hora. Em seguida, Walter contou-lhe toda a verdade. Para isso teve que 
sacrificar Denny, mas este, afinal de contas, era um criminoso; ele havia enganado Walter grosseiramente; e 
o casamento de Elma, para no falar na felicidade de Holland, no podia mais ser prejudicado para salvar as 
aparncias de Denny.
O Almirante estava a seu lado, raivoso. Rugiu, xingou, esbravejou, berrou. Com grande dificuldade, Walter 
conseguiu acalm-lo e o fez prometer que se comportaria na casa do Vigrio como se at ento nada tivesse 
acontecido. O Almirante finalmente assumira esse compromisso e foi vestir-se, jurando feroz vingana para o 
dia seguinte.
Walter pretendia ir logo cedo, na manh seguinte, at West End, a fim de alertar Denny; jamais lhe ocorreu 
que o Almirante faria alguma coisa ainda naquela noite. No entanto, escondido no jardim do Vicariato, onde 
tinha um encontro marcado com a Sra.
Mount, ele vira quando o Almirante sara de barco com Ware, a quem, sem dvida alguma, pretendia 
pressionar durante o trajeto, e se perturbara. Walter achou que teria que esperar pela Sra. Mount e, quando 
ela chegou, falaram sobre o assunto, e decidiram que ambos deviam seguir rio abaixo e adiar a entrevista 
com o Vigrio at sua volta; isso no tinha importncia, pois no haviam marcado encontro, pretendendo 
tomar de surpresa a conscincia do Sr. Mount. Os detalhes quanto  sua partida eram exatamente iguais ao 
que Rudge imaginara.
O restante eles j tinham ouvido do prprio Denny. Quando Walter voltou a Rundel Croft, informara sua irm 
de que seu tio havia sido acidentalmente morto. Elma ficou chocada, mas logo se recomps e o ajudou a 
procurar nos documentos.
 Havia sangue no vestido dela  lembrou o Superintendente.
 Ela me falou nisso mais tarde. Deve ter sido de minha mo.
Mais alguma coisa?
A valeriana?  perguntou Rudge.
Walter meneou a cabea.
Fui eu quem a ps l. Se o assassinato de meu tio era ou no era homicdio justificado (e eu acredito que 
era), quando chegou a vez de Celia... eu quis  disse Walter com simplicidade  coloc-los na pista certa. 
Eu queria ver Denny enforcado.
 Ento, por que no nos procurou para contar o que sabia?
 perguntou Rudge, com bastante 16gica.
 Era muito difcil para mim entregar esse sujeito.
 Oh!  fez Rudge. A estava uma noo de honra que no lhe agradava.
 Escute aqui  disse o Superintendente de sbito.  O que h por trs do tal incidente de Hong Kong? Era o 
senhor personalizando seu tio, suponho?
Walter ficou vermelho.
Aconteceu o seguinte. Denny me convidou para jantar certa noite e me embebedou. Ento sugeriu que seria 
uma pndega, se eu vestisse um uniforme da Marinha, que casualmente ele tinha  mo, e fosse dar um giro 
pela cidade; algum poderia confundir-me com meu tio e isso seria uma grande piada. Ele sabia que meu tio 
me odiava e que eu tambm nutria dio por ele, ou, pelo menos, que ns no gostvamos um do outro. Morri 
de rir, e como eu era um jovem idiota, concordei Jogo. Denny me emprestou o uniforme e ele mesmo me 
levou pela cidade. Eu no precisava fingir muito; e atava bbado como um gamb.
Na manh seguinte, eu devia ir de carro de boi ao interior, a servio da firma onde trabalhava, a quilmetros 
de distncia de jornais ou qualquer coisa desse tipo. Denny sabia disso e foi por essa razo que aquela noite 
em particular foi escolhida. Passou-se muito tempo antes que eu retornasse e, quando voltei, tudo j tinha 
acontecido. Denny me contou as novidades. Ele disse que tinha sido uma bobagem o que fora feito, que eu 
estava sujeito a um processo criminal e que ele no me daria apoio; o mal estava feito; era melhor que eu 
calasse a boca e no comentasse nada a respeito. Achei tudo meio esquisito, mas eu estava assustado 
e concordei em me conservar calado.
S vim a saber da verdade anos mais tarde e assim mesmo por acaso. O que acontecera foi o seguinte. 
Naquela ocasio havia uma grande rede de contrabandistas de pio operando em Hong Kong. Denny era o 
chefe da Alfndega e estava conluiado com os contrabandistas; ou faziam chantagem com ele ou o haviam 
comprado. Meu tio tinha tido informaes sobre a rede e estava chegando perto do seu rastro. Era preciso 
livrar-se dele ou dar o fora; engendraram um plano. Be algum modo meu tio foi atrado para aquela rua; uma 
mulher que servia de isca, a quem um chins estava fingindo maltratar, atraiu-o, deram-lhe uma pancada na 
cabea e em seguida o drogaram, e saturaram suas roupas com usque e pio. Nessa ocasio eu tambm 
tinha entrado no covil, como uma criancinha de dois anos. Eu usava barba nessa poca, e com um pouco de 
p em cima dela e um trao ou dois em meu rosto ficara to parecido com meu tio que ningum suspeitaria 
que no fosse ele... e at ele mesmo teve suas dvidas!
De um modo geral, foi um excelente compl. Alguma coisa mais?  Walter se encaminhou na direo da 
porta.
 No podemos deix-la sair  sussurrou o Superintendente, rapidamente.
 Mas que razes temos para prend-lo?  sussurrou de volta o Major 7wyfitt.
  um cmplice.
 No de nenhum crime  disse, sorrindo, Walter, cujo ouvido devia ser muito apurado.  Ningum pode ser 
cmplice de um homicdio justificvel.
 Isso no foi ainda provado  falou o Superintendente, gravemente.
 No? Bem, os senhores no me podem deter at que o seja.  Com um movimento rpido, Walter saiu 
pela porta.
 Temos que det-lo  resmungou Hawkesworth, pondo-se de p.  No sei por que, mas temos que faz-lo. 
Pegue-o Rudge!
Aquele mandado de priso de Hong Kong ainda est em vigor contra ele, de qualquer modo.
Walter, porm, j atravessara a sala da guarda e estava na porta da rua. L embaixo se encontrava um carro, 
com o motor em funcionamento. Ao ver Walter, o motorista engrenou a marcha. O carro arrancou e Walter 
pulou no banco de trs.
 Walter Fitzgerald  dizia o Superintendente correndo na direo da porta  eu vou...
 Lamento muito, mas no posso ficar...  zombou Walter, enquanto o carro ganhava velocidade.  Adeus, 
Superintendente. Se quiser, mande-me dizer alguma coisa por minha irm.
Sentada na frente, ao lado de Holland, Elma se voltou e acenou uma entusistica confirmao.
O Superintendente correu para o telefone.
 Deterei aquele carro antes que ele se encontre a cinco quilmetros daqui  disse o Superintendente, 
melancolicamente.
O Major Twyfitt bateu em seu ombro.
 Por que preocupar-se? Ns, na realidade, no o queremos.
J temos o homem certo. Vamos deixar que Fitzgerald se v. Acredito que ele esteja em melhores mos do 
que nas nossas.
Com um ar de desgosto, o Superintendente se afastou do telefone.
 Como o senhor quiser, claro. Mas deveramos t-la detido.
Sim, Gravestock?
O corpulento Agente de Polcia parecia assustado.
 O senhor quer fazer o favor de vir at as celas? Creio que h alguma coisa errada com o preso Denny.
Os trs policiais o acompanharam em silncio.
 Certamente h alguma coisa errada com ele  disse o Superintendente, um minuto mais tarde.  Ele est 
morto.  isso o que est errado com ele, Rudge!
Consternado, Rudge tirou do bolso o pacotinho de papel e o abriu.
 No  informou ele, com alvio  aqui est o seu veneno.
Ele tomou meu bicarbonato de sdio... nada mais.
 Ento, de que morreu?
 Ele apenas morreu  disse o Major Twyfitt, olhando :para a figura imvel.  Ele estava velho. Sabia que ia 
morrer... morreu.
Fez-se um momento de respeitoso silncio.
 E jamais vai assinar sua confisso  disse o Superintendente, com desgosto.
 


FIM
























APNDICE I

Solues

Capitulo I

CNEGO VICTOR L. WHITECHURCH

Nenhuma

Capitulo II G. D. H. e M. COLE

 Nenhuma 

Capitulo III HENRY WADE

Em 1919, logo depois da guerra, o Almirante Penistone (jovem, de carreira rpida pela prestao de 
brilhantes servios na ativa) viu-se envolvido em uma briga indecorosa em uma casa de m reputao em 
Hong Kong. Devido a seus excelentes servios, o Almirantado permitiu que ele pedisse sua passagem para a 
reserva, em lugar de submet-lo  corte marcial. Tambm trs outros ingleses estavam envolvidos nesse 
conflito: (1) Walter Fitzgerald, jovem e de mau carter, s voltas com bebidas e drogas; (2) um amigo seu, 
tambm scio em uma firma comercial, Vanyke, homem j de certa idade; (3) um outro comerciante, 
Holland. Durante o conflito, o desordeiro Fitzgerald  morto por chineses, mas isso no era do conhecimento 
das autoridades navais quando tiveram que resolver o problema Penistone.
Holland, sabedor do testamento do velho Fitzgerald, faz chantagem com Penistone, cobrando como preo a 
mo de sua sobrinha Elma. Elma, uma mulher de natureza espasmodicamente apaixonada, durante algum 
tempo se toma de um desesperado amor por Holland, mas esfria e (quando comea a histria) est 
procurando romper seu compromisso. Esta  a verdadeira causa pela qual o Almirante est aborrecido com 
sua sobrinha.
Elma, agora, est lanando sua rede sobre o Vigrio, um homem simptico e vigoroso, apesar de seus 50 
anos. Na noite em questo, ela o persuade a um romntico passeio pelo rio, aps supor-se que ela tivesse 
regressado para casa. O choque do Vigrio ao saber das novidades devia-se, principalmente, ao temor de 
que essa aventura viesse  tona.
Penistone, depois de trancar o abrigo de barcos e de fumar seu charuto do lado de fora da casa, volta para 
seu escritrio, onde  assassinado pelo mordomo, Emery. Este, na realidade,.  Vanyke, que acredita que 
Penistone seja moralmente, seno verdadeiramente, responsvel pela morte de seu pobre amigo, Walter. 
Emery pe o sobretudo de Penistone no cadver, para sugerir que ele havia sido assassinado fora de casa. 
O jornal (o exemplar entregue em casa s nove horas da noite) estava manchado de sangue e por isso ele o 
enfiou no bolso, nelas mesmas razes. s 2:30 da madrugada leva o corpo para o abrigo dos barcos, que 
abre com a chave do Almirante, e rema na direo da margem oposta. No Vicariato, coloca o cadver dentro 
do bote (onde o Vigrio esquecera o chapu durante seu romntico passeio) e solta-o  deriva (com a 
finalidade de sugerir que o crime se dera no Vicariato, ou, pelo mie-nos, plantar uma pista falsa). Como 
sugeriu o Agente de Polcia Hempstead, o bote subiu com a mar enchendo e voltou quando se inverteu o 
fluxo. Emery esfregou bem o barco de Rundel Croft, com medo de manchas de sangue.
Elma, provavelmente, foi para Londres a fim de ver seus advogados, e seus sapatos e vestido teriam sido 
escondidos por Emery, para confundir ainda mais as coisas.
Provavelmente, Neddy Ware sabia de alguma coisa sobre o incidente de Hong Kong.
Capitulo IV

AGATHA CHRISTIE

A verdadeira Elma Fitzgerald est morta, e seu irmo Walter est fingindo ser ela, por no poder reclamar 
sua herana com seu prprio nome, pois  procurado nela polcia. Holland foi seu amigo em remotas partes 
do globo. Walter acha difcil obter uma declarao positiva do Almirante com relao ao dinheiro e, para 
forar a mo, finge estar noivo de Holland. O Almirante ser ento obrigado a lhe entregar o dinheiro. Sem 
que Walter o soubesse, entretanto, o Almirante fizera especulaes com o dinheiro e o perdera.
Walter, que j fora ator, no teve dificuldade em enganar o Almirante, que no via sua sobrinha desde que 
esta era criana. Ele no se preocupa muito com Holland, mas reserva seus melhores esforos de disfarce 
quando  convidado por vizinhos e tem um verdadeiro prazer de artista em representar o papel de vo.
O Almirante, no entanto, tinha recebido uma carta annima de Clie, revelando que Elma  homem. Ele enfia 
essa carta no bolso, ainda fechada, exatamente quando estava saindo para o Vicariato e vai abri-la quando 
esperava por Elma que se estava despedindo do .Vigrio.
Imediatamente, ele faz com que Walter se defronte com a verdade enquanto atravessam de barco, e ameaa 
denunci-la  polcia. Walter, que conhece o carter inflexvel do Almirante, apunhla-lo no corao no 
momento em que o barco estava sendo recolhido no abrigo.
Em seguida, entra na casa e espera at que tudo esteja calmo. Ento Walter personifica o Almirante, veste 
um sobretudo, enfia o jornal no bolso e se apresenta no Lorde Marshall, que  mal iluminado e onde Boots  
um homem rstico e quase idiota. Pergunta por Holland e diz que no pode esperar por ele.
Depois disso, volta para Rundel Croft e mais tarde vai ao abrigo de barcos, pega a embarcao, leva-a para o 
outro lado do rio, coloca o corpo no outro bote e corta a amarra. Ele supe que o bote v na direo do mar e 
como a embarcao do Almirante se encontra no abrigo, presumir' que o Almirante tenha ido a p para a 
cidade a fim de seguir de trem para Londres. O bote, no entanto, vai  deriva rio abaixo, 5ca preso num 
banco e sobe mais tarde com a mar.
Descoberto o crime, Elma apressadamente d sumio no vestido branco manchado de sangue. Ele 
pretende voltar com uma boa desculpa, certo de que seu libi seria convincente.
O Vigrio no tornou a recuperar seu barco. Ele se encontra com sua mulher na Ponte Fernton. Estava 
terrivelmente ansioso em no falar, da sua maneira peculiar.
 Captulo V

John RHODE

O Almirante Penistone era um impostor que assumira a identidade do verdadeiro Almirante. Ele era, creio, 
um profissional da chantagem (o que explicaria o arquivo de recortes de jornais), que conseguira colocar sob 
suas garras muitas pessoas, entre as quais Sir Wilfrid Denny, que ficara pobre devido s constantes 
exigncias de Penistone.
Denny decide cometer o crime. Vem a saber que Penistone tinha um encontro marcado com Holland na 
noite do dia 9, e o espera na Ponte Fernton. Quando Penistone passa, Denny o chama, dizendo ter um 
assunto urgente a discutir... talvez ele consiga o dinheiro exigido pelo Almirante. Denny entra na 
embarcao e vai sentar-se  popa, com Penistone de frente para ele, remando. Quando chegam  ponte 
ferroviria (ver Mount), Denny se levanta de sbito e crava o punhal em Penistone, que se inclinara para a 
frente para dar uma remada.
Deixa o barco sob a ponte, entre seus pilares, onde est a salvo de ser visto, devido  escurido. Vai ento a 
Whynmouth, para um hotel, a fim de estabelecer l sua presena e uma determinada hora (11:00 da noite). 
Depois, sai sem ser visto e vai at o Lorde Marshall, onde personifica Penistone, o que no era muito difcil 
devido  pouca iluminao do saguo, com o objetivo de sugerir que Penistone ainda estava vivo nessa 
ocasio. Em seguida, volta para o primeiro dos hotis, onde permanece at depois da meia-noite. Dessa 
forma, ele estabeleceu um libi o melhor que pde.
O corpo, tendo ficado embaixo da ponte, manteve-se seco. Assim que a mar comea a inverter-se, ele rema 
rio acima, passa o cadver para o bote do Vigrio, encosta a popa na margem, e desce. Vendo o chapu do 
Vigrio, coloca-o no bote, para aumentar a confuso. Em seguida, procede como Ware imaginou.
Em Rundel Croft, ele coloca o barco no abrigo, cometendo o erro de pr a proa em primeiro lugar. Feito isso, 
caminha at West End. Sua sbita partida para Londres est relacionada com o testamento de John Martin 
Fitzgerald, assunto na ocasio bastante obscuro.

Captulo VI

MILWARD KENNEDY

1. Quatro homens esto empenhados em fornecer armas aos exrcitos chineses; so eles o Sr. X (principal 
elemento financeiro), o Almirante Penistone (Tcnico em Material Blico; conhecedor da China; na reserva da 
Marinha, sob um falso pretexto; tem tambm um interesse financeiro de menor monta), Sir Wilfrid Denny (ex-
integrante da Alfndega da China) e Holland (que faz os negcios). Holland no est naturalmente em 
condies de discutir seus negcios com a polcia.
2. O Almirante deseja aumentar sua participao financeira em outras palavras, tirar o Sr. X do negcio. Com 
essa finalidade, est ele confabulaes com Sir Wilfrid e Holland.
3. Sir Wilfrid se mostra relutante; recusa-se abertamente a participar e avisa o Sr. X.
4. O Sr. X, que j suspeitava do Almirante e desejoso de mant-lo de olho, persuadiu sua mulher a empregar-
se como se fosse francesa, a servio de Elma Fitzgerald.
Quando o Almirante se mudou para Rundel Croft: (a) Sir Wilfrid fica temeroso de que o Sr. X julgue que ele 
tambm o est traindo; (b) a empregada francesa descobre que exatamente do outro lado do rio mora o 
marido que ela abandonou 10 anos antes; ela d o fora e explica as razes ao Sr. X.
6. Sir Wilfrid informa ao Sr. X de que o Almirante est procurando marcar uma reunio dos trs scios. 
Holland, aparentemente, concorda.  dito a Sir Wilfrid que concorde, devendo a reunio realizar-se em 
terreno neutro, digamos, prximo  Ponte Fernton (mas no na ponte). E lhe dito ainda que no deixe 
que se saiba que ele tem quaisquer ligaes com Holland e com o Almirante, 7, O Almirante no dar 
consentimento a Elma para que se case com Holland, a no ser que este concorde com seus 
planos comerciais e ainda est de acordo em pr algum capital no novo empreendimento que Holland 
pretende levar adiante com parte do dinheiro que Elma vai receber. Talvez ele deseje tambm ajudar 
a manipular o dinheiro do irmo de Elma. Este irmo, sempre foi um transviado, mas recentemente se ouviu 
dizer que sua morte era dada como presumida.
8. O Sr. X, informado por Sir Wilfrid quanto  hora e ao local fixados para a reunio secreta, dirige seu carro 
como se fosse o motorista e usando luvas. Ele insiste em que a empregada francesa v at o Vicariato e 
arrume as coisas com o Vigrio de modo que ela possa, se necessrio, reassumir seu lugar em Rundel 
Croft.
Ele espera poder penetrar em Rundel Croft pessoalmente, enquanto ela se encontra no Vicariato (seu 
conhecimento de Rundel Croft era muito grande, devido s descries feitas pela empregada francesa), e 
roubar vrios documentos relacionados com os Contratos Chineses.
9. Enquanto a empregada francesa est no Vicariato, o Sr.
X desce pelo jardim, pretendendo cruzar o rio no bote do Vigrio.
Encontra ento o Almirante que acabava de voltar em seu barco.
10. O Almirante se apressa em sair do Vicariato depois do jantar porque quer levar Elma para casa, a fim de 
seguir, depois, para a reunio secreta. Ele encosta seu barco como de costume, mas verifica que deixou 
seu cachimbo no Vicariato e. sua carteira de charutos est vazia. Pega ento o sobretudo, pretendendo 
caminhar at a ponte; mas  praticamente a mesma coisa cruzar para o Vicariato, pegar o cachimbo e 
caminhar at J. (De acordo com o mapa as distncias so praticamente idnticas.) 11. O Sr. X e o 
Almirante conversam. O Sr. X mostra o jornal da noite com suas notcias sobre a China. O Almirante, 
preocupado com a reunio secreta, no se sente  vontade. Vo para o pavilho. Ali est, alm do chapu 
do Vigrio, a faca. A conversa termina em discusso, e o Sr. X mata o Almirante com a faca. Isso se passa 
por volta das 11:00 horas da noite.
12. De acordo com a opinio do Sr. X, os arranjos que fizera serviam para no o comprometer com o crime, 
tendo at dito a Wilfrid, como realmente aconteceu, que usasse o nome do Almirante ao convocar Holland 
para seu hotel  o que poderia fazer constar que o Almirante estava vivo e em Whynmouth s 11:00 horas da 
noite.
13. Ele encontra a chave da janela francesa, cruza o rio no barco do Almirante (deixando o corpo no 
pavilho), retira os documentos do escritrio, torna a trancar a porta e atravessar novamente. o rio no barco 
do Almirante, deixando cair a chave por descuido. Ele presume que a chave tenha cado no rio, mas no se 
anima a acender uma lanterna para ter certeza.
14. O Sr. X fica esperando no carro. Quando a empregada francesa reaparece (ele est convencido de que 
nem ela nem o Vigrio falaro sobre a reunio) o Sr. X diz a ela que leve o carro devagar e sozinha at a 
Ponte Fernton e da para Rundel Croft, Quando tem certeza de que o Vigrio est dormindo, leva o corpo do 
Almirante at o bote do clrigo, deixando a faca junto (no cravada) ao corpo e colocando dentro da 
embarcao, tambm, o chapu do Vigrio. Sua inteno original era soltar o barco  deriva, mas logo 
percebe que o rio provavelmente sofre os efeitos das mars e que o bote pode no atingir o mar. Assim, 
decide deixar as coisas como esto. (Desse modo o corpo ficou coberto at quase uma hora da madrugada 
e o sangue parou de correr antes que o corpo fosse colocado no bote.) O Sr. X torna a cruzar o rio no barco 
do Almirante (que ele amarra firmemente), atravessa o jardim de Rundel Croft at o carro e parte com a 
empregada francesa.
15. O no compadecimento do Almirante preocupa os outros dois, Sir Wilfrid e Holland. Esperam durante 
longo tempo e ento Sir Wilfrid vai para casa (na manh seguinte, quando o Sr. X telefona para ter notcias a 
respeito da reunio, ele se apressa em ir para Londres). Holland decide acertar as contas com o Almirante ali 
e naquela hora. Pe-se a caminho de Rundel Croft, v um carro estacionado nas proximidades da entrada e 
resolve dar a volta via Vicariato. Mas todo o negcio  de certo modo duvidoso e ele no deseja ser visto. Sua 
vontade de no ser visto atrasa seu deslocamento. Horrorizado, encontra o corpo no bote do Vigrio; j ento 
so quase duas horas. Holland percebe o risco que corre, pois no tem um libi; o Almirante poder ter 
comentado que ia a seu encontro na ponte; havia a questo do testamento e do casamento. 
Desesperadamente, comea a raciocinar. A mar se inverter, ele supe, dentro em pouco e ir fluir rio 
acima  para longe da ponte. Deve esperar a inverso da mar. A espera  ansiosa; Holland fica mais e mais 
sobressaltado, mais e mais ansioso por cair fora. Por volta das trs da manh a mar comea a inverter-se. 
Holland corta o cabo  no porque no possa desatar o n, mas porque isso satisfaz melhor seu estado de 
esprito  parece mais rpido do que desatar o n. Em seguida, pensa em impresses digitais e atira a faca 
no rio.
16. O plano de Holland  procurar tornar aparente que passou a noite no hotel em que est hospedado. Ele 
deve ver Elma to depressa quanto razoavelmente podia aparecer em Rundel Croft. Chega l antes do 
Inspetor. Emery tem que ser de certo modo conduzido; do mesmo modo Jennie Merton. A demora, quando 
o Inspetor aparece,  dessa forma explicada. Elma e Holland concordam em que somente eles sabem que o 
Almirante hesita em consentir em seu casamento; Holland foi aceito como seu noivo. Assim, o motivo 
testamento no seria srio; de qualquer modo, poderia ser argumentado que Elma, provavelmente, no 
tardaria a receber o dinheiro de seu irmo. Se eles viessem a casar-se, ela no poderia testemunhar contra o 
marido... e somente ela poderia dizer o que o Almirante pretendia fazer depois do jantar no Vicariato. J 
haviam obtido uma licena... pois as circunstncias (o contrabando de armas, as negociaes do 
Almirante, etc.) haviam sugerido a necessidade de contrair matrimnio rapidamente. Os dois partiram para 
Londres.
17. O vestido favorito no foi escondido. Justamente por ser o favorito tornou-se adequado para a cerimnia 
em Londres; por essa mesma razo Elma hesitou em permitir que sua nova e inexperiente empregada o 
guardasse em sua mala. Ela mesma o dobrou e o guardou em cima de tudo, depois de ter estado com o 
Inspetor. Com relao  sua aparncia, Elma (como algumas pessoas) se sente pior ante estranhos do que 
entre os ntimos (no caso do Inspetor ela no teve tempo,  claro). Sua encenao durante a entrevista era 
o que poderia esperar-se  em parte boa, em parte m. Quanto ao Vigrio: quando a polcia veio a seu 
encontro da primeira vez, seu pensamento dominante era que a visita de sua mulher no viesse  tona. 
Acima de tudo, tinha que pensar em seus filhas (quase seu primeiro pensamento). Seu chapu pode no ter 
nada a ver com a histria; ele se aferra  sua verso; nada sabe sobre o crime e no pode ser ligado a ele; 
mas se a visita da empregada francesa se torna pblica, podem surgir complicaes. Assim, depois de 
confirmar a histria de tudo em calma depois das dez e quinze, surge o desaparecimento da faca e sua 
constatao de que h agourentas manchas de sangue no pavilho de seu jardim. Mount rega o jardim e, se 
orienta mal o jato de gua, isso  apenas um indcio de sua completa incompetncia.
 
Captulo VII
DOROTHY L. SAYERS

John Martin Fitzgerald, de Winchester, advogado, casou-se em 1888, com Mary Penistone, e teve dois filhos 
de sua mulher; Walter, nascido em 1889, e Elma, em 1898.
Em 1909, Walter, j com 20 anos, teve alguma espcie de problema com seu pai e deixou o pas. Foi para a 
China e conseguiu um emprego como auxiliar de escritrio de uma companhia de fumo em Hong Kong; 
preguioso e depravado, ainda que simptico e atraente, envolveu-se com o contrabando de txicos.
O diretor assistente da Alfndega na China era um homem de nome Wilfrid Denny, que se viu metido em 
dificuldades por ter uma mulher extravagante, tendo contrado dvidas pesadas com um forte agiota chins. 
Denny no tardou a verificar que o preo da acomodao de seus problemas era fechar os olhos  
passagem do pio pela Alfndega. Isto o ps em contato com Walter, que no tardou a se ver em posio de 
chantagear Denny, fraco e tolo. A poca, Denny tinha cerca de quarenta anos de idade.
Em 191 1, o comandante do cruzador Huntingdonshire, fundeado em Hong Kong, era o Comandante 
Penistone, tio do jovem Fitzgerald, e contrabandear pio significava passar por Penistone. O comandante 
anterior tinha sido muito fcil de lograr, mas .Penistone era alerta e incorruptvel. Tinha ento 43 anos, era um 
homem jovial e vigoroso, benquisto por sua tripulao e oficial inteligente. Como no era possvel dobr-lo, 
havia necessidade de se livrarem dele. Walter, mancomunado com Denny, usou o conhecimento que tinha 
quanto ao carter de seu tio para envolv-lo em um inacreditvel incidente (i.e., com uma mulher ou em 
ligao com o mau tratamento dos nativos). Penistone, ainda que realmente inocente, aparece no martimo 
como sendo extremamente indiscreto e  aconselhado a pedir passagem para a reserva.
Penistone jamais soube quem estava por trs do incidente, pois nem sabia que Walter se encontrava em 
Hong Kong, e se tornou um homem diferente e amargo. Durante a guerra foi-lhe permitido voltar para a 
Marinha, vindo a ser transferido novamente para a reserva no posto de Almirante, em reconhecimento aos 
servios que prestara, mas ele ainda remi sobre o que poderia ter feito, se no fosse o incidente, e quando 
a guerra termina decide penetrar at o fundo de toda a histria. Procura coligir eficazmente informaes a 
respeito de tudo e de todos que poderiam ter estado interessados no compl. contra ele, tarefa ainda mais 
difcil pela confuso do ps-guerra na China. A coisa se torna para ele como que uma mania.
Enquanto isso, Walter continua com suas atividades ilcitas e em 1914 comete uma falsificao. A guerra de 
1914 estoura mesmo a tempo de livr-lo da priso. Ele consegue fugir e se alista. Mas o mandado de priso 
contra ele ainda es' em vigor, e se sobreviver parece provvel que venha a ser agarrado e tenha que cumprir 
um longo perodo de priso. lesse modo, Walter consegue fazer alguns arranjos para desaparecer. Envia para 
casa uma carta do tipo Querido pai-tenho-me-descuidado-com-vocs-mas-espero-que-seja-perdoa-do-agora-
que-virei-uma-pgina-de-minha-vida-e-estou-cumprindo-com-minhas-obrigaes, juntando  carta um 
testamento favorvel a Elma, para .o caso de acidente.
Aps o fracasso de Loos, em setembro de 1915, Walter deserta e desaparece.  dado como desaparecido, 
presumivelmente mora-to. O velho Fitzgerald, j de muito tempo arrependido de sua dureza com o querido 
Walter, pobre rapaz, est ento decrpito e muito doente. Tendo juntado dinheiro, escreve novo testamento, 
mas mantm as disposies estabelecidas alguns anos antes a favor de Walter e Elma, pois como Walter j 
reapareceu uma vez, poder faz-la de novo. (Ver Captulo VII.) Walter, no entanto, conseguiu reaparecer em 
algum lugar com documentos de alguma outra pessoa. Ele se mantm em contato com Elma, secretamente, 
sendo ainda para ela o maravilhoso e bem-amado irmo mais velho  uma radiosa lembrana da infncia. 
Se Walter est em dificuldade, a culpa deve ser de alguma pessoa malvada que o prejudicou. Walter faz de 
Elma sua confidente. A idia  provar que ele morreu, quando Elma ficar com a parte dele em dinheiro, 
dinheiro que transferir para Walter, sob sua nova identidade.
.O velho Fitzgerald morre em 1916. Nada mais pode ser feito at 1918-1919, quando os prisioneiros de guerra 
britnicos so postos em liberdade e a presuno de morte de combatentes desaparecidos  aceita pelos 
tribunais.
Tudo  arranjado e posto em ordem para a presuno da morte de Walter, quando surge uma pessoa 
inconveniente que diz ter conhecido Walter logo que se alistou no Exrcito e declara positivamente que o viu 
vivo em 1918, em Budapeste. Ela no sabe o nome sob o qual Walter agora se esconde, mas insiste em que 
no pode ter-se enganado com relao ao homem. Diante disso, o tribunal recusa a presuno da morte de 
Walter. Nota: somente agora  que se torna necessrio que Elma se case, a fim de proporcionar dinheiro ao 
irmo. Ver Captulo VII com relao a suas atuais possibilidades. 6 quando o problema da falsificao vem  
toga. (Ver Captulo VII.) O tempo passa. Walter, conhecido agora como o Sr. X, est levando vida airada e 
cara fora do pas  principalmente com sua vivacidade e explorando seu charme. Em 1920, seduz uma Sra. 
Mount, que se encontrava com amigos em Monte Cario e que possua algum dinheiro. Walter est em mar 
de m sorte ou no se teria envolvido com a mulher do Vigrio. Tendo sugado o dinheiro da ;Sra. Mount, ele 
a abandona  prpria sorte. A Sra. Mount se emprega como dama de companhia em Paris.
A vida se torna incrivelmente srdida e difcil para Walter. Um dia:; porm, ele vem a saber que Denny est 
aposentado na Inglaterra com uma penso e o ttulo de cavalheiro. 6tima idia! Vai fazer chantagem com 
Denny! Assim o faz, sabendo que Denny no ir exp-la, com medo de que a histria da China venha  tona, 
pois a penso que recebe seria sustada.
A idia de Walter : pague-me e ficarei calado. Deixa de pagar, e eu lano o arpo. Estou to decidido que 
pouco me importa s vou ou no para a priso, mas voc pagar por isso, meu rapaz! O infeliz Denny paga  
todas as suas economias se vo (o produto de seus negcios com contrabando) e ele tem que continuar 
pagando a Walter do que recebe da modesta penso.
O Almirante, enquanto isso (est agora morando na Cornualha), no. decurso de suas enrgicas 
investigaes, encontrou finalmente a pista sobre o velho incidente de Hong Kong. Um homem chamado 
Arthur Holland que, sob o disfarce de um vago negcio de exportao, realiza algumas investigaes 
secretas na China (provavelmente ele est envolvido com a poltica chinesa do p6s-guerra), fornece-lhe 
algumas informaes teis. O Almirante comea a suspeitar de que: (a) Walter est vivo; (b) Walter tem algo 
a ver com sua desgraa; (c) Denny tambm tem alguma coisa a ver com isso.
Walter agora est ficando calvo; ele deixou crescer a barba e modificou sua aparncia; um dia se apresenta 
 porta de Denny. Denny, de ento em diante, ter que mant-la e firm-la em sua nova personalidade como 
Sr. X. Caso contrrio... vai tudo para o brejo!
Denny est entre a cruz e a espada. Ele sabe (do que Walter lhe disse em momentos de expansividade), no 
entanto, que h uma pessoa na Inglaterra a quem o Sr. X no quer ver, o Sr. Mount. Este sabe demais a 
respeito do Sr. X, o suficiente. para tornar difcil sua vida em qualquer lugar. Denny consulta Crockford, 
descobre que Mount est morando em Lingham e se muda para a mesma vizinhana. Walter, voltando de 
uma viagem ao exterior, verifica que Denny est procurando fugir. Procura desentoar Denny, mas este se 
recusa.
Surge ento uma nova fonte de preocupaes. Afobado, Denny escreve para Walter. Ele tem notcias do 
Almirante. O Almirante  depois de todos esses anos!  ps-se a fazer perguntas, incansavelmente, sobre o 
j morto e enterrado incidente de Hong Kong. D a impresso de que realmente suspeita de alguma coisa. 
Denny est-se esforando ao mximo para mostrar-se amigvel e cauteloso, mas tudo est terrivelmente 
difcil.
Walter  de opinio que deve ser desenvolvida alguma espcie de espionagem. Ele procura sua ex-amante, a 
Sra. Mount, sobre quem ainda exerce grande influncia, e faz com que ela se empregue como dama de 
companhia de sua irm, sob o nome de Clie Blanc. Ela deve verificar o que puder a respeito de quem visita 
a casa e o que o Almirante est fazendo, e agir como ligao entre Walter e Elma. O Almirante, que comea 
a suspeitar que Elma sabe do paradeiro de Walter, est comeando a mant-la sob estrito controle e 
examina sua correspondncia.
Para Elma,  claro, Walter  o sobre e injustiado rapaz que nunca teve uma chance. Ela est ansiosa em 
que o irmo receba seu dinheiro, por bem ou por mal. Como falhou o esquema para provar que Walter 
morrera, Elma queria agora passar o pr6prio dinheiro para as mos dele. Felizmente, Holland se apaixonou 
de-sesperadamente por sua fanada beleza. Ainda que, por temperamento, Elma no fosse inclinada a 
contrair n6pias, est entusiasmada a casar-se com 'Holland para conseguir o dinheiro. O Almirante est 
muito desconfiado disso e, assim, procura opor-se ao casamento. Elma, por sua vez, no confia em Holland, 
um instrumento do Almirante. Todo mundo conspira para mant-la longe de querido Walter. Por isso,: ela 
interrompe sua correspondncia com o irmo e trata o Almirante com o desprezo que ele merece.
Holland foi alertado pelo Almirante que, se viesse a casar-se com Elma, ela provavelmente mandaria todo o 
dinheiro dela para o salafrrio do irmo. Mas Holland, que est apaixonado, diz que deseja Elma e no seu 
dinheiro. O Almirante o adverte de que no lhe dar o consentimento. Ao que Holland responde que pouco 
se importa. Mas Elma se importa. Ela quer casar-se com Holland para assumir o controle do dinheiro. A 
situao se arrasta. Elma se alterna entre encorajar Holland e rejeit-lo. Se ela se mostra muito amorosa, ele 
insiste em casar-se sem o consentimento do Almirante; se ela parece muito interessada no dinheiro, ele 
pode afastar-se. Como Holland  o nico homem com quem, hoje em dia, ela tem bastante oportunidade de 
se avistar, e nenhum outro pretendente parece interessado, Elma deve mant-lo to engajado quanto 
possvel.
A Sra. Mount  uma mulher fraca, ainda apaixonada por Walter.
Creio que sabe muito bem que ele  Fitzgerald, mas acredita, como Elma, que ele foi profundamente. 
injustiado. Walter est convencido de que a Sra. Mount est completamente sob suas garras e, como um 
engodo, prometeu casar-se com ela, se o ajudar a receber o dinheiro.
Muito bem, ento. O Almirante chega  concluso de que a nica pessoa que pode realmente ajud-lo a 
encontrar Walter e desenredar o incidente na China  Denny. Tomando uma de suas rpidas decises, 
compra Rundel Croft e leva toda a famlia para l, com armas e bagagens.
Isso  horrivelmente desconcertante para Walter, e a Sra. Mount fica apavorada quando se v  no somente 
na mesma localidade, mas, na verdade, em uma casa vizinha  de seu marido. (No creio que Walter tenha 
dito  Sra. Mount onde seu marido morava  por que o faria?  e quando a Sra. Mount pde informar a 
Walter para onde iriam, a mudana j se tinha realizado. Ou, talvez fosse possvel. que a Sra. Mount 
soubesse, mas deliberadamente nada falou a Walter no incio, por ter ficado entusiasmada com a idia 
de poder ver seus dois filhos. Talvez esta ltima idia fosse mais aceitvel e mais conveniente para o carter 
fraco da Sra. Mount, sob o ponto de vista emocional.) O Vigrio,  claro, v sua mulher e a reconhece, 
ficando profundamente chocado. Ele tem um encontro com ela em particular, no qual torna a obter parte da 
influncia antiga que tinha sobre sua mulher, como sacerdote, seno mesmo como homem. Delicadamente, 
o Vigrio pergunta a ela sobre Walter (a quem,  claro, s conhece como X)  ainda vive com ela? A Sra. 
Mount jamais pedira divrcio, e ele, o Vigrio, nunca tornaria a iniciativa de divorciar-se, por ser contra seus 
princpios. Para ele, ela continuava a ser sua mulher. A Sra. Mount fica sensibilizada com essa verdadeira 
considerao c admite que X se porta mal para com ela, mas admite ter agora esperanas de que afinal de 
contas possam casar-se, depois de os negcios dele se acertarem. A Sra. Mount (sempre prontamente 
suscetvel  influncia mais recente) torna-se muito preocupada depois desse encontro. Alm disso, do que 
ela ouviu na casa do Almirante, comea a temer que esteja sendo envolvida em alguma coisa mais imoral e 
perigosa do que a simples restituio de direitos a um homem perseguido. Afinal de contas, a essa altura, 
poucas sero suas iluses a respeito do carter de Walter como pessoa. Ela se decide a ir novamente 
procurar o Vigrio, contando-lhe tudo o que sabe, sob o juramento de sigilo da confisso.
O Vigrio  duro com ela.  um absurdo supor que lhe possa dar absolvio. Ela no est arrependida, est 
simplesmente assustada. Est enganando seu empregador e metida em uma conspirao para derrotar os 
desgnios da Justia. Sua obrigao  romper com Walter e contar tudo ao Almirante.
Caracteristicamente, a Sra. Mount nem faz uma coisa nem outra. No prossegue na hist6ria, mas no ousa 
falar com o Almirante: simplesmente abandona Rundel Croft, limitando-se a dizer a Walter que seu marido a 
havia reconhecido e que a situao se tornara insustentvel. Walter fica aborrecido, mas conclui que ela no 
merece mais confiana. Aconselha-a a no ser tola. Por que Elma no ir casar-se com Holland? Nada mais 
 objetivado. Walter consegue dela uma descrio exata da casa do Almirante, do Vicariato, etc.
Duas semanas mais tarde, Walter vem a saber por Denny que o Almirante est chegando perigosamente 
perto da verdade. Velhos amigos o tm visitado; alguma coisa foi descoberta. O Almirante precisa ser 
silenciado.
Walter concorda. Seu plano 6:  Matar o Almirante; (b)  Forjar provas de sua pr6pria morte a alguma 
poca subsequente  morte do velho Fitzgerald; (c)  Deixar que Elma herde a parte da herana de 
Walter, de conformidade com o seu or6prio testamento de 1915.
Walter e Denny ento ficaro seguros, e todo o dinheiro estar nas mos de Walter para todos os fins e 
prop6sitos. Se Denny se conduzir bem, participar do dinheiro. Walter ento faz com que Denny escreva 
uma carta para Elma. Ele diz que encontrou meios de exercer presso sobre o Almirante e for-lo a 
consentir no casamento de Elma com Holland. Nada disso dever ser dito a Holland (que poderia 
sinceramente se opor a esses mtodos), e, apenas, Elma deve dizer que est pronta a casar-se com ele, 
com ou sem o consentimento do Almirante. Holland dever obter uma licena especial e ela ir a Londres 
casar-se com ele na manh de 10 de agosto.
 ento estabelecido o plano para eliminar o Almirante, roubar os documentos e, dessa forma, deixar todo 
mundo alegre e feliz.
 

O Crime
1. Holland chega inesperadamente pelo trem de 8:50 da noite, para avistar-se com o Almirante. Ele est 
preocupado com a idia de que prejudicar o futuro de Elma, se se casar com ela e quer proporcionar ao 
Almirante uma chance final de dar o seu consentimento, antes que seja tarde demais. Holland liga do Lorde 
Marshall e quem atende  a Sra. Emery, que lhe diz que Ema e o Almirante saram para jantar, mas que 
provavelmente iro demorar-se at muito tarde. E desanimador, mas ele far o que for possvel. Pernoitar por 
ali e far mais um esforo em ver o Almirante, mas, se gro o conseguir, simplesmente voltar para Londres 
na manh seguinte e executar seu plano. Janta no Lorde Marshall e sai em seguida para dar uma volta, 
ocasio em que  visto por Denny.
2. Este dissera ao Almirante que havia descoberto alguma coisa sobre Walter e o incidente na China que o 
Almirante gostaria de saber. Tinha sob seu controle um homem que sabia de algo. Este homem se 
encontrava em dificuldades e no podia aparecer abertamente, mas, se o Almirante descesse depois do 
jantar, at um abrigo de barcos abandonado perto da Ponte Fernton, Denny e o homem encontrar-se-iam 
com ele. O encontro foi marcado para as 11:15 em ponto. O Almirante engoliu a isca ansiosamente. Walter 
(atravs de Denny) tinha contado tudo a Elma, ainda que para ela,  claro, o homem seja a pessoa 
misteriosa que exerce controle sobre o Almirante a vai extrair dele o consentimento para o casamento. O 
Almirante, do mesmo modo, pensa que Elma no sabe de nada disso.
3. O plano para o assassinato  o seguinte: Denny ir a p at o velho abrigo de barcos, encontra-se com o 
Almirante e fica conversando com ele. Nesse meio tempo, Walter vai at o Lorde Marshall, chegando por 
volta das 11:15. Ali, com sua barba e os traos de famlia que o fazem muito parecido com o tio, o Almirante, 
facilmente ser confundido com este devido  fraca luz existente. Walter dever deixar algum recado 
(quando, Walter fica sabendo, atravs de Denny, que Holland se encontra em Whynmouth, aproveitam-se 
dessa circunstncia. Walter deve perguntar por Holland, sugerindo que, se alguma coisa ocorrer mal com 
seus planos, Holland possa ser envolvido no negcio). Dessa forma, estabeleceriam o fato de que o 
Almirante pretendia viajar pelo trem de 11:25. Walter, em seguida, iria para a Ponte Fernton no carro de 
Denny (uma distncia de cerca de trs minutos de automvel) e, enquanto Denny ataca o Almirante, Walter 
golpear selvagemente sua cabea com um instrumento pesado. O corpo ser ento levado para a 
passagem de nvel, que  do tipo acionado por uma alavanca da sinaleira. Tudo isso no iria demorar mais do 
que uns sete minutos (digamos, um minuto para o crime, trs para ir do abrigo de barcos at o carro, outros 
trs at a passagem de nvel; isto permitiria que dirigisse a uns 50 quilmetros por hora num trajeto de dois 
quilmetros aproximadamente  quando poderia de fato cobrir mais rapidamente uma distncia to curta). 
Por volta das 11:22 colocaro o corpo na linha de descida, atravs das cancelas laterais, confiando na 
escurido. s 11:24 deveria passar o expresso, que no parava em Whynmouth. Com alguma sorte, o corpo 
do Almirante ficaria quase irreconhecvel e a concluso a que chegariam seria a de morte por acidente, ao 
atravessar a passagem de nvel atravs da cancela, a fim de cortar caminho para ir do Lorde Marshall at a 
estao. (Ver Mapa.) Walter ento se dirigir a Rundel Croft, ao encontro de Elma que o espera. Ele 
explicar  irm que a reunio se realizou e que o Almirante, em face do que transpirara, iria a Londres, mas 
que, antes, dera o consentimento para o casamento. Nessa ocasio, Walter entregaria a Elma o 
consentimento datilografado, que havia forjado com essa finalidade. Elma dever-se-ia casar imediatamente 
com Holland, pois Walter precisava Desesperadamente de dinheiro e no havia tempo a perder.
4. Esse lindo plano sai errado. O que realmente acontece  o seguinte: a Sra. Mount, depois do encontro 
com o Vigrio e mais uma coisa ou outra, passara a desconfiar de que Walter fosse capaz de coisas muito 
piores do que ela jamais imaginara, e passara a fazer algumas pequenas investigaes por conta prpria. 
Imagino que ela tenha interceptado alguma comunicao de Denny referindo-se  data e  hora do encontro 
com o Almirante. A Sra. Mount est morando em Londres, seja com Walter, seja em algum lugar escolhido 
por ele. Ela descobre: (a) que Walter no tem a inteno de realmente vir- a casar-se com ela, tendo feito 
outros planos e (b) que h um compl. para liquidar o Almirante naquela mesma noite. A Sra. Mount decide 
avisar o Almirante. J no h mais nenhum trem que ela possa tomar (o 8:50 j partiu e o expresso no pra 
em Whynmouth), e por isso ela aluga um txi e parte para Lingham.
 Ela no vai diretamente para Rundel Croft, preferindo no se defrontar com Walter, que pode estar l (a Sra. 
Mount no conhece detalhes do compl.). Procurar encontrar o Vigrio e avis-lo. No vilarejo ela determina 
ao motorista que pare no porto do Vicariato e espere sua volta. No ir demorar-se muito. Chega ao 
Vicariato s 10:40. (N.B.  h, um pouco mais cedo do que o policial citou no Captulo VI, mas ele disse por 
volta das 10:45.) A Sra. Mount no quer tocar a campainha (os rapazes! os empregados!)... o Vigrio talvez 
esteja no jardim, fumando o cachimbo antes de ir para a cama (como era seu hbito, lembra-se ela). Vai at 
o pavilho, onde no encontra ningum, somente o chapu do Vigrio e a faca de Peter em cima da mesa. 
Deveria ela atirar pedras na janela do quarto de dormir do Vigrio? (Mas qual  a janela?) Ou ser melhor 
atravessar o rio de barco e ir ousadamente a Rundel Croft? Ela est brincando com a faca e lhe ocorre que 
se tiver que enfrentar Walter por conta prpria ali est uma arma til. Sbito, escuta o inconfundvel rudo de 
remos trabalhando nas forquetas. A Sra. Mount se apressa em ir para o abrigo de barcos e, atravs da nvoa 
do vero, v o Almirante que comea a deslocar-se rio abaixo. No pavilho ela teria apanhado o que julgava 
ser sua bolsa de camura preta, mas que, na realidade,  o chapu do Vigrio. Ela puxa o bote do Vigrio 
pela corda presa a sua popa, mas devido  fora da correnteza e  dureza do cabo novo, tem alguma 
dificuldade em desat-lo do poste de amarrao. Assim, utiliza-se da faca de Peter para cort-lo e acredito 
que, nessa ocasio, atira a faca dentro do rio, vara ser subseqentemente achada. Ela coloca as forquetas 
em posio e se pe no encalo do Almirante, que a essa altura j vai longe, rio abaixo. (Ela poderia ter 
tentado cham-la, mas o Almirante, provavelmente, no deu ateno, ou ela pode ter tido medo de provocar 
uma situao desagradvel. Os rapazes! os empregados! ) 5. O capote. O Almirante decidiu ir  reunio pelo 
rio. Ir de carro significava fazer barulho e, no iria a p devido ao feriem-to de guerra que afetara uma de suas 
pernas (com isso no  possvel supor-se que ele pudesse ir caminhando e chegar a tempo em Whynmouth). 
O Almirante aguarda no abrigo de barcos at que Elma esteja fora do caminho e, refletindo, acha melhor levar 
um capote, pois vai aquecer-se remando e o encontro no velho abrigo de barcos poder ser demorado. Vai 
at a casa, apanha o capote e, ao voltar, torna a fechar a janela francesa. Em seguida, sai de barco. Como a 
mar est baixando atentadamente, o Almirante julga que poder ir at a Ponte Fernton no mximo em meia 
hora, sendo ele um excelente remador, apesar da idade.
 6. A Sra. Mount no consegue remar rio abaixo to bem quanto o Almirante. Quando ainda casada ela 
costumava remar junto com o Vigrio, mas est sem prtica. Na verdade ele costumava chegar  Ponte 
Fernton em 25 minutos, s 11:10, encontrando Denny  sua espera. A Sra. Mount chega 10 minutos mais 
tarde. V o barco, mas no v o Almirante. Amarra o bote nas pranchas apodrecidas, e se esgueirando em 
volta do abrigo de barcos, em runas e afetado pelas guas, v Denny e o Almirante atrs do abrigo. Denny, 
agora, tem srias dvidas sobre Walter. Acredita que Walter possa mat-lo, assim como ao Almirante. Por 
isso veio armado com uma faca  uma relquia dos tempos da China, sem dvida. A Sra. Mount grita para o 
Almirante: Cuidado, Almirante! Eles vo mat-lo! O Almirante (que tem as mais srias dvidas quanto a 
Denny) volta-se ameaadoramente para Denny. Este perde a cabea como um idiota, saca da faca e 
apunhala o Almirante. A Sra. Mount desmaia e cai.
7. Nesse conturbado momento, chega Walter, tendo desempenhado sua parte no plano. Fica horrorizado ao 
encontrar o Almirante morto, com um ferimento que de forma alguma pode ser atribudo a uma locomotiva. E 
ainda por cima a Sra. Mount, tendo ataques de histeria por ali! Fica furioso com ambos, Denny e a Sra. 
Mount. Eles altercam em sussurros zangados. Denny diz que no pde evitar o que aconteceu. Walter o 
chama de idiota completo. Denny quer saber se no podem dar prosseguimento ao plano, pois talvez o 
ferimento no seja percebido na confuso geral. Enquanto perdem tempo em recriminaes e em controlar a 
Sra. Mount  que mostra toda a disposio de gritar e atrair quem passe na estrada  ouve-se a distncia um 
barulho e um apito e, s 11:24, o trem faz estremecer a ponte da ferrovia.  demasiado tarde. O nico trem 
a passar  o 11:25, mas no h tempo para fazer mais nada.
8. E agora, o que vo fazer? Aqui esto eles, com duas embarcaes, um carro, uma mulher e um cadver. 
A coisa mais simples a fazer  deixar que o Almirante flutue pacificamente na direo do mar, e com a 
intensidade. da mar no momento l dever chegar dentro de meia hora. Algum encontrar o corpo e 
logicamente haver investigaes em Rundel Croft, sendo urgentemente necessrio que Walter v at l e 
tire os documentos. Depois, haver tambm uma ao qualquer rio acima; sangue e pegadas sero 
descobertos na Ponte Fernton. t muito melhor sugerir que o crime tinha sido cometido em outro lugar. O bote 
do Vigrio, o chapu do Vigrio... por que no levar toda essa caterva para Rundel Croft e deixar que o 
Vigrio explique as coisas da melhor maneira que. puder? Walter levar o carro at a casa, retirar os 
documentos e deixar l o consentimento forjado. A Sra. Mount e o infeliz  Denny devem levar os barcos de 
volta o mais depressa que puderem, com ou sem correnteza.
9. E por falar nisso, quer saber Walter, como a Sra. Mount veio bater aqui? Depois de uns momentos de 
discusso e sacudide-las, a Sra. Mount contou o que acontecera. Raios!  preciso livrar-se daquele 
motorista! Aqui esto eles e j  meia-noite (pois houve muita discusso). No h tempo a perder. Walter 
volta de carro e vai na direo do Vicariato. O txi desapareceu! O fato  intrigante e desagradvel, porm, o 
mais imperativo  andar depressa.        i * Walter vai agora na direo de Rundel Croft, dando a volta 
pela Ponte Fernton. Chega e esconde o carro em algum lugar fora da * estrada. Entra na casa passando pela 
janela francesa com a chave de Elma, vai at o escritrio e comea a buscar os documentos.
10. O carro. O motorista do txi, durante a espera, comeou a ficar impaciente. Sua passageira dissera que 
s iria demorar-se alguns minutos, e ele j est esperando h uma hora. Ningum parece ter aberto a porta 
para ela. O Vicariato est escuro como um tmulo. O motorista est quase certo de que est sendo 
tapeado.
Faz soar a buzina vrias vezes, com toda a fora, e em seguida se encaminha para a porta lateral, que  a 
primeira com que se depara, e bate. O Vigrio, cujo quarto de dormir fica por cima dessa mesma porta (os 
empregados e os rapazes dormem no lado do rio), olha para fora. O que  que est havendo? Algum 
paroquiano est  morte? A resposta do motorista  ininteligvel  para o Vigrio  e o Sr. Mount acha melhor 
descer e ver o que est ocorrendo.
O motorista pergunta se a dama vai demorar, pois tem que voltar para sua garagem, para um outro servio. O 
Vigrio pergunta a que dama est-se referindo. A que eu trouxe aqui, torna o motorista, que descreve sua 
passageira. Ele vai ou no receber seu dinheiro? Porque se no... mostra toda sua inteno de criar 
problemas. O Vigrio, que com extrema inquietao reconhece a Sra.
Mount pela descrio feita, pensa rapidamente. A qualquer preo um problema deve ser evitado. D uma 
explicao qualquer e paga o motorista, depois de anotar-lhe o nome e o endereo da garagem.
Em seguida, pe-se a raciocinar. Onde teria ido sua mulher? Por que teria vindo at o Vicariato? Talvez ela 
tenha ido a Rundel Croft. Vai at o abrigo de barcos. Seu bote no est ali. A Sra.
Mount deve ter cruzado o rio nele. Sacode a cabea. Obviamente a pobre criatura est ainda sob as garras 
daquele patife. O que far ela ao voltar e verificar que o txi j foi? Era bvio que devia esperar sua mulher e 
explicar o que acontecera. Se necessrio, elo mo a levar em seu carro. Volta e se veste, ficando sentado, 
depois de vestir-se, no seu quarto mesmo, a fim de vigiar a estrada. (Por que Mount no fica observando o 
abrigo de barcos? Porque, se Walter voltar com ela, pode haver problemas e, provavelmente, discusso em 
voz alta  e, ento, os rapazes! os empregados! De qualquer modo, ela deve dirigir-se novamente para o local 
onde deixou o carro e, assim, Mount fica esperando do lado da casa volitado para a estrada.) 11. Cabe agora 
a Denny e  Sra. Mount levarem os barcos de volta. Removem os vestgios de sangue do antigo abrigo de 
barcos da melhor maneira que podem. A Sra. Mount, ameaada por Denny, a quem acaba de ver matar um 
homem, ajuda sem protestar. Denny veste o capote no Almirante (ou t-lo- vestido o prprio Almirante ao 
chegar) e enfia em seu bolso o jornal da noite que trouxera (ou o prprio Walter) para a reunio. (O jornal fora 
comprado naquela noite mesmo em Whynmouth ou Walter poderia t-o trazido de Londres.) Por volta de 
uma hora da manh, comeam a deslocar-se, com o abrandamento da mar. Colocam o corpo do Almirante 
no bote do Vigrio, retiram as forquetas e pem o casaco de Denny cobrindo o rosto do morto. Isso explica o 
fato de o corpo no estar mido de orvalho. O bote do Vigrio, com o cadver dentro,  atado pelo cabo  
popa do barco do Almirante a fim de ser rebocado. O incompetente Denny naturalmente ata o cabo com um 
desses ns de gente de terra que ningum, a no ser um peixe-serra, poder desatar, especialmente pelo 
fato de que o cabo est molhado e a corda nova empapada de gua. Com um bote a reboque e dois 
remadores incompetentes, o deslocamento no foi muito rpido e a temida madrugada j vinha rompendo 
antes que chegassem a Rundel Croft. Walter l est, impaciente com a demora. Ele fechou a porta e trouxe 
a chave, mas, ao ajudar o idiota do Denny, a chave cai. Walter pensa que a chave. caiu na lama, mas na 
verdade foi parar dentro do barco do Almirante e acaba sendo chutada para debaixo das tbuas, por Denny. 
De qualquer modo, no havia tempo para que a procurassem. O dia est ficando claro. Maldito Denny e seu 
n6 indesejvel! O cabo  cortado com a faca de Denny, e o bote  solto  deriva conduzindo o corpo. O bote 
se arrasta pelo rio e vai encalhar na margem aposta. Mais tarde a mar o libera e o impele rio acima. O 
remanescente. da corda do barco do Almirante  picado e atirado fora, depois de terem posto a embarcao 
no abrigo, com a extremidade errada para a frente. Em seguida, voltam para Whynmouth no carro de Denny, 
onde Walter e a Sra. Mount so deixados. Walter retira seu prprio carro do local onde o havia escondido, 
quando chegou de Londres, e leva a Sra. Mount tambm no auto  e se essa pobre mulher sasse dessa 
histria toda com vida, eu ficaria surpresa. (N.B.  O carro de Walter podia tambm ter sido utilizado o tempo 
todo. Ou Walter e a Sra. Mount poderiam ter voltado para Londres no trem leiteiro. Em qualquer dessas 
casos, os movimentos dos carros poderiam ser levantados.) 12. Holland. O que estaria Holland fazendo? Ele 
poderia,  Claro, permanecer dormindo em sua cama, inocentemente, porm creio que seria mais divertido 
se assim no fosse. Creio que, depois de colocar suas botas do lado de fora a fim de serem limpas, Holland 
achou que valeria a pena tentar novamente o Almirante. Saiu ento, sem ser visto por Boots, em algum 
momento entre as 10: 00 e 11:00 horas (no muito cedo, pois a famlia no teria ainda voltado do Vicariato). 
Caminha os quatro quilmetros calmamente usando sapatos de lona de solado de borracha. Digamos que 
atinge Rundel Croft s 11:15. (O Almirante est no abrigo de barcos, Elma j subiu.) A casa est s escuras. 
Aparentemente, tio e sobrinha ainda no chegaram. Holland vai at o abrigo dos barcos. Eles esto ainda no 
Vicariato. Bom. Holland resolve passear um pouco pela estrada, mantendo a casa de olho. Ainda no h 
luzes acesas. Muito estranho. Holland devaneia sobre amor e casamento e recita o Poema ao Rouxinol a fim 
de encher o tempo. A casa continua s escuras. Ser que no os viu'! Torna a ir at o abrigo. O barco ainda 
est fora. No h luzes acesas em lugar algum. J  mais de meia-noite. Bem, no lhe  possvel bater  
porta a uma tal hora. Opa! Algum est entrando pela janela francesa! Luz no escritrio. Holland distingue, 
perfeitamente, o perfil barbado do Almirante (na verdade Walter e seus traos de famlia) dentro do escritrio. 
Cada vez mais curioso. Onde est o barco? As cortinas do escritrio foram cerradas, mas h luz agora na 
sala de visitas. Holland bate. Elma vem abrir a porta. Elma parece muito surpreendida ao v-lo. 8 possvel ver 
o Almirante? No... Oh, no.... mas no h necessidade. O Almirante concordou com o casamento. Olhe s! 
Aqui est a autorizao. Ento, diz Holland, no h necessidade de ir a Londres amanh. Oh, sim... 
deixemos que eles faam como est assentado. De fato o Almirante somente deu seu consentimento 
compreendendo que ela acabaria manchando a honra da famlia...  mesmo? Por Deus! Holland dir quele 
tipo o que pensa dele. Por favor, no! Isso s servir para tornar as coisas piores. Por favor, faa o que ela 
est dizendo. Claro querida  e ela o ama, no  mesmo?  Oh, claro, mas por favor, agora v embora. Muito 
bem... mas ela est to linda esta noite. Muito bem. Boa-noite, querida.
Holland se afasta imerso em um sonho maravilhoso e quando chega ao Lorde Marshall fica envergonhado de 
bater  porta. Ao contrrio, d voltas em torno  baa (onde poder ser visto, se necessrio) at s seis, 
quando entra sem ser visto por Boots, que est ocupado no bar. (Observemos que Holland agora est 
preparado para jurar que viu o Almirante com vida aps a meia-noite.)
Quando surgem as novidades sobre a morte do Almirante, Holland fica preocupado. Q preciso ver Elma. Vai 
a Rundel Croft pensando que, com o que aconteceu, ela no ir adiante com o casamento. Holland  
interceptado velo Inspetor Rudge, e quando se v livre vem a saber que Elma foi para Londres, de acordo com 
o combinado. Apressa-se a ir atrs dela e, pressentindo que ia haver muitos problemas com relao ao 
ocorrido, casa-se com Elma. Como sua mulher, pode proteg-la. Holland percebe que, naturalmente,  
impossvel para eles ficarem na cidade, como Elma sugere.  necessrio que voltem para o inqurito e o 
funeral. Elma, porm, est aborrecida, e, no momento, Holland lhe faz a vontade. (Nota: Holland nada diz a 
Rudge sobre sua viagem  meia-noite, temeroso de que o Inspetor o detenha. Primeiro, ele quer ir ao 
encontro de Elma. Na verdade,  possvel at que, a essa altura, ele suspeite de Elma.) 13. Elma. A nfase 
dada ao tempo gasto em chamar Elma e para ela vestir-se me parece um pouco exagerada. Elma, quando 
fica sabendo da morte do tio, apavora-se. No pode deixar de suspeitar de Walter, mas espera que o crime 
tenha sido cometido pelo outro homem desconhecido, depois que Walter os deixou. Elma sente-se mal e 
com vontade de vomitar, mas Emery ir trazer-lhe uma xcara de h e ela procurar recompor-se. Emery traz 
o hl Sim... Elma agora est melhor  diga ao Inspetor que ela vai descer dentro de um quarto de hora. Elma 
pe-se a pensar sobre o que ser melhor que diga. Ningum sabe a respeito de Walter. Holland 
evidentemente julga ter sido o Almirante quem entrou  meia-noite. Era melhor no dizer nada. Elma espera 
que Holland no fale nada antes de consult-la; de fato, provavelmente ele j est em Londres. Vai mandar 
Jennie arrumar sua mala. O vestido branco servir agora para a cerimnia de casamento; Elma olha o 
vestido. Meu Deus! Uma mancha de sangue na cintura. Ou a mo ou o casaco de Walter deve ter produzido 
a mancha quando a cumprimentou.
Ento, Walter...! Horrvel. Apressadamente, esconde o vestido, muda de roupa e desce.
Tempo para contar a novidade Tempo para preparar o ch Tempo para tomar o ch Tempo para examinar o 
vestido e pensar no que vai dizer Tempo para mudar de roupa Elma,  claro, deixa que Holland pense que foi 
o Almirante quem ele viu no escritrio, dado que, de outra forma, ela teria que falar sobre Walter. No entanto, 
ser difcil explicar por que deixou que Rudge pensasse que teria sido s 10:00 horas a ltima vez em que 
ela viu o Almirante.
14. O Vigrio. Sai pela manh cedo. Ningum veio atrs do carro. O que ter acontecido? Encontra a bolsa 
de sua mulher no pavilho e marcas de saltos de sapatos altos no caminho que vai da casa ao pavilho, bem 
como no canteiro perto do pavilho. (Nota:  o caminho entre o pavilho e o abrigo de barcos que  de tijolos. 
O outro  de pedregulhos.) Aflito por evitar o escndalo, o Vigrio se mune de um ancinho e de um forcado e 
remove as marcas.
O tempo tem estado firme e quente, mas tem chovido um dia ou outro durante uma semana mais ou menos. 
(Nota: no tem havido seca prolongada, ou Neddy Ware teria alguma coisa a dizer a respeito de seus efeitos 
sobre o nvel do rio, que parece, pelo menos, estar normal.) Desse modo, a terra, quando revirada, parece 
suspeitosamente negra e mida. Depois de saber do crime, o Vigrio no pode deixar de suspeitar de que 
sua mulher seja cmplice ou, pelo menos, culpada de ter conhecimento. O Vigrio aprende qual  a 
diferena entre orar e cumprir o dever para com o Estado, de um homem religioso. Esconde a bolsa e rega 
abundantemente a terra revirada.
Precisa, agora, encontrar sua mulher. Precisa saber se ela  ou no culpada (a me de seus filhos enforcada 
como assassina!!!). O Vigrio espera que sua mulher no seja culpada e que, mostrando a ela estar ciente 
de sua presena no pavilho naquela noite, pode induzi-la a revelar o que sabe sobre Walter. Ele mesmo no 
pode,  claro, divulgar essa informao, pois  impossvel a um sacerdote revelar o que tenha ouvido em 
confisso. O Vigrio conhece o endereo da garagem a que pertencia o txi. To cedo quanto ) e seja 
possvel, sem despertar suspeitas da polcia, ele ir procurar levantar a pista da mulher.
15. O cachimbo do Almirante foi deixado para trs, sobre a mesa do Vigrio, durante a visita. Esse fato no 
tem qualquer significao no contexto do conluio, exceto que, quando 'Holland diz que viu o Almirante em 
Rundel Croft, novas suspeitas sero lanadas sobre Mount.


Captulo VIII
RONALD A. KNOX

Captulo l. O trao principal da situao  nenhum dos que tarde contriburam tratou desse ponto  parecem 
o fato de que o corpo tenha sido encontrado dentro de um barco. Um assassinato em um barco  muito 
improvvel; mas, por que colocar um cadver dentro de um barco, quando seria muito mais simples lana-la 
dentro dgua? A no ser que, na verdade, estivesse sendo pretendido uma tramia muito elaborada, a 
posio do barco no rio tendo sido artificialmente engendrada de modo a lanar sustei-tas do crime sobre 
alguma pessoa inocente.
Se Cnon Whitechurch tinha algum assassino em vista de algum modo, Ware seria o homem  devemos 
presumir que Canon Whitechurch respeite a honra das vestes sacerdotais. Centreis paribus, em uma 
moderna histria de detetives a pessoa citada em primeiro lugar  normalmente o criminoso.
A favor de ser Ware o culpado, deve ser observado que ele alega no reconhecer o corpo de Penistone, ainda 
que, muitos anos antes, o tenha conhecido na base na China. No parece provvel que Ware no conhea 
Penistone pelo menos de vista, aps um ms da mudana do Almirante, em pleno vero, j que Ware est 
sempre pescando e o Almirante possui um barco. Contra ser Ware o culpado, o fato de que Penistone venha 
a morar em sua vizinhana cria uma improvvel coincidncia, se imaginarmos que Ware tinha um antigo 
ressentimento contra ele.
Eu j disse, uma vez, que nenhum chins deveria aparecer em histrias de detetives. Sinto-me inclinado a 
estabelecer essa mesma regra aos que residem ou residiram na China. Parece que o Almirante Penistone, 
Sir W. Denny, Walter Fitzgerald, Ware e Holland so, todos eles, familiares com aquele pas, o que parece 
um pouco de exagero.
Captulo 2. Imagino que os Coles procurassem incriminar Elma, ainda que possam tambm ter deixado 
Denny de olho.
Captulo 3. Ware parece duvidar de Elma; o guardar na mala ou esconder as roupas usadas por ela  noite 
indicam essa direo. (Por que ela se enfeitou para ir ao encontro do Vigrio?) As palavras Se  que foi, na 
pgina 57, parecem destinadas a incriminai Ware; do mesmo modo que a hiptese de Appleton quanto  
possibilidade de o crime ter sido cometido acima do ponto em que foi encontrado o corpo.
Ser que o sereno atinge botes que flutuam nos rios? A enciclopdia no me forneceu ajuda.
Captulo 4. A Sra. Christie parece suspeitar de Denny; ele  duro, a mudana de Penistone para Rundel Croft 
 atribuda a um desejo de estar perto dele e, de acordo com a Sra. Davis, Denny no ficou absolutamente 
satisfeito com esse fato. De acordo com os princpios comuns de uma hist6ria de mistrio, isso devia 
significar que Penistone estaria fazendo chantagem com Denny. Eu no

consigo encontrar a importncia do fato, se  que h alguma, de ter sido o Vigrio abandonado por sua 
mulher. Ela abandonou o marido em 1920, muito depois da guerra, de modo que parece difcil identific-la 
com Elma, que estava com o tio naquela poca. A que distncia fica Whynmouth de Londres?
Captulo 5. Rhode parece fixar-se em Holland. Penistone pode ter ido a Whynmouth para encontrar-se com 
Holland, que o matou e levou seu corpo corrente acima; depois transfere o cadver para o bote do Vigrio e 
coloca o outro barco no abrigo com a proa em primeiro lugar. Mas,  claro, Denny est sob suspeita, devido 
 localizao de sua casa. Ainda, mais uma vez, a insistncia de Ware de que o crime tenha sido cometido 
em um ponto abaixo daquele em que o corpo foi encontrado pode ser um esforo para que seja excludo o 
verdadeiro criminoso  ele mesmo. At onde o rio sofria a influncia da mar?
Captulo 6. Kennedy parece apontar para o Vigrio. Se no  assim, por que foi a arma tirada do pavilho do 
Vicariato? (A no ser que tivesse sido tirada ao acaso.) E por que o Vigrio molhou to completamente o 
jardim, seno para apagar pegadas? (Estou certo de que no devemos atribuir o crime aos dois rapazes 
filhos do Vigrio.) No compreendo o porqu da mulher no carro. Se era Elma, no vejo como o teria 
conseguido. Se foi uma outra pessoa qualquer,  um personagem novo, que no foi mencionado nos cinco 
primeiros captulos e assim, de acordo com meus princpios, no pode ser o assassino. Ela poderia ser a 
mulher do Vigrio, mas parece uma coincidncia que exatamente em uma noite j to acidentada acontea 
ainda uma tal visita.
Captulo 7. Creio que a Srta. Sayers acha que. o Vigrio sabia de alguma coisa a respeito do crime como um 
todo. A extenso da corda parece indicar que o bote do Vicariato teria sido amarrado duas vezes naquela 
noite e, de cada vez, liberado por meio do corte do cabo de uma posio desvantajosa; da o 
desaparecimento dos 60 centmetros do dito cabo, que devia estar preso em algum lugar, a no ser que 
deliberadamente removido depois do crime. A amarrao do bote por duas vezes sugere que ou havia dois 
diferentes compls em marcha, ou teria havido uma moldura muito elaborada.
A volta dos Hollands e sua histria de terem visto Penistone vivo depois da meia-noite parece dar ao mistrio 
uma tonalidade completamente nova; eu gostaria de poder descobrir qual. Se a permisso para o casamento 
fosse verdadeira, cessam os seus motivos para ter cometido o crime, e o motivo da pressa em casar-se  
difcil de se perceber. Se eram os criminosos, por que atrair sustei-tas com um casamento apressado? 8 
algo que no consigo entender e gostaria que ela no tivesse deixado para mim a concluso da entrevista.
De qualquer modo, a vai minha soluo.
Walter Fitzgerald tinha muitos traos de sua me e podia, usando maquiagem adequada, fazer-se passar 
pelo Almirante, seu tio. Deve ter sido por isso que conseguiu atirar nas costas do tio, um deslize que ele 
prprio cometeu em Xangai. O Almirante suspeita de que tenha sido isso o que ocorreu; esta  a razo pela 
qual ele colecionava recortes de jornais em sua mesa, os quais eram destinados a desacreditar a reputao 
de Walter, se ele reaparecesse na Europa. Quase mais importante, o Almirante tinha em mos, e os estava 
ocultando, documentos que provavam a inocncia de Walter no caso da falsificao e que teriam permitido 
que voltasse a reaparecer na sociedade. Walter sobreviveu  guerra e fugiu com a mulher do Vigrio em 
1920. Celia Mount, para aumentar suas rendas, foi empregar-se com Elma como dama de companhia 
(francesa). Elma sabia que seu irmo queria recuperar os documentos, mas no que ele pretendia matar o 
tio, desse modo silenciando-o. O Almirante mudou-se para Lingham a fim de ficar perto de Denny, a quem 
vinha chantageando. Celia, vendo que estava to perto do marido, foi procur-lo e insistiu sobre o divrcio. O 
Vigrio recusou-se, por motivos de conscincia. Celia foi embora, levando consigo um molde em cera de 
chave da mesa do Almirante.
Holland, de algum modo, viera a tornar-se inimigo de Walter na China. Assim, Walter decidiu jogar em cima 
dele todas as suspeitas quanto ao assassinato. Elma no amava Holland, mas desejava casar-se com ele a 
fim de obter o controle de seu prprio dinheiro. Penistone recusava-se a dar seu consentimento, porque 
desconfiava de Holland, a quem conhecera na casa de Denny, supondo que ele estivesse agindo a favor dos 
interesses deste.
Walter e Celia, na noite fatal, foram de carro a Lingham. Eles sabiam, atravs de Elma, dos movimentos da 
casa em Rundel Croft. Celia desceu no Vicariato, onde encontrou o Vigrio no jardim, e o persuadiu a lev-la 
de barco at a margem oposta e a prender o Almirante com sua conversao, enquanto ela ia at o escritrio 
e se apossava dos documentos necessrios para salvar um homem inocente. O Vigrio teve necessidade 
de cortar o cabo, devido  situao da mar. Celia conseguiu pr as mos nos documentos por volta das 10: 
3Q; passou um recado por telefone para Holland, como se fosse Elma (que se encontrava em cima, 
ignorante de sua presena), pedindo-lhe para aparecer por l por volta da meia-noite. Nesse meio tempo (o 
Vigrio continuava a conversar com o Almirante), Walter tinha ido at o hotel, onde se fez passar por 
Penistone, esperando, deste modo, implicar Holland. (Seria verificado que ele no tornara o trem e que 
Holland sara naquela noite; presumir-se-ia que o crime tivesse ocorrido em Whynmouth ou em suas 
proximidades de onde o corpo fora largado  deriva. Talvez os criminosos tivessem cometido um engano a 
respeito das mars.) Ento, Walter voltou a Rundel Croft, onde matou o Almirante ou j o encontrou morto 
por Celia (apanhada quando roubava os documentos). O Vigrio, cuja previso era de que ficasse 
conversando com o Almirante at 11 horas (digamos), estava aguardando no abrigo de barcos e levou Celia 
para o outro lado do rio. Celia disse que ele podia ir deitar-se, pois o motorista a levaria de volta. Na verdade, 
Celia dirigiu-se ao rio, passando por cima dos canteiros de flores, cortou o cabo uma segunda vez (sendo 
bem mais baixa do que Mount) e foi reunir-se a Walter. Este, nesse meio tempo, tinha vestido no cadver o 
sobretudo do Almirante e enfiado em seu bolso um jornal, para sugerir que Penistone tinha de fato estado em 
Whynmouth. Walter pensou em colocar o corpo no barco do Almirante, mas imaginou que esse barco fosse 
o que estava amarrado pela proa; da por que de fato ele colocou o corpo no bote do Vigrio (onde o chapu 
tinha ficado por acidente) e, usando o barco do Almirante, rebocou o bote com o cadver at o meio do rio, 
soltando-o ento  deriva. Celia chamou a ateno de Walter para o engano quando ele voltou, mas era tarde 
demais para fazer qualquer coisa; os passos de Holland se fizeram ouvir sobre o pedregulho. Walter correu 
para o escritrio e personificou o Almirante, mostrando a Holland o consentimento forjado. Esse documento 
ficou com Elma (que sabia que era falso) ; Holland voltou para o hotel, entrando por uma porta lateral que 
deixara destrancada; Walter e Celia saram de carro.
Ao ser descoberto o corpo, Elma apressou-se em casar com Holland, julgando que Walter fosse o criminoso 
e que ela perderia uma outra chance de casar-se; Holland se apressou em casar-se com Elma, 
cavalheirescamente, por julgar que ela se encontrava sob suspeio. Denny, tomando conhecimento (atravs 
de Emery) de que os documentos tinham sido tirados da mesa, correu para Londres, a fim de saber o que 
estava sendo feito com aqueles que o comprometiam. Mount encontrou outra laada na estaca de 
amarrao, no entendeu por que, mas a destruiu para evitar suspeitas sobre sua mulher, mesma razo pela 
qual apagou as pegadas dela no canteiro. O vestido branco (que havia sido usado por Elma que queria atrair 
o Vigrio, esperando persuadi-lo a conceder o divrcio a Celia) foi levado para Londres por ser o que possua 
de mais parecido com um vestido de noiva.
A hora precisa do crime e a distncia precisa coberta por Walter ao rebocar o corpo ficam a cargo dos 
expertos em mars. Walter queria fazer parecer que o bote tivesse ficado  deriva ao sabor da mar que 
subia, desde Whynmouth ou na maior parte do trajeto a partir da. A chave foi deixada por Celia no barco do 
Almirante. Isso visava sugerir que Penistone tinha deixado tudo trancado quando (supostamente) se dirigiu a 
Whynmouth; e era o que teria acontecido, no fora a confuso de Walter com relao aos barcos. Celia tinha 
uma chave da janela francesa e outra da mesa.
Os cmplices presumiram que a histria de Holland no fosse .aceita e que iriam pensar que ele tivesse 
assassinado o Almirante em Whynmouth ou em suas proximidade por volta das 11 horas.
 
Captulo IX
FREEMAN WILL CROFTS

Na tarde que precedeu o crime, Walter vai visitar Celia a quem instalara no hotel da Rua Judd. Depois que ele 
sai, Celia, de algum modo, suspeita do que vai acontecer naquela noite. Entra em pnico e resolve salvar 
Penistone a todo custo. Tem de avistar-se com Mount e se assegurar de seu auxlio, depois de lhe relatar as 
circunstncias em confisso. O trem das cinco e meia j passou, razo pela qual ela toma o das sete horas 
para Drychester, de onde segue de txi at o Vicariato. A casa parece fechada e Celia vai ver se o Vigrio 
est no pavilho, antes de bater  porta. Quando se decide a bater, Celia v Penistone saindo de barco. 
Pega a faca e, o que ela supe seja sua bolsa e corre para o rio, gritando com todas as foras de seus 
pulmes. O Almirante, porm, no a ouve. Celia acha que poder ser tarde demais se for procurar Mount, e 
segue o Almirante. Se for aconselhvel, ela poder ter visto (ou ficado?) a faca no pavilho. No consegue 
desatar o n da corda e volta correndo para pegar a faca.
A menos de um quilmetro rio abaixo ela se depara com o barco de Penistone. (Se fosse na ponte no 
haveria tempo para Walter voltar e personificar o Almirante.) Ali, Celia encontra Walter e Denny e o corpo do 
Almirante, que j foi assassinado. Denny parece quase louco de medo. Ela fica horrorizada. Acredita que 
Walter seja o criminoso, mas no tem certeza. Os dois dizem a ela que o Almirante se suicidou. Ela no 
acredita, mas no tem certeza. Muito fraca, no faz coisa alguma. Walter manda que Celia v para o carro 
que escondeu ali por perto. Walter e Denny levam os barcos de volta, guardando-os no abrigo de barcos de 
Rundel Croft. Denny espera enquanto Walter entra na casa para roubar os documentos que isentariam 
Penistone de culpa, incidentalmente revelando a tramia feita por Denny e Walter contra ele na China. Walter 
conta a Elma o que aconteceu. Ela fica horrorizada, mas nada pode fazer, a no ser destruindo Walter, a 
quem  to afeioada. Elma decide ignorar o que aconteceu.
Walter preparara o documento autorizando o casamento, que  dado a Holland. Quando este vai embora, 
Walter e Denny colocam o cadver do Almirante no bote do Vigrio, como sendo a melhor coisa que tm a 
fazer, e soltam-no  deriva. Inicialmente pensaram em lanar o corpo no rio, mas coloc-lo no bote do Vigrio 
lhes pareceu uma idia melhor. O guardar dos barcos no abrigo, deste modo, responde pelos movimentos 
dessas embarcaes ao sabor da mar, bem como pelo fato de as roupas estarem secas.
Denny, em seguida, vai vara sua casa, esgueirando-se para no ser visto. Walter leva Celia para Londres, 
pois, temeroso de que ela venha a contar tudo, prefere lev-la para Paris at que a tormenta tenha passado.
Deve ser explicado que Celia pegou o chapu do Vigrio por engano e, por isso, deixou sua bolsa para trs. 
Foi nessa bolsa que Mount encontrou os endereos de Drychester e de Londres.

Cronologia

Quanto s datas, parece ser como segue: Segunda-feira, 8 de agosto  Lua nova.
Tera-feira, 9 de agosto  Penistone janta com Mount. O crime  cometido durante a noite.
Quarta-feira, 10 de agosto  Descoberta do corpo. As investigaes de Rudge levam-no a produzir os 39 
itens.
Quinta-feira, 11 de agosto  Rudge informa seus superiores e faz investigaes a respeito do pessoal de 
Rundel Croft.
Sexta-feira, 12 de agosto  Reunio com o juiz de instruo. Rudge segue para Drychester e para Londres.
Sbado, 13 de agosto  Rudge encontra o hotel da Rua Judd.
Segunda-feira, 15 de agosto  Rudge vai a Drychester, e se apresenta e informa ao Superintendente.



 Captulo X
EDGAR Jepson

Walter  o criminoso. Ele usa barba e se parece muito com seu tio, o Almirante, a quem personificou no 
Lorde Marshall. Depois do crime vai a Rundel Croft, onde se avista com sua irm, cujo auxilio consegue 
atravs de alguma explicao diferente dos fatos reais; 'Holland se confunde, pensando tratar-se do 
Almirante, quando Walter est procurando pela pasta X, que contm a verdade a respeito do incidente de 
Hong Kong e a participao que teve Walter; em seguida sobe para raspar sua perigosa barba no banheiro. 
Desse modo, ele pode no ser reconhecido e se manter em contato com os acontecimentos, fazendo-se 
passar pelo reprter da Evening Gazette.
 
Captulo XI 
CLEMENCE DANE

Aqui, de um modo geral, esto os pontos que alinhavei. Clie, a empregada francesa, e a mulher do Vigrio 
so uma mesma pessoa. Ela est vivendo com Walter, o criminoso, ou, de algum modo, est ligada a ele; 
sabe o suficiente para torn-la perigosa. Walter sabe que ela foi avistar-se com seu ex-marido (ou com 
qualquer outra pessoa que se queira inventar com o mesmo objetivo), a fim de consult-la e quer tirar de cima 
de si mesmo as suspeitas e lan-las sobre Mount, por um segundo crime; ou, alternativamente, pensa que 
ela vai denunci-lo. Seja como for, Walter segue Clie.
Clie dirigiu-se ao Vicariato e ficou sabendo que o marido sara, bem como os empregados. (Por 
coincidncia, o Vigrio lhes dera um dia de folga. Tanto ele como os empregados tinham ido visitar uma 
exposio de flores a alguma distncia, ou uma localidade das redondezas.) Ela havia tambm escrito aos 
Hollands, pedindo-lhes que fossem at l,. como objetivo de consult-los.
Clie, ignorando que a ausncia do Vigrio  mais do que temporria, fica ali pela jardim, come as ameixas, 
depois vota para casa e encontra Walter. Discutem. Seja como for, ele a mata, arranjando as coisas de 
modo a parecer suicdio, e sai apenas uns momentos antes de o Inspetor chegar. Walter pensa que no foi 
visto, porm mais tarde transpira que um dos moradores da localidade o viu. Tem uma desculpa perfeita: fora 
procurar o Vigrio na condio de reprter e, como todos os demais, encontrou a casa vazia. O Inspetor, no 
entanto, sabe que Clie esteve ali no jardim uns 10 minutos antes de sua chegada  os caroos de ameixa 
ainda midos e o lencinho  e que, desse modo, ela deve ter-se encontrado com Walter que teria tempo para 
assassin-la e cair fora sem se deparar com Rudge.
Se houver necessidade de mais tempo, o lencinho e os caroos de ameixa podem ter sido encontrados na 
sombra e, assim, levariam mais tempo a secar. A outra importncia da pista das ameixas  a concluso que 
Rudge tira desse fato, antes que se d o reconhecimento de Walter pelo morador local, de que uma mulher 
que permanece andando para l e para c num jardim, animada e chegando a comer ameixas, no cometer 
suicdio, provavelmente, dentro de trs minutos. O carto da funerria  uma pista falsa; na realidade foi 
escrito por uma das empregadas ou pelo pr6prio Vigrio, sendo uma mensagem verdadeira dirigida a quem 
quer que aparecesse. Ou poderia tratar-se de uma mensagem falsa, escrita por Walter com a caligrafia do 
Vigrio, a fim da evitar a descoberta do crime durante muitas horas. No sei como explicar a participao ou 
a no participao de Elma e Holland nos acontecimentos. Para mim  muito inexplicvel. Assim, presumi 
que fossem duas pessoas completamente inocentes, e que todos os indcios que apontam para eles so 
puramente acidentais. Para ser franco, estou completamente desnorteado quanto ao que possa ter 
acontecido, e procurei escrever um captulo que qualquer pessoa poderia usar para provar qualquer coisa que 
quisesse.
 


APRND1CE II

Notas Sobre a Amarrao do Bote
(Extrado da carta de John Rhode)

Eu, tambm, senti a necessidade de entrar no bote a fim de deix-lo solto ou amarr-lo novamente. Bem, o 
que acontece, em um rio cujo nvel sobe e desce consideravelmente com a mar (como deve ter sucedido 
com esse rio, o que responde pela rapidez dos movimentos e pela correnteza da mar),  que isto  quase 
imperativo, quando se deseja manter o barco flutuando. Uma das formas de amarrar um barco  como eu 
imagino.
O poste de amarrao  fixado no leito da corrente, alm da marca correspondente ao nvel mais baixo do 
rio, em guas suficientemente profundas para que o barco se mantenha sempre flutuando. Um molhe de 
pedra, levando da borda do rio at a marca do nvel inferior evita o avanar pela lama. Um anel de fixao  
preso do molhe  margem onde se inicia.
Bem, saindo do barco, voc quer ir para a margem. Muito bem. Amarre o barco ao poste de amarrao. 
Impulsione o barco at que a popa encoste no molhe. Pule para terra, levando um cabo mais leve, 
segurando-o por uma das extremidades e mantendo a outra presa  popa do barco. Em seguida torne a 
impulsionar o barco para fora, amarrando sua extremidade da corda ao anel na praia, ajustando o 
comprimento dessa corda, de modo que, durante a mar, o barco fique paralelo  margem.
Agora, voc quer sair novamente de barco, depois de ter feito em terra o que desejava. Retire a corda e 
empurre a popa at que ela encoste no molhe. Salte para a popa, mantendo o cabo. V at a proa, puxe pelo 
cabo at ficar quase junto ao poste de amarrao e em seguida solte a amarra.
Creio que voc deseja que algum entre no barco e solte a amarra. Como voc ver, a no ser que se chegue 
ao barco pela ria, isto  sempre necessrio. Lembre-se de como o barco oscila ao ser descrito o incidente. 
Durante a mar baixa, o barco permanece como descrito. Durante a cheia, porm, a popa girar por si 
mesma e permanecer encostada  margem durante todo o fluxo. Isto,  claro, no tem importncia, dado 
que a gua est subindo.
 255 Lembre-se, tambm, de que qualquer ponto em particular no movimento das mars ocorre (prximo 
bastante para esse objetivo) cerca de trs quartos de hora mais tarde a cada dia sucessivo. No  possvel 
ter-se mar alta s 10:00 da manh de um determinado dia e mar baixa s 11:00 do dia seguinte. Tambm 
em rios como esse, sujeitos a mars, a mar baixa por mais tempo do que sobe. Estabeleci regras para 
este rio determinado, ainda que no me lembre exatamente delas atualmente, para orientao daqueles que 
o desejarem.
Quanto a distncia do poste de amarrao da marca superior das guas, voc pode, dentro de limites, fazer 
o seguinte: mea aproximadamente quatro metros ou mais, no sentido horizontal, entre o nvel mais alto e o 
nvel mais baixo das guas, e dois metros ou mais entre o nvel mais baixo e o poste; voc no errar por 
muito. Essas distncias podem ser aumentadas quase indefinidamente, mas no convm diminuas em 
muito, ou a margem ficar embaraosamente ngreme.
 Opinio da Justia Sobre o Testamento de Fitzgerald

Analisei o ponto que voc levantou na tarde de hoje na biblioteca, e o resultado de minhas pesquisas, naquilo 
que pude entender, e que certamente tem sido - mantido atravs de processos e mais processos, sempre 
que  exigido o consentimento de uma certa pessoa para um casamento, e essa pessoa vem a morrer pela 
vontade de Deus, ou, pelo menos, sem ser por culpa do beneficirio, a coridio exigida fica nula.
Nenhum dos casos anotados se desenvolve de maneira a que transcorram apenas 24 horas entre a morte da 
pessoa cujo consentimento  exigido e o casamento do beneficirio, que deseja entrar na posse da 
propriedade, e creio que seria necessrio, quando a morte est a menos de 24 horas da cerimnia, que o 
beneficirio, a fim de garantir seu direito absoluto, prove, para o caso de surgir alguma contestao:

Um (1)  que pretendia obter o consentimento necessrio antes da cerimnia de casamento; (2)  que a 
morte impedira a obteno do consentimento e que, no fora por isso, haveria tempo para sua obteno;  (3) 
 face a alguma sugesto de que a culpa foi do beneficirio, defender-se dessa alegao; que a cerimnia 
no foi arranjada at que a morte ocorresse, o que tornou impossvel a obteno do consentimento exigido. 
Provado ser isso verdade, no importa quo depressa aps a morte o beneficirio requer que a condio seja 
considerada nula Quanto a essa ltima possibilidade, no sou autoridade com relao a licenas de 
casamento, mas, a julgar pelos livros, parece que desde que uma das partes tenha morado 15 dias na 
localidade onde pretende que seja realizada a cerimnia do casamento, ela pode informar o cartrio de 
registros e obter uma licena de casamento depois de feito o registro, decorrido um completo dia de semana 
ou, na linguagem legal, dentro de 42 a 48 horas, desde que no haja um domingo pelo meio.
Este procedimento se aplica a casamentos em quaisquer outros lugares diferentes da igreja determinada, 
isto , cartrios de registros ou outras igrejas no conformistas autorizadas a procederem casamentos.
Sem os 15 dias de residncia prvia, o processo  mais demorado.
Uma vez obtida, uma licena de casamento  vlida durante muito tempo; creio que so trs meses, mas 
voc pode verificar esse ponto. 6 possvel que uma das partes interessadas tivesse obtido uma licena e 
estivesse aguardando uma oportunidade favorvel para pedir o consentimento necessrio, por parte do 
beneficirio. Esse tipo de licena  vlido somente para o casamento em um determinado lugar. Ver 
Whitaker.
Em caso de condies subsequentes em que a exigncia se torna impossvel atravs de um ato de Deus, o 
direito de concesso se mantm, ainda que possa haver uma concesso de no cumprimento da condio. 
Por exemplo, se a pessoa de quem o consentimento  exigido morre antes do casamento.
Collet versus Collet. 35. B. 312.
Nesse caso, foi exigido o consentimento da me viva ao casamento. A me morreu em 1856.
Em julho de 1865, sua filha Helen casou-se.
O Cdigo afirma que a concesso da autorizao no ter lugar, se as condies exigidas se tornaram 
impossveis atravs de um ato de Deus, e no por culpa da pessoa que teria que cumpri-la.
Nesse caso, era razoavelmente certo que a me, se estivesse viva, teria dado o seu consentimento a esse 
casamento, aceitvel sob todos os aspectos.
 O princpio  a presuno de que o testador no pode cumprir condies inexeqveis, e que sua inteno foi 
de cumpri-la at onde lhe fosse possvel.
Tendo a condio se tornado impossvel por ato de Deus, o direito aos bens tornou-se absoluto. Aislabie 
versus Rice. 3 Mad.
25 C.
 
